thumb|260px|Recém-nascido e mãe após o parto. O contacto entre a pele da mãe e do bebé nas duas horas a seguir ao parto diminui o choro, melhora a interação mãe-filho e ajuda a mãe a conseguir amamentar.
Parto, parturição ou nascimento é o conjunto de fenómenos e mecanismos que tem por finalidade a expulsão do feto, e dos seus anexos, do organismo materno; acto ou efeito de parir, de dar à luz. É o termo de uma gravidez, em que um ou mais bebês deixam o útero da mulher. Em 2015 ocorreram em todo o mundo 135 milhões de nascimentos. Cerca de 15 milhões nasceram antes das 37 semanas de gestação, enquanto entre 3 e 12% nasceram depois das 42 semanas de gestação. Nos países desenvolvidos a maior parte dos partos tem lugar em hospitais, enquanto nos países em desenvolvimento a maior parte dos nascimentos ocorre em casa com o apoio de uma parteira.
O método de parto mais comum é o parto vaginal. O trabalho de parto divide-se em três períodos: a diminuição da espessura e dilatação do colo do útero; a descida e expulsão do bebé; e, por último a expulsão da placenta. A primeira fase (dilatação) tem geralmente a duração de 12 a 19 horas, em que se iniciam as contrações uterinas de cerca de 40 segundos de duração. As contrações irregulares tornam-se regulares e mais intensas, o desconforto é leve a moderado e o colo diminui e começa a se dilatar a 4 a 6 cm. A fase latente é difícil de definir com precisão e a duração varia; para nulíparas, a média é 7,3 a 8,6 horas (95º percentil, 17 a 21 horas). Para multíparas, a média é 4,1 a 5,3 horas (95º percentil, 12 a 14 horas). A segunda fase (expulsivo) tem duração média de 36 a 57 minutos em pacientes nulíparas (95º percentil, 122 a 197 minutos) e 17 a 19 minutos em pacientes multíparas (95º percentil, 57 a 81 minutos), a terceira fase (dequitação) geralmente dura apenas poucos minutos, mas pode durar até 30 minutos.Kilpatrick SJ, Garrison E, Fairbrother E: Normal labor and delivery. In: Landon MB, Galan HL, Jauniaux E, et al, eds. Gabbe's Obstetrics: Normal and Problem Pregnancies. 8th ed. Elsevier; 2021. eBook ISBN: 9780323613408 A primeira fase tem início com dores abdominais ou nas costas com a duração de meio minuto e com intervalo entre elas de 10 a 30 minutos. À medida que o tempo passa, as dores tornam-se mais intensas e ocorrem a intervalos cada vez menores. Durante a segunda fase ocorrem as contrações que expulsam o bebé. Na terceira fase é expulsa a placenta e cortado o cordão umbilical, estando recomendado que o corte seja realizado após o primeiro minuto. Existem vários métodos para aliviar a dor, tais como técnicas de relaxamento, opiáceos e anestesia espinhal.
Na maior parte dos nascimentos é a cabeça a primeira parte do corpo a passar pelo canal de parto. No entanto, em cerca de 4% verifica-se apresentação pélvica, em que o bebé apresenta os pés ou as nádegas virados para o canal de parto. Durante a maior parte do trabalho de parto a mulher geralmente pode comer e caminhar à vontade. Não é recomendado fazer força durante a primeira fase ou durante a passagem da cabeça, nem a utilização de enemas. Embora seja comum a realização de uma pequena incisão na abertura da vagina, denominada episiotomia, geralmente não é necessária. Em 2012, foram realizados cerca de 23 milhões de nascimentos através de um procedimento cirúrgico denominado cesariana. As cesarianas são recomendadas no caso de gémeos, sofrimento fetal para o bebê ou no caso de apresentação pélvica. Este procedimento pode levar mais tempo a cicatrizar.
Em cada ano, as complicações da gravidez e do parto são a causa de mortes maternas, de sete milhões de problemas a longo prazo e de 50 milhões de prognósticos desfavoráveis no seguimento do parto. A maior parte destes problemas ocorre nos países em desenvolvimento. Entre as complicações comuns para a mãe estão a distócia, hemorragia pós-parto, eclampsia e infeções pós-parto. Entre as complicações comuns para o bebé está a asfixia perinatal.
Aspectos médicos 300px|miniaturadaimagem|Os passos (em inglês) do nascimento de uma criança. Introdução A ciência do nascimento é a obstetrícia e o médico especializado no atendimento ao parto é o obstetra. A especialidade médica que abrange essa subespecialidade é a "Ginecologia e Obstetrícia". Também existem outros profissionais habilitados na assistência ao parto normal: a obstetriz e a/o enfermeira(o) obstetra.
Primeiro período do parto: período de dilatação
Um parto humano típico começa com o início da primeira fase do parto: contrações do útero, inicialmente com frequência de 2 a 3 em cada 10 minutos e com duração aproximada de 40 segundos. Ocasionalmente, o parto é precedido da ruptura do saco amniótico, também chamado de "ruptura das águas". As contrações aceleram até que ocorram com frequência de 5 a cada 10 minutos e duração clínica de 70 segundos, quando se aproxima a expulsão do feto. Na expulsão, somam-se as contrações uterinas aos esforços expulsivos voluntários da mãe.
O trabalho de parto pode se iniciar com o colo uterino fechado, abrindo com a força das contrações, ou com dilatação de 2 a 3 centímetros nas primíparas (mulheres no primeiro parto), e de 3 a 4 centímetros nas multíparas (mulheres do segundo parto em diante). Cada contração dilata o colo uterino até que ele atinja 10 centímetros de diâmetro.
A duração do trabalho de parto varia imensamente, mas, em média, dura cerca de 12 horas para mulheres parindo pela primeira vez (primíparas), ou em torno de 8 horas em mulheres que já pariram anteriormente (multíparas).
Segunda fase do parto: período expulsivo
A segunda fase do parto inicia com o cérvix completamente dilatado (10 centímetros) e termina com a expulsão fetal. Uma nova força começa a atuar: a contração da musculatura do diafragma e da parede abdominal, que, associados às contrações, comprimem o útero de cima para baixo e da frente para trás e, assim, o bebê é expelido.
O bebé usualmente nasce de cabeça, na chamada "apresentação cefálica". Em alguns casos, ocorre a apresentação dos pés ou nádegas primeiro (apresentação pélvica). Com pessoal devidamente treinado, mesmo bebés nessa apresentação ("breech") podem nascer através da vagina.
95% nascem com apresentação cefálica 4% nascem com apresentação pélvica 1% nascem com apresentação transversa
Existem vários tipos de posições invertidas de nascimento, sendo a mais comum aquela em que as nádegas do bebê saem primeiro, e as pernas estão dobradas sobre o corpo do bebê com os joelhos curvados e pés perto das nádegas. Outras disposições consistem quando o bebê tem suas pernas estendidas e direção das orelhas, ou mais incomum quando uma ou as duas pernas estão estendidas, sendo o pé(s) primeiros apresentados ao nascer. Uma outra disposição, rara, é quando o bebê encontra-se numa posição transversal, isto é, disposto de lado no útero, e sendo a mão ou o cotovelo o primeiro a entrar no canal de parto. Neste caso, o nascimento "natural" (vaginal) não deve ser empreendido, a menos em raríssimos casos em que se pode empurrar o braço do bebê de volta, e fazê-lo voltar à posição apropriada.
Imediatamente após o parto, a criança passa por extensas modificações fisiológicas à medida que se habitua à sua respiração independente. Várias estruturas cardíacas começam a regredir imediatamente após o parto, como o ductus arteriosus e o foramen ovale.
O estado médico da criança é avaliado através da escala de Apgar, baseada em cinco parâmetros. Quanto maior o valor, melhor está a criança.
Terceira fase: terceiro período, secundamento ou dequitadura A terceira fase do parto compreende ao desprendimento, descida e expulsão da placenta e membranas. Ocorre entre 5 a 30 minutos após o término do período expulsivo. Ocorre pelas contrações uterinas que diminuem o volume do útero e, consequentemente, aumentam a espessura da parede muscular: com esta redução, a placenta se descola, pois não possui elasticidade. Assim, ocorre a infiltração de sangue entre a placenta e a decídua basal remanescente, originando hematoma retroplacentário.
As membranas fetais permanecem no local até que a placenta se desprenda por completo, quando se dirige à vagina e é expulsa através de contrações ou por meio de esforços manuais, ou da mãe, se não estiver sob efeito anestésico, ou do ou da assistente do parto.
A dequitação efetua-se através de dois mecanismos:
Central ou Baudelocque-Schultze: 75% dos casos: placenta se torna invertida sobre si e a superfície fetal brilhante aparece primeiro na saída vaginal com sangramento somente após a expulsão. Marginal ou de Ducan: 25% dos casos: placenta desce lateralmente e se apresenta na saída vaginal com a superfície materna encrespada, acompanhada de discreto mas contínuo sangramento.
Quarta fase: período de Greenberg O período de Greenberg de imediato corresponde à primeira hora depois da saída da placenta. É de fundamental importância nos processos hemostáticos (impedir o sangramento excessivo). Durante esse período, há a possibilidade maior de ocorrerem grandes hemorragias. Os mecanismos que coíbem a hemorragia pós-parto são:
Miotamponamento: inicia-se imediatamente depois da saída da placenta e consiste na contração potente da musculatura uterina, tamponando a saída dos vasos sanguíneos que irrigavam a placenta. Se este mecanismo não ocorrer de forma adequada, há a chamada "hipotonia uterina", que pode resultar em sangramentos excessivos e colocar a vida da mulher em risco. Trombotamponamento: depende da formação de pequenos coágulos (trombos) que obliteram vasos uteroplacentários.
Após a primeira hora, o útero apresenta-se em condições normais, firmemente contraído, completando, assim, o mecanismo de hemostase.
Vantagens do parto normal
A recuperação é rápida; Não há dor pós-parto; A rápida recuperação deixa a mãe mais tranquila, o que favorece a lactação; A alta é mais rápida, o que possibilita à mãe retomar seus afazeres prontamente; A cada parto normal, o trabalho de parto é mais fácil do que no anterior; Se a mulher vir a sofrer de mioma (patologia comum do útero), na eventual necessidade de uma operação, esta será mais fácil; O relaxamento da musculatura pélvica não altera em nada o desempenho sexual; A mulher participa ativamente do nascimento do filho; E é menor a chance de dor pévica crônica.
Desvantagens do parto normal
Possíveis danos ao períneo, uretra e ânus; Incontinência urinária e fecal; Dor no períneo, em casos de episiotomia e laceração.
A maior parte dos danos ocorridos durante o parto normal é causado pela má condução do mesmo, especialmente quando são utilizadas manobras e intervenções desnecessárias, muitas das quais condenadas pela Organização Mundial de Saúde — como episiotomia ("corte"), manobra de Kristeller (quando o médico ou enfermeiro pressiona a barriga para forçar a expulsão do bebê) e uso corriqueiro de ocitocina (hormônio que acelera as contrações). Um parto natural, realizado sem intervenções e preferencialmente em posição que ajude a saída do bebê, dificilmente causará qualquer tipo de consequência negativa.
Indicações
Três fatores devem ser levados em consideração para determinar a possibilidade ou não do parto normal: a bacia (quadril), também chamada "trajeto do parto"; Força das contrações uterinas e o próprio feto; Nenhuma intercorrência na gestação, pré-parto e trabalho de parto. Se estes fatores forem bem proporcionados, a probabilidade de parto normal é grande.
Riscos do parto normal Risco de ruptura do útero durante o trabalho de parto caso este tenha sido submetido a uma cirurgia anteriormente — como cesariana ou miomectomia (cerca de 0,5% de risco); Mortalidade materna (menor do que na cesariana); Mortalidade neonatal (menor do que na cesariana); Prolapso anal; Topoalgia perineal.
Vantagens da cirurgia cesárea
O nascimento é menos demorado; A mãe pode decidir quando será o nascimento; É realizada no mesmo dia da internação;