Caiana dos Crioulos é uma comunidade quilombola localizada no estado da Paraíba, situada na zona rural entre os municípios de Alagoa Grande, Matinhas e Massaranduba. Foi a primeira comunidade quilombola a receber o título definitivo de suas terras pelo Incra na Paraíba, marco ocorrido em setembro de 2024.
Mais de noventa por cento dos habitantes da comunidade possuem ancestralidade africana, o que possibilitou, juntamente com a historiografia do local, que a comunidade fosse reconhecida em maio de 2005 pela Fundação Cultural Palmares como sendo um dos treze legítimos quilombos brasileiros. A demarcação territorial da comunidade foi homologada por decreto presidencial em 2018, compreendendo uma área de aproximadamente 646 hectares.
História A origem da comunidade é incerta, existindo ao menos quatro versões principais sobre o seu surgimento. Uma delas sugere que os fundadores seriam sobreviventes do massacre do Quilombo dos Palmares que migraram para a região; outras versões apontam para ex-escravizados oriundos de rebeliões em Mamanguape ou fugas da cidade de Areia. Embora as versões variem, há registros e relatos que sugerem que a comunidade está estabelecida no local há mais de 150 anos. Em 1949, a comunidade foi tema de uma reportagem intitulada "Um quilombo esquecido", escrita por Ivaldo Falconi e ilustrada por Gilberto Stuckert, considerada um dos documentos mais antigos sobre o local. No âmbito jurídico, a demarcação territorial foi homologada por decreto presidencial em 2018, compreendendo uma área de aproximadamente 646 hectares.
Em 20 de novembro de 2016, dia da Consciência Negra, foi lançado o documentário «Caiana dos Crioulos abre as Portas», produzido pelo jornalista Caio César Beltrão e o fotógrafo Flávio Monteiro. A produção traz um panorama histórico, humano e social sobre a trajetória da população negra no Brejo da Paraíba, passando por nomes como Margarida Maria Alves, Jackson do Pandeiro e finalizando com um retrato da comunidade quilombola em uma perspectiva atual.
O livro Jackson do Pandeiro: o rei do ritmo discorre sobre o crescente declínio da africanidade dos habitantes de Caiana:
Embora esteja a apenas 122 km de João Pessoa, a comunidade ainda hoje permanece como um mundo à parte. Seus instrumentos, músicas, danças e costumes ainda guardam algo de sua ancestralidade e história.
Demografia A população de Caiana dos Crioulos é de aproximadamente 500 moradores, organizados em cerca de 145 famílias. O perfil demográfico é majoritariamente feminino, consequência da migração de muitos homens para outros estados em busca de emprego, especialmente para o Rio de Janeiro.
Geografia e Infraestrutura alt=Trecho de estrada na comunidade|miniaturadaimagem|213x213px|Trecho de estrada na comunidade O território caracteriza-se por um terreno acidentado e de difícil acesso, o que historicamente serviu como fator de proteção e sobrevivência do quilombo. Atualmente, a comunidade enfrenta desafios de infraestrutura, como a falta de rede de esgoto e escassez de água potável, dependendo de cisternas para armazenamento de água da oriunda de chuva e caminhões-pipa. O acesso à comunidade é feito por estradas de terra, o que dificulta o trânsito em períodos chuvosos.
Economia alt=Instrumentos musicais e mural exibidos durante evento do Vivenciando Caiana realizado em 2022|esquerda|miniaturadaimagem|Instrumentos musicais e mural exibidos durante evento do Vivenciando Caiana realizado em 2022 A base econômica da comunidade é a agricultura de subsistência, com o cultivo de feijão, fava, milho e, predominantemente, mandioca, utilizada nas "farinhadas" coletivas. A fruticultura (cajá, banana, manga) e a criação de pequenos animais também são comuns. Nos últimos anos, a comunidade tem investido no turismo rural de base comunitária através do projeto "Vivenciando Caiana", que busca gerar renda por meio da valorização da gastronomia, artesanato e trilhas históricas.
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