Aparecida é um município brasileiro no interior do estado de São Paulo, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Paraíba Paulista, estando situado a cerca de a nordeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025. A cidade é popularmente denominada Aparecida do Norte em razão da construção da Estrada de Ferro do Norte (depois Estrada de Ferro Central do Brasil) na segunda metade do século XIX.
As origens do município remontam à fé consolidada ao redor do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida no curso do Rio Paraíba do Sul por pescadores, em 1717. Os milagres atribuídos à representação levaram à construção de uma capela, em 1745, ao redor da qual se estabeleceram vários fiéis e os primeiros residentes. Dado o desenvolvimento da localidade, em 1842 foi criada a freguesia, subordinada a Guaratinguetá, município do qual Aparecida se desmembrou em 17 de dezembro de 1928.
O número crescente de fiéis implicou na construção de um templo maior, a atual Basílica Velha, que foi inaugurada em 1888 e substituída pela nova Basílica de Nossa Senhora Aparecida na segunda metade do século XX. Esta configura-se como o maior centro de peregrinação religiosa da América Latina, recebendo anualmente milhões de visitantes, os quais fazem do município um dos principais núcleos turísticos do Brasil, principalmente no segmento do turismo religioso. O complexo turístico aparecidense abrange ainda marcos como o Porto Itaguaçu, que marca o local onde a imagem de Nossa Senhora foi encontrada; o Seminário Missionário Bom Jesus; o Morro do Cruzeiro, com suas esculturas que representam a Via Sacra; e a Igreja São Benedito, inaugurada em 1918.
História Fundação thumb|esquerda|Imagem consagrada como Nossa Senhora da Conceição Aparecida, exposta no interior da Catedral Basílica de Nossa Senhora Aparecida. O surgimento da atual cidade de Aparecida está ligado diretamente com a passagem de Dom Pedro de Almeida, conde de Assumar e governante da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, pela então Vila de Guaratinguetá, durante uma viagem até Vila Rica em outubro de 1717.Santos, Lourival. "A cor da santa: Nossa Senhora Aparecida e a construção do imaginário sobre a padroeira do Brasil". In: Silva, Vagner. Imaginário, cotidiano e poder. Selo Negro, 2007, p. 88 A população decidira realizar uma festa em homenagem à presença da autoridade e, apesar de não ser temporada de pesca, os pescadores lançaram seus barcos no Rio Paraíba do Sul com a intenção de oferecerem peixes ao conde. Os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso rezaram para a Virgem Maria e pediram a ajuda de Deus e após várias tentativas infrutíferas, desceram o curso do rio até chegarem ao local conhecido como Porto Itaguaçu, já prestes a desistirem da pescaria, até que João Alves jogou sua rede novamente e em vez de peixes, apanhou o corpo de uma imagem de Nossa Senhora, sem a cabeça. Ao lançar a rede novamente, apanhou a cabeça da imagem, que foi envolvida em um lenço.
Durante algum tempo, a imagem foi abrigada na residência de Felipe Pedroso, onde as pessoas da vizinhança se reuniam para orar.Francisco Pedroso conservou seis anos esta imagem em sua casa, junto a Lourenço de Sá; depois mudou-se para a Ponte Alta e dali para o Itaguaçu onde deu a imagem a seu filho Atanásio Pedroso, o qual fez um oratório para colocar a Senhora, e no sábado iam todos os devotos ali rezar o terço.
Em uma das ocasiões em que rezavam, apagaram-se as velas repentinamente, estando a noite serena; então Silvano da Rocha, levantando-se para acendê-las, elas por si acenderam-se. Foi este o primeiro prodígio; depois, em outro dia, viram tremer o nicho e o altar da Senhora, bem como as luzes. Em outra ocasião (sexta-feira para o sábado), estando reunidas muitas pessoas para cantarem o terço, estando a Senhora guardada em uma caixa, ouviu-se dentro da mesma grande estrondo.ZALUAR, Augusto-Emílio. Peregrinação pela Província de S.Paulo (1860-1861). São Paulo: Livraria Martins Editora, 1976. 237 p. ( Biblioteca histórica paulista, 2 )Dada a fé local atribuída aos frequentes relatos de milagres atribuídos à representação, em 1734 foi ordenada a construção de uma capela à sua alusão, a mando do vigário de Guaratinguetá no local conhecido como Morro dos Coqueiros.
A capelinha solitária da milagrosa Senhora da Aparecida era muito bem colocada em seu sítio, poética, e artisticamente pitoresca:A sua singela e graciosa arquitetura está de acordo com a majestosa natureza que a rodeia e com a montanha que lhe serve de pedestal, e domina, moldurado em um horizonte infinito, um dos panoramas mais arrebatadores que temos contemplado em nossas digressões.A capela foi aberta à visitação pública em 1745, Nossa Senhora ganhou seu manto de veludo azul ricamente bordado de ouro, e uma vez que a fama dos milagres se espalhava por outras regiões do Brasil, tornaram-se comuns peregrinações de fiéis até a localidade. O número crescente de fiéis (vindos de Minas Gerais, de Cuiabá e do extremo do Rio-Grande) implicou, em 1834, no início da construção de uma igreja maior, a atual Basílica Velha, sendo solenemente inaugurada e benzida em 8 de dezembro de 1888.Böing, Mafalda Pereira. Nossa Senhora Aparecida - A padroeira do Brasil, São Paulo: Edições Loyola, 2007, pp. 20-22Santos, Lúcia dos. Nossa Senhora, Rogai por Nós. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações, 2007. pp. 8-9
A fama de milagrosa fez com que, em 1860, as paredes da capela já quase que não tivessem mais espaço para ex-votos: figuras de cera, troncos, cabeças, braços, pernas e mãos. Há também um par de algemas de ferro que o tempo não conseguiu enferrujar:Contam que um desgraçado (talvez dos que se costumam recrutar para o exército), chegando a este lugar, extenuado de fadiga, devorado pela fome, exausto de forças por caminhar descalço e a pé por entre os sertões inóspitos, e de mais a mais acorrentado por estes pesados grilhões, entrou dentro da capela e com santo fervor orou a Nossa Senhora: tanta fé tinha em sua alma que as correntes lhe caíram repentinamente dos braços e dos pés, restituindo-o por este prodígio à sua liberdade!Perto da capela existia uma pedra na beira da estrada com a perfeita marca de um pé humano. Diziam ser de um filho que tivera a intenção de assassinar sua própria mãe. Ele a esperava sobre esta pedra e, quando a mãe estava chegando e ele ia cometer o crime, seu pé ficou agarrado na pedra.
Consolidação thumb|esquerda|Fachada da Basílica Velha, inaugurada em 1888. thumb|esquerda|Antigo Grupo Escolar de Aparecida Escola Estadual Chagas Pereira em 1929 Pela lei provincial nº 19, de 4 de março de 1842, foi criada a freguesia (equivalente à condição de distrito) denominada Aparecida e subordinada a Guaratinguetá. Chegou a ser extinta pela lei nº 38, de 15 de março de 1844, sendo recriada pela lei nº 131, de 25 de abril de 1880. Deixou de existir novamente pela lei n.º 3, de 15 de fevereiro de 1882, porém foi restabelecida pelo decreto estadual nº 147, de 4 de abril de 1891. A 8 de julho de 1877, a localidade passou a ser atendida pela Estrada de Ferro do Norte (depois Estrada de Ferro Central do Brasil), com a inauguração de sua estação ferroviária, que foi reinaugurada em 1922 e desativada em 1998, em função do fim do transporte de passageiros. A antiga denominação da via férrea levou à cidade ser conhecida também como Aparecida do Norte. O desenvolvimento em função do turismo religioso culminou na emancipação de Aparecida, decretada pela lei estadual nº 2.312, de 17 de dezembro de 1928, desmembrando-se de Guaratinguetá e instalando-se a 30 de março de 1929. Pelo decreto-lei estadual nº 14.334, de 30 de novembro de 1944, foi criado o distrito de Roseira, que foi desmembrado e emancipado pela lei estadual n.º 5.285, de 18 de fevereiro de 1959.
Em 1904, a imagem foi coroada pelo Papa Pio X sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, sendo consagrada padroeira do Brasil em 1930 pelo Papa Pio XI. Em 1946, foi implantada a pedra fundamental da construção da atual Basílica de Nossa Senhora Aparecida, com projeto de autoria do engenheiro Benedito Calixto Neto, e a 15 de agosto de 1967, em ocasião da comemoração do 250º aniversário do encontro da imagem no Rio Paraíba do Sul, ocorreu a inauguração do templo (ainda inacabado) pelo Papa Paulo VI, representado por um legado especial do Vaticano, ofertando-lhe o título da "Rosa de Ouro". Em cerimônia presidida por Papa João Paulo II, a basílica foi consagrada oficialmente à Nossa Senhora da Conceição Aparecida em julho de 1980. Além de João Paulo II, Aparecida também veio a receber as visitas dos papas Bento XVI, em 2007, durante a Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, e Francisco, como parte da XXVIII Jornada Mundial da Juventude. A localização no Vale do Paraíba, entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, com acesso facilitado através da Rodovia Presidente Dutra, favorece a estadia anual de milhões de fiéis e visitantes.
O ciclo do café Aparecida desmembrou-se de Guaratinguetá em 1928, de modo que estavam unidas durante o ciclo do café e foram o único exportador de café no final do século XIX, após o declínio da região do Vale do Paraíba Paulista. Isso se deveu a uma série de estratégias adotadas pelos fazendeiros: dentre elas, os sistemas de trabalho em parceria e sazonal adotados com os ex-escravizados. Nesse período pós-abolição da escravidão, havia 11.000 trabalhadores livres no município.
Em 1886, foi o maior produtor da região do Vale do Paraíba Paulista: 350.000 arrobas. Mesma posição ocupada em 1920, durante o declínio da região, com apenas 97.687 arrobas de café.SANTOS, João Luís Lemos de Paula. Garças nos céus, cafezais na terra: resiliência e crise da cafeicultura em Guaratinguetá no Pós-Abolição. Dissertação (Mestrado - História Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2023.Guaratinguetá conteve uma dinâmica específica na cafeicultura em relação a outras áreas do Vale do Paraíba, mantendo uma tendência ascendente em sua produção cafeeira até o final da década de 1890 embora adquirisse paulatinamente as características de uma área de menor produtividade.No início do séc. XX, o município ainda plantava café e era caracterizado por médias e grandes propriedades e por latifúndios. Com o declínio da cafeicultura, Guaratinguetá passou a ter menor dinamismo econômico e a apresentar fortes desigualdades sociais, refletindo as limitações estruturais desse modelo econômico e das relações de trabalho estabelecidas nesse contexto.
Geografia thumb|esquerda|Vista da cidade thumb|esquerda|Curso do Rio Paraíba do Sul em Aparecida A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 22º50'49" de latitude sul e 45°13'47" de longitude oeste e está a uma distância de 180 quilômetros a nordeste da capital paulista. Seus municípios limítrofes são Potim, a norte; Roseira, a oeste; Lagoinha, a sul; e Guaratinguetá, a leste. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de São José dos Campos e Imediata de Guaratinguetá. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Guaratinguetá, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Paraíba Paulista.