thumb|250px|right|Christiania Teater, onde a peça Peer Gynt foi representada pela primeira vez, na Noruega, em 1876 Peer Gynt (AFI:/ˈpeːr ˈɡʏnt/) é uma peça teatral em 5 atos, escrita em versos pelo dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, e publicada em 14 de novembro de 1867, em Copenhague, capital da Dinamarca.
A primeira representação de Peer Gynt foi feita dez anos após ser publicado, no Christiania Theater,Wikipédia localizado em Oslo, capital da Noruega, em 24 de fevereiro de 1876.Estudo cronológico da vida de Ibsen - Acessado em 12 de dezembro de 2006 Esta apresentação foi musicada pelo compositor norueguês Edvard Grieg.
Personagens Fonte: The Oxford Ibsen, Volume III, Oxford University Press 1972. In: Ibsen.net: Personagens de Peer Gynt Aase, a viúva de um fazendeiro. Peer Gynt, seu filho. Duas velhas mulheres com sacas de milho. Aslak, um ferreiro. Os convidados do casamento. Steward. Fiddler, etc. Um homem e sua esposa recém-chegados no distrito. Solveig e a pequena Helga, suas filhas. O agricultor de Haegstad. Ingrid, sua filha. O noivo e seus pais. Três montanhesas. Mulher em verde, princesa Troll. O velho da montanha, Rei dos Troll Cortesãos Troll. Meninas e meninos Troll. Bruxas. Gnomos, Duendes, Elfos, etc. Uma criança feia. Uma voz na escuridão (Bøyg) gritos de pássaro Kari, a esposa de um colono. Sr. Cotton, Monsieur Ballon, Herr von Eberkopf e Herr Trumpeterstraale, viajantes. Um ladrão e uma cerca. Anitra, filha de um sheik beduíno. Árabes, escravas, dançarinas, etc. Estátua de Memnon (cantando), Esfinge de Gizé (mudo). Begriffenfeldt, professor e diretor do hospício no Cairo. Huhu, um fanático da costa de Malabar. Hussein, um ministro oriental. Um felá com uma múmia. Lunáticos com seus vários guardas. Capitão norueguês e sua tripulação. Um passageiro estranho. Um sacerdote. Um cortejo fúnebre. Um oficial de justiça. Um homem magro. Um moldador de botões.
Enredo thumb|250px|Henrik Klausen na primeira apresentação de “Peer Gynt”, no Christiania Theater, em 1876 thumb|200px|right|O ator Henrik Klausen interpretando Peer Gynt na primeira apresentação da peça, no Christiania Theater, em 1876. Ato I Peer Gynt é filho do outrora altamente considerado Jon Gynt. Jon Gynt, porém, gastou todo seu dinheiro em festas e viveu luxuosamente até não sobrar mais nada, vendo-se obrigado a deixar sua fazenda e partir como um vendedor vagante, deixando sua esposa e filho para trás, cheios de dívidas. Aase, a mãe, queria criar o filho para restaurar a fortuna perdida de seu pai, mas desde cedo Peer é considerado inútil pelos colegas. Ele é um poeta e fanfarrão, ao contrário do jovem norueguês dos contos de fadas, o Askeladden, com quem compartilha algumas características.
Quando a peça se inicia, Peer dá-se conta de uma caça de renas que não deu certo, uma famosa cena teatral, conhecida como Bukkerittet. Sua mãe o despreza por sua imaginação fértil, e zomba dele porque estragou suas chances com Ingrid, a filha de um rico fazendeiro. Peer segue para o casamento de Ingrid, previsto para o dia seguinte, porque sente que ainda pode ter uma chance com a noiva. Sua mãe o segue rapidamente para impedi-lo de se envergonhar completamente.
No casamento, Peer é insultado e causa riso nos outros convidados, especialmente o ferreiro local, Aslak, que guarda rancor depois de uma briga anterior. Mas, durante o casamento, Peer encontra uma família Haugean, recém-chegada de outro vale. Ele imediatamente percebe a filha, Solveig, e pede a ela para dançar. Ela se recusa por causa de seu pai e porque a reputação de Peer o precedeu. Ela sai, e Peer começa a beber. Quando ele ouve que a noiva está trancada em seu quarto, aproveita a oportunidade, foge com ela, e ambos passam a noite nas montanhas...
Ato II Peer rejeita Ingrid depois de ter passado a noite com ela, e ela jura vingança. Sua ação tem uma consequência: Peer é banido. Como ele vagueia pelas montanhas, sua mãe, Solveig, e o pai de Solveig procuram por ele. Durante sua fuga, ele conhece três amorosas montanhesas que estão esperando para serem cortejadas por trolls (uma figura do folclore de Gudbrandsdalen). Ele se embebeda com elas e passa o dia seguinte sozinho, sofrendo de ressaca. Ele bate a cabeça em uma pedra e desmaia, e o resto do segundo ato ocorre através dos sonhos de Peer. Ele se depara com uma mulher vestida de verde, que é a filha do rei da montanha, Senhor dos Trolls. Juntos, eles entram no salão de montanha, e o Rei dos Trolls dá a Peer a oportunidade de se tornar um troll se ele se casar com sua filha.
Peer concorda, com uma série de condições, mas declina no final. Ele é então confrontado com o fato de que a mulher vestida de verde está grávida. Peer nega tê-la tocado, mas o sábio rei dos trolls responde que gerou a criança em sua cabeça. Crucial para o enredo e compreensão da peça é a pergunta feita pelo rei dos trolls: Qual é a diferença entre um troll e um homem?
A resposta dada pelo Senhor dos Trolls é: "Lá, onde brilha céu, os seres humanos dizem: “Para ti mesmo é a verdade”. Aqui, os trolls dizem: “Seja fiel a si mesmo”. O egoísmo é uma característica típica dos trolls nesta peça. A partir de então, Peer usa isso como seu lema, sempre proclamando que ele é ele mesmo, o que quer que seja. Um dos personagens mais interessantes é o “Meg Selv” (“Eu”) ou “Den Store Bøygen” (“Bøyg, o Grande”), uma criatura que não tem descrição real. Sobre a questão "Quem é você?", Bøyg responde: "eu mesmo". Com o tempo, Peer também usa o lema de Bøyg: "Dá a volta", ou "rodeie". Pelo resto de sua vida, ele fica cheio de rodeios ao invés de enfrentar a si mesmo ou a verdade. Ao acordar, ele é confrontado por Helga, a irmã de Solveig, que lhe dá comida e respeito de sua irmã. Peer dá à menina um botão de prata para Solveig manter, e pede que ela não o esqueça.
Ato III Como um fora da lei, Peer luta para construir sua própria casa de campo nas colinas. Solveig aparece e insiste em viver com ele. Ela diz que fez a sua escolha, e não haverá retorno. Peer fica encantado e congratula-se com ela, mas quando ela entra, uma mulher idosa em um vestido verde aparece com um garoto mancando ao seu lado. Esta é a mulher vestida de verde da sala da montanha. Ela o amaldiçoa, forçando-o a lembrar dela, e de todos os seus pecados anteriores, quando encontra Solveig. Peer ouve uma voz fantasmagórica dizendo: "Vá Peer, vá para fora", e decide partir. Ele diz a Solveig que tem algo muito penoso a fazer, depois volta no tempo, para a morte de sua mãe, e depois sai.
Ato IV Peer fica longe por muitos anos, ocupando-se de várias coisas, inclusive sendo um empresário envolvido em empresas, na costa do Marrocos. Ele explica sua visão da vida, que agora ele é um homem de negócios, com dinheiro sujo em suas mãos. Ele foi missionário, comerciante de escravos e muitas outras coisas. Seus amigos o roubam e o deixam sozinho na praia, e ele encontra alguns pertences de beduíno e, nestas roupas, ele é reverenciado como um profeta por uma tribo local. Tenta seduzir Anitra, a filha do sheik, mas ela foge e o abandona. Então ele decide se tornar um historiador, viaja para o Egito e vagueia através do deserto, passa pelo Colossos de Mêmnon e pela Esfinge.
Quando questiona a Esfinge, acreditando que ela seja Bøyg, encontra o guarda do hospício local, insano, que considera Peer o portador da sabedoria suprema. Peer vai ao hospício, e entende que todos os pacientes vivem em seus próprios mundos, sendo eles mesmos, a tal ponto que ninguém se importa com ninguém. Em sua juventude, Peer tinha sonhado em se tornar um imperador. Neste lugar, ele finalmente é aclamado como um - "O Imperador de si mesmo". Peer se desespera e chama pelo "Guarda de todos os tolos", isto é, Deus.
Ato V thumb|200px|left|O sueco Gösta Ekman interpreta Peer Gynt em 1934. Finalmente, no caminho de casa como um homem velho, ele é náufrago. Entre as pessoas a bordo, ele encontra o “Estranho Passageiro”, que quer fazer uso do cadáver de Peer para descobrir onde os sonhos têm o seu lugar. Este passageiro assusta Peer, que fica fora de seu juízo. Ele volta à terra como um homem triste e rabugento. De volta para casa, na Noruega, Peer atende um funeral de camponeses e um leilão, onde ele oferece para vender tudo de sua vida anterior. O leilão acontece na mesma fazenda onde o casamento fora realizado, inicialmente. Peer tropeça, e é confrontado com tudo o que ele não fez, as músicas não cantadas, as obras desfeita, as lágrimas não derramadas e as perguntas que nunca foram feitas. Sua mãe volta e afirma que sua morte não deu certo, que ele não vai levá-la para o céu com suas divagações.
Peer escapa e é confrontado com o moldador de botões, que afirma que a alma de Peer deve ser derretida com outros produtos defeituosos, a menos que ele possa explicar quando e onde, em vida, ele foi "ele mesmo". Peer protesta, pois foi só isso, e nada mais. Então ele encontra o Rei dos Trolls, que afirma que ele foi um troll, e não um homem, na maioria de sua vida. O modelador vem e diz que ele tem que vir com “algo que ele é”, para não ser derretido. Peer procura por um sacerdote para confessar seus pecados, e o Diabo aparece. Ele acredita que Peer não pode ser contabilizado um pecador real para ser mandado ao inferno, que ele não fez nada de grave. Peer se desespera, entendendo que sua vida está perdida; entende que ele não é nada. Mas, no mesmo momento, Solveig começa a cantar - a casa que ele mesmo construiu é fechada à mão, mas ele não ousa entrar. O Bøyg diz a ele "rodeie". O modelador aparece e exige uma lista de pecados, mas Peer não tem nenhum para dar, a menos que Solveig possa garanti-lo. Em seguida, ele lhe pergunta sobre seus pecados.
Mas ela responde: "Você não tem pecado em tudo, meu querido menino". Peer não entende - ele acredita-se perdido. Então, ele lhe pede: "Onde Peer Gynt tem andado desde o nosso último encontro? Onde estava eu, como aquele que eu deveria ter sido, todo e verdadeiro, com a marca de Deus na minha testa?". Ela responde: "Na minha fé, na minha esperança, no meu amor". Peer grita, chama sua mãe, e esconde-se em seu colo. Solveig canta uma canção de ninar para ele, e podemos presumir que ele morra nesta última cena da peça, embora não existam indicações de cena ou diálogo para indicar que ele realmente o faz.
Atrás da esquina, o moldador de botões, que é enviado por Deus, ainda espera, com as palavras: "Peer, nós nos encontraremos na última encruzilhada, e então veremos se... eu não direi mais nada".
Histórico Henrik Ibsen foi um dos principais expoentes do teatro realista moderno. Suas peças causaram espanto e escandalizaram a sociedade de então pois os valores morais da família e da propriedade eram ainda amplamente aceitos, e qualquer contestação poderia ser tida como ofensiva e imoral.
A peça Peer Gynt foi escrita parcialmente em Roma, parcialmente em Ischia e parcialmente em Sorrento. Ibsen enviou a peça para Hegel em três partes, o quinto e último ato foi enviado de Sorrento em 18 de outubro de 1867.
Ao contrário das outras obras de Ibsen, Peer Gynt foi escrita em versos, pois sua intenção original era escrever um drama, que não seria para performances em palco. Também é diferente das outras obras por ser uma fantasia ao invés de uma tragédia realística, e foi livremente baseada no conto de fadas Per Gynt.
Para escrever a peça, Ibsen teria se inspirado nas tradicionais casas de fazenda, situadas em Vinstra, no leste da Noruega. Mais especificamente, ele teria se inspirado em uma casa, hoje aberta ao público, de propriedade de Peder Günt.A casa de Peer Gynt - Acessado em 12 de dezembro de 2006.
Peer Gynt não foi escrito para o palco, e assim o pensava Ibsen, segundo segredou para Vilhelm Bergsøe, o escritor dinamarquês que o acompanhava nas caminhadas em Ischia.Henrik Ibsen paa Ischia og "Fra Piazza del Popolo": Erindringer fra Aarene 1863-69 (Copenhagen 1907). In Ibsen.net: processo criativo de Peer Gynt