miniaturadaimagem|Navegando no Rio Purus miniaturadaimagem|Microrregião do Purus Canutama é um município brasileiro do interior do Estado do Amazonas, Região Norte do país. Pertencente à Mesorregião do Sul Amazonense e Microrregião do Purus.
O município possui uma população de habitantes, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2021. No censo do IBGE do ano 2010, a população canutamense era de , o que corresponde para uma estimativa de crescimento populacional de aproximadamente 22,6%.
História
Fundação e povoamento
As primeiras expedições O povoamento e desenvolvimento do município de Canutama confunde-se com o início das explorações e expedições no rio Purus. Entretanto, mesmo antes do último quartel do século XIX, momento em que ocorre a expedição de Manuel Urbano da Encarnação, já havia relatos da presença de "civilizados" no rio Purus. Em sua pesquisa, que resultou no livro de título Canutama: conquista e povoamento do Purus (1980), Sebastião Antônio Ferrarini registra um relatório datado de 1855, do Dr. Manoel Gomes Correa de Miranda, o qual diz o seguinte: "Catequese e civilização dos índios. Três únicos missionários existem atualmente na Província (do Amazonas), a saber: Frei Gregório José Maria de Bene, que há anos exerce seu ministério nas aldeias dos Rios Uaupés e Içana; Frei Pedro de Ceriana encarregado da nova missão de S. Luiz Gonzaga nas margens do rio Purus...".
As incursões pelo rio tiveram início somente após a abertura da bacia amazônica à navegação internacional. De modo que, até 1850, o rio era uma completa incógnita para o homem branco. É somente a partir da segunda metade do século XIX que o governo do Estado do Amazonas começa a financia e a promover as famosas "entradas" pelo desconhecido rio. De acordo com Sebastião Antônio Ferrarini, "nem mesmo os limites entre os impérios brasileiro e a república boliviana estavam definitivamente claros, pois ambas as nações convinham na imprecisão das fronteiras dado o fato de a região ser desconhecida pelas duas partes. Disto se´ra evidência, quando no início do atual século, dá-se a questão do Acre, na qual o protagonista principal foi o Amazonas".
Látex: o fator econômico É necessário afirmar que o grande fator causal para a presença de "civilizados" no rio Purus será o econômico, com a descoberta da borracha. O rio foi um dos principais produtores gomíferos na época áurea da borracha, fazendo com que se tornasse intensa a correria de nordestinos - os denominados "brabos" - para o local. Núcleos urbanos, a partir daí, foram lançados, gerando grande riqueza para os cofres do governo do Estado do Amazonas com extração do látex, prosperidade essa que, infelizmente, não foi acompanhada pelo bem-estar de sua população.
Manoel Urbano da Encarnação
Fundador de Canutama O grande nome ligado à fundação do município de Canutama é o de Manuel Urbano da Encarnação, embora muitos nomes, como o de João Cametá, William Clandles, Serafim Salgado e Frei Pedro Coriana também estejam correlacionados e sejam notáveis. Manuel Urbano da Encarnação, entretanto, foi o precursor ou, empregando uma metáfora, o são João Batista do rio Purus: aquele que abriria os caminhos para o assentamento de núcleos urbanos ao longo deste rio. São expressivas as palavras de Sebastião Antônio Ferrarini, ao considerá-lo um bandeirante: "o homem simples, forte e corajoso que, tal qual "bandeirante" do século XIX, tornou-se o desbravador de grande parte da Amazônia. Este homem foi Manoel Urbano da Encanação, e o local por ele habitado, Canutama".
Descendente da tribo Mura Manoel Urbano da Encarnação foi um descendente da tribo Mura, mestiço, prático de embarcação, encarregado da segunda expedição (1861) pelo rio Purus encomendada pelo governo do Estado, já que a primeira expedição ficou a cabo de Seraphim da Silva Salgado (1852). Nesse ano, em 1861, ele subiu o Purus durante 155 dias. Segundo informações, o último ponto que ele teria alcançado seria uma povoação boliviana chamada Sarayaco. Nessas aventuras, é sabido que por onde ele passava havia povos indígenas que o chamavam pelo nome de "Tapauna Catu", cujo significado é "preto bom". Isso ocorria em função da fama que levava esse explorador por sempre tratar bem os povos indígenas. Como registra Sebastião Antônio Ferrarini: "Era um homem audaz. Inspirava zelo. Tratava bem o gentio lá onde o encontrasse".
O encontro com anglo-saxões Nos anos 1864 e 1865, Manoel Urbano da Encarnação encontrou dois importantes naturalistas anglo-saxões. De acordo com Cardoso, em 1864 ele encontra o correspondente da Royal Geographical Society, William Chandles, que navegou pelo Purus em busca de um canal de ligação com o rio madeira. E em novembro de 1865 ele encontra o americano membro da Expedição Thayer, William James, que assim descreveu o fundador de Canutama: "um cafuzo, bem apessoado, com mais sangue negro do que índio, com mais ou menos uns 60 anos, vestido em um terno brilhante de alpaca preta".
Uma tribo que não aceitava ser "amansada"
Jumas: do rio Madeira ao rio Mucuim A região do Purus foi muito ligada a massacres de índios nos seus primórdios. Segundo o historiador Kroemer, houve, no rio Mucuim, entre os anos de 1940 e 1965, um extermínio sistemático do grupo indígena que ali vivia: os jumas.Google Books
thumb|280px|esquerda|Rio Purus:um dos 10 maiores do mundo.
Alguns antropólogos acreditam que os jumas já fizeram, outrora, parte do grupo tupi-kawahib, "um povo que migrou para a região do rio Madeira no século dezessete".Forests E que logo após uma ou duas gerações, um grupo formado por três mil índios saíram desse grupo para formar a sua própria tribo. Eles se denominaram juma, enquanto as tribos vizinhas os chamavam de "povo gigante dos pés grandes".
Etnocídio no igarapé da Onça De acordo com Kroemer, o etnocídio definitivo ocorreu no ano de 1964, no igarapé da Onça. Pouco antes disso, chegou a Canutama missionários do SIL —Summer Institute of Linguistics. No final da década de 1970 eles formalizaram denúncia, pelo Jornal Porantin CIMI, definindo o que ocorrera em Canutama como "genocídio".
Ainda hoje índios vivem em áreas do município, como os índios catawixi, os quais vivem na área de influência do rio Mucuim.Amazonia Sabe-se também que entre os municípios de Pauini, Tapauá,Santarita Canutama e Lábrea, consta a presença de mais sete povos Jrosha, entre eles os suhuarás, "o Povo do Veneno".Daleth Homens como Gunter Kroemer, antropólogo, indigenista, membro do Conselho Indigenista Missionário (CIMI)Emtempo, lutam pela sobrevivência dessas populações.
Bacia do Rio Mucuim Um dos tributários da margem direita do rio Purus, é um rio de água preta que deságua próximo à sede do município de Canutama, um pouco abaixo da praia localizada em frente à cidade. É onde estão localizadas muitas fazendas, sítios e balneários que servem de recreação aos munícipes durante os finais de semanas e feriados.
O que é conhecida como Bacia Hidrográfica do Rio Mucuim encontra-se inserida totalmente no município de Canutama e possui, nas palavras de Lobato, "cerca de 13.982,89 km², com um perímetro de aproximadamente 594,5 km. Tem início no divisor de água que separa a Bacia Hidrográfica do Rio Madeira da Bacia Hidrográfica do Rio Purus, divisa do Estado do Amazonas com Rondônia, nas proximidades do Ramal do Jatuarana e dos Projetos de Assentamento Joana D’Arc I e II, e tem o seu exutório no rio Purus, nas proximidades da cidade de Canutama-AM”.
Trata-se de uma importante via de ligação localizada no sul do Estado do Amazonas. Duas grandes vias terrestres têm o seu traçado próximo a ela: a BR-319 e a BR-230, por meio das quais “é feito o escoamento de grande parte da produção e o abastecimento das cidades de entorno da referida Bacia Hidrográfica, principalmente as cidades do estado do Amazonas como, Humaitá, Lábrea, Canutama, correspondendo a uma população de aproximadamente 104.200 habitantes”.
Uma nova sede para Canutama Todos os anos, durante a época da enchente, os canutamenses passam pela experiência de verem uma parte considerável de sua cidade coberta pelas águas do rio Purus. A parte alagadiça, chamada de Várzea, é uma das principais em termos econômicos, nela estando inseridos importantes estabelecimentos comerciais, hotéis, templos religiosos, além do porto da cidade.
É corrente a ideia de que uma das alternativas para resolver esse problema seria mudar a sede para a comunidade chamada Belo Monte, que fica rio abaixo, no território do município.
Formação administrativa
Nomes iniciais Durante os seus primórdios, recebeu várias denominações: em 15 de maio de 1873, Domingos Monteiro Peixoto promulga a Lei n. 265 criando uma freguesia no lugar chamado Arimã, núcleo embrionário do futuro município.. Com a Lei n. 436, de 26 de maio de 1879, recebe o nome de Nova Colônia de Bela Vista. Somente a partir de 1891, através da Lei n. 22 de 10 de outubro, a freguesia é elevada à categoria de município, recebendo o seu nome atual, Canutama. Dizia o seguinte o artigo 1o da lei promulgada por Gregório Thaumaturgo Azevedo, na época do governo de Eduardo Ribeiro: "Fica elevada a categoria de vila a freguesia de Nossa Senhora de Nazareth de Nova Colônia no rio Purus, cuja sede será em terra firme do lugar Canutama, com a denominação de vila de Canutama"
Origem do nome Canutama Desde há muito tempo é corrente na cidade a história de que o nome Canutama significaria, em língua indígena, "pé cortado" e a denominação teria vindo de um incidente envolvendo um índio que fora, na época da viração de tartaruga, para a região onde hoje fica o município. Segundo relatos, o índio, ao pisar em algo e cortar o pé, teria exclamado "Canu" "tamá", ou seja, "pé cortado".
Para Sebastião Antônio Ferrarini, sulista membro da ordem religiosa Irmãos Maristas, que durante muitos anos dirigiram a principal escola de ensino fundamental do município, existe uma outra versão, muito embora aquela que é amplamente relatada seja a mais aceita. Ferrarini, que, para escrever o seu livro, dedicou-se à laboriosa busca de dados em Lábrea, Canutama, Tapauá, na Biblioteca Pública de Manaus, no Instituto Geográfico e Histórico de Manaus, na Biblioteca Pública de Belém, no Instituto Geográfico e Histórico de Belém e no Museu Emilio Goeldi, diz o seguinte:"tenho propensão em admitir que seja uma antiga região habitada por indígenas "Canu", pois a terminologia Tamá ou Tamán, como vi em escritos antigos, significa "região, terra ou pátria". Daí, "terra dos canu".
Limites do novo município
Da Vista Alegre ao Axioma A mesma lei que criou o município também deixou delineados os seus limites. Em seu artigo 3o, a lei trazia o seguinte texto: "serão limites do novo município e termo, rio acima até foz do lago de Vista Alegre, à margem direita e à margem esquerda a foz do sacado do Axioma. Rio abaixo os mesmos da antiga freguesia de S. João Batista do Arimã".
Antes da instituição desta lei já apareciam como localidades de Canutama os seguintes lugares: Arimã, o seu núcleo embrionário, o furo do Curacurá, que aparece citado na Lei n. 436; o furo do lago Arihá, citado na Lei n. 459 de 24 de abril de 1880; o lago Itapá, referido na Lei n. 89 de 19 de março de 1891; o Axioma; o Mari e a Boca do Apituã, citados no Decreto n. 128 de 27 de agosto de 1896.
Oito distritos Pela Lei n. 185 de 14 de setembro de 1911 o município foi subdividido em oito distritos, incluindo a sua sede. São eles: Abufari, Arimã, Caratiá, Itatuba, Nova Colônia, Nova Olinda, Tapuã e Canutama (sede). Em 1o de outubro de 1920, em um quadro de apuração do recenseamento geral, o município aparece com o mesmo número de distritos. Os nomes, porém, são outros: Canutama, Assaituba, Itatuba, Nova Experiência, Nova Olinda, Paxiúba, Porto Alegre, Tambaqui.