Riachão do Jacuípe é um município brasileiro do estado da Bahia situado a da capital estadual, e pertencente à Área de Expansão Metropolitana de Feira de Santana. Juntamente com o município de Candeal são os únicos da Região Sisaleira que integram a Região Metropolitana de Feira de Santana RMFS. Além disso, Riachão do Jacuípe, conjuntamente com mais 14 municípios, compõe o Território de Identidade da Bacia do Jacuípe.
Sua população, conforme estimativas do IBGE para o ano de 2024, era de 35.188 habitantes, sendo o quarto município mais populoso da RMFS.
Riachão do Jacuípe possui uma área territorial 1.155,419 km².
A economia local está voltada para os setores secundário e terciário. Tradicionalmente, a agricultura e a pecuária exercem forte influência, com destaque o rebanho bovino e ovino, além da exportação de sisal.
História Origens históricas O município foi criado pela Lei Provincial nº 1.823 de 1º de agosto de 1878. Elevado á categoria de vila com a denominação de Nossa Senhora da Conceição do Riachão do Jacuípe. Nesta data, o então distrito de Riachão foi elevado à categoria de vila (o que equivale a município atualmente). Segundo o historiador Luís Henrique Dias Tavares, a conquista do território baiano começou na primeira metade do século XVI.
Diversos sertanistas penetraram no interior baiano, por volta do século XVII, com várias finalidades, tais como: guerrear com os índios, capturar índios ou escravos fugitivos, procurar minérios e pedras preciosas. Em consequência, recebiam grandes lotes de terras, denominadas sesmarias.
A Casa da Ponte era o centro de uma propriedade de 160 léguas do Morro do Chapéu até o rio das Velhas e pertencia a Antônio Guedes de Brito, primeiro Conde da Ponte. Era doação do rei de Portugal em retribuição aos serviços prestados por seu pai na expulsão dos holandeses e a ele mesmo, concedendo-lhe o título de Mestre-de-Campo e Regente do São Francisco. Ele deveria expulsar ladrões de gado, contrabandistas de ouro, negros aquilombados e outros aventureiros.
As terras do Conde da Ponte limitavam-se no município de Riachão do Jacuípe com as propriedades de João Peixoto Viegas, a terceira maior fortuna fundiária da Bahia no período colonial.
Dessa sesmaria foi desmembrada uma área de terra para João dos Santos Cruz, que a transformou numa fazenda de criação de gado denominada Riachão.
Primeiras aglomerações urbanas O tradicional histórico do município não oferece datas ou outras referências mais precisas em tomo da penetração primitiva. Apenas a tradição oral fornece elementos para a formação de algumas suposições mais prováveis, como a de terem sido remanescentes de alguma "bandeira" que aqui penetrou na fase colonial, século XVI.
Seu povoamento deve-se à localização à margem esquerda do Rio Jacuípe, onde se verificou a fixação primitiva do elemento branco. Na região do rio Tocós foram encontrados vestígios da cultura indígena. A tradição oral informa ter sido ali o local de fixação de índios "tocóios", de onde derivou o nome do rio. O nome Jacuípe é de origem indígena, donde se conclui que o povoamento se deu, inicialmente, com os índios que se fixaram às margens dos rios Tocós e Jacuípe, onde desenvolveram uma agricultura de subsistência.
Sabe-se que as famílias mais antigas de Riachão eram os Gonçalves e os Mascarenhas provavelmente de origem portuguesa, e os Vasconcellos de origem Franco-Espanhola.
Em 1950, as primeiras aglomerações urbanas eram: A sede com um registro de 1.552 habitantes; Vila de Candeal, com 875 habitantes; Vila de Gavião, com 390 habitantes; e Vila de Ichu, com 426 habitantes.
Figuravam ainda no município de Riachão os povoados Alto Alegre com 183 habitantes (nos dias atuais já elevada a cidade com o nome de Capela do Alto Alegre), quilômetro 90, atual município denominado Nova Fátima, com 343 habitantes, Pé de Serra, com 335 habitantes e atualmente cidade com mesmo nome, Chapada com 300 habitantes, e Barreiros com 173 habitantes.
Havia outros povoados com menos de 100 habitantes: São João, Casa Nova e Ponto Chique. Atualmente, o município está constituído administrativamente do seguinte modo: Distritos: distrito sede, o distrito de Barreiros, distrito de Chapada e o distrito de Vila Aparecida; e por diversos Povoados: Terra Branca, Ponto Novo, Baixa Nova, Campo Alegre, Descanso, Malhador, São Francisco, Salgado, Santana, Pedrinhas, Chapadinha, Barro Preto, Sitio Novo, Maraíba, Açude, Vila Guimarães, Primeira Malhada, Almas, Baixa da Areia, Lagoa da Parede, Lagoa da Caiçara, Campinas, Castelo, entre outros. miniaturadaimagem|Riachão do Jacuípe, década de 1950. Fonte: Biblioteca digital do IBGE. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/fotografias/GEBIS%20-%20RJ/ba31981.jpg |esquerda
Desmembramentos
Lei Estadual datada de 17 de dezembro de 1890, fica criada a Vila de Conceição do Coité (Conceição do Coité), desmembrando-se do município de Riachão do Jacuípe; Pelo Decreto Estadual nº 1.766 de 30 de julho de 1962, fica criado o município de Ichu, desmembrando-se do município de Riachão do Jacuípe; Pela Lei Estadual nº 1.683 de 23 de abril de 1962, fica criado o município de Candeal, desmembrando-se, do município de Riachão do Jacuípe; Pela Lei Estadual nº 4.409 de 19 de março de 1985, fica criado o município de Capela do Alto Alegre, desmembrando-se do município de Riachão do Jacuípe; Pela Lei Estadual nº 4.410 de 19 de março de 1985, é criado o município de Gavião, desmembrando-se do município de Riachão do Jacuípe; Por Lei Estadual nº 4.411 de 19 de março de 1985, fica criado o município de Pé de Serra, desmembrando-se do município de Riachão do Jacuípe; Por Lei Estadual nº 5.022 de 13 de junho de 1989, cria o município de Nova Fátima, desmembrando-se do município de Riachão do Jacuípe.
Política Poder executivo
Relação de todos os ex-prefeitos do município desde 1878.
Intendentes de 1878 e 1928 1878 – Tenente Coronel Marcolino Gonçalves Mascarenhas 1893 – Olegário Ribeiro Lima 1912 – Cônego Henrique Américo Freitas 1918 – Cônego Henrique Américo Freitas 1923 – Coronel Louis Aurélio Vasconcellos Ney 1926 – Coronel José Rufino Ribeiro Lima 1927 – Padre Argemiro Guimarães (faleceu no mesmo ano, quem substituiu foi Coronel João Paulo da Silva Carneiro) 1928 – Coronel José Rufino Ribeiro Lima
Prefeitos de 1929 em diante 1929 – Coronel José Rufino Ribeiro Lima 1946-1950 – João Morais Filho 1951-1955 – Coronel Aurélio Rodrigues Mascarenhas 1955-1959 – Pedro Paulo da Silva (faleceu em 07.04.1957) substituído por José Abraão Carneiro. Eleição indireta da Câmara de Vereadores elege Joaquim Carneiro da Silva (Quincas do Pé de Serra) 1959-1963 – Orlando Marinho Carneiro, tirou licença por 40 dias em seu lugar assumiu o Professor Altino Melo. 1963-1967 – João de Oliveira Campos 1967-1971 – Eliel Martins (faleceu em 12 de maio de 2000) 1971-1973 – João de Oliveira Campos em 11.09.1971 viajou para fazer tratamento de saúde no Rio de Janeiro, foi substituído pelo Presidente da Câmara, Izauro de Souza Ferreira (faleceu em 12 de janeiro de 2012) 1973-1977 – Gildásio Oliveira Souza 1977-1983 – José Aloir Carneiro de Araújo 1983-1988 – João de Oliveira Campos 1989-1992 – Valfredo Carneiro de Matos 1993-1996 – José Raimundo Carneiro Martins 1997-2000 – Herval Lima Campos (faleceu em 9 de junho de 2010) 2001-2004 – Valfredo Carneiro de Matos (faleceu no dia 5 de janeiro de 2005) 2005-2008 – Lauro Falcão Carneiro (PMDB) 2009-2012 – Lauro Falcão Carneiro (PMDB) 2013-2016 – Tânia Regina Alves de Matos (PDT) 2017-2020 – José Ramiro Ferreira Filho (PSD) 2021-2024 - José Carlos de Matos Soares (União Brasil)
Geografia
Aspectos gerais O município caracteriza-se pelos biomas da caatinga e da mata atlântica. A vegetação nativa sofre com a degradação em virtude da agricultura, da pecuária e da presença da espécie invasora algaroba, que dificulta a regeneração natural dos biomas. Ao longo dos anos, a caatinga em seu estágio primitivo tornou-se rara.miniaturadaimagem|133x133px|Algaroba. Espécie invasora. Ameaça aos biomas locais.
Embora localizado em região de clima semiárido, os recursos hídricos da cidade encontram-se em grave estágio de poluição. A emissão incorreta de resíduos sólidos e efluentes domésticos "in natura", sem o devido tratamento em uma Estação de Tratamento de Esgoto -ETE), são os principais motivos.
Demografia Segundo estimativas do IBGE para o ano de 2021, a população de Riachão do Jacuípe estaria em 33.498 pessoas.
O último censo de 2010, por sua vez, havia apontado uma população de 33.172 pessoas com uma densidade demográfica de 27,87 hab/km².
Destes habitantes, 16.169 são do sexo masculino e 17.007 feminino. Cerca de 19.860 residiam na zona urbana, enquanto 13.312 na zona rural.
Infraestrutura Situada em uma posição geográfica estratégica, Riachão do Jacuípe é cortada pela rodovia federal BR-324 e pelas rodovias estaduais: BA-120 e BA-233. Bem atendida por empresas que realizam o transporte intermunicipal e interestadual, é um ponto de acesso ao norte do estado da Bahia, à região do sisal, aos municípios do Território de Identidade da Bacia do Jacuípe e à capital Salvador-BA.
Educação Segundo dados do IBGE para o ano de 2019, a rede pública de ensino atingiu a nota 3,6 no IDEB. Em Riachão do Jacuípe há, ainda segundo o IBGE (2020), cerca de trinta e nove escolas de ensino fundamental e sete escolas de ensino médio. Além disso, conta com uma instituição privada de ensino superior, a FARJ (Faculdade Regional de Riachão do Jacuípe), onde são ofertados os cursos de administração, nutrição, pedagogia, psicologia, ciências da religião, ciências contábeis e direito.
Saúde Segundo dados do IBGE (2009), a cidade conta com quinze estabelecimentos de saúde. Há diversas clínicas e consultórios particulares com vários profissionais de diversas áreas da saúde. A cidade dispõe de três hospitais: Hospital Municipal; o Hospital Regional João Campos e o Hospital Bom Samaritano.
Economia
Trabalho e renda Segundo pesquisa do IBGE, em 2019, o salário médio mensal era de 1.8 salários mínimos. A proporção de pessoas ocupadas em relação à população total era de 10.0%.
Considerando domicílios com rendimentos mensais de até meio salário mínimo por pessoa, 49.2% da população jacuipense situava nessa condição, o que colocava na posição 281 de 417 dentre as cidades do estado da Bahia e na posição 1537 de 5570 dentre as cidades do Brasil.
Setor primário
O setor primário caracteriza-se pela concentração fundiária e pela presença de minifúndios. Esse cenário dificulta a produtividade, a geração de renda e a preservação ambiental.
A agricultura em Riachão do Jacuípe é predominantemente caracterizada pela atuação de pequenos e médios produtores, que se dedicam principalmente às lavouras temporárias de subsistência, como feijão, milho e mandioca, consorciadas com pequenos rebanhos de bovinos e ovinos. Por outro lado, os grandes produtores concentram-se exclusivamente na pecuária, com uma forte tradição na criação de bovinos, embora a atividade seja vulnerável a declínios durante períodos de estiagem prolongada. Em seguida, destaca-se a criação de ovinos e caprinosminiaturadaimagem|Espécie Sisal, "ouro verde do sertão". Matéria-prima para a produção da fibra.
O sisal já ocupou grande espaço na agricultura local, porém a cultura foi reduzida em razão da competição com a fibra sintética e a queda do valor de mercado, bem como pela ausência de técnicas para o aprimoramento. A produção do sisal, que ganhou destaque durante a Segunda Guerra Mundial devido à escassez de matéria-prima, atingiu seu auge na década de 1960, mas começou a declinar na década de 1980. No entanto, a cultura do sisal demonstrou graves problemas sociais, como jornadas de trabalho exaustivas, uso de mão-de-obra infantil, evasão escolar, baixa remuneração e até mutilação dos trabalhadores, que se arriscavam ao manusear o 'motor' para desfibrar a planta.