A Ordem dos Cavaleiros Teutônicos de Santa Maria de Jerusalém (), conhecida apenas como Ordem () foi uma ordem militar cruzada vinculada à Igreja Católica por votos religiosos pelo Papa Clemente III. Foi formada no ano de 1190, em São João de Acre, no Reino de Jerusalém, para auxiliar os germânicos feridos nas Cruzadas.

Os seus membros usavam sobrevestes brancas com uma cruz negra e tinham por norte o lema: Ajudar, defender, curar.Three most famous chivalric orders - The Telegraph (inglês) Tiveram a sua sede em Acre, uma fortaleza construída nos tempos do Reino de Jerusalém (1099-1291), durante as Cruzadas, cujos vestígios se conservam no norte de Israel.

A Ordem Teutónica, ao lado da Ordem dos Templários e da Ordem dos Hospitalários, foi uma das mais poderosas e influentes da Europa. A maioria dos seus membros pertencia à nobreza, inclusive a família real prussiana e, quando necessário, contratavam-se mercenários. Os soberanos e a nobreza dos estados antecessores à atual Alemanha, inclusive a família soberana do Império Alemão (1871-1918) e do Reino da Prússia (1525-1947), os Hohenzollern, eram membros da ordem.

Atualmente, a ordem atua como uma organização de caridade na Europa Central.

História thumb|Vestimenta do Cavaleiro Teutônico Desde a descoberta do Santo Sepulcro por Helena de Constantinopla entre 327 e 329, peregrinos cristãos de toda a Europa iam à Terra Santa visitar o túmulo de Jesus Cristo, incluindo alemães. O primeiro registro desse povo na Terra Santa se dá em 1064/1065, quando, liderados pelo Bispo Gunther Von Bamberg, não só peregrinos cristãos, mas também mercadores, foram ao Oriente visitar os monumentos religiosos e fazer negócio com os mercadores locais.

Fundação Em meio das expedições da Terceira Cruzada, cavaleiros de diversas ordens estavam sendo castigados e mortos em decorrência de doenças e não tinham o devido auxílio médico. Os corpos dos mortos eram jogados no fosso que separava as muralhas, deixando um terrível odor nos acampamentos, o que causava ainda mais doenças e proliferação de insetos. As unidades médicas, providas pelos Hospitalários, estavam sobrecarregadas e tinham preferência em auxiliar os franceses e ingleses, deixando os germânicos de lado.

Assim, alguns camponeses de Bremen e Lübeck fundaram uma ordem médica para auxiliar seus compatriotas germânicos. A iniciativa foi muito bem recebida pelos nobres germânicos, pelo Patriarca de Jerusalém, e também pelos Hospitalários e Templários. Com a boa aceitação, e a urgência da situação, não demorou para que o Papa Celestino III aprovasse a instituição da Ordem do Hospital de Santa Maria dos Germânicos em Jerusalém (ou Ordem Germânica).

Poucos anos depois, em 1197, um novo exército cruzado germânico chegou a Jerusalém e encontrou um hospital próspero que, além de cuidar dos doentes, oferecia hospedagem aos cavaleiros recém-chegados. Além de todo auxílio médico já provido pela ordem, alguns cavaleiros entenderam que a ela também poderia oferecer tropas para a proteção dos castelos fronteiriços, uma vez que a maioria possuía treinamento militar, e os Templários e Hospitalários estavam em números insuficientes para as batalhas, o que havia levado à perda de Jerusalém em 1187. Assim, em 1198, o Papa Celestino III emite uma carta incorporando tropas à Ordem Germânica que passava a ser uma ordem militar.

Devido à pronúncia do termo alemão "deutsch" (germânico) estar muito próxima do termo inglês "dutch" (holandês), os cavaleiros das outras ordens, ingleses e franceses, atribuíram o termo "Teutônico" às tropas germânicas quando estes chegaram aos postos de batalha. Guerras na Terra Santa thumb|esquerda|Ruínas de MontfortA Ordem Teutônica teve um árduo início, tinham poucas posses e viviam de parcas doações, e não deram contribuições significativas nas Cruzadas.

Em 1210, Hermann von Salza, hábil negociador e empreendedor, assumiu o posto de Grão-Mestre. Foi sob seu comando que a Ordem Teutônica começou a ganhar notoriedade e posses. Um de seus primeiros feitos enquanto grão-mestre foi a participação da Ordem na coroação do Rei Léo II da Arménia, para quem prestou serviços militares e adquiriu posses rurais e vilarejos.

Entre as primeiras posses da Ordem, um velho castelo na Galileia, adquirido em 1220 com o dinheiro de impostos. Esse castelo foi reconstruído e se tornou, em 1226, a fortaleza Montfort ("Monte Forte"), localizada a 12 km do Mar Mediterrâneo, onde alguns teutônicos se estabeleceram até 1271, quando foi tomada pelos muçulmanos.The Crusader Fortresses. Unesco.

Mesmo após a perda de Montfort, o restante dos teutônicos permaneceram em Acre até 1291, quando todas as ordens militares foram retiradas.Urban, 2011, pp. 43-49

A mudança para o norte da Europa

Armênia Com a participação direta na coroação do rei Léo II, a Ordem ganhou posses relevantes para seu estabelecimento e desenvolvimento no Reino Arménio da Cilícia, além de terras rurais e pequenos vilarejos, recebeu também, em 1212, o castelo Amouda, localizado no alto de uma única rocha em uma extensa planície (hoje localizado no vilarejo de Gökçedam, Turquia).

No leste do país, em 1236, a Ordem recebeu uma torre na região de Harunia, a qual transformou em capela. As generosas doações não eram tão somente um ato de gratidão, mas, principalmente, confiavam que, com o estabelecimento da Ordem Teutônica no reino, estariam a salvo das invasões muçulmanas e dos turcos seljúcidas. A Ordem ficou em território armênio até 1266, quando ocorreu a invasão muçulmana.Barber, 2008, p. 132

Transilvânia Em 1211, a convite do rei André II da Hungria, parte da Ordem se estabelece na Transilvânia para proteger as fronteiras do País. Em troca da proteção, o rei lhes concedeu isenção de impostos e taxas e lhes prometeu terras nas áreas que iriam se estabelecer.The early years of the Teutonic Order. Monmouth College (em inglês). Durante sua presença na região, construíram cinco fortalezas e fundaram a cidade de Brasov.Urban, 2011, p. 54.

Durante a quinta cruzada, em 1217, enquanto parte dos cavaleiros rumou para as batalhas no Egito, o rei André II vai à Terra Santa com os Teutônicos, onde participa de uma convenção da ordem em Acre e de batalhas na Galileia. A Ordem Teutônica é associada à Hungria, tal ligação traz status e respeito a ambos os lados. Contudo, internamente, tal empreitada não é bem vista pelos húngaros, que questionam as perdas e os gastos por parte do rei André II, o que o faz perder credibilidade e força política.

Desde o retorno de André II das cruzadas, em 1222, a Ordem passou a ser questionada pela nobreza e aristocratas húngaros, e até mesmo pela realeza, sob a desconfiança de estarem trabalhando em prol de seus próprios interesses e não os da Hungria. Outra situação que viria a piorar sua credibilidade ante os húngaros, foi o conflito entre o papa e o imperador Frederico II. Assim, sua independência militar passou a ser vista como ameaça à segurança do país, razão pela qual foram expulsos em 1225.

Após essa expulsão, os cavaleiros procuraram um novo protetor. Em 1226, o duque polonês Conrado I da Mazóvia convidou a Ordem para combater os antigos prussianos pagãos que ameaçavam suas fronteiras. O convite foi formalizado pela chamada Bula de Ouro de Rimini, emitida em 1226 por Frederico II (embora existam revisões historiográficas que questionam essa data) imperador do Sacro Império Romano-Germânico, que garantiu à Ordem direitos soberanos sobre os territórios que conquistassem na Prússia.

Esse não foi, portanto, um deslocamento casual: foi uma mudança estratégica, negociada entre a Ordem, o duque polonês e o imperador, que permitiu à Ordem instalar-se como poder territorial autônomo no Báltico e iniciar a chamada cruzada prussiana, que culminaria na conquista e germanização dos povos prussianos locais.

Polônia Transferiram-se então para o norte da Polônia, onde criaram o Estado da Ordem Teutónica (1224-1525). A agressividade e o poder da ordem ameaçavam os países vizinhos, em especial o Reino da Polônia (1025–1385) e o Grão-Ducado da Lituânia. Entre 1229 e 1279 a ordem conquistou áreas na Prússia, onde os cavaleiros construíram muitas cidades e fortes.

Em 1309 a Ordem transferiu sua sede geral para Malbork, norte da Polônia. Com essa mudança a Ordem põe fim a sua luta pela Terra Santa, abandona as regiões do Mediterrâneo e dá início às Cruzadas do Norte. Sua mudança para a região dividiu a opinião dos habitantes locais, contudo, o auxílio prestado pelos cavaleiros nas batalhas travadas por Conrado I da Mazóvia contra os pagãos da Prússia e da Lituânia foi de grande valia para a região.Exhibition . Interaktyewne Museum Panstwa Krzyzackiego (em inglês). thumb|esquerda|Reino teutônico entre 1309 e 1410 Por volta de 1329, os cavaleiros teutónicos controlavam, por domínio papal, toda a região do Báltico, desde o golfo da Finlândia até a Pomerânia, na Polônia. Na parte sul de seu domínio, a ordem foi abolida e suas terras se tornaram a Prússia, em 1525. A parte norte (Estônia e Letónia) foi dividida entre a Polônia, Rússia e Suécia, depois de 1558.

Batalha de Grunwald Em 15 de julho de 1410 foi travada a batalha de Grunwald, na qual um exército formado por 45 mil homens, entre poloneses e lituanos comandados pelo rei Ladislau II Jagelão, enfrentaram, por seis horas, cerca de 21 mil cavaleiros teutônicos, liderados pelo grão-mestre Ulrich von Jungingen.Great battles. National Bank of Polonia (em inglês). Para a batalha o exército teutônico teria contratado 800 mercenários, além de seu próprio contingente de cavaleiros.

Uma das estratégias usadas pelo rei polonês foi adiar o momento da batalha, fazendo com que os cavaleiros teutônicos cansassem pela espera do exército polonês-lituano no local da batalha. A estratégia definitiva se deu com uma manobra na qual os lituanos simularam um recuo levando os Cavaleiros Teutônicos a uma emboscada do exército polonês.Urban,2011, p. 270.

Após seis horas de batalha, poloneses e lituanos cercaram os cavaleiros teutônicos. Com a morte do grão-mestre teutônico em batalha, os cavaleiros bateram em retirada para o castelo de Malbork, que à época era uma fortaleza impenetrável.

Embora a batalha seja um marco na história no norte da Europa Central, a mesma não alterou muita coisa. O Reino da Polônia já estava em ascensão, a época das ordens de cavalaria já havia passado, entre outras mudanças que já estavam por vias de ocorrer. Contudo a batalha pode ser considerada como um marco para o declínio da Prússia medieval e, sobretudo, dos cavaleiros teutônicos.Urban, 2011, pp. 250-251.

Guerra dos Treze Anos A Guerra dos Treze Anos foi uma batalha entre a Polônia e os Cavaleiros Teutônicos que se iniciou a partir de uma revolta popular contra estes.

A chamada Confederação Prussiana, em 1454, sabendo que não poderiam enfrentar em pé de igualdade os Cavaleiros Teutônicos, atacaram estes de forma antecipada e inesperada, pegando-os sem o devido preparo. Rapidamente territórios teutônicos como os castelos de Elbląg, Danzigue e Thorn caíram. Em questão de pouco tempo, todos as edificações teutônicas da região, com exceção dos castelos de Malbork e Konitz, estavam nas mãos dos inimigos.Urban, 2011, p. 298.

Em 1466, o papa Paulo II e a Liga Hanseática intermediaram as batalhas e, após um legado papal, o acordo foi alcançado e o documento da Paz de Toruń foi assinado, marcando o fim da guerra.Urban, 2011, pp. 304-305

O poder da ordem continuou a declinar até 1525, quando seu grão-mestre, Alberto de Brandemburgo, converteu-se ao luteranismo e assumiu o título e os direitos de duque hereditário da Prússia (embrião do Reino da Prússia, catalisador do futuro Império Alemão). O Grão-Magistério foi então transferido para Mergentheim, de onde os grão-mestres teutónicos continuavam a administrar as consideráveis posses da ordem no Sacro Império Romano-Germânico.