miniaturadaimagem|Mapa da Terra Média (em inglês). Terra-média é a terra antiga e fictícia de J. R. R. Tolkien, onde a maioria dos contos do seu imaginário ocorrem. Terra-média é a tradução literal do termo anglo-saxão middangeard, referindo-se a este mundo, o reino dos humanos. Tolkien traduziu "Terra-média" como Endor (algumas vezes Endórë) e Ennor nas línguas élficas quenya e sindarin.

Apesar de o cenário da Terra-média ser geralmente considerado outro mundo, é na realidade um período imaginário do passado da nossa própria Terra. Tolkien insistiu que a Terra-média é a nossa Terra em várias das suas cartas, sendo que na carta 211 ele estima que a Terceira Era teria terminado 600 mil anos antes do nosso próprio tempo. A ação nos livros é bastante restrita ao noroeste do continente, correspondendo à atual Europa, e pouco é conhecido sobre o leste e sul da Terra-média. A história da Terra-média está dividida em várias Eras: O Hobbit e O Senhor dos Anéis lidam exclusivamente com eventos relacionados com o fim da Terceira Era, enquanto que O Silmarillion trata principalmente da Primeira Era. O seu mundo era originalmente plano mas foi tornado redondo perto do fim da Segunda Era por Eru Ilúvatar, o Criador.

Muito do nosso conhecimento da Terra-média é baseado em escritos que Tolkien não acabou para publicação durante a sua vida. Nestes casos, este artigo é baseado na versão do imaginário que é considerado canônico pela maioria de fãs de Tolkien, tal como discutido no canôn da Terra-média.

Etimologia O termo "Terra-média" ("Middle-earth" em inglês) não foi inventado por Tolkien. Ele já existia no anglo-saxão como middanġeard e no inglês médio como midden-erd ou middel-erd e em norueguês antigo como Midgard. É em inglês aquilo que os Gregos chamaram o οικουμένη (oikoumenē) ou "o local permanente dos homens", o mundo físico como oposto dos mundos invisíveis (As Cartas de J. R. R. Tolkien, 151). A palavra Mediterrâneo provém de duas raízes latinas, medi, meio, e terra.

Middangeard é citada meia-dúzia de vezes em Beowulf, o qual Tolkien traduziu e sobre cujo estudo ele era possivelmente a maior autoridade mundial. (Ver também J. R. R. Tolkien para discussão das suas inspirações e fontes). Ver Midgard e Mitologia Nórdica para o uso mais antigo.

Tolkien também foi inspirado por este fragmento:

Eala earendel engla beorhtast / ofer middangeard monnum sended. Avé Earendel, o mais brilhante dos anjos / acima da Terra Média enviado para os homens.

do poema Crist de Cynewulf. O nome earendel (que pode significar a 'estrela da manhã' mas em alguns contextos era um nome para Cristo) foi a inspiração para personagem o marinheiro de Tolkien, Eärendil.

O nome foi conscientemente usado por Tolkien a partir do início da década 30 para estabelecer O Hobbit, O Senhor dos Anéis, O Silmarillion, e escritos relacionados, gradualmente substituindo as antigas expressões Terras Exteriores e Terras Grandes, que designavam os mesmos lugares. O termo "Terra-média" é especificamente usado para designar as terra ao leste do Grande Mar (Belegaer), excluindo Aman mas incluindo Harad e outras terras mortais não descritas por Tolkien.

Geografia J. R. R. Tolkien nunca finalizou a geografia de todo o mundo associado a O Hobbit e a O Senhor dos Anéis. Em The Shaping of Middle-earth, volume IV da História da Terra Média, Christopher Tolkien publicou vários mapas de referência, tanto da original terra plana como do mundo redondo, que seu pai tinha criado no final dos anos 30. Karen Wynn Fonstad partiu desses mapas para desenvolver detalhados "mapas do mundo inteiro", apesar de não-canônicos, que refletiam um mundo consistente com as eras históricas retratadas em O Silmarillion, O Hobbit, e O Senhor dos Anéis.

Endor, o termo "quenya" para Terra-média, foi concebido originalmente como se ajustando a um esquema grandemente simétrico, desfigurado pela ambição de Melkor de ser o único criador. A simetria era definida por dois grandes sub-continentes, um no norte e outro no sul, com cada um deles com duas longas cadeias de montanhas nas regiões a este e a oeste. Foram dados às cadeias montanhosas nomes baseados nas cores (Montanhas Brancas, Montanhas Azuis, Montanhas Cinzentas e Montanhas Vermelhas).

Os vários conflitos com Melkor resultaram na distorção das formas das terras. Originalmente, havia apenas um corpo de água interior, no meio do qual estava situada a ilha de Almaren,onde viviam os Valar. Quando Melkor destruiu as lâmpadas dos Valar, que iluminavam o mundo, foram criados dois vastos mares, mas Almaren e o seu lago foram destruídos nas grandes ondas causadas pela destruição. O mar setentrional tornou-se o Mar de Helcar (Helkar). As terras a leste das Montanhas Azuis tornaram-se em Beleriand (que significa "a terra dos Valar"). Melkor ergueu as Montanhas Nebulosas para impedir o progresso do Vala Oromë, na caça deste às bestas de Melkor durante o período de escuridão que antecedeu o despertar dos Elfos.

As lutas violentas durante a Guerra da Ira entre a Hoste dos Valar e os exércitos de Melkor, no final da Primeira Era, trouxeram a destruição de Beleriand. Também é possível que, durante este período, o mar interior de Helcar tenha sido escoado.

O mundo, não incluindo os corpos celestiais, foram identificados por Tolkien como "Ambar" em vários textos, mas foi igualmente identificado como "Imbar", o Habitat, em textos pós Senhor dos Anéis. Do período da destruição das duas lampadas até ao período da queda de Númenor, Ambar era suposto ser um "mundo plano", no qual os seus territórios habitáveis fossem organizados numa parte do mundo. Um continente a Oeste, Aman, fora a casa de Valar. As terras médias (centrais), Endor, foram chamadas de "Terra-média" e o local de grande parte das histórias de Tolkien. A parte oriental do continente era habitado por homens que não vieram para o oeste mas pouco foi descrito pelo autor.

Quando Melkor envenenou as Duas Árvores dos Valar e fugiu de Aman de volta para Endor, os Valar criaram o Sol e a Lua, que eram corpos separados (de Ambar), mas fazendo parte de Arda (o reino das Crianças de Ilúvatar). Alguns anos após a publicação de "O Senhor dos Anéis", em uma nota associada à narrativa original "Athrabeth Finrod ah Andreth" (na qual é dito que ocorreu em Beleriand durante a Guerra das Jóias), Tolkien igualou Arda ao Sistema Solar; porque Arda consistia mais do que um corpo criado por um deus.

De acordo com os registos em O Silmarillion e em O Senhor dos Anéis, quando Ar-Pharazôn invadiu Aman à procura da imortalidade dos Valar, eles descuidaram-se na protecção do mundo conduzindo à intervenção de Ilúvatar, destruindo Númenor, removendo Aman "dos círculos do mundo", e moldando Ambar à forma redonda do mundo actual. Akallabêth diz que os numenorianos que sobreviveram à Queda do seu mundo navegaram para Oeste à procura da sua casa antiga, mas as suas viagens apenas os conduziram à volta do mundo, conduzindo-os ao ponto de partida. Assim, antes do fim da Segunda Era, a transição de uma "Terra Plana" para "Terra redonda" havia terminado.

O continente de Endor tornou-se aproximadamente o equivalente à Eurásia, mas a geografia ficcional de Tolkien não fornece correlações exactas entre a narrativa de O Senhor dos Anéis e o território da Europa ou até mesmo territórios vizinhos. Pode-se assim assumir que o leitor compreende o mundo implícito à subsequente não documentada transformação (Que alguns especulam que Tolkien teria equiparado com o dilúvio bíblico) em algum tempo após o fim da Terceira Era.

O mundo Eä é o nome do Universo, enquanto arda, (significa o Reino, vindo do élfico primitivo gardā, adaptada do valarin Aþāraphelūn) é, a princípio, o nome usado para designar o Sistema Solar, mas também pode ser usado especificamente como nome para o Planeta Terra. Segundo a mitologia de Tolkien, Arda foi criada através da composição de uma música magnífica, Ainulindalë, quando Ilúvatar solicitou aos Ainur, espécie de anjos, que criassem juntos uma grandiosa melodia, com a inspiração da Chama Imperecível. Sempre foi alvo da cobiça de Melkor, cujo objetivo era governá-la. Porém, Manwë foi designado para ser o senhor do reino de Arda. Este chamou a si muitos espíritos superiores e inferiores, que desceram aos campos de Arda e ajudaram na concretização do projeto vislumbrado na Grande Música, preparando Arda para a chegada dos Filhos de Ilúvatar.

Apesar de 'Terra-média' referir-se estritamente a um continente específico (chamado Endor na língua élfica quenya e Ennor em Sindarin, ambos designando "terra do meio"), representando aquilo que nós conhecemos como Eurásia e África, o termo é muitas vezes usado para significa toda a 'terra' (correctamente chamada Arda), ou até todo o universo no qual os contos tomam lugar.

Se o mapa da Terra-média for projectado na nossa Terra real (uma aproximação imperfeita, na melhor das hipóteses), e algumas das semelhanças climatológicas, botânicas e zoológicas mais óbvias se alinharem, o Shire (Condado) dos Hobbits situar-se-aria na temperada Inglaterra, Gondor nas mediterrânicas Itália e Grécia, Mordor nos áridos Turquia e Médio Oriente, o Sul de Gondor nos desertos do Norte de Africa, Rhovanion nas florestas da Europa de Leste e nas estepes da Rússia ocidental e meridional, e a Baía Gelada de Forochel nos fiordes da Noruega.

De acordo com Tolkien, é suposto que o Shire se localize aproximadamente na área das regiões centrais de Inglaterra (especificamente Warwickshire), enquanto que Minas Tirith em Gondor é comparável a Veneza, e Pelargir a Bizâncio (Constantinopla).

O Hobbit e O Senhor dos Anéis são apresentados como as realizações de Bilbo, Frodo e outros Hobbits, e tencionam ser uma tradução do Livro Vermelho do Marco Ocidental. Tal como Rei Lear de Shakespeare ou Conan, o Bárbaro de Robert E. Howard, os contos ocupam um local histórico que não poderia ter realmente existido. As datas para o comprimento do ano e as fases da lua, junto com as descrições de constelações, estabelecem firmemente o mundo como sendo a Terra, não mais do que há alguns milhares de anos.

Tolkien escreveu extensivamente sobre linguística, mitologia e história da terra, que formaram a espinha dorsal para as suas histórias. A maior parte dos seus livros, com excepção de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, foram editados e publicados postumamente pelo seu filho Christopher.

Notável entre eles é O Silmarillion, o qual descreve uma cosmologia mais alargada que inclui a Terra-média bem como Valinor, Númenor, e outras terras. Também notáveis são os Contos Inacabados e os múltiplos volumes de The History of Middle Earth, que incluem histórias incompletas e ensaios bem, como detalham o desenvolvimento dos escritos de Tolkien desde os primeiros rascunhos até às últimas obras na sua vida.

Cosmologia

A suprema divindade do universo de Tolkien é chamada Eru Ilúvatar. No princípio, Ilúvatar criou espíritos chamados Ainur, e conduziu-os com música divina. O Ainu Melkor, equivalente de Tolkien para Satanás, quebrou a harmonia, e em resposta Ilúvatar introduziu novos temas que intensificaram a música para além da compreensão dos Ainur. A essência da sua canção estabelecia a história do universo ainda por criar e das pessoas que aí iriam habitar.

Então Ilúvatar criou Eä, o próprio universo, e os Ainur formaram nele Arda, a Terra, "englobada dentro do vazio": o mundo, juntamente com o ar é separada de Kuma, o "vazio" sem vida. Os quinze Ainur mais poderosos que apareceram inicialmente no mundo para moldar e governar Arda são chamados os valares, sendo um dos quais Melkor, o mais poderoso.