thumb|right|280px|Queima de Judas em Juiz de Fora, Brasil (1909) miniaturadaimagem|Malhação de Judas (Debret, Jean-Baptiste, 1768-1848. Voyage pittoresque et historique au Brésil. Tome troisième. p. 34). A Malhação de Judas (também conhecida como Queima de Judas) é uma tradição folclórica e religiosa praticada no Sábado de Aleluia em diversas comunidades de tradição católica, especialmente na América Latina e na Península Ibérica. O costume consiste no julgamento, espancamento e destruição de um boneco em tamanho real feito de pano, palha ou serragem, que representa Judas Iscariotes o apóstolo que traiu Jesus Cristo segundo os Evangelhos. Além do caráter penitencial e expiatório, a prática frequentemente assume contornos de protesto social e Sátira política, sendo comum a caracterização do boneco com vestimentas ou traços de figuras públicas e políticos impopulares.
História e Origens thumb|right|Malhação de Judas no México no começo do século XX
A origem da tradição remonta a antigos rituais pagãos de primavera e renovação da natureza, comuns nas culturas agrárias do Mediterrâneo e da Europa Ocidental. Nestes ritos pré-cristãos, bonecos de palha ou efígies representavam o ano velho ou as forças do inverno, sendo queimados, espancados ou atirados à água para simbolizar a purificação da comunidade e o renascimento da fertilidade do solo.
Com a expansão e consolidação do Cristianismo na Europa durante a Idade Média, esses costumes rurais e expiatórios foram incorporados ao calendário litúrgico cristão, especificamente no encerramento do período de Quaresma e celebração da Páscoa. A efígie do ano velho foi então ressignificada na figura bíblica de Judas Iscariotes, permitindo que a comunidade canalizasse o sentimento de punição ao traidor de Jesus Cristo no contexto do Sábado de Aleluia.
A tradição consolidou-se na Espanha e em Portugal, sendo posteriormente introduzina no Brasil Colônia e na América hispânica durante o processo de colonização pelas ordens religiosas como instrumento de catequese e integração cultural. No Brasil no século XIX, o pintor francês Jean-Baptiste Debret documentou a prática nas ruas do Rio de Janeiro, destacando que o boneco já era utilizado como veículo de crítica social e Sátira política contra figuras públicas e autoridades impopulares.
Prática e Rituais A celebração da Malhação de Judas envolve uma sequência de etapas rituais preparadas pela comunidade ao longo da Semana Santa. O processo inicia-se com a confecção do boneco, feito em tamanho real com trapos, roupas velhas, palha ou serragem. Embora represente historicamente o traidor bíblico, tornou-se hábito popular caracterizar a efígie com vestimentas, máscaras ou placas que remetem a políticos, personalidades públicas ou figuras locais impopulares, transformando o rito religioso em uma manifestação de protesto e Sátira.
Na véspera ou na manhã do Sábado de Aleluia, o boneco é pendurado em postes de iluminação, árvores ou postes de madeira em praças públicas e ruas periféricas. Em diversas localidades, antecede a execução a leitura pública do "Testamento de Judas". Este texto, escrito em versos rimados e bem-humorados, simula a última vontade do traidor ao "deixar" pertences simbólicos ou críticas cômicas para os moradores conhecidos da vizinhança ou para figuras do cenário político.
A etapa final consiste no julgamento e destruição do boneco. A população, especialmente crianças e jovens, reúne-se para espancar a efígie com pedaços de pau e pauladas (o ato de "malhar"). Em seguida, o boneco é ateado a fogo ou destruído com a explosão de bombinhas e Fogo de artifício colocados no seu interior, simbolizando a purificação moral da comunidade e a punição do mal.
Variações Regionais e Internacionais Embora mantenha a mesma essência ritual, a Malhação de Judas apresenta adaptações culturais únicas em diferentes partes do mundo. No Brasil, destaca-se a tradição do "Estouro do Judas" na cidade de Itu, no estado de São Paulo (estado), realizada no centro histórico da cidade. Na praça principal, bonecos representando Judas e o Diabo são montados em estruturas de ferro recheadas de Bombinhas e explosivos, sendo detonados em um espetáculo pirotécnico acompanhado por milhares de espectadores.
Fora do país, a tradição é fortemente mantida no sul da Europa e na América Latina. Na Grécia, o rito é conhecido como Kápsimo tou Ioúda (A Queima de Judas) e ocorre durante a celebração da Páscoa Ortodoxa, onde efígies são suspensas e queimadas em fogueiras comunitárias ou alvejadas por tiros e fogos de artifício. Na Espanha, a Quema del Judas é acompanhada por procissões festivas em várias províncias. Já em países latino-americanos como o México e a Venezuela, a Quema de Judas mantém um forte caráter de protesto social, sendo comum a queima de efígies vestidas como políticos locais, acompanhada da leitura coletiva de testamentos satíricos.
Ver também Queima do Velho
Ligações externas História da Malhação de Judas
Categoria:Tradições da Páscoa Categoria:Judas Iscariotes