João Vaz de Almada (1359 – antes de 7 de Janeiro de 1434Soveral, Manuel Abranches de; seu verbete na «João Vaz de Almada», ca. 1359-/1434, Roglo, visitado em 30 de Outubro de 2019), tendo feito parte da mais prestigiada família cidadã e moradora de Lisboa, da sua "nobreza letrada" há muito, foi um dos grandes apoiantes do mestre de Avis futuro D. João I de Portugal, que o armou cavaleiro após a batalha de Aljubarrota, sendo seu vassalo"cavaleiro nosso vassalo". - Ch. D. João I, L.º 1, fl. 179, ANTT, in Resenha da Nobreza Portuguesa, por Miguel Vaz Pinto, Chiadobooks, 2025, pág. 49, conselheiro, capitão-mor e embaixador em algumas acções parlamentares do reinado, factos que lhe valeram a doação de vários direitosA oligarquia camarária de Lisboa (1325-1433), Anexo 1 – Corpo prosopográfico, de MSS Farelo, ‎2009, pág. 664.

O olisipógrafo José Sarmento de Matos, no segundo volume de «A Invenção de Lisboa», indo buscar uma investigação antiga abordada por alguns historiadores anteriores, refere ao facto de ele ser um dos mais próximos do Mestre de Avis, estabelecendo uma confiança férrea mútua, e que isso se deve primeiramente por eles serem primos co-irmãos e terem crescido juntos. E reforça essa ideia, referindo o facto do ainda um pequeno príncipe e futuro rei ter sido entregue à guarda do homem-bom Lourenço Martins da Praça, cidadão de Lisboa, para ele o educar, por este ser avô de ambosA Invenção de Lisboa, As Vésperas, José Sarmento de Matos, Livro II, Temas e Debates, Janeiro de 2009, pág. 393 a 409.

Foi membro do conselho de D. Nuno Álvares Pereira (1384)A sociologia da representação político-diplomática no Portugal de D. João I, por Maria Alice Pereira dos Santos, Doutoramento em História Medieval, Universidade Aberta, Lisboa – Janeiro de 2015, nota 1454 pág. 366, Cf. Fernão Lopes, Crónica de D. João I, 1.ª Parte, op. cit., Cap. XCI, p. 151 e depois tendo ascendido ao do referido rei (1413-1417)Conselho Real ou conselheiros do rei?: a propósito dos privados de D. João I, por Armando Luís de Carvalho Homem - História: revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2019, pág. 59. - ojs.letras.up.ptA sociologia da representação político-diplomática no Portugal de D. João I, por Maria Alice Pereira dos Santos, Doutoramento em História Medieval, Universidade Aberta, Lisboa – Janeiro de 2015, nota 1455 pág. 366, Cf. Monumenta Henricina, II, op. cit., doc. 135, pp. 263-265.

Na tomada de Ceuta (1415), tendo a responsabilidade do comando das forças lisboetasA Revolução de 1383, por António Borges Coelho, Leya, 04/12/2017, na qualidade alferes-mor de Lisboa, por isso na posse da sua bandeira de São Vicente, segundo a crónica de Gomes Eanes de Azurara, será aquele que foi designado para colocá-la no alto do torreão no fim da contenda. Ainda hoje a mesma figura simbólica nacional, com o brasão de armas de Portugal por cima das lisboetas, está lá esteada. Será igualmente ele que ficará responsável de governar o castelo recém conquistadoA nobreza portuguesa em Marrocos no século XV (1415-1464), por Abel dos Santos Cruz, Dissertação de Mestrado em História Medieval apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Porto, 1995, pág. 86 - repositorio-aberto.up.pt.

Foi enviado como embaixador a Castela, a Flandres e a Inglaterra. Estando na função de capitão-mor do mar do Reino de Portugal, apoiará aí o rei Henrique V na Guerra dos Cem Anos e em que tornava a frota portuguesa indispensável à conquista da Normandia, ao ponto de figurar entre os plenipotenciários do bloco luso-inglês para a rendição de RuãoPortugal, a Flandres e os primórdios do capitalismo moderno, por A. Veiga Simões, Conferência proferida em 29 de Fevereiro de 1932 no Instituto de Altos Estudos de Bruxelas. Publicada em separata da Revue Economique International,Bruxelas, Goemaere, 1933.

Nessa altura, segundo alguns historiadores, terá sido provavelmente cavaleiro da Ordem da Jarreteira (Order of the Garter) mas até ao momento não existem indicações documentais verdadeiramente fidedignas que o consigam comprovar e não consta nas respectivas listas. A certeza de o ter sido está apenas no seu filho Álvaro.

Biografia A 6 de Abril de 1384 participa na Batalha dos Atoleiros ao lado de D. Nuno Álvares PereiraA sociologia da representação político-diplomática no Portugal de D. João I, por Maria Alice Pereira dos Santos, Doutoramento em História Medieval, Universidade Aberta, Lisboa – Janeiro de 2015, nota 1449 pág. 366, Cf. Fernão Lopes, Crónica de D. João I, 1.ª Parte, op. cit., Cap. CLIX, p. 301; Joseph Soares da Sylva, Memorias para a Historia de portugal que comprehendem o governo delrey D. João I, Tomo II, op. cit., Livro II, Cap. XCV, p. 161., saindo vencedores. Nessa mesma altura, integra o grupo de 40 fidalgos que auxiliam Nuno Álvares Pereira a reforçar as fronteiras da comarca do Tejo e GuadianaA sociologia da representação político-diplomática no Portugal de D. João I, por Maria Alice Pereira dos Santos, Doutoramento em História Medieval, Universidade Aberta, Lisboa – Janeiro de 2015, nota 1450 pág. 366, Cf. Fernão Lopes, Crónica de D. João I, 1.ª Parte, op. cit., Cap. CLIX, p. 301; Joseph Soares da Sylva, Memorias para a Historia de portugal que comprehendem o governo delrey D. João I, Tomo II, op. cit., Livro II, Cap. LXXXVII, p. 146.. A 17 de Outubro do mesmo ano, provavelmente por esse feito, o mestre de Aviz deu para sempre a «Joham uaasquez d almadaã», e a todos os seus herdeiros e sucessores, o foro de 40 libras anuais que pagava por uma casas em Lisboa aforadas ao rei, que já tinham sido aforadas por D. Fernando a seu pai Vasco Lourenço de Almada.

A 14 de Agosto de 1385, participa na batalha de AljubarrotaA sociologia da representação político-diplomática no Portugal de D. João I, por Maria Alice Pereira dos Santos, Doutoramento em História Medieval, Universidade Aberta, Lisboa – Janeiro de 2015, nota 1451 pág. 366, Cf. Frei Manuel dos Santos, Monarquia Lusitana, Parte Oitava, op. cit., Livro XXIII, Cap. XXV, p. 614 saindo mais uma vez vencedor pela mesma equipe.

Fernão Lopes, na «Crónica de El-Rei D. João I» (vol. 2º cap. 58), refere "como o Mestre ordenou por fronteiro de entre Tejo e Odiana, Nuno Álvares Pereira (…) e ele trabalhou-se de levar consigo até quarenta escudeiros bons, dos bons que na cidade havia por segurança do Mestre, como alguns escrevem, mas porque cumprisse seu talento que foi haver em sua companhia homens que fossem por nome e obras; dos quais diremos aqui alguns por verdes quem foram e ficarem em relembrança saber (…) João Vasques de Almada, Antão Vasques de Almada, (…)». E acrescenta (cap. 92) «como Nuno Alvares escolheu o seu Conselho, escolheram entonce os de Lisboa entre si pera serem do Conselho, João Vasques de Almada (…)». O mesmo cronista (vol. 4º, cap. 39), aponta alguns dos nomes dos que estavam com D. João I em Aljubarrota, dizendo que foram então armados cavaleiros, entre eles João Vasques de Almada e seu irmão Antão.

De Felgueiras Gayo, temos: "Relação dos fidalgos que o Sor. Rei D. João I armou Cavaleiros antes de entrarem na Batalha de Aljubarrota pela sua própria mão, como consta das memórias para a História de Portugal que compreendem o governo do dito Rei o Sor. D. João I, liv.3º cap. 252 fl. 1233. Aí está referido: o nosso João Vasques de Almada; Rui Vasques de Castellobranco; Affonso Pires da Charneca, irmão do Doutor Martim Affonso; ...................; ................... e o Antão Vasques de Almada, que outros dizem de Lisboa Felgueiras Gayo,"Nobiliário de Famílias de Portugal", tomo I pg. 11, edição de Agostinho de Azevedo Meireles e Domingos de Araújo Affonso (1938).

Após o sucesso dessa batalha, 8 de Dezembro de 1386. o rei D. João I doou a João Vasques de Almada, cavaleiro seu vassalo, todas as rendas e direitos de Ponte de LimaCh. D. João I, L.º 1, fl. 179, ANTT, in Resenha da Nobreza Portuguesa, por Miguel Vaz Pinto, Chiadobooks, 2025, pág. 49A sociologia da representação político-diplomática no Portugal de D. João I, por Maria Alice Pereira dos Santos, Doutoramento em História Medieval, Universidade Aberta, Lisboa – Janeiro de 2015, nota 1458 pág. 367, Cf. Chancelarias Portuguesas – D. João I, Tomo 3, Vol I, documento 1224, p. 148. Teve esta mercê muito pouco tempo, pois foi depois dada a Álvaro Gonçalves de Vila Viçosa, cavaleiro seu vassalo, e a 27 de Março de 1388 as ditas rendas e direitos foram doados a João Rodrigues de Sá, seu camareiro-mor. (Não só obteve as rendas de Ponte de Lima, como também, a coutada de um pinhal em Cavala (Vale de Cavala)A nobreza portuguesa em Marrocos no século XV (1415-1464), por Abel dos Santos Cruz, Dissertação de Mestrado em História Medieval apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Porto, 1995, pág. 51 - repositorio-aberto.up.pt e Vale Bem, na Charneca de Caparica, em 1413João Vasques de Almada, conselheiro do rei e aos seus «pinhais de Cavala e de Vai lhe Bem foi atribuída carta de coutada, por D. João I, em 1413, a qual proibia o corte de madeira e lenha, a caça e o pasto». A coutada do «Pinhal de A-de-Cavala» foi confirmada depois ao seu filho, Álvaro Vasques de Almada (futuro Conde de Abranches) (1434), e a Álvaro Pires de Távora, que ficou com parte dos bens daquele, depois da Batalha da Alfarrobeira (1449). Igualmente, no século XVIII, há a referência a um Casal de Vale de Cavala, de que era senhorio Francisco de Mendonça Arrais (1795), descendente do mercador italiano Bartolomeu Marchioni, que foi grande proprietário na Caparica e Almada no século XVI". - Algumas memórias da mítica ESTRADA NACIONAL 377 (EN-377), por Vicktor Reis, blog Histórias da História da Charneca de Caparica, 6 de setembro de 2018).

A 12 de Dezembro de 1388 continua a ser referido apenas como João Vasques de Almada quando D. João I lhe doa todas as rendas e direitos dos judeus da comuna de Santarém. Mas já vem referido como João Vasques de Almada seu vassalo quando a 27 de Maio de 1389 o mesmo rei lhe doou, enquanto for sua mercê, todas as julgadas que a coroa recebia do pão semeado nos olivais do termo da vila de Santarém.

Elaborou um testamento em 1410A oligarquia camarária de Lisboa (1325-1433), Anexo 1 – Corpo prosopográfico, de MSS Farelo, ‎2009, pág. 665.

Antes de 1414 era morador da casa de D. João I, a Casa Real, com a moradia de 12 000 librasA sociologia da representação político-diplomática no Portugal de D. João I, por Maria Alice Pereira dos Santos, Doutoramento em História Medieval, Universidade Aberta, Lisboa – Janeiro de 2015, nota 1469 pág. 369, Cf. Joseph Soares da Sylva, Colleccam dos documentos com que se authorizam as memorias para a vida Del Rey Joao I, op. cit., p. 214..

Gomes Anes de Azurara, no capítulo 85 da Crónica da Tomada de Ceuta, descreve-o como tendo participado na conquista de Ceuta (1415) e que para o fazer seguiu na própria armada do rei D. João IA sociologia da representação político-diplomática no Portugal de D. João I, por Maria Alice Pereira dos Santos, Doutoramento em História Medieval, Universidade Aberta, Lisboa – Janeiro de 2015, nota 1452 pág. 366, Cf. Gomes Eanes de Zurara, Crónica da Tomada de Ceuta, op. cit., Cap. LXXXVI, p. 252; Joseph Soares da Sylva, Memorias para a Historia de portugal que comprehendem o governo delrey D. João I, Tomo II, op. cit., Cap. CCC, p. 1455; Monumenta Henricina, II, op. cit., doc. 62, p.153., sendo o capitão da oitava galé que partiu de Lisboa.