Ruão (em francês e em normando: Rouen) é uma cidade localizada na região histórica da Normandia, no noroeste da França. Uma das mais prósperas cidades do norte europeu na Idade Média, Ruão é, hoje, a capital da região francesa da Normandia e do departamento do Sena Marítimo. Segundo o censo demográfico francês de 2014, possui uma população de habitantes, sendo atualmente a 36° cidade mais populosa da França.
Foi fundada no , na época do imperador Augusto, como Rotômago (). Nos séculos posteriores se desenvolveu, assim como sofreu mudanças com a chegada dos povos bávaros e do cristianismo. Mais tarde, no , foi invadida pelos viquingues de Rollo, e a região de Ruão passou a se chamar Normandia a partir de 911, com o Tratado de Saint-Clair-sur-Epte. Posteriormente, como capital da Normandia, foi anexada ao reino da França e tornou-se uma cidade importante na Guerra dos Cem Anos contra a Inglaterra. Durante o período renascentista floresceu e prosperou economicamente e artisticamente; sua arquitetura foi influenciada pelo gótico. Durante a industrialização foi urbanizada e passou a ter um trem local. Após a ocupação da França pela Alemanha nazista em 1940, mais de 2 mil pessoas morreram nos bombardeiros.
É uma cidade turística com importantes atrações turísticas locais, como o Museu Marítimo, Fluvial e Portuário de Ruão, fundado em 1999 com mais de 2 mil obras expostas, e o edifício gótico da Catedral de Ruão, que recebeu Filipe II de França em 1204, após a anexação da Normandia ao reino da França.
Geografia e população A cidade foi estabelecida na margem direita do rio Sena e, posteriormente, expandiu-se para a margem esquerda. Ruão tem atualmente cerca de habitantes. Em 2006, tinha habitantes na região metropolitana.INSEE, statistiques locales de l'aire urbaine de Rouen
Etimologia O local é evidenciado nas formas Ratumacos (casa da moeda dos Veliocasses), Ρατό-μαγος (Ratomagos, Ptolomeu), Ratomagos (Rota de Antonino, Peutinger), Rotomagus (Amiano Marcelino, Notitia dignitatum),A. et J. PICARD Les Noms des communes et des anciennes paroisses de la Seine-Maritime. François de Beaurepaire, Marianne Mulon. Paris. 1979. p. 180. ISBN=2-7084-0040-1. Obra publicada com o apoio do CNRS. p. 130 in Rodomo em 779, Rodomo, Rodom, Rothom na Idade Média, Ruëm em 1130, Roüan sob o Antigo Regime, etc.
François de Beaurepaire nota uma alternância das formas em Rato- e em Roto-. O elemento Roto- se encontra na Normandia em Le Vaudreuil (Eure, anteriormente Rotoialum, Rothoialensis villa 584; com gaulês *ialon "local limpo, clareira" cf. galês tir ialXavier Delamarre, Dictionnaire de la langue gauloise, Paris, éditions Errance, 2003, p. 185.). Quanto a Rato-, é observado em Reviers (Calvados, Radaverum 1077, com gaulês var- / ver- "água, rio"Xavier Delamarre, Dictionnaire de la langue gauloise, Paris, éditions Errance, 2003, p. 300.).
Xavier DelamarreDictionnaire de la langue gauloise, Paris, éditions Errance, 2003, p. 261 - 262. considera implicitamente Rato- neste caso, como uma variante de Roto-, acrescentando sobre Ratumacos inscrito nas moedas dos Veliocasses : "Mas esta é talvez uma outra palavra." O significado de *roto- é restituído de acordo com o irlandês antigo roth "corrida" e o galês rhod "corrida, roda, objeto redondo" (cf. latim rota "roda", alemão Rad "roda"), a partir do Indo-Europeu *ret(h) "correr, andar na carruagem",Xavier Delamarre, Dictionnaire de la langue gauloise, Paris, éditions Errance, 2003 de daí a importância deduzida em gaulês de "roda" ou "corrida de carruagens". A interpretação do segundo elemento é mais assegurado: ele vem do gaulês *magos "campo" , depois "mercado" cf. irlandês antigo mag "plano, campo", bretão antigo ma "local, localização".Xavier Delamarre, Dictionnaire de la langue gauloise, Paris, éditions Errance, 2003, p. 213. O sentido geral de *Rotomagos seria então o de "mercado da roda", ou ainda de "pista de corrida" em termos da paixão sentida pelos Celtas pelas corridas de bigas.
Em francês, a cidade é chamada de Rouen, tendo o nome sido traduzido para português como Ruão.Na Folha de S. Paulo: ; ""; """Atrás da catedral de Ruão" é o título de um famoso conto do escritor brasileiro Mário de Andrade, cuja história se passa na cidade francesa de RuãoDicionário Aurélio (Brasil): "ruão: tecido de linho que se fabricava em Ruão (França)."ARDAGH, A. e JONES, C. Grandes impérios e civilizações: França, uma civilização essencial. Volume 1. Madri. Edições Del Prado. 1997. p. 14-15.
História Ruão foi fundada na época do imperador Augusto (r. -), no , com o nome de Rotômago (). Foi no que a cidade romana alcançou seu período de maior desenvolvimento, sabendo-se da existência de um anfiteatro e termas. Nos séculos seguintes, a cidade sofreu com as invasões dos povos bárbaros e presenciou a chegada definitiva do cristianismo.Jean Braunstein. Histoire de Rouen: L'Antiquité no sítio do Office de Tourisme de Rouen
No , a cidade foi invadida pelos viquingues (normandos), e Ruão, junto com a região circundante (a partir de então, chamada Normandia), foi cedida aos conquistadores escandinavos no Tratado de Saint-Clair-sur-Epte (911). O chefe viquingue Rollo tornou-se, assim, o primeiro duque da Normandia. Um dos duques, , conquistou a Inglaterra em 1066 e ligou Ruão às possessões normandas nas Ilhas Britânicas.Jean Braunstein. Histoire de Rouen: Le Moyen-Ageno sítio do Office de Tourisme de Rouen
thumb|250px|esquerda|Vista de Ruão e do Sena no (Georg Braun; Frans Hogenberg: Civitates Orbis Terrarum, 1572)
O ducado normando terminou em 1204, quando invadiu Ruão e anexou a Normandia ao reino da França. A cidade continuou sendo um importante centro comercial, chegando a ser a segunda cidade do reino. A partir de meados do é construída a Catedral de Ruão, em estilo gótico, terminada em grande parte em 1250. A Guerra dos cem anos com a Inglaterra, além da peste negra, foram fonte de muitos problemas para a cidade no fim da Idade Média. Uma revolta popular ocorrida em 1382 foi duramente esmagada pelas forças reais. A cidade perdeu seus privilégios comerciais no comércio do Sena, o que favoreceu Paris. No contexto da guerra, e após a Batalha de Azincourt (1415), os ingleses cercaram e tomaram Ruão em 1419. É na cidade controlada pelos ingleses que foi aprisionada e executada Joana d'Arc, em 30 de maio de 1431.
Na Renascença, a cidade viveu um grande desenvolvimento econômico graças à pesca, os tecidos de lã e a tapeçaria, além de outros produtos como o sal, que os navegadores de Ruão traziam de lugares como Setúbal, em Portugal. Na busca de pigmentos para os tecidos, os comerciantes da cidade interessaram-se pelo pau-brasil, fonte de um pigmento vermelho, o que fez de Ruão o principal porto de entrada desta madeira na Europa no . No campo artístico, floresceu uma arquitetura renascentista com muitos elementos góticos, como no Hotel de Bourgtheroulde e no Palácio de Justiça, ambos construídos entre fins do e inícios do seguinte. No , seguiram os trabalhos na catedral medieval da cidade, cujo portal central foi completado entre 1509 e 1521.Jean Braunstein. Histoire de Rouen: Du 16ème au 18ème siècle no sítio do Office de Tourisme de Rouen Na obra da catedral, trabalhou o escultor João de Ruão, que, mais tarde, instalou-se em Coimbra e tornando-se um dos escultores mais importantes do Renascimento Português.Renée Plouin. Jean de Rouen (actif de 1510 à 1572) na Encyclopædia Universalis France
thumb|258x258px|esquerda|Johannes Bosboom: "Vista de Ruão" (1839)
O é de relativa estagnação para a cidade, que, porém, continua a ser parte importante na economia francesa, participando ainda na colonização da Nova França, no Quebeque. No , Ruão é parte ativa no comércio triangular entre África, onde eram adquiridos escravos, e as colônias francesas das Antilhas, onde os escravos eram trocados por açúcar. Além disso, a cidade é um centro industrial de têxteis, como o trabalho com algodão transformando-se na base da economia.
thumb|220px|Igreja de Saint-Maclou
A Revolução Francesa é relativamente moderada em Ruão. Os bens do clero são nacionalizados e a catedral gótica é transformada em um templo dedicado à razão. A pobreza é enorme: num censo de fins do , há indigentes numa população total de habitantes.Jean Braunstein. Histoire de Rouen: Du 18ème à aujourd'hui no sítio do Office de Tourisme de Rouen
A industrialização chega no na forma de fábricas de tecidos instaladas ao redor de Ruão, nos vales dos rios Cailly e Robec, assim como na margem esquerda do Sena. O trem passa a ligar a cidade a Paris em 1843. O urbanismo da cidade é modernizado com a criação de novas ruas e praças, e são construídas gares, teatros e museus. A vida cultural é muito ativa, com nomes como o escritor Gustave Flaubert (nascido em Ruão em 1821) e o poeta Guy de Maupassant, que estudou na cidade. Também é famosa a obra dos pintores impressionistas na cidade, especialmente a série de obras de Claude Monet retratando a Catedral de Ruão.Pays de l'impressionnisme: Monet et la campagne des cathédrales no sítio do Office de Tourisme de Rouen
Em 1940, a cidade foi invadida por tropas alemãs. Durante o domínio nazista, que durou quatro anos, a cidade foi destruída em bombardeios que mataram aproximadamente pessoas. Ruão foi liberada em 1944 por tropas canadenses. Seguiu-se um longo período de reconstrução. Na segunda metade do , o crescimento demográfico da cidade fez com que novos bairros fossem construídos. O centro histórico foi revalorizado e várias ruas foram transformadas em zonas sem carros.
Geminação direita|150x150px Hanôver (Alemanha) desde 1966 Norwich (Reino Unido) desde depois de 1959 Ningbo (China) desde 1990 Salerno (Itália) desde 2002 Cleveland (Estados Unidos) desde 2008
Atrações culturais Monumentos Ruão é famosa pelos seus vários monumentos.Monumentos da cidade no sítio da Municipalidade de Ruão Monumentos da cidade no sítio do Office de Tourisme de Rouen Particularmente importantes são os edifícios góticos da cidade, como a Catedral de Ruão, começada em 1145 e terminada apenas no ,La Cathedrale de Rouen expliquée aux visiteurs (cathedrale-rouen.net) no sítio da Paróquia de Nossa Senhora de Ruão a Igreja abacial de Saint-Ouen, começada em 1380, e a pequena Igreja de Saint-Maclou, construída entre 1437 e 1517 em estilo gótico flamejante. Destacam-se ainda a Place du Vieux Marché, praça onde a heroína Joana d'Arc foi queimada viva em 1431, e o Palácio de Justiça, construído a partir de 1499 e considerado um dos melhores exemplos de arquitetura civil gótica do final da Idade Média na França.
thumb|direita|220px|Entrada do Hôtel de Bourgtheroulde
Do início do datam o Gabinete das Finanças (começado em 1509) e o Hotel de Bourgtheroulde, este último um magnífico palácio urbano construído para a família Le Roux em uma mistura entre os estilos gótico e renascentista. Também no foi construído um dos cartões-postais da cidade: o Grande-Relógio (Gros-Horloge) instalado num arco sobre uma rua. No interior da estrutura renascentista funciona um museu.Gros-Horloge no sítio da Municipalidade de Ruão
Museus Museu de belas artes de Ruão, bastante relevante para a região. Museu de história natural de Ruão Museu Departamental de Antiguidades Museu Flaubert e de história da medicina Museu nacional da educação Museu da cerâmica de Ruão Museu Marítimo, Fluvial e Portuário de Ruão: dedicado à história do porto e da navegação Museu Le Secq des Tournelles'' Museu Joana D'Arc Museu Pierre Corneille Museu do Gros-Horloge
Infraestrutura miniaturadaimagem|Trem do Metrô de Ruão na saída da estação Théâtre des Arts Transportes Transportes Públicos Metrô de Ruão: sistema de metrô (ou mais propriamente bondes ou elétricos) que liga Ruão com a malha urbana vizinha.
Transportes ferroviários