Svalbard (15px PRONÚNCIA), Esvalbarda ou Esvalbarde é um arquipélago norueguês, situado no Ártico, e localizado a norte da Noruega, a meia distância entre a Europa continental e o Polo Norte. Localizadas a uns km do norte da Noruega, as suas ilhas são banhadas a norte pelo oceano Glacial Ártico, a leste pelo mar de Barents e a oeste pelo mar da Noruega e pelo mar da Gronelândia.

As ilhas de Svalbard foram vistas como "terra de ninguém" durante séculos, sendo apenas visitadas por pescadores de baleias e caçadores. O arquipélago foi incorporado na Noruega em 1925 pelo Tratado de Svalbard, assinado em Paris, a 9 de fevereiro de 1920. Ficou então sob a soberania norueguesa, mas sujeito a um regime especíal de acesso aos seus recursos naturais pela comunidade internacional.

Svalbard tem um clima muito frio e pouco hospitaleiro, e uma grande quantidade de ursos polares muito perigosos para os seres humanos. Não tem uma população originária, embora tenha habitantes temporários (2024) — principalmente noruegueses e russos. Na localidade mineira de Sveagruva — a uns 60 km de Longyearbyen — foi extraído carvão entre 1917 e 1976. Na "localidade russa" de Barentsburgo, uma companhia russa dedica-se à exploração mineira de carvão.

Etimologia e uso

O nome geográfico Svalbard deriva das palavras nórdicas antigas sval (frio) e bard (borda), significando ”borda fria” ou ”costas frias”. O arquipélago está mencionado em textos islandeses da década de 1190.

Em textos em português costuma ser usada a forma original Svalbard.

Território e clima

Com uma área total de  km², sensivelmente a mesma da Irlanda, o arquipélago de Svalbard consiste em um numeroso grupo de ilhas e ilhéus localizados entre os 74°N e os 81°N, e entre 10°E e 34°E. O ponto mais alto do arquipélago é o Newtontoppen, na ilha de Spitsbergen, com 1717 m de altitude.

As principais ilhas do arquipélago são Spitsbergen, Nordaustlandet, Edgeøya e Barentsøya.

Spitsbergen, com  km² de área, a maior ilha e a única com população residente; Nordaustlandet (Terra do Nordeste), com  km², desabitada; Edgeøya (ilha Edge), com  km² desabitada. Barentsøya (ilha de Barents), com  km², desabitada; Entre as outras ilhas menores estão:

Kvitøya (ilha ilha Kvit), com 682 km², no extremo nordeste do arquipélago, desabitada; Kong Karls Land (Terra do Rei Carlos), ilhas desabitadas; Hopen, com presença humana permanente, mas sem residentes; Bjørnøya, ou ilha do Urso, com 178 km², situada muito a sul, com presença humana permanente, mas sem residentes; Prins Karls Forland, com 615 km², desabitada; Rossøya, a mais setentrional do sub-arquipélago de Sjuøyane, desabitada. Kongsøya, desabitada.

As normais climáticas para Svalbard indiciam um clima tipicamente ártico, embora temperado pela corrente do Atlântico Norte, um prolongamento terminal para nordeste da corrente do Golfo. As temperaturas médias mensais ao nível do mar oscilam entre os -12,4 ºC a -17,0 ºC em Fevereiro e os 4,0 ºC a 6,5 ºC em Julho. A precipitação anual, quase toda sob a forma de neve, oscila entre os 190 e os 525 mm. Dada a elevada latitude, quase metade do ano é noite permanente, seguida por igual número de meses com o sol da meia-noite à vista. Em Longyearbyen, o sol da meia-noite dura de 20 de abril a 23 de agosto e a noite ártica de 26 de outubro a 15 de fevereiro.

A geologia de Svalbard é muito variada, incluindo algumas das rochas mais antigas do planeta (3,5 mil milhões de anos). Uma carta geológica detalhada está disponível na página do Instituto Norueguês de Investigação Polar.

Fauna e flora A fauna do arquipélago é rica incluindo o urso-polar, a raposa-polar, uma subespécie da rena europeia, um leão-marinho e uma multiplicidade de aves marinhas. A ilha de Spitsbergen tem uma espécie endêmica de camundongo, o Microtus epiroticus.

Os mares do arquipélago são ricos em cetáceos, que em tempos constituíram o principal recurso económico explorado no arquipélago, com instalação de várias estações de apoio à baleação, e peixe. A pesca continua a ser um recurso importante na área, em especial para a frota russa.

A flora é variada embora restrita às zonas não glaciais e ao curto período de crescimento permitido pelo clima. Todo o arquipélago está situado a norte da timberline polar, pelo que não existem árvores.

As condições edafo-climáticas existentes não permitem qualquer tipo de cultura, pelo que nunca existiu qualquer atividade agrícola ou pecuária no exterior. Contudo, na comunidade russa de Barentsburgo existem estufas para produção de vegetais e uma pocilga (a mais ao norte no planeta).

Demografia thumb|Longyearbyen, a capital administrativa de Svalbard Devido ao clima e ao território inóspitos, a fixação de população apenas começou a partir da descoberta das jazidas de carvão e do início da sua exploração comercial. A população de Svalbard é constituída por cerca de residentes (2024), dos quais cerca de são noruegueses (essencialmente residentes em Longyearbyen e Ny-Ålesund).

Pelo censo de 2025 do Instituto Nacional de Estatística da Noruega (Statistisk sentralbyrå), a população de Svalbard tinha a seguinte distribuição:

Longyearbyen e Ny-Ålesund: , registados na Noruega e , registados no estrangeiro Barentsburgo (Баренцбург): Hornsund: Havendo ainda a contar com duas ilhas do arquipélago;

Bjørnøya: 9 Hopen: 4

Povoados São os seguintes os povoados existentes no arquipélago (alguns já sem residentes permanentes): Longyearbyen – A capital administrativa da ilha, com cerca de habitantes (2024). Barentsburgo (Баренцбург) - Antiga colónia neerlandesa vendida aos russos. Esta colónia mineira russa, com cerca de residentes (2024), é hoje a única mina activa na ilha. Grumant (Грумант) – Uma colónia russa abandonada desde 1961. Tem havido notícia de um possível retomar da mineração, mas a crise económica russa não pressagia sucesso. Ny-Ålesund – Antiga localidade mineira, cuja mina foi encerrada, e é atualmente uma plataforma de pesquisa internacional. A Pirâmide (Пирамида) – Uma grande colónia de mineração russa, abandonada em 2000. Uma vez resolvidas as questões de propriedade, as suas valiosas infra-estruturas poderão levar a um repovoamento. Sveagruva – Antiga localidade mineira, cuja mina foi encerrada em 2016 e a área devolvida ao estado natural. Esmeremburgo — Antiga estação de baleação neerlandesa, abandonada cerca de 1660.

História O arquipélago de Svalbard é conhecido desde tempos imemoriais pelos povos das regiões árticas europeias e asiáticas, aparecendo referências a território insulares do Ártico nas sagas islandesas dos séculos X e XI, assentes nas tradições dos Vikings (embora a identificação das ilhas referidas com a Gronelândia, Jan Mayen ou Svalbard seja discutível). As tradições dos povos da Lapónia e da costa siberiana também incluíam referências às ilhas do Ártico.

Contudo, as primeiras referências seguras aparecem em crónicas russas dos séculos XIV e XV que atribuem a exploração das ilhas aos pomors, que as tinham considerado como parte da Gronelândia e, em consequência, denominado de Grumant (Грумант) (designação depois adoptada para uma das grandes comunidades mineiras soviéticas, hoje abandonada).

Apesar deste conhecimento ancestral, a existência das ilhas era ignorada pela intelectualidade europeia, que apenas delas teve conhecimento pelas crónicas da expedição que Willem Barentsz liderou em 1596, na procura da mítica passagem do nordeste para o Extremo Oriente e para a Índia. Deve-se a Barents a atribuição à principal ilha do nome de Spitsbergen (que significa picos aguçados, uma referência às montanhas da ilha), que acabou por se estender durante muito tempo a todo o arquipélago de Svalbard.

Durante o período em que as ilhas eram conhecidas por Spitsbergen, a ilha que hoje ostenta o nome era chamada Spitsbergen Ocidental, ou Vestspitsbergen. Por decisão do Estado norueguês, o arquipélago passou a ser designado por Svalbard, ficando a designação Spitsbergen reservada para a ilha do mesmo nome. Tal decisão baseia-se na existência, desde pelo menos 1194, de menção nas sagas viquingues a uma terra de Svalbard (que significa costa fria), embora não seja seguro que em referência ao arquipélago que hoje ostenta o nome.

A baleação e a questão da soberania thumb|Ruínas da base baleeira neerlandesa de Esmeremburgo () Dado que o clima é extremo, as ilhas não têm qualquer interesse agrícola nem oferecem recursos que permitissem uma colonização economicamente apelativa. Assim, mesmo depois das expedições de Barents, as ilhas eram apenas ocasionalmente visitadas.

A descoberta de que as águas em torno das ilhas eram ricas em baleias e outros mamíferos marinhos, que podiam ser caçados para produção de óleos animais, levou a que em poucas décadas as costas das ilhas fossem mapeadas e que em cada verão ártico fossem organizadas expedições de baleação aos mares das ilhas. Tal incluiu a criação em terra de pequenas estações de desmancha e derretimento de carcaças de baleia, que eram ocupadas apenas durante o período de caça. De 1612 a 1720, a baleação ao largo da costa oeste de Spitsbergen reunia navios baleeiros dinamarqueses, neerlandeses, ingleses, franceses e noruegueses. Estima-se que apenas os neerlandeses tenham capturado neste período cerca de baleias, que derretiam na sua base de Esmeremburgo.

Esta ocupação, ainda que temporária, veio suscitar a questão da soberania sobre as ilhas, que tinha permanecido relativamente indefinida, com todos os estados escandinavos, desde a Dinamarca à Noruega, que entretanto procurava afirmar a sua independência, para além da Rússia e dos Países Baixos, a reclamarem direitos sobre o arquipélago.

A questão agudizou-se quando se descobriu que a ilha era rica em carvão e em 1906 a empresa de capitais americanos Arctic Coal Company (ACC) pretendeu iniciar a exploração industrial. O povoado então fundado recebeu o nome de Longyearbyen, hoje a capital da ilha, em honra do americano John Munroe Longyear, principal acionista da ACC.

Em 1916, em plena Grande Guerra, a ACC vendeu a sua posição a interesses nórdicos e a companhia norueguesa Store Norske Spitsbergen Kulkompani A/S (SNSK), para além de outras duas empresas escandinavas e de uma neerlandesa, incrementou em muito a mineração, formando as primeiras colónias permanentes de dimensão apreciável no arquipélago.

Seguiram-se interesses russos, que também pretendiam acesso ao carvão da ilha, o que levou a uma crescente tensão em torno do domínio da ilha.

Terminada a guerra, as potências aliadas vencedoras resolveram apoiar as pretensões norueguesas, o que levou à assinatura em Paris, a 9 de fevereiro de 1920, do Tratado de Svalbard.

Setor aeroportuário Existe um aeroporto perto da capital da ilha - o Aeroporto de Svalbard. A companhia aérea SAS (Scandinavian Airlines) voa para lá, com destino a Oslo, capital norueguesa, do qual país a ilha pertence.

O Tratado de Svalbard thumb|A colónia russa de Barentsburgo (Баренцбург) Pelo Tratado de Svalbard, inicialmente assinado entre a Noruega, os Estados Unidos, o Reino Unido (e seus domínios do então Império Britânico), a França, o Canadá, a Austrália, a Dinamarca, a Itália, os Países Baixos, a Suécia e o Japão, a soberania norueguesa sobre a ilha foi reconhecida. A União Soviética aderiu em 1924, e a Alemanha em 1925. Hoje o tratado tem mais de 40 signatários, entre os quais Portugal.

O Tratado de Svalbard, apesar de reconhecer a soberania norueguesa sobre o arquipélago, impõe como condição a sua perpétua desmilitarização e o direito dos cidadão dos países signatários nelas se estabelecerem livremente para exploração dos seus recursos naturais, embora subordinados às leis promulgadas pela Noruega, que, contudo, não pode discriminar positivamente os seus cidadãos face aos dos restantes Estados signatários.