Santa Rita de Cássia (antiga Rio Preto e Ibipetuba) é um município brasileiro do estado da Bahia. Com uma população de 30.000 habitantes segundo o Censo do IBGE em 2010, o município é cortado no sentido oeste-leste pelo rio Preto, sub-afluente do rio São Francisco. Santa Rita está localizada a 1006 km da capital baiana, Salvador e a 168 km de Barreiras, principal cidade do oeste baiano.
História
Geografia Relevo Santa Rita de Cássia está localizada na porção nordeste do Planalto Central. Seu terreno tem topografia suave, sem grandes variações de altitude.
Nas serras que circundam o vale do rio Preto, encontram-se morros de aproximadamente 300 metros de altura, como o Morro da Boa Vista, próximo à área urbana do município.
A Chapada das Mangabeiras, localizada no extremo nordeste da Zona do Jalapão, e a Serra da Tabatinga, um pouco mais a leste, são as grandes divisoras entre os estados da Bahia e do Piauí. Essas grandes serras limitam os vales quase planos dos rios Preto e Paraim, atuando como uma fronteira natural que separa os municípios baianos de Santa Rita de Cássia e Mansidão do de Parnaguá, no Piauí.
O sítio onde a cidade se encontra está a 441 metros acima do nível do mar.
Hidrografia esquerda|thumb|Vista parcial do rio Preto no Porto dos Cavalos. Santa Rita de Cássia está geograficamente inserida na região mais rica em recursos hídricos do Nordeste brasileiro. A cidade se encontra na bacia hidrográfica do rio São Francisco, na margem esquerda do rio Preto, afluente do rio Grande e sub-afluente do Velho Chico.
Nas áreas rurais do município, é comum o surgimento de lagoas temporárias durante a estação chuvosa em regiões de terreno rebaixado devido ao acúmulo de água das chuvas.
Além dessas lagoas temporárias, existe na região uma série de lagoas de regime perene, como a Lagoa do Tanque, que tem 500 metros de comprimento por 330 de largura; a Lagoa dos Campos, com dimensões de 800 metros de comprimento por 600 de largura; a Lagoa do Peixe, medindo 900 metros de comprimento por 500 metros de largura; a Lagoa do Cercado, medindo 300 metros de comprimento por 300 metros de largura; a Lagoa dos Retirantes, na localidade de Descoberta, com 500 metros de comprimento e 300 metros de largura; e por fim a Lagoa do Monte Alegre, que tem 600 metros de comprimento por 400 de largura e 2 metros de profundidade, localizada no povoado de mesmo nome.
Vegetação thumb|esquerda|Vereda, paisagem comum às margens do Rio Preto: Buritis, vegetação densa e várzeas alagadas. O município de Santa Rita de Cássia está localizado na faixa de transição entre os domínios morfoclimáticos do cerrado e da caatinga. Dentre as espécies vegetais originárias da região, destacam-se o angico, a aroeira, o jacarandá, o jatobá, o jenipapeiro, o juazeiro, o pau d'arco, o pau-ferro, o pequizeiro e a sucupira.
Ao longo de todo o curso do rio, ocorre a formação de matas ciliares. As margens do rio Preto são ornamentadas por frondosos buritis, cajueiros, canjeranas, carnaubeiras, ingazeiros, mamoneiras e pés-de-murici, que equilibram-se nos declives das barrancas.
Fauna A fauna do município de Santa Rita de Cássia, assim como sua vegetação, é bastante rica e variada. Por todo a região, é possível se deparar com bandos de araras, jandaias, papagaios, periquitos e tucanos das mais variadas cores disputando as frutas silvestres que existem em abundância nas margens do rio Preto. Devido ao desmatamento, atualmente é raro encontrar araras, papagaios ou tucanos nas margens do rio próximo à cidade.
Bicudos, canários, curiós, o pássaro preto e sofrês são algumas das espécies que constroem seus ninhos nos ocos das hastes mais elevadas dos buritizais. A garça branca, o mergulhão e o martim-gravata vivem nas cercanias das lagoas; emas e seriemas na mata mais fechada.
Cágados, piabas, piaus, surubins, traíras e tucunarés enchem o rio Preto de vida; em partes isoladas e mais profundas do rio, há a ocorrência de piranhas.
Antas, caititus, capivaras, o gato-do-mato, jabutis, jacarés, lontras, macacos-prego, pacas, queixadas e saguis pululam por todo o vale do rio Preto, juntamente com uma grande variedade de cobras e insetos.
A onça pintada se destaca como o maior predador natural da região, devorando tatus, veados e até mesmo animais domésticos, como bois e ovelhas.
Clima Maiores acumulados de precipitação em 24 horasregistrados em Santa Rita de Cássia por meses (INMET) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 18/01/1977 Julho 28/07/1939 Fevereiro 09/02/1980 Agosto 30/08/2003 Março 11/03/1952 Setembro 27/09/1977 Abril 03/04/1994 Outubro 26/10/1999 Maio 08/05/2006 Novembro 15/11/1946 Junho 07/06/1945 Dezembro 13/12/1962 Período: 1931 a 1970 e 1977-presente
Santa Rita de Cássia possui um clima bem variado, como o de toda a zona são-franciscana. É seco nas partes oeste e noroeste do município; nas vertentes do rio Preto, onde há mais umidade, a temperatura baixa sensivelmente no inverno. Sua posição geográfica assegura temperaturas elevadas durante quase todo ano, devido à forte radiação solar.
A temperatura média compensada anual gira em torno dos , sendo a mínima média de e a máxima de . O índice pluviométrico é de milímetros (mm) anuais (1991-2020), concentrados entre os meses de novembro e abril. Com quase horas de insolação por ano, a umidade relativa do ar chega a níveis críticos especialmente nos meses mais secos, facilitando a ocorrência de queimadas, principalmente em áreas rurais.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1931 a 1970 e a partir de 1977, a menor temperatura registrada em Santa Rita de Cássia foi de em 27 de julho de 1954 e a maior atingiu em 8 de outubro de 2020 e 22 de setembro de 2021. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de em 18 de janeiro de 1977, seguido por em 20 de janeiro de 2016. O mês de maior precipitação foi janeiro de 2016, quando foram registrados .
Governo thumb|esquerda|Prédio da Prefeitura de Santa Rita de Cássia, inaugurado em 1953. thumb|esquerda|Fórum Dr. João Santos, instituição que abriga as instalações do Poder Judiciário na Comarca de Santa Rita de Cássia.
O Poder Executivo do município de Santa Rita de Cássia é representado pelo prefeito e seu gabinete de secretários, seguindo o modelo proposto pela Constituição Federal de 1988.
O Poder Legislativo é representado pela Câmara Municipal, composta por 9 vereadores eleitos diretamente pela população para cargos de quatro anos. Cabe à Câmara elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento municipal (conhecido como Lei de Diretrizes Orçamentárias).
O Fórum Dr. João Santos abriga as instalações do Poder Judiciário na Comarca de Santa Rita de Cássia, e é mantido pela Instituição Pedro Ribeiro de Administração Judiciária (IPRAJ).
Antes da emancipação do município, Santa Rita de Cássia contava com um juizado de paz subordinado à Comarca do São Francisco, da província de Pernambuco. Por um decreto de 28 de junho de 1872, a Comarca do São Francisco foi dividida em duas, dando lugar à criação da Comarca do Rio Grande, com sede em Campo Largo (atual Cotegipe), sendo Santa Rita do Rio Preto anexada a ela.
+ Número de eleitores em Santa Rita de Cássia (1905-1934)* Ano Eleitores 1905 369 1908 558 1910 558 1912 609 1934 378
Transferida a sede da Comarca do Rio Grande (que abrangia também os municípios de Angical, Campo Largo e Barreiras) para Santa Rita do Rio Preto pelo ato de 3 de agosto de 1892, aí permaneceu até a publicação do decreto estadual nº 266, de 4 de outubro de 1904, quando essa comarca foi extinta, voltando Santa Rita do Rio Preto a ser termo da Comarca do São Francisco, que era sediada na cidade de Barra do Rio Grande. Anos antes, em 6 de setembro de 1898, com a criação da Comarca da Ribeira, sediada em Barreiras, as cidades de Angical, Campo Largo e Barreiras saíram da alçada do município de Santa Rita do Rio Preto.
Por força do decreto estadual 722, de 20 de agosto de 1909, foi transferida a sede da Comarca do São Francisco para Santa Rita do Rio Preto; todavia, a sede retornou para a cidade de Barra em 1911.
Por fim, com o decreto-lei estadual nº 512, de 19 de junho de 1945, a Comarca de Santa Rita do Rio Preto foi restaurada, com o nome de Ibipetuba, e desmembrada da de Barra. Com a mudança do nome da cidade em 1957 para Santa Rita de Cássia, a comarca acompanhou a mudança e também teve sua denominação alterada.
Dados do TRE/BA mostram que em 2008 o eleitorado votante de Santa Rita de Cássia era formado por 20.303 eleitores e que o município contava com 46 locais de votação e 72 seções eleitorais.
Ao lado, temos um quadro mostrando o número de eleitores que realmente votaram nas principais eleições do início do século XX, quando o município ainda vivia sob a tutela dos coronéis.
</u>*FONTE: Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio - Diretoria do Serviço de Estatística - Estatística Eleitoral da República dos Estados Unidos do Brazil. p. 17-39; In: Guedes, Anuário 1934, p. 45-48
Economia Segundo dados da SEI/IBGE, em 2003 o PIB do município apresentava a seguinte composição setorial: 38,65% agropecuária, 8,39% indústria e 52,96% serviços.
Setor primário Desde o início da sua história, a economia santarritense é tradicionalmente caracterizada pela pecuária extensiva, com destaque para os rebanhos de asininos, bovinos, caprinos e suínos. As criações de aves, equinos e ovinos, embora menores, também têm um peso considerável na vida econômica do município.
Na produção agrícola de Santa Rita de Cássia, destacam-se os cultivos de feijão, mandioca (da qual Santa Rita é o 36º maior produtor baiano), melancia (6º maior produtor do estado) e milho, e em menor escala o da cana-de-açúcar.
Os trabalhadores rurais do município estão organizados em três grandes associações: Associação dos Pequenos Produtores Rurais; Associação dos Produtores Rurais da Fazenda Senhor do Bonfim, vinculada ao Incra, com sede na Fazenda Senhor do Bonfim (Coinfra); e por fim, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Rita de Cássia, que é vinculado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.
O principal fruto do extrativismo na região é o carvão vegetal; Santa Rita de Cássia está entre os municípios baianos que mais produzem essa matéria-prima.
Manufatura Conforme registros na JUCEB, Santa Rita de Cássia possuía em 2001 24 indústrias, ocupando o 117º lugar na posição geral do Estado da Bahia.
As tradicionais mini-indústrias artesanais fabricam uma grande variedade de produtos caseiros, como o licor de caju e o de jenipapo, a rapadura comum e a rapadura batida e os doces de buriti, caju e de murici, além do beiju de massa. A produção desses produtos, porém, não acontece o ano todo, limitando-se a determinadas épocas do ano, de acordo com a disponibilidade da matéria-prima necessária (por exemplo, o vinho de caju só é produzido no "tempo do caju", assim como o doce de murici só é produzido no "tempo do murici" e etc.).
A criação de animais possibilita a fabricação de coalhadas, doce de leite, manteiga de gado, requeijão e sabão, tanto para o consumo local como para a comercialização.
A extração da aroeira propiciou o surgimento de uma pequena mas expressiva indústria moveleira na região. Há também no município algumas poucas indústrias de alvenarias e telhas.
No solo do município encontra-se argila em abundância para o artesanato e areia para a construção civil.
Comércio Em 2001, Santa Rita de Cássia contava com 535 estabelecimentos comerciais, 30ª posição dentre os municípios baianos.
Telecomunicações Em 1930 chega a Santa Rita de Cássia a primeira linha telegráfica.
thumb|Prédio da Rádio Comunitária Santa Rita.