Teixeira de Freitas é um município brasileiro do interior e extremo sul do estado da Bahia, região Nordeste. Está situado a cerca de a sudoeste de Salvador, capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025. Possui elevação de 109 m e temperatura média anual de 24,3 °C.
A cidade foi fundada no ano de 1985, desmembrando-se dos municípios de Alcobaça e Caravelas. Embora seja mais nova que os municípios vizinhos, Teixeira de Freitas consolidou-se como a principal cidade da região. A população do município se expande a uma taxa 2,4 vezes maior que a Bahia e 1,6 maior que o Brasil, tendo aumentado 87% do seu número de habitantes nos últimos 25 anos.
História
A história do território que compõe este município de Teixeira de Freitas se confunde com a dos chamados "sertões" da Capitania de Porto Seguro entre os séculos XVI e XVIII e, também, com a dos municípios setecentistas de Caravelas e Alcobaça.
Portanto, os primeiros registros de ocupação humana remontam a povos indígenas, com destaque para os Pataxó que também viviam nas margens do rio Itanhém, precisamente onde se encontra o atual município de Teixeira de Freitas, conforme se observa no "Mapa etno-histórico do Brasil e regiões adjacentes" elaborado em 1944 pelo antropólogo Curt Nimuendaju.
Tratam-se dois municípios instituídos pelas autoridades coloniais portuguesas a seriam sediados por "vilas de índios", conforme a linguagem da época, que buscavam aprofundar o processo de aculturação da população mestiça composta por brancos portugueses e indígenas, africanas escravizadas e dos próprios indígenas que viviam na região. Nesse processo "civilizatório", essas autoridades pretendiam substituir língua, costumes e padrões culturais das populações nativas pela cultura européia de origem ibérica.
O surgimento do núcleo populacional que compõem a sede do contemporâneo município de Teixeira de Freitas tem seu "embrião" histórico no povoado de São José de Itanhém, localidade que se formou no século XX a partir de casas construídas nas proximidades da margem esquerda do rio Itanhém por trabalhadores envolvidos no extrativismo vegetal de madeira do bioma Mata Atlântica.
Entre o final da década de 1940 e o início da década de 1950, o desmatamento da região se amplia com a construção da rodovia BR-101, cujo traçado passava pelas terras do atual município, a intensificação das atividades produtivas das madeireiras em São José de Itanhém e com a expansão do povoado pela chegada de novas famílias.
Esse povoado vai ser conhecido inicialmente como "Perna Aberta", pois estava situado em uma bifurcação da estrada de rodagem de Alcobaça para o então vila de Água Fria (atual cidade de Medeiros Neto) com a estrada particular de propriedade da madeireira de grande porte ELECUNHA S/A que ligava São José de Itanhém ao porto de Santa Luzia, situado no município de Nova Viçosa.
Em 1957, a Câmara Municipal de Alcobaça aprovou a mudança do nome do povoado para "Teixeira de Freitas", mudança feita em homenagem ao advogado e estatístico baiano Mário Augusto Teixeira de Freitas. Mário foi um dos idealizadores do IBGE, neto do político baiano Tertuliano Teixeira de Freitas e sobrinho-neto do jurisconsulto Augusto Teixeira de Freitas, todos pertencentes a uma família tradicional de latifundiários e senhores de engenho do Recôncavo baiano que tiveram papel político relevante no Brasil Imperial.
Durante meados da década de 1960, começaram a surgir, próximo de Teixeira de Freitas, vários povoados na zona limítrofe entre os municípios de Caravelas e Alcobaça, a exemplo de Vila Vargas, de Jerusalém e de São Lourenço, no território pertencente à Caravelas, e de Monte Castelo e de Buraquinho situados em espaço alcobacence.
As áreas devastadas do território teixeirense passaram a ser ocupadas por atividades ligadas à pecuária e a agricultura. Deste modo, nas décadas seguintes a localidade iria se destacar na produção agropecuária de mamão, abóbora e melancia.
Posteriormente, a atração de contingentes migratórios consideráveis e a proximidade entre esses povoados fez com que eles começassem a se juntar em razão das expansão das moradias e ruas, de modo que na década de 1980 a população que habitava esse conjunto de povoados superava a população das sedes de Caravelas ou de Alcobaça. Essa situação criou as condições políticas favoráveis para que a sociedade civil local se articulasse e conseguisse obter junto ao Governo Estadual da Bahia, na época sob a gestão do governador João Durval Carneiro, o desmembramento do território para formar um novo município.
Em 15 de novembro de 1984, ocorreu o plebiscito sobre a emancipação de Teixeira de Freitas, no qual a opção pela autonomia saiu vencedora em todas as localidades secessionistas, com a exceção de Vila Vargas, na qual venceu o voto pela não separação. De acordo com a historiografia da região, houve um forte uso do poder econômico por parte de políticos locais para transportarem eleitores no dia do plebiscito e outras estratégias pelos grupos favoráveis e contrários. No caso da Vila Vargas, mesmo a população local tendo votado contra, as elites políticas locais articularam que essa povoação fosse incorporada ao novo município à revelia do voto popular, com o respaldo das elites baianas e do grupo político hegemônico no estado, durante aquela época (o do carlismo).
A emancipação política do Município de Teixeira de Freitas foi conquistada por meio da Lei estadual n. 4.452 de 9 de maio de 1985. A instalação se deu em 1º de janeiro de 1986, tendo a população da cidade crescido de maneira exponencial desde então.
Geografia Clima O clima de Teixeira de Freitas é considerado tropical (do tipo Am na classificação climática de Köppen-Geiger), com chuvas significativas na maioria dos meses e temperatura média anual de 24,0 °C. Agosto é o mês mais seco do ano, apresentando uma média de 37 mm e novembro é o mês de maior precipitação, com uma média de 142 mm. O mês mais quente do ano é Fevereiro com uma temperatura média de 26,3 °C, enquanto Julho é o mais frio, apresentando uma temperatura média de 21,7 °C. A precipitação média anual é de 937 mm.
Demografia
Em 2016, a população do município foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em habitantes. Porém no censo de 2010, quando a cidade possuía habitantes, foram levantados dados de que (49,21%) eram homens e (50,79%) eram mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes (93,44%) viviam na zona urbana e (6,56%) na zona rural. Entre 2000 e 2010, a população de Teixeira de Freitas cresceu a uma taxa média anual de 2,56%, mais que o dobro da média do Brasil naquele período. O censo também apontou que a taxa de urbanização do município era de 93,44%. Da população total em 2010, habitantes (26,59%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (67,38%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (6,04%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 73,0 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,1.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Teixeira de Freitas é considerado médio, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no ano de 2010. Seu valor era de 0,685, sendo o 14º maior, entre os municípios da Bahia e maior, entre os municípios do Brasil. Considerando apenas a educação, o índice era de 0,588, o índice da longevidade era de 0,800; e o de renda era de 0,683. Entre 1991 e 2010, a renda per capita média do teixeirense subiu de R$ 280,16 para R$ 560,73, apresentando um aumento total de 100,15%. Isso significa que a renda média da população cresceu a uma taxa 3,72% ao ano. A proporção de pessoas pobres, ou seja, com renda domiciliar per capita inferior a R$ 140,00 era de 15,92% em 2010. Já a população considerada extremamente pobre, com renda domiciliar per capita inferior a R$ 70,00, era de 5,39% no mesmo ano. O Coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,53.
Economia
O Produto Interno Bruto (PIB) de Teixeira de Freitas em 2014 era de aproximadamente 2 bilhões de reais. Do valor total do PIB teixeirense no referido ano, 72,8 milhões advieram do setor primário, 226,7 milhões do setor secundário, 1,1 bilhão do setor terciário, 388,1 milhões da Administração pública e 197,6 milhões foram arrecadados com impostos sobre produtos líquidos de subsídios. O PIB per capita era de 12,5 mil reais.
Em 2010 havia habitantes acima de 18 anos no município. Dessa faixa etária, (69,9%) eram economicamente ativos e estavam ocupados, enquanto outros (10%) estavam desocupados. Os demais (21%) foram considerados economicamente inativos. Das pessoas ocupadas, 22,75% trabalhavam no setor agropecuário, 2,82% na indústria extrativa, 6,45% na indústria de transformação, 8,80% no setor de construção, 1,06% nos setores de utilidade pública, 15,06% no comércio e 37,21% no setor de serviços.
Infraestrutura Educação alt=|esquerda|miniaturadaimagem|Centro Territorial de Educação Profissional do Extremo Sul (CETEPES) No ano de 2015, o município contava com instituições pré-escolares, do ensino fundamental e do ensino médio. Ao total são matriculas, com efetivo de docentes na pré-escola, no ensino fundamental e no ensino médio.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) entre as escolas públicas de Teixeira de Freitas era, no ano de 2013, de nos anos iniciais e nos anos finais. O município estava na posição entre os municípios da Bahia, quando avaliados os alunos dos anos iniciais e na posição quando avaliado o IDEB dos anos finais. Ao nível nacional, Teixeira de Freitas estava na posição entre os municípios, quando avaliados os anos iniciais e na quando avaliados os anos finais. esquerda|miniaturadaimagem|Faculdade do Sul da Bahia (FASB) O indicador de educação do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de 2010 foi de , enquanto o da Bahia e do Brasil foram de e , respectivamente. Em 1991, esse índice era de apenas , mostrando que o IDH-M Educação do município aumentou quase vezes nesse período. Considerando-se a população municipal de anos ou mais de idade, 19,04% eram analfabetos, 44,84% tinham o ensino fundamental completo, 32,11% possuíam o ensino médio completo e 6,69%, o superior completo.
Teixeira de Freitas é referência na educação regional, oferecendo cursos de ensino técnico e superior para a população local e de cidades próximas. O município possui um campus do Instituto Federal Baiano (IF Baiano), o campus Paulo Freire da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), o campus X da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), dois campi da Faculdade do Sul da Bahia (FASB), um campus da Faculdade Pitágoras (Pitágoras), além de outras instituições de ensino técnico e superior.
Transportes miniaturadaimagem|Aeroporto 9 de Maio Aeroviário
A cidade de Teixeira de Freitas possui o Aeroporto 9 de Maio (IATA: TXF, ICAO: SNTF), localizado a 8 km do centro da cidade, na rodovia BA-290. A área de influência do aeroporto abrange parte do leste de Minas Gerais, a região norte do Espírito Santo e parte do extremo sul da Bahia. A Azul Linhas Aéreas Brasileiras é a única empresa comercial operando no município e oferece voos diários (exceto aos sábado) para o Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins/Belo Horizonte), onde o usuário pode fazer conexão para outros destinos.
O Aeroporto 9 de Maio está sob administração da AGERBA e a sua pista possui m de comprimento, 30 m de largura e 105 m de elevação. Atualmente está em análise a inclusão de novos voos diretos, com destinos para Salvador (BA) e Vitória (ES) .
Rodoviário esquerda|miniaturadaimagem|Estação Rodoviária de Tx. Freitas