250px|miniaturadaimagem|A suástica é um símbolo encontrado em várias culturas, com diferentes estilos e significados
thumb|200px|A apropriação da suástica pelos Nazistas e neonazistas é a forma mais reconhecível do símbolo no ocidente. Suástica, cruz suástica ou cruz gamada (unicode: 卐 ou 卍) é um símbolo místico encontrado em muitas culturas e religiões em tempos diferentes, do povo indígena Hopi aos Astecas, dos Celtas aos budistas, dos Gregos aos hindus, sendo encontrados registros de 5 mil anos atrás. Alguns autores acreditam que a suástica tem um valor especial por ser encontrada em muitas culturas sem contatos umas com as outras. Os símbolos a que chamamos suástica possuem detalhes gráficos bastante distintos. Vários desenhos de suásticas usam figuras com três linhas. A suástica nazista tem os braços apontando para o sentido horário, ou seja, indo para a direita, tendo sido apropriada como um símbolo de "identidade ariana". Outras chamadas suásticas não têm braços e consistem de cruzes com linhas curvas. Os símbolos islâmicos e Malteses parecem mais hélices do que propriamente suásticas. A chamada suástica celta dificilmente se assemelha a uma. As suásticas Budistas e Hopi parecem reflexos no espelho do símbolo Nazista. Na China há um símbolo de orientação quádrupla, que segue os pontos cardeais; desde o ano 700 ela assume ali o significado de número dez mil. No Japão, a suástica (卍 manji) é usada para representar templos e santuários em mapas, bem como em outros países do extremo oriente.
Difusão do símbolo direita|thumb|A suástica é um símbolo muito antigo.|143x143px thumb|direita|145x145px|Suástica "virada à direita" - uma decorativa forma Hindu
A imagem da cruz suástica é um dos amuletos mais antigos e universais, sendo utilizada desde o Período Neolítico.William Thomas Pavitt e Kate Pavitt, The Book of Talismans, Amulets and Zodiacal Gems (1922), Capítulo II, Talismãs de raças primitivas - O machado - A ponta da lança - A suástica - A serpente - Triângulos entrelaçados [em linha] Foi também adotada por nativos americanos, em diversas culturas, sem qualquer interferência umas com as outras. A cruz suástica também é utilizada em diversas cerimônias civis e religiosas da Índia: muitos templos indianos, casamentos, festivais e celebrações são decorados com suásticas. O símbolo foi introduzido no Sudeste Asiático por reis hindus, e remanescentes desse período subsistem de forma integral no Hinduísmo balinês até os dias atuais, além de ser um símbolo bastante comum na Indonésia.
thumb|esquerda|direita|150px| Um tipo de veneração à suástica
O símbolo tem uma história bastante antiga na Europa, aparecendo na cerâmica da pré-história de Troia e Chipre, mas não aparece no Antigo Egito, Assíria ou Babilônia; A. H. Sayce sugere que a sua origem é hitita.A. H. Sayce, The Hittites: The Story of a Forgotten Empire (1888), Chapter VIII. Hittite Trade and Industry [em linha] No começo do era largamente utilizado em muitas partes do mundo, considerado como amuleto de sorte e sucesso. Entre os nórdicos, a suástica está associada a uma Runa, Gibur, ou Gebo.
Desde que foi adotada como logotipo do Partido Nazista de Adolf Hitler a suástica passou a ser associada ao fascismo, ao racismo, à supremacia branca, à Segunda Guerra Mundial e ao Holocausto na maior parte do Ocidente. Antes ela havia reaparecido num reconhecido trabalho arqueológico de Heinrich Schliemann, quando descobriu esta imagem no antigo sítio em que localizara a cidade de Troia, sendo então associada com as migrações ancestrais dos povos "proto-indo-europeus" dos Arianos. Ele fez uma conexão entre estes achados e antigos vasos germânicos, e teorizou que a suástica era um "significativo símbolo religioso de nossos remotos ancestrais", unindo os antigos germânicos às culturas grega e védica. O casal William Thomas e Kate Pavitt especulou que a difusão da suástica entre diversas culturas mundiais (Índia, África, América do Norte e do Sul, Ásia e Europa) apontava para uma origem comum.
Os nazistas utilizaram-se destas ideias, existentes desde os primórdios do movimento völkisch, adotando a suástica como símbolo a "identidade ariana" - conceito referendado por teóricos como Alfred Rosenberg, que o associou às raças nórdicas, ou seja, grupos originários do norte europeu. A suástica ainda sobrevive como símbolo dos grupos neonazistas.
Etimologia e outros nomes A palavra "suástica" deriva do sânscrito svastika (na escrita devanágari - स्वस्तिक), significando felicidade, prazer e boa sorte. Ela é formada do prefixo "su-" (cognata do grego ευ-), significando "bom, bem" e "-asti", uma forma abstrata para representar o verbo "ser". Suasti significa, portanto, "bem-ser". O sufixo "-ca" designa uma forma diminutiva, portanto "suástica" pode ser literalmente traduzida por "pequenas coisas associadas ao que traz um bom viver (ser)". O sufixo "-tica", independentemente do quanto foi dito, significa literalmente "marca". Desta forma na Índia um nome alternativo para "suástica" é shubhtika (literalmente, "boa marca"). A palavra tem sua primeira aparição nos clássicos épicos em sânscrito Ramayana e Mahabharata.
Formas alternativas de escrita deste vocábulo sânscrito em inglês incluem "suastika" e "svastica". Formas alternativas de denominar o símbolo: "Aranha negra" - como chamada por diversos povos da Europa Ocidental. "Cruz torta" "Cruz Gamada" (ou "em ganchos") - na heráldica.
Histórico As primeiras formas similares à suástica estão conservadas em vasos cerâmicos datados de cerca de , em antigas inscrições europeias (escrita "vinca"), e como parte da escrita encontrada na região do Indo, de cerca de , a qual as religiões posteriores (hinduísmo, budismo) passaram a usar como um de seus símbolos. Vasos encontrados em Sintashta, datados de cerca de também foram decorados com o símbolo suástico (veja aqui). Símbolos semelhantes foram encontrados em objetos remanescentes das Idades do Bronze e do Ferro no norte do Cáucaso e no Azerbaijão, oriundos das culturas dos citas e sármatas (vide:). Em todas as demais culturas, com a exceção daquelas do sul asiático, a suástica não parece apresentar alguma significação relevante, mas surge como uma forma em meio a uma série de símbolos similares em complexas variações.
Na Antiguidade, a suástica foi usada largamente pelos indo-arianos, hititas, celtas e gregos, dentre outros. Em especial, a suástica era um símbolo sacro do hinduísmo, budismo e jainismo. Ela ocorre em outras culturas asiáticas, europeias, africanas e indígenas americanas - na maioria das vezes como elemento decorativo, eventualmente como símbolo religioso.
Hipóteses Bárbara G. Walker, autora da obra The Woman's Dictionary of Symbols and Sacred Objects, defende que a cruz suástica representaria os 4 ventos. Com relação à forma em que esta surge como uma armação de quatro letras gama ( Γ ), Walker diz que são um emblema de uma antiga deusa e provavelmente representa "os solstícios e equinócios, ou as quatro direções, quatro elementos, e os quatro deuses guardiães do mundo."
250px|thumb|Dois vasos de óleo - desenho de Schliemann em "Ilios"
A ubiquidade do símbolo suástico pode ser explicada por ser um sinal muito simples, e surge facilmente em qualquer sociedade ao redor do globo. A suástica é um desenho repetitivo, criado em diversos momentos da história, ocorrendo num ponto e difundindo-se para os demais. Outra teoria justifica esta onipresença do sinal argumentando que todas as culturas se entrelaçam, e outros argumentam com a teoria do "inconsciente coletivo" de Carl Gustav Jung.
A existência do símbolo no continente americano pode ser explicada pela teoria do entrelaçamento cultural, mas não comportaria a teoria da difusão entre culturas. Enquanto alguns pesquisadores defendem que a suástica foi transferida secretamente por uma primitiva civilização europeia para a América do Norte, a hipótese mais provável é de que o desenho teve um desenvolvimento isolado e paralelo.
Hipótese do cometa/pássaro thumb|290px|esquerda|parte do "Atlas dos cometas da Dinastia Han" (note a suástica, à esquerda)
Uma outra explicação foi proposta pelo astrônomo Carl Sagan no seu livro “Cometa”. Sagan reproduz um antigo manuscrito chinês que exibe algumas variedades de cometas: a maioria são variações de cometas com caudas simples, mas as últimas representações apresentam o núcleo dos cometas com quatro braços curvados, lembrando a suástica. Sagan sugere que na antiguidade um cometa possa haver se aproximado bastante da Terra de forma que os jatos de gases que fluem dele, vergados pela rotação do cometa, tornaram-se visíveis – o que justificaria a representação da suástica como símbolo mundialmente existente.
Bob Kobres em Comets and the Bronze Age Collapse (1992 - em inglês) , refuta esta teoria de que as representações similares à suástica da dinastia Han sejam derivadas de cometas, mas sim eram na verdade alegorias de “pés de aves” por sua semelhança com esta parte da anatomia desses animais – e sugere que o símbolo seja a representação de um faisão, incluindo também nesta hipótese aqueles localizados pelo arqueólogo Schliemann.
Hinduísmo primitivo thumb|300px|Selos da civilização do Vale do Indo
A suástica é um dos símbolos sagrados do hinduísmo há pelo menos um milênio e meio. Ela é usada ali em vários contextos: sorte, o Sol, Brama, ou no conceito da “samsara”. O budismo particularmente teve grande penetração noutras culturas, em especial no Sudeste da Ásia, China, Coreia, Japão, Tibete e Mongólia desde fins do primeiro milênio. Supõe-se que o uso da suástica pelos fiéis “Bom” do Tibet, e de religiões sincréticas como a “Cao Daí” do Vietnã , e “Falun Gong” da China, tenha sido tomado emprestado ao budismo. Da mesma forma, a existência da suástica como símbolo do Sol entre o povo “Akan” – civilização do sudoeste da África, pode ter sido igualmente resultado da transferência cultural em virtude do tráfico escravista por volta do ano de 1500.
Adoção da suástica no Ocidente A descoberta do grupo linguístico indo-europeu em 1790 teve um grande efeito na arqueologia, que pôde unir os povos pré-históricos da Europa com os antigos indo-arianos. Seguindo-se as descobertas de objetos contendo a suástica nas ruínas de Troia, Heirinch Schliemann consultou dois especialistas em sânscrito da época – Emile Burnouf e Max Muller. Schliemann concluiu que a suástica era um símbolo específico indo-europeu. Descobertas posteriores deste símbolo entre ruínas hititas e do antigo Irã pareceram confirmar esta teoria. A ideia foi propagada por muitos outros autores, e a suástica rapidamente tornou-se popular no mundo ocidental – aparecendo em muitos desenhos entre 1880 e os anos 20.
thumb|esquerda|Colar indo-ariano, escavado em Kaluraz, Guilan (cerca de 1000, Museu Nacional do Irã)|201x201px
Estas descobertas e a grande popularidade do símbolo suástico levaram a um desejo de emprestar-se um significado para ele. Na Escandinávia e Alemanha, regiões onde exemplares antigos foram encontrados, o símbolo ganhou o significado de boa-sorte, tal como na tradição indo-iraniana.
O uso do símbolo no ocidente, junto às significações religiosas e culturais que lhe emprestaram, foi corrompido no começo do , quando foi adotado pelo Partido Nazista. Isto ocorreu porque os nazistas declaravam que os arianos eram os antepassados do povo alemão moderno e propuseram, por causa disto, que a subordinação do mundo à Alemanha fosse algo imperativo, e até mesmo predestinado. A suástica então tornou-se um símbolo conveniente, de forma geométrica simples e ao mesmo tempo marcante, a enfatizar este mito ariano-alemão, insuflando o orgulho racial. Desde a Segunda Guerra Mundial a maior parte do mundo ocidental tem a suástica apenas como um símbolo nazista, levando a equivocadas interpretações de seu uso no Ocidente, além de confusão quanto ao seu papel sagrado e histórico em outras culturas.
Geometria e simbolismo thumb|150px|Suástica na proporção 5x5