Tigre [feminino: tigresa] (nome científico: Panthera tigris) é um mamífero carnívoro da família dos felídeos, que habita o continente asiático. Dentre suas subespécies é o maior entre todos os felinos selvagens do mundo. São animais extremamente territoriais e solitários. Classificado como um superpredador em seu ecossistema respectivo, o tigre é tido como o terceiro maior carnívoro terrestre da contemporaneidade, excedido em porte unicamente pelo urso-polar e pelo urso-pardo.
É o felino com maior variação de tamanho do mundo entre subespécies, com o tigre-de-bengala alcançando até 280 kg enquanto o tigre-de-bali alcançava no máximo 100 kg; tamanho comparável a suçuaranas e leopardos. Algumas estimativas sugerem que existem menos de 2500 indivíduos reprodutores maduros, com nenhuma subpopulação com mais de 250 indivíduos reprodutores maduros. A população era estimada em 100 000 indivíduos no início do . Em tempos atuais, entretanto, apenas cerca de 4 000 indivíduos sobrevivem, uma queda de 97%.
Tigres já foram encontrados da Turquia à Sibéria e da ilha de Java à Índia. Hoje em dia estão restritos principalmente a algumas regiões do Sudeste Asiático, Sibéria e Índia. Três das subespécies estão extintas: o tigre-do-cáspio (encontrado em certas regiões da antiga União Soviética, Turquia, Oriente Médio, Afeganistão e Mongólia), tigre-de-java (encontrado em Java) e tigre-de-bali (que era encontrado apenas em Bali). miniaturadaimagem|279x279px|Tigresa em cativeiro, filme feito por volta de 1886. É um dos animais mais carismáticos do mundo, sendo símbolo da conservação da natureza e um dos animais mais populares. É o animal símbolo de diversos países da Ásia e mascote de diversas empresas em todo o mundo.
Etimologia "Tigre" vem do iraniano, através do grego τίγρις e do latim tigris.FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 675 Significa literalmente "flecha", por ser "certeiro, rápido, silencioso e mortal como uma flecha".
Taxonomia e evolução esquerda|miniaturadaimagem|Tigre-de-bengala (Panthera tigris tigris). Em 1758, Lineu primeiro descreveu a espécie em sua obra Systema Naturae, sob o nome científico Felis tigris. Em 1929, o taxonomista britânico Reginald Innes Pocock subordinou as espécies no gênero Panthera, usando o nome científico Panthera tigris.
A palavra Panthera é provavelmente de origem oriental e rastreável até à palavra pantera em grego, a palavra panthera em latim, a palavra pantere do francês antigo, o mais provável que signifique "o animal amarelado", ou de pandarah significando branco-amarelado. A derivação do grego pan-("todos") e ther ("besta") pode ser etimologia popular.
Evolução esquerda|thumb|288x288px|Restauração de Panthera zdanskyi. Parentes vivos mais próximos do tigre são o leão, leopardo e a onça-pintada, todos os quais são classificados sob o gênero Panthera. O mais velho parente extinto do tigre, chamado Panthera zdanskyi, foi encontrado na província de Gansu, noroeste da China. Esta espécie é considerada como um táxon irmão do tigre atual e viveu cerca de 2 milhões de anos atrás, no início do Pleistoceno. Era menor do que o tigre moderno, sendo do tamanho de um jaguar, e, provavelmente, não têm o mesmo padrão de pelagem. Apesar de ser considerado mais "primitivo", era funcionalmente e possivelmente ecologicamente semelhante ao seu primo moderno. Como Panthera zdanskyi viveu no noroeste da China, que pode ter sido onde a linhagem de tigres originou. Tigres cresceram em tamanho, possivelmente em resposta a radiações adaptativas de espécies de presas, como veados e bovídeos que possam ter ocorrido no Sudeste Asiático durante o início do Pleistoceno.
Os primeiros fósseis de verdadeiros tigres são de Java, e têm entre 1,6 e 1,8 milhão de anos. Fósseis distintos são conhecidos dos depósitos do início e meio do Pleistoceno na China e Sumatra. A subespécie chamada tigre-de-trinil (Panthera tigris trinilensis) viveu cerca de 1,2 milhão de anos e é conhecido a partir de fósseis encontrados em Trinil, Java.Van den Hoek Ostende. 1999. Javan Tiger - Ruthlessly hunted down. 300 Pearls - Museum highlights of natural diversity.
Tigres primeiro chegaram ao subcontinente indiano e depois ao norte da Ásia no final do Pleistoceno, atingindo o leste de Beríngia (mas não o continente americano), Japão e Sakhalin. Fósseis encontrados no Japão indicam que os tigres locais eram, como as subespécies insulares sobreviventes, menores do que as formas do continente, um exemplo de nanismo insular. Até ao Holoceno, os tigres também viviam em Bornéu, assim como na ilha de Palawan, nas Filipinas.
Sequência completa do genoma do tigre foi publicada em 2013. Ele e outros genomas de felinos foram descobertos a ter semelhante composição de repetição e uma sintenia sensivelmente conservada.
Subespécies Em 2017 a Cat Classification Task Force passou a classificar todos os tigres continentais como Panthera tigris tigris, colocando o que antes eram subespécies separadas como populações regionais de P. t. tigris; E todos os tigres das Ilhas da Sonda, não-continentais, como Panthera tigris sondaica.
Há uma constante discussão sobre o número total de subespécies de tigre e quais são estas, e consequentemente as mesmas são reclassificadas constantemente com base em novos estudos, geralmente diminuindo o número de subespécies, ao definir o que antes era determinada subespécie separada em apenas mais uma população regional de uma mesma subespécie anterior. Contudo o IUCN lista nove subespécies distintas de tigre, três das quais estão extintas. As nove ocupavam historicamente uma extensa área que englobava a Rússia Asiática, Sibéria, Irã, Cáucaso, Afeganistão, antiga Ásia Central Soviética, Subcontinente indiano, China, todo o sudeste da Ásia e Insulíndia (ilhas de Sumatra, Java e Bali). Hoje em dia, se encontram extintos em muitos países da Ásia. Estas são as nove subespécies relacionadas pela IUCN:
Tigre-siberiano (Panthera tigris altaica)
Encontram-se em vales com encostas rochosas do rio Amur. Está agora confinado a uma pequena área no leste da Rússia, onde é protegido. Antigamente habitava a Coreia, Manchúria (região nordeste da China), sudeste da Sibéria e leste da Mongólia. Desde 1922, quando um indivíduo foi visto e caçado pela última vez, não são mais vistos na Coreia do Sul. Em liberdade, existem entre 480 e 540 indivíduos, segundo o censo de 2015. Algumas populações não são geneticamente viáveis, por estarem sujeitas a cruzamentos consanguíneos. Diferentemente das outras subespécies de tigre, vive em uma área de clima frio formada por florestas boreais (de carvalhos e coníferas).
thumb|237x237px|O tigre-siberiano é a única subespécie atual que vive em um clima frio.|left
É a maior das subespécies de tigre e o maior felino existente atualmente. O tamanho é variável com a subespécie, pesando, na maior parte das vezes, entre 160 a 250 quilogramas em machos e as fêmeas entre 100 e 1. O comprimento total fica de 2,4 a 3,1 metros. As informações sobre o tamanho máximo são confusas e não há um veredito sobre o maior na natureza. De acordo com a edição do Guinness Book of world records, de 1988, um tigre siberiano macho de cativeiro, chamado Jaipur, chegou a pesar, aos 7 anos e meio de idade, 423 kg e possuía 3,32 metros de comprimento, sendo o felino mais pesado do mundo. Há um relato de um tigre siberiano macho que foi baleado em Sikhote Allin no ano de 1950, que pesava 384 kg. Jaipur chegou a pesar 465 kg, antes de sua morte em 1999. Porém pesos não tão confiáveis,com o maior pesando cientificamente 254 kg. A sua dieta é formada principalmente de suínos selvagens, veados, alces. Caçam, ainda, outros mamíferos, como ursos-pardos e ursos-negros-asiáticos.
Tigre-do-sul-da-china thumb|225x225px|Tigre-do-sul-da-china do projeto Save China's Tigers. (Panthera tigris amoyensis) — É a mais criticamente ameaçada das subespécies, caminhando rapidamente à extinção. Até o começo dos anos 1950, havia, aproximadamente, 4 000 tigres na República Popular da China. Mas em 1959, Mao Tse Tung, na época do "Grande Salto Adiante", declarou os tigres uma praga. Seguiu-se, então, uma brutal perseguição aos tigres, reduzindo-os a 400 indivíduos em 1976 e entre 150–200 indivíduos na natureza em 1982. Em 1987, haviam entre 30–40 restantes. Em uma pesquisa de 2001 não foi encontrado nenhuma evidência da presença de tigres, mas ainda podem existir alguns na natureza, já que há relatos de rastros e avistamentos. Havia apenas 72 exemplares em cativeiro em 2007, a maior parte na República Popular da China, mas que descendem de somente seis exemplares distribuídos em zoos em 1976. A diversidade genética necessária para manter a espécie já não existe, indicando que uma possível extinção pode estar próxima.
Tigre-da-indochina thumb|226x226px|Tigre-da-indochina no Zoológico de Berlim. (Panthera tigris corbetti) — Era encontrado no Camboja, Laos, sudoeste da China, Mianmar, Tailândia e Vietnã. Encontra-se extinto na China desde 2007 quando o último foi morto e comido por um caçador ilegal. Habita florestas tropicais e subtropicais úmidas de folhas largas e floresta secas em preferencialmente regiões montanhosas. De acordo com estimativas do governo das populações de tigres, a população é de 352 espécimes: 200 na Tailândia, 85 em Mianmar, 20 no Vietnã, outros 20 no Camboja e 17 no Laos.
Tigre-de-sumatra thumb|192x192px|O tigre-de-sumatra (P. tigris sumatrae) é a menor subespécie vivente de tigre.|left
(Panthera tigris sumatrae) — É encontrado somente na ilha de Sumatra. Possui pelagem mais escura, e listras mais finas e abundantes que tendem a desintegrar em pontos perto do fim, além de linhas de pequenos pontos escuros entre listras regulares que podem ser encontradas no dorso, flancos e patas traseiras. Atualmente é a menor das subespécies vivas.
A população selvagem estimada é de quatrocentos a quinhentos animais, presentes predominantemente nos cinco parques nacionais da ilha. Em 1978, era estimada em 1 000 animais que caiu para cerca de 800 em 1985.Santiapillai, C.; Ramono, W. S. (1987). Tiger numbers and habitat evaluation in Indonesia, pp. 85–91 in: Tilson, R. L.; Seal, U. S. (eds.) Tigers of the World: The Biology, Biopolitics, Management, and Conservation of an Endangered Species. Noyes Publications, New Jersey, ISBN 0815511337. As maiores ameaças a conservação da subespécie incluem desmatamento para plantações de palmeiras de óleo e plantio de acácia, diminuição das presas e comércio ilegal, principalmente para o mercado interno. Pesquisas genéticas recentes revelaram a presença de um marcador genético único, indicando que pode-se desenvolver uma nova espécie, caso não se torne extinto antes.
Tigre-de-bengala left|thumb|195x195px|Um Tigre-de-bengala na reserva nacional de Kanha, na Índia. (Panthera tigris tigris) — É encontrado nas florestas e savanas de Bangladesh, Butão, Nepal, Índia, Myanmar. É a segunda maior subespécie de tigre. É o animal nacional da Índia e de Bangladesh. Existem menos de 2 500 indivíduos na natureza, a maioria vivendo na Índia e em Bangladesh. O peso é entre 180 e 266 quilogramas para machos, e 100 a 160 para fêmeas. No entanto, o maior tigre-de-bengala encontrado no ambiente selvagem pesava 389 quilogramas e foi morto em 1967, embora esse peso seja um pouco artificial, já que ele havia acabado de comer um búfalo última noite, o que aumentaria o peso em até 45 kg.
Sua dieta consiste em gauros (a maior espécie de bovídeo selvagem do planeta), várias espécies de cervos, javalis, búfalos-d'água selvagens e em alguns casos, chegam a alimentar-se de crocodilos, de ursos-beiçudos e, em casos extremos, de elefantes e rinocerontes asiáticos.
thumb|227x227px|O tigre-malaio recentemente se tornou uma subéspecie distinta devido a estudos genéticos.
Tigre-malaio