Itacoatiara é um município brasileiro localizado na Região Metropolitana de Manaus, no estado do Amazonas. É a segunda cidade mais populosa do estado, com habitantes, de acordo com estimativas de 2024 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O município ocupa uma área de , representando 0.5661 % do estado, 0.2308 % da Região Norte e 0.1047 % de todo o território brasileiro. Desse total 13,5 km² estão em perímetro urbano. Sua temperatura média anual mínima é 25 °C e 32 °C sua média máxima. Na vegetação do município predomina o bioma amazônico.
Fundada em 1760 pelo primeiro governador geral da capitania de São José do Rio Negro Joaquim de Melo e Povoas, que após a transferência da aldeia de abacaxis, para a margem esquerda do Rio Amazonas, instalou a Vila de Serpa, por isso a cidade é conhecida como Velha Serpa. Também conhecida como Cidade da Pedra Pintada, por ter na entrada da área urbana uma pedra pintada com um escrito indígena do tupi ou nheengatu itá: pedra; e coatiara: (pintado, gravado, escrito, esculpido) que deu origem ao nome atual da cidade. Conta com importantes monumentos, museus, parques, balneários, teatros e um vasto calendário de eventos, destacando o Aniversário da cidade realizado no dia 25 de abril, o Festival da Canção de Itacoatiara (Fecani) em setembro e a EXPOFEST, em outubro. A cidade tem como cartão-postal a Avenida Parque, inaugurada em 1928, sendo inspirada na famosa avenida parisiense Champs Elysées.
Itacoatiara possui o segundo maior PIB do Amazonas, com R$ 2,05 bilhões, de acordo com dados do IBGE de 2016. O município é considerado um dos maiores pólos agropecuários do Brasil. Conta com um importante porto fluvial, responsável por uma grande quantidade de transporte de cargas, sendo o segundo maior porto fluvial escoador do país, pois chegam diariamente cargas vindas de cidades como Belém, Cuiabá, Manaus e Santarém. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,644, sendo considerando ferior à média nacional, e comparado com o IDH do estado, que foi de 0,720. Segundo estudo de uma empresa de consultoria, a Urban Systems, Itacoatiara é uma das pequenas cidades mais desenvolvidas do Brasil.
Etimologia
O nome Itacoatiara, é originário da língua indígena tupi que significa "Pedra Pintada", devido as inscrições rupestres gravadas em algumas pedras de arenito localizadas em frente ao porto da cidade e no sitio arqueológico da pedra chata no rio Urubu. Teve como primeiros habitantes os índios Muras, Juris, Abacaxis, Anicorés, Aponariás, Cumaxiás, Barés, Jumas, Juquis, Pariguais e Terás.
Itacoatiara é um vocábulo indígena que significa pedra pintada, pedra escrita. Procede do tupi ou nheengatu itá: pedra; e coatiara: pintado, gravado, escrito, esculpido. Na língua Tupi-Guarani, significa pedra pintada; entretanto, segundo Antônio Cantanhede, em Outras Histórias do Amazonas, o topônimo tem a seguinte decomposição: Itá - pedra; Coati - o mamífero; Ára - o que nasce.
História thumb|esquerda|Mapa de 1562 da região do rio Amazonas. Fundação Em 1757, os habitantes da Aldeia dos Abacaxis, que absorveu através do descimento nativo, oriundo do Regimento das Missões, de várias outras etnias, são transferidos para a outra margem do Rio Amazonas (margem esquerda), onde está atualmente a cidade de Itacoatiara. Em razão dos constantes ataques dos silvícolas e a procura de terras propícias à colonização motivaram a retirada dos habitantes da aldeia de Abacaxis. Por esse último local passou, em 1755, o Capitão-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado, Governador do Grão-Pará e Maranhão que, em carta dirigida ao Ministro de Ultramar (1758), descreveu a viagem e especificou as deliberações tomadas em sua visita às terras amazonenses.
Os registros de povoamento na região onde está localizada a cidade, datam de 1760, quando o primeiro governador da capitania de São José do Rio Negro Joaquim de Melo e Povoas, em ofício destinado ao governador do Grão-pará Francisco Xavier de Mendonça Furtado, informa da fundação da então Vila de Serpa e execução da planta do lugar, que deu origem a cidade de Itacoatiara, em reverência aos desenhos encontrados nas rochas de arenito, encontradas no litoral da cidade.
Formação administrativa No ano de 1759 a aldeia de Itacoatiara é elevada a vila, com a denominação de Serpa, nome de origem portuguesa. Foi a terceira vila instalada no Amazonas, antecedida apenas por Borba e Barcelos. Era, então, das mais importantes aglomerações da região.
Suprimido o município em 1833, dois anos depois era assolado pela Cabanagem, sedição que veio a terminar em 1840. A restauração verificou-se em 10 de dezembro de 1857. Em 25 de abril de 1874, a vila elevada à condição de cidade com a denominação de Itacoatiara, pela Lei Provincial n.º 283, de 25 de abril de 1874.
Em 28 de novembro de 1830, pelo Ato Estadual nº. 45, o município de Urucará é anexado ao de Itacoatiara. Em 14 de setembro de 1931, pelo Ato Estadual no. 33, o município de Urucurituba também é anexado ao de Itacoatiara. Em 1935, com a reconstitucionalização do estado, Urucará e Urucurituba retornam à condição de municípios.
História recente Em decorrência do crescimento demográfico de Itacoatiara, que atualmente ostenta a posição da terceira cidade mais populosa do Amazonas com mais de 100 mil habitantes, o município foi incluído à Região Metropolitana de Manaus em 2007 e vem consolidando-se como a segunda maior economia do estado.
Geografia Itacoatiara está localizado no centro-leste do estado, na Região Intermediária de Parintins e Região Imediata de Itacoatiara. Situa-se na Região Metropolitana de Manaus.
Localiza-se a uma latitude 03º08'01.65" sul e a uma longitude 58°26'19.04" oeste, estando a uma altitude de 612 metros.
Possui uma área de 8.600 km² e seu território tem como limite as cidades de: Manaus, Urucará, Rio Preto da Eva, Nova Olinda do Norte, Silves, Itapiranga e São Sebastião do Uatumã.
Hidrografia
Itacoatiara está localizada junto à bacia hidrográfica Amazônica. Os rios que passam por Itacoatiara são os rios Solimões e o Rio Negro, que formam o Rio Amazonas. O rio Solimões começa no Peru e, ao entrar no Brasil, no município de Tabatinga, recebe o nome de Solimões.
Além dos grandes rios que passam pela cidade, outras pequenos igarapés e lagoas cortam a cidade, que também conta com um considerável número de afluentes em suas redondezas. thumb|esquerda|Vitória-régia
Fauna e flora A fauna e flora da Amazônia é diversificada, sendo encontrada a mesma fauna da floresta tropical úmida presente em diversos municípios da região. É possível encontrar no município, inúmeras espécies de plantas e pássaros, inúmeros anfíbios e milhões de insetos.
Os grandes mamíferos da água, como o peixe-boi e o boto, são encontrados principalmente em regiões sem muita movimentação do Rio Negro. Algumas árvores de origem amazônica, como a andiroba e mafumeira (também conhecida como sumaúma), são encontradas em algumas regiões da cidade, principalmente em áreas intactas. Na área urbana, pouco se encontra tais árvores.
Répteis como tartarugas, caimões e víboras também ali habitam. Há pássaros e peixes de todas as espécies, plumagens e peles. Em algumas regiões ao longo dos rios, encontramos a planta vitória-régia, cujas folhas circulares chegam a mais de um metro de diâmetro.
Clima Itacoatiara possui clima tropical úmido, presente em toda a Amazônia. O clima é amenizado por alta pluviosidade e pelos ventos alísios que sopram do Atlântico. Quedas de temperatura são comuns no município e diminuem bastante os rigores de calor, acontecendo quase sempre à noite. Há duas estações distintas: inverno, mais chuvoso, que se inicia em dezembro, e verão, menos chuvoso, que se inicia em maio.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1971 a menor temperatura registrada em Itacoatiara foi de em 23 de julho de 1981, e a maior atingiu em 31 de outubro de 1988. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de em 19 de dezembro de 2016, superando o recorde anterior de em 17 de janeiro de 2011.
Demografia A população do município, de acordo com estimativas de 2021 provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) era de habitantes, sendo o 2º mais populoso do estado e apresentando uma densidade populacional de 11,4 habitantes por km². De acordo com o censo demográfico de 2010, também realizado pelo IBGE, 48,85% da população de Itacoatiara eram homens ( habitantes) e 51,15% ( habitantes) eram mulheres. Também registrou-se que 77% da população vivia em zona urbana ( habitantes) e 23% vivia na zona rural e ribeirinha ( habitantes).
O crescimento populacional de Itacoatiara na última década foi de 18,76%. Em um período de dezenove anos, entre 1991 e 2010, a população de Itacoatiara teve uma taxa média de crescimento anual de 4,26%, onde sua população se elevou de habitantes em 1991 para habitantes em 2000. A taxa de urbanização cresceu 13,38% passando de 63,62% de urbanização no município, em 1991, para 77,00% em 2010. Em 2000, a população do município representava 2,56% da população do estado e 0,04% da população do país.
Ainda no período de 1991 a 2000, houve um declínio no quesito razão de dependência. Em 1991, a razão de dependência entre os habitantes era alta: 86,8%. Em 2000, com o declínio, este índice baixou para 70,4% dos habitantes.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Itacoatiara é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). No ano de 2000, considerando apenas a educação, o valor do índice é de 0,825 enquanto o do Brasil é 0,849. O índice da longevidade é de 0,741 (o brasileiro é 0,787) e o de renda é de 0,568 (o do Brasil é 0,723). Comparado aos outros municípios do Brasil, Itacoatiara apresenta uma situação intermediária, ocupando a 2.787ª posição no quesito IDH, sendo que 2.776 municípios (50,6%) estão em situação melhor e 2,720 municípios (49,4%) estão em situação pior ou semelhante. Comparando com os municípios do Amazonas, Itacoatiara apresenta uma boa situação: ocupa a 3ª posição, sendo que 2 municípios (3,2%) estão em situação melhor e 59 municípios (66,8%) estão em situação pior ou semelhante. No período de 1991 a 2000 o IDH de Itacoatiara cresceu 8,22% passando de 0,657 em 1991 para 0,711 em 2000. A educação foi o que mais contribuiu para este crescimento, com 47,2%, seguida pela Educação, com 45,4%. Caso Itacoatiara mantivesse esta taxa de crescimento de IDH, levaria 28,2 anos para alcançar São Caetano do Sul, o município com o melhor IDH do Brasil (0,919) e 9,3 anos para alcançar Manaus, o município com o melhor IDH do estado (0,774).
Problemas sociais Em relação ao trabalho infantil, a cidade apresenta pequenos casos, o que é um retrocesso comparados aos anos anteriores.
De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, em junho de 2006, no Brasil, a taxa baseada em renda de trabalho era de 18,57% da população, com queda de 19,8% nos quatro anos anteriores. A taxa de miséria é parcialmente atribuída à desigualdade econômica do país, que de acordo com o Coeficiente de Gini, é uma das maiores do mundo. Em Itacoatiara, a situação é abaixo da média nacional, sendo que a taxa de miséria vem caindo gradativamente nos últimos anos.
A região com maior concentração de pobreza é a região oeste da cidade, que possui áreas com grandes índices de pobreza, devido a uma estrutura socioeconômica frágil, o que tem sido utilizado para fins eleitorais e oportunistas. Contrariamente ao senso comum, os dois bairros com maior índice de riqueza e mais nobres, localizam-se nessa região. Porém, a pobreza existente é pequena comparada aos índices das grandes cidades do país na forma de subúrbios e favelas, comunidades pobres das cidades grandes.