A Capitania de Santa Catarina foi uma divisão administrativa do Brasil colonial criada em 11 de agosto de 1738 nos territórios mais meridionais da capitania de São Paulo. O governo foi oficialmente instalado em 7 de março de 1739, sendo primeiro governador José da Silva Pais.
Após a Ilha de Santa Catarina ser invadida em 1777, a capital passou a ser provisoriamente São Miguel da Terra Firme, atual Biguaçu.
Em 28 de fevereiro de 1821 torna-se uma província, que viria a ser o atual estado de Santa Catarina com a Proclamação da República.
A vantajosa posição geográfica da ilha de Santa Catarina, o excelente porto de Laguna, muito frequentado pelos navios que iam da Europa para o rio da Prata e oceano Pacífico, e outras razões políticas determinaram a João V, em 1738, formar com a ilha e terra continental adjacente uma capitania ou governo separado, independente da Capitania de São Paulo, a qual havia pertencido até àquela época. A área atual do litoral de Santa Catarina pertenceu inicialmente à Capitania de Santana (1534-1656), depois à Capitania de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá (1656-1709), que passou então a pertencer à Capitania de São Paulo (1709-1738).
A noção de colônia na historiografia Embora frequentemente descrita como parte do Brasil Colônia, as capitanias não eram compreendidas por seus contemporâneos como integrante de uma entidade político-administrativa denominada "colônia". Durante o século XVIII, os documentos oficiais da Coroa Portuguesa referiam-se aos territórios ultramarinos americanos como partes do Império Português, subordinadas ao Estado do Brasil ou diretamente à administração régia.
Na historiografia contemporânea, o termo colônia é utilizado como uma categoria analítica destinada a descrever as relações políticas, econômicas e administrativas estabelecidas entre as monarquias europeias e seus domínios ultramarinos. Nesse sentido, a expressão Brasil Colônia constitui uma construção historiográfica posterior, empregada para designar o período em que os territórios americanos sob domínio português encontravam-se subordinados à Coroa e integrados ao sistema imperial luso.
Criação Com a expansão portuguesa para o sul da colônia até a região do Rio da Prata, houve a necessidade de se formar uma nova unidade administrativa do reino para garantir a guarda e posse dessas terras. Criada em 11 de agosto de 1738, seu governo foi instalado em 7 de março de 1739 com a vinda do brigadeiro José da Silva Pais como seu primeiro governador. O território compreendia os atuais estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul até a emancipação deste último como capitania do Rio Grande de São Pedro em 1760.
Os interesses portugueses no sul do Brasil aconselhavam a manutenção e o fortalecimento dos povoados litorâneos. Com tal objetivo, Laguna foi elevada em 1774 à categoria de vila, passando a exercer o papel de posto avançado para a conquista do Rio Grande do Sul. Dali partiram expedições que atingiram a colônia do Sacramento e Montevidéu e, de passagem, arrebanhavam gado e aprisionavam indígenas. Desterro, sendo altamente fortificada por Silva Pais desde sua vinda a Santa Catarina, era sua capital. Muitas das fortalezas construídas no período, resistiram a ocupação espanhola de 1777 e aos séculos, e estão de pé até os dias atuais. direita|280px|thumb|Mapa de 1771 mostrando o Brasil meridional.
A partir de 1740, são implantadas no litoral catarinense as armações de baleeiras: Armação de Itapocorói (Penha), Armação de Nossa Senhora da Piedade (Gov. Celso Ramos), Armação da Lagoinha (Florianópolis), Armação da Garopaba (Garopaba).
Após 1807 com a criação da capitania-geral de São Pedro do Rio Grande (futuro Rio Grande do Sul), suas fronteiras compreendiam: ao norte, o rio Saí Guaçu (Joinville), ao sul o rio Mampituba (Torres), a oeste a Serra Geral, que corre de norte a sul, mais próxima à costa e a leste o Oceano Atlântico.
Colonização açoriana As ilhas do arquipélago dos Açores, sofrendo abalos sísmicos terrestres ou submarinos, estimularam a saída de parte de sua população. Aliado a este fator estaria o precário desenvolvimento econômico da região, o desejo de lançar-se ao mar, mas principalmente o excesso populacional que em decorrência, provocava a escassez de alimentos em determinadas ocasiões. De 1748 até 1756, em sucessivas levas, chegaram cerca de cinco mil açorianos, a maior parte dos quais se fixou no litoral. Os novos colonos receberam doações de terras na ilha e no continente. Houve muitas dificuldades, desde as péssimas condições da viagem até a adaptação à terra onde deveriam fixar-se.
Colonização do planalto Catarinense Luís António de Sousa Botelho Mourão, o Morgado de Mateus, governador da capitania de São Paulo, interessado em garantir o domínio português sobre a região do atual planalto catarinense e o escoamento do gado do Rio Grande do Sul para São Paulo, encarregou um abastado paulista, Antônio Correia Pinto, de estabelecer povoação na paragem denominada Lages, então sob a jurisdição de São Paulo. Em 1775 fundou-se a Vila de Nossa Senhora dos Prazeres de Lages, que em 1820 foi incorporada a Santa Catarina.
Domínio espanhol Quando irrompeu a guerra entre Portugal e Espanha, a ilha de Santa Catarina, mal defendida apesar de sua importância estratégica e abandonada pela esquadra portuguesa, que não queria pôr em risco seus navios, foi tomada em 1777 por Pedro de Ceballos, sem que o invasor desse um só tiro ou perdesse um único homem. Dali estendeu-se a conquista de povoado em povoado, com exceção de Laguna, que ofereceu resistência. Um ano depois, a ilha voltou às mãos portuguesas através do Tratado de Santo Ildefonso. esquerda|100px|thumb|José da Silva Pais.
Governadores Governador da Capitania de Santa CatarinaInício do mandatoFim do mandatoJosé da Silva Pais7 de março de 173925 de agosto de 1743Patrício Manuel de Figueiredo25 de janeiro de 174420 de março de 1746Pedro de Azambuja Ribeiro25 de agosto de 174325 de janeiro de 1744José da Silva Pais20 de março de 17462 de fevereiro de 1749Manuel Escudeiro Ferreira de Sousa2 de fevereiro de 174925 de outubro de 1753José de Melo Manuel25 de outubro de 17537 de março de 1762Francisco Antônio Cardoso de Meneses e Sousa7 de março de 176212 de julho de 1765Francisco de Sousa e Meneses12 de julho de 17655 de setembro de 1775Pedro Antônio da Gama Freitas5 de setembro de 177523 de fevereiro de 1777Domínio espanhol23 de fevereiro de 177712 de agosto de 1778Francisco Antônio da Veiga Cabral da Câmara12 de agosto de 17785 de julho de 1779Francisco de Barros Morais Araújo Teixeira Homem5 de julho de 17797 de julho de 1786José Pereira Pinto7 de julho de 17867 de janeiro de 1791Manuel Soares de Coimbra7 de janeiro de 17918 de julho de 1793João Alberto Miranda Ribeiro8 de julho de 179318 de janeiro de 1800Junta governativa catarinense de 180018 de janeiro de 18008 de dezembro de 1800Joaquim Xavier Curado8 de dezembro de 18003 de junho de 1805Luís Maurício da Silveira3 de junho de 180514 de julho de 1817João Vieira Tovar e Albuquerque14 de julho de 181720 de julho de 1821Tomás Joaquim Pereira Valente20 de julho de 182120 de maio de 1822
Bibliografia Paulo José Miguel de Brito, Memória Politica sobre a Capitania de Santa Catarina, Rio de Janeiro, 1816. Piazza, Walter Fernando. Santa Catarina: História da Gente. Ed. Lunardelli, 1989. Atlas Geográfico de Santa Catarina. Governo do Estado de Santa Catarina. 1986. FLORES, Maria Bernadete Ramos; SERPA, Élio (orgs.). Catálogo de Documentos Avulsos Manuscritos referentes à Capitania de Santa Catarina – 1717-1827. Florianópolis: UFSC, 2000.
Ver também Lista de governadores de Santa Catarina
Ligações externas Projeto Resgate: Catálogo de documentos manuscritos avulsos referentes à Capitania de Santa Catarina existentes no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa Mecanismo de busca no banco de dados do Projeto Resgate
Santa Catarina Categoria:Estados e territórios fundados em 1738 Categoria:Estados e territórios extintos em 1821