Cruzeiro do Sul é um município brasileiro localizado no interior do estado do Acre. Conhecida como Capital do Juruá, é o mais importante polo turístico e econômico do interior do Acre.

Cruzeiro do Sul é cercada de construções e monumentos que simbolizam e guardam a história do Acre. O município, cujo nome foi inspirado na Constelação "Cruzeiro do Sul", teve sua fundação oficializada em 28 de Setembro de 1904, quando a sede do Departamento do Alto Juruá foi transferida para Cruzeiro do Sul. A área escolhida chamava-se "Centro Brasileiro" e foi adquirida do Sr. Antônio Marques de Menezes pelo governo da União. Era localizado à esquerda do barracão central da casa de farinha e de algumas barracas isoladas.

Topônimo Não se sabe, exatamente, de quem foi a ideia de dar o nome à sede da prefeitura do Alto Juruá de Cruzeiro do Sul, mas a denominação é estabelecida no artigo 2° do Decreto e, com certeza, tem por inspiração a constelação do Cruzeiro do Sul.

História

miniaturadaimagem|esquerda|Cruzeiro do Sul em 1909 (Documento sob guarda do Arquivo Nacional). A região que hoje compreende o município de Cruzeiro do Sul era habitada por tribos indígenas. Os povos que habitavam o vale do Juruá, divididos em 49 tribos, eram pertencentes a etnias de línguas Pano, e se dividiam em grupos com as suas denominações particulares tais como Ararauas, Catukinas e Curimas. Na época das explorações foram encontradas as tribos dos Náuas, Amahuacas, Jamináuas, Capanáuas e Caxinauás. Ao longo das margens do rio Juruá vivia a tribo dos Náuas, multiplicando-se em tabas, dominando o rio e a selva, no trecho onde está localizado a cidade de Cruzeiro do Sul, até o extremo do extenso Estirão (trecho do rio que corre em linha reta).

Em 1857 ocorre o início das expedições para o Alto Juruá, quando o chefe de índios João da Cunha Correia chegou a foz do rio Juruá-Mirim. Várias expedições foram realizadas, proporcionando o início do povoamento da região. A tribo dos Nauas (os principais dominantes que fez retroceder a expedição do cientista inglês William Chandlesse em 1867) abandonou a localidade a partir de 1870 rumando para o Peru pelos altos rios em função de uma terrível epidemia. Formaram-se seringais como consequência da imigração de nordestinos que, acossados pelo fenômeno das secas, abandonaram os sertões entre 1877 a 1879.

O seringal, já denominado Centro Brasileiro, foi explorado por volta de 1890 e passou a congregar grande número de brasileiros. Em 1896 os primeiros caucheiros peruanos começaram a aparecer. Em 1902, o comissário peruano Carlos Casquez Guadra estabeleceu-se oficialmente à foz do rio Amônea, dando início a uma seqüência de choques entre brasileiros e peruanos. Em 17 de Novembro de 1903, o território do Acre, incorporado ao Brasil pelo Tratado de Petrópolis, foi dividido em três departamentos: Alto Juruá, Alto Purus e Alto Acre, todos independentes entre si e diretamente subordinados ao Governo da União. Cada um dos departamentos era administrado por um Intendente (cargo parecido com o de prefeito atual, só que nomeado pelo Presidente da República, até 1920).

Em 12 de setembro de 1904 o Coronel do Exército Brasileiro Gregório Taumaturgo de Azevedo instalou a sede provisória do município em um local denominado "Invencível", situado na foz do Rio Moa. No dia 28 de setembro de 1904, o Coronel Thaumaturgo, através do Decreto N° 4, autorizava a transferência da sede da Prefeitura para o Seringal Centro Brasileiro, à margem esquerda do Juruá, pois no antigo lugar faltava área suficiente para o desenvolvimento futuro da cidade, além do problema das inundações periódicas, resultantes das enchentes do rio. Na área do Centro Brasileiro, a geografia apresentava muitas colinas (terras livres de inundações), facilitando a implantação da futura cidade de Cruzeiro do Sul, atendendo, ainda, outras considerações de ordem administrativa e comercial.

De acordo com a lei federal nº 15.051, de 20 de dezembro de 2024, fica conferido o título de Capital Nacional da Farinha de Mandioca ao Município de Cruzeiro do Sul, no Estado do Acre.

Geografia Localiza-se na região noroeste do estado de Acre, na margem esquerda do rio Juruá; a 433 km de Sena Madureira e 648 km por via terrestre da capital do estado Rio Branco, pela rodovia BR-364 e 593 km em linha reta. Suas cordenadas são latitude de 07º37'51" sul e longitude de 72°40'12" oeste.

Território Cruzeiro do Sul situa-se na Região Geográfica Intermediária de Cruzeiro do Sul e Região Geográfica Imediata de Cruzeiro do Sul.

A área do município é de e a área urbana é de .

Faz divisa com o estado do Amazonas (norte); o município de Porto Walter (ao sul); com Tarauacá (a leste) e com os municípios de Mâncio Lima, Rodrigues Alves e com o Peru (a oeste).

Hidrografia esquerda|thumb|Rio Juruá ao atravessar Cruzeiro do Sul. Cruzeiro do Sul é banhado pelo Rio Juruá, de águas barrentas, navegáveis e piscosas que banha e divide o município em dois distritos. O nome Juruá é de origem indígena, é uma derivação do nome "Yurá", usado pelos indígenas que habitavam suas margens. O rio nasce no Peru e, com quilômetros de extensão, é o 43º maior rio do mundo.

Suas águas caudalosas e barrentas tem dois períodos distintos: no inverno, especialmente de dezembro a maio, é a época das enchentes, quando ele invade todas as terras baixas; e o período de verão, de junho a novembro, quando suas águas baixam de tal maneira que os barcos e balsas de maior porte não conseguem chegar a Cruzeiro do Sul. Suas margens, após as vazantes, são utilizadas pelos ribeirinhos ou "barranqueiros" para o plantio de produtos agrícolas como: feijão, milho, batata, melancia e outros.

Há uma grande quantidade de lagos espalhados pelo município, localizados, quase sempre, próximos ao Rio Juruá ou a seus afluentes. O aspecto e a largura que apresentam são semelhantes aos dos cursos d'água que passam nas proximidades. Medem, aproximadamente, 6 km de extensão e são, geralmente, piscosos.

Solo e relevo O tipo de solo predominante é o podzólico vermelho e amarelo, não possuindo terreno pedregoso. O município conta com um relevo formado por uma série de colinas e uma vegetação predominantemente amazônica.

Clima Maiores acumulados de precipitação em 24 horasregistrados em Cruzeiro do Sul por meses (INMET) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 07/01/1945 Julho 09/07/1972 Fevereiro 17/02/1971 Agosto 05/08/1972 Março 05/03/1931 Setembro 01/09/1978 Abril 03/04/1987 Outubro 30/10/1956 Maio 13/05/2001 Novembro 19/11/1943 Junho 30/06/1989 Dezembro 02/12/2001 Período: 1931 a 1962, 06/04/1970 a 1990 e 1993-presente

O clima de Cruzeiro do Sul é equatorial (do tipo Af na classificação climática de Köppen-Geiger), quente e úmido, com temperatura média compensada anual em torno dos e índice pluviométrico superior a milímetros (mm) anuais. A umidade do ar é relativamente elevada, com tempo médio de insolação de aproximadamente , um dos menores do país. Entre maio e setembro torna-se mais comum a entrada de massas de ar polares, causando o fenômeno da friagem, registrando temperaturas muito baixas (em torno de ) para os padrões regionais.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1931 a 1962, 1970 a 1990 e a partir de 1993, a menor temperatura registrada em Cruzeiro do Sul foi de em 27 de junho de 1987 e a maior atingiu em 20 de agosto de 2020. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de em 5 de março de 1931, seguido por em 25 de março de 2005. Desde 1961, novembro de 1990 foi o mês de maior precipitação, com acumulado de .

Demografia Cruzeiro do Sul é o segundo município mais populoso do estado, com uma população de habitantes de acordo com o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O município é o segundo mais populoso do estado e o 30º da região Norte do Basil. Apresenta uma densidade populacional de 10,46 habitantes por km².

Segundo o censo de 2022, 50,10% da população são mulheres e 49,90% homens, e 74,24% da população vive na zona urbana e 25,76% vive na zona rural. Segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, a população de Cruzeiro do Sul equivale a 0,05% da população nacional. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Cruzeiro do Sul em 2024 possuía 62.645 eleitores, o equivalente a 10,23% do número de eleitores estaduais, sendo o segundo maior colégio acreano.

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Cruzeiro do Sul é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo seu valor de 0,668. Considerando apenas a educação o valor do índice é de 0,721, enquanto a média nacional é de 0,849, o índice da longevidade é de 0,685 (o brasileiro é 0,638) e o de renda é de 0,598 (o do Brasil é 0,723). Cruzeiro do Sul possui a maioria dos indicadores médios segundo o PNUD. O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,54, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A incidência da pobreza, medida pelo IBGE, é de 40,17% e a incidência da pobreza subjetiva é de 51,20%. Cruzeiro do Sul apesar da relativa melhora em relação aos índices de 1991, ainda necessita de uma boa melhora nos seus índices para que alcance um patamar aceitável.

Religião miniaturadaimagem|Catedral de Cruzeiro do Sul thumb|direita|Catedral de Nossa Senhora da Glória, construída em estilo germânico no ano de 1957 De acordo com dados do censo de 2022 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de Cruzeiro do Sul é composta por: Católicos (46,26%), evangélicos (44,91%), pessoas sem religião (6,04%), espíritas (0,30%), 2,44% estão divididos entre outras religiões, e 0,05% não declararam a religião.

A cidade se desenvolveu sobre uma matriz social eminentemente católica, reflexo disso está associado a grande parte da sua composição religiosa, tanto que a festa mais popular da região está associada a ela, o "Novenário de Nossa Senhora da Glória". Apesar desse quadro, nos últimos anos houve também um forte crescimento da parcela evangélica da população. Embora em menor número, chamam a atenção pela sua particularidade, a presença das chamadas "Religiões da Floresta", em especial a União do Vegetal (UDV) e o Santo Daime, praticas espiritualistas que têm em seus cultos, o uso ritualístico da "ayahuasca". Entre os indígenas da região também acontecem as práticas xamânicas com o uso da "ayahuasca".

Cruzeiro do Sul é um centro episcopal, sendo sede da Diocese de Cruzeiro do Sul.

Templos Catedral Nossa Senhora da Glória Igreja Nossa Senhora Aparecida Igreja Nossa Senhora do Rosário Primeira Igreja Batista de Cruzeiro do Sul Igreja Evangélica Assembléia de Deus Igreja Presbiteriana de Cruzeiro do Sul Igreja Adventista Do Sétimo Dia Igreja Universal do Reino de Deus Igreja Pentecostal Fonte da Água Viva Igreja Evangélica Apostolica

Grupos étnicos A atual população de Cruzeiro do Sul, bem como da região do Juruá, é formada principalmente pelo elemento indígena, e pelos nordestinos que vieram à região em grande número no início do século XX para a extração da borracha. Também é forte na região a presença dos sírio-libaneses, que chegaram à região como comerciantes. Mas recentemente, a região também tem recebido imigrantes peruanos, haitianos e bolivianos.

Notáveis da cidade

Adalberto Correia Sena – político e jornalista Aluísio Bezerra de Oliveira - político Benki Piyãko – indígena e ativista César Messias – pecuarista e político César Aboud – empresário e político Chico da Silva - pintor brasileiro de estilo naïf Edson Pinheiro – atleta paralímpico Fernando Melo - economista, advogado e político Gladson Cameli - engenheiro, empresário e político Henrique Afonso - professor universitário, pedagogo e político Ilderlei Cordeiro - empresário e político Isaac Newton da Silva Pessoa - advogado, bancário e político Jéssica Sales - médica ginecologista, obstetra e política João Corrêia - professor universitário e político