Marco é um município brasileiro do estado do Ceará, Região Nordeste do país pertencente à microrregião de Litoral de Camocim e Acaraú, mesorregião do Noroeste Cearense. Sua população estimada em 2026 foi de habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo o septuagésimo segundo mais populoso do estado do Ceará.

O município tem suas origens no século XVIII, com um marco que separava a ribeira do rio Acaraú de Santana do Acaraú. Inicialmente habitada por tribos nativas de Caenoran, a cidade foi posteriormente colonizada por colonizadores portugueses, incluindo Manuel de Góes Monteiro. Com o passar do tempo, as habitações primitivas foram se consolidando em uma elevação montanhosa ao redor do rio Acaraú, em torno do São Manoel de Marco, erguido em 1870, em homenagem a Joaquim Ferreira Fonteles. O município foi centralizado em Santana do Acaraú e posteriormente elevado à categoria de Vila por decretos de 1938 e 1951. O atual município chama-se Marco, e a Comarca de Marco foi criada em 1956 pelo governador Paulo Sarasate Ferreira Lopes.

Toponimia Seu topônimo vem do marco que foi posto meia légua para o sul do local onde está a cidade atualmente, exatamente onde delimitava as terras entre Acaraú e Santana do Acaraú, de Manuel de Góes Monteiro. Antes, em 1870, era chamado de São Manoel de Marco, denominado por Joaquim Ferreira Fonteles, até que o decreto-lei nº 448, de 20 de dezembro de 1938 eliminou o termo "São Manoel de", restando seu topônimo atual, "Marco".

História

Desde o período pré-colonial o litoral norte do Ceará e suas redondezas eram habitadas pela nação Tremembé. Esses tremembés foram aldeados nas proximidades de Camocim pelos jesuítas e depois passaram em 1702, para as praias do Acaraú. Por ocasião desses conflitos tribais, esses indígenas se rebelaram, causando sérios prejuízos aos moradores da ribeira, refugiando algumas delas para a serra de Ibiapaba em 1713.

Após o fim dos conflitos tribais, emergiram os colonizadores brancos, incluindo Manuel de Góes Monteiro, o primeiro a ocupar terras na ribeira do Acaraú. Nessa etapa, surgiram as primeiras construções, num processo gradual e constante, construindo gradualmente o conjunto gregário em condições modestas.

Assim, a origem do município remonta ao século XVIII, tendo como ponto de partida um marco que separava a ribeira do Acaraú de Santana do Acaraú, situado a meia légua de distância do local onde seria edificada a povoação.

Com o passar dos anos, foram se aglomerando as primitivas habitações numa pitoresca elevação, à margem esquerda do rio Acaraú, em torno da capela erigida em 1870, São Manoel de Marco, denominado por Joaquim Ferreira Fonteles. O termo "São Manoel" veio de Portugal, quando os primeiros colonizadores vinham rumo ao Brasil, em alto mar. A embarcação que os trazia esteve prestes a soçobrar em uma tempestade, e os navegantes em afiliação fizeram uma promessa de que, se "todos os chegassem sãos e salvos, onde fixassem morada, erigiam uma igrejinha para o santo protetor que eles vinham conduzindo".

O distrito, com jurisdição centralizada em Santana do Acaraú, por ato provincial de 21 de outubro de 1872, confirmado posteriormente segundo a lei municipal de 15 de abril de 1893. Sua elevação à categoria de Vila provém do decreto-lei nº 448, de 20 de dezembro de 1938, assinada pelo interventor Francisco de Menezes Pimentel, para também eliminar a expressão "São Manoel do", para o topônimo "Marco". A elevação à categoria de município com a denominação atual, provém da lei nº 1.153, de 22 de novembro de 1951, tendo sido instalado a 25 de março de 1955.

A Comarca de Marco foi criada pela lei nº 3.508 de dezembro de 1956, pelo então governador Paulo Sarasate Ferreira Lopes (1955-1958), fruto de um trabalho de profunda significação iniciado pelos filhos da terra, representando uma importante vitória na formalização institucional do município.

Geografia esquerda|miniaturadaimagem|Paisagem de Marco, com uma vegetação verde O território de Marco ocupa de área (0,3852% da superfície estadual), dos quais constituindo a área urbana, a uma altitude média de 29 metros acima do nível do mar. Os limites municipais de Marco são: a norte, o município de Bela Cruz; a sul, Senador Sá e Morrinhos; a leste, Acaraú, novamente Bela Cruz e Morrinhos; e a oeste, Granja e novamente Senador Sá. A cidade está 191 da capital estadual, Fortaleza, e a de Brasília, capital federal. Na divisão territorial vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence à região geográfica imediata de Acaraú, dentro da região intermediária de Sobral; até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião do Litoral de Camocim e Acaraú, na mesorregião do Noroeste Cearense.

O relevo de Marco é caracterizado por formas aplainadas e pouco dissecadas, típicas da Depressão Sertaneja, com altitudes geralmente inferiores a 200 metros. Ao noroeste do território, encontram-se maciços residuais, que se elevam em contraste com as áreas mais planas, enquanto ao nordeste predominam os tabuleiros pré-litorâneos. Marco está situada em área de abrangência de rochas metamórficas, principalmente os calcários e arenitos metamorfizados, junto com granitos, gnaisses e migmatitos que formam o embasamento cristalino, provenientes do período Pré-Cambriano médio, com idade estimada entre um bilhão e 2,5 bilhões de anos.

O tipo de solo predominante é o podzólico vermelho amarelo, que possui altos níveis de fertilidade, e os planossolos solódicos, que suportam diferentes tipos de cobertura vegetal. Também ocorrem os neossolo flúvico (também chamado de "solos aluviais"), os litossolos (solos litólicos) e o solonetz solodizado. Esses solos sustentam uma vegetação de pequeno a médio porte, como a caatinga arbustiva densa e a caatinga arbustiva aberta, que perde suas folhas na estação seca. Nas vertentes dos maciços residuais, ocorrem a floresta subcaducifólia tropical fluvial e a mata seca. Nos tabuleiros pré-litorâneos, desenvolve-se uma vegetação característica dessa formação.

Cortado pelo seu principal curso d'água, rio Acaraú, bem como pelos riachos do Córrego, da Pedra Redonda e do Inhanduba, este último na divisa com o município de Bela Cruz, todo o território municipal inserido à bacia hidrográfica do rio Acaraú, rio Coreaú e no litoral. No município de Marco pode-se distinguir dois domínios hidrogeológicos distintos: sedimentos da Formação Barreiras e depósitos aluvionares. A análise conduzida na cidade de Marco identificou a existência de 38 poços, todos do tipo tubular profundo, sendo 27 públicos e 11 privados. Segundo o Plano Estadual de Recursos Hídricos do Ceará, o nível de açudagem estimado na época era de 11 açudes, com capacidade total estimada em .

O clima é como tropical quente semiárido (As segundo Köppen-Geiger) com uma pluviosidade média de mm com chuvas concentradas de fevereiro a abril e inverno rigoroso com temperaturas médias que podem chegar a 26 a 28 °C. Segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), que possui dados pluviométricos de Marco desde 1972, a maior precipitação em 24 horas registrado em Marco foi de 161 mm em 24 de janeiro de 2004, seguido por 134 mm em 1 de abril de 2008, 112,5 mm em 29 de janeiro de 2004, 107,5 mm em 21 de fevereiro de 2024 e 101 mm em 11 de março de 1996.

Demografia Entre os censos de 2010 e 2022, a população de Marco registrou um crescimento de pouco mais de 4,4% com uma taxa de crescimento geométrico anual de 0,36%. Com habitantes no censo demográfico de 2022, (62,48% vivendo na zona urbana) o município ocupava apenas a 72ª colocação a nível estadual naquele ano, dos quais 50,47% do sexo masculino e 49,53% do sexo feminino, tendo uma razão de sexo de 101,9 ( homens para cada mulheres), em comparação com habitantes no censo demográfico de 2010, que assumia a 76ª posição estadual. Quanto à faixa etária do censo de 2022, 70,65% dos habitantes tinham entre 15 e 64 anos, 22,28% menos de quinze anos e 7,07% 65 anos ou mais. A densidade demográfica, em 2022, era de (septuagésimo nono maior do Ceará), com uma média de 3,01 habitantes/domicílio.

No censo de 2010, levando-se em conta a nacionalidade da população, todos os habitantes eram brasileiros natos (82,89% nascidos no município), dos quais 99,52% naturais do Região Nordeste, 0,22% do Norte, 0,07% do Sudeste e 0,05% do Centro-Oeste, além de 0,14% sem especificação. Entre os naturais de outras unidades da federação, os estados com os maiores percentuais de residentes em Marco eram a Pernambuco (0,3%), Pará (0,19%) e o Maranhão (0,15%), havendo ainda naturais de sete outros estados.

No quesito cor ou raça, segundo o mesmo censo, mais da metade dos habitantes 68,13% eram pardos, 23,57% brancos e 8,21% pretos, havendo também minorias de indígenas (0,05%) e amarelos (0,03%). A idade mediana da população é de 34 anos, sendo maior em amarelos (47 anos) e menor em pardos (28 anos). Ainda segundo mesmo o censo, o último com dados divulgados sobre religião, a população marquense era formada por católicos apostólicos romanos (94,47%), protestantes (4,73%) e pentecostalistas (4,25%). Outros 0,81% não tinham religião.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é considerado médio, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Segundo dados do relatório de 2010, divulgados em 2013, seu valor era de 0,612, estando na nonagésima terceira posição a nível estadual (em 184 municípios) e na ª a nível federal (de municípios) e o índice de Gini passou de 2003 a 2010 de 0,43 para 0,54. Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é de 0,734, o valor do índice de renda é 0,564 e o de educação é 0,553. Política O poder executivo em Marco é representado pelo prefeito e seu gabinete de secretários municipais e o poder legislativo é constituído pela câmara municipal, composto de vereadores eleitos na forma da legislação vigente. O primeiro prefeito do município foi Manuel Jaime Neves Osterno, sendo eleito para o mandato de 25 de março de 1955 a 25 de março de 1959 e seu primeiro juiz suplente, José Luiz de Farias. A atual, Francisco Rogério Osterno Aguiar Neto, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), foi eleita em 2024 com 67,74% dos votos válidos, tendo como vice Isis Yara Farias Souza.

De acordo com a lei orgânica de Marco, promulgada em 21 de março de 2007, são poderes do município ambos executivo e legislativo, independentes e harmônicos entre si, cujos representantes são eleitos pelo voto direto para mandatos de quatro anos. Existem também alguns conselhos municipais em atividade: direitos da criança e do adolescente, direitos do idoso, meio ambiente e tutelar. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco pertence à 67ª zona eleitoral do Ceará e possuía, em dezembro de 2024, eleitores, o que representa 0,318% do eleitorado cearense.

Subdivisões A área urbana de Marco é constituída por um total de três distritos: Panacuí, Marco (sede) e Mocambo. Marco (sede) é o distrito com a maior concentração populacional, abrigando mais de um quarto e meio da população municipal total.Divisão político-administrativa e distribuição populacional (2022)DistritoData de criaçãoInstrumento legalPopulação % da população totalPanacuí20 de maio de 1931Decreto estadual nº 1938,45Marco (sede)22 de novembro de 1951Lei estadual nº 1.15376,96Mocambo19 de novembro de 1994Lei municipal nº 5314,59Total--100

Economia Segundo o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do município de Marco em 2021 era de R$ , dos quais R$ do setor de serviços, R$ da administração pública, R$ da arrecadação de impostos, R$ da indústria e R$ da agropecuária. O PIB per capita era de R$ .