Guarapari é um município brasileiro no litoral do estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se na Região Metropolitana de Vitória, estando situado a cerca de a sul da capital capixaba. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em julho de 2026, sendo então o sétimo mais populoso do estado.
Guarapari é um destino turístico popular, sendo conhecido por suas praias, como a de Meaípe, famosa pelo alto nível de radioatividade natural de sua areia e suas qualidades terapêuticas.
Topônimo Ver também: Topônimos de origem tupi no Brasil
Uma explicação tradicional relaciona o topônimo "Guarapari" a termos de origem tupi. Segundo a Prefeitura Municipal de Guarapari, "guará" se refere ao guará-vermelho, ave de plumagem avermelhada, enquanto "pari" designa uma armadilha feita de galhos ou cipós, usada para capturar peixes ou pequenas aves nos mangues.
A forma "Guaraparim" aparece como grafia antiga do nome. De acordo com o historiador Fernando Achiamé, citado em reportagem de A Gazeta, uma das traduções aceitas para o nome seria "armadilha para pegar guará".
História
Antes da colonização thumb|esquerda|Fachada da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída no século XVII.|196x196px Por volta do ano 1000, os índios que ocupavam o litoral sul do atual estado do Espírito Santo foram expulsos para o interior do continente devido à invasão de povos tupis procedentes da Amazônia. No século XVI, quando chegaram os primeiros exploradores europeus à região, a mesma era habitada por um desses povos tupis: os temiminós.BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.
Em 1585, o padre jesuíta José de Anchieta fundou uma missão jesuíta para catequizar os índios da região: a aldeia do Rio Verde ou aldeia de Santa Maria de Guaraparim. A aldeia possuía um convento e uma igreja dedicada a santa Ana. Para a sua inauguração, Anchieta compôs o Auto Tupi. Em 1677, foi construída a igreja de Nossa Senhora da Conceição. Em 1679, a aldeia de Guaraparim foi elevada à categoria de vila. Em 1835, foi criada a comarca de Guarapari. Em 1878, passou à condição de município. Em 1891, adquiriu o status de cidade.
Visita de Dom Pedro II No ano de 1860, a Vila de Guarapari teve a honra de receber a visita do Imperador do Brasil, D. Pedro II. Nesta ocasião, ele teve a oportunidade de ver uma população bastante expressiva, entre 1.000 a 1.200 habitantes. Visitou uma escola com 41 alunos matriculados em papel solto e comentou: “... a letra do professor é boa, nada de gramático...”. Visitou também o estaleiro de construção naval, o cultivo do café e gêneros alimentícios. Se a imperatriz tivesse descido em terra, as peritas bordadeiras da vila não perderiam a ocasião de lhes mostrar as suas famosas e delicadas rendas de bilros, um trabalho de paciência e de muita beleza.
Dias atuais No final do século XIX, colonos europeus (italianos, em sua maioria, que aportaram no rio Benevente) se instalaram no interior do município, fundando as localidades de Todos os Santos e Rio Calçado, entre outras. A principal atividade econômica dessas famílias era o café, além do plantio que faziam para a própria subsistência. Em 1948, teve instalada a sua câmaraPrefeitura municipal Guarapari Espírito Santo. Disponível em http://www.guarapari.es.gov.br/v3/index.php/historia-de-guarapari.html. Acesso em 30 de abril de 2013.. Em meados dos anos 1960 e 1970, Guarapari tornou-se nacionalmente famosa em decorrência das propriedades pretensamente medicinais de suas areias monazíticas. Por este motivo, houve uma onda turística crescente em torno da cidade.
Geografia thumb|esquerda|Rio Jabuti visto da Rodovia do Sol na zona rural do município De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Vitória. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Guarapari, que por sua vez estava incluída na mesorregião Central Espírito-Santense.
A cidade, assim como toda a região central do Espírito Santo, possui vários afloramentos graníticos e muitas enseadas e baías protegidas. A sede da cidade é a nível do mar, mas, graças à proximidade com a região serrana do estado, alguns distritos da cidade chegam a mil metros de altitude.
Os principais mananciais que compõem a rede hidrográfica de Guarapari são os rios Jabuti, Perocão e Una, que deságuam no oceano Atlântico. Entretanto, a área do município possui diversos cursos hídricos de porte menor que vertem para esses leitos principais.
Clima O clima guarapariense é caracterizado como tropical quente superúmido (tipo Aw segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno dos , tendo invernos amenos e verões chuvosos com temperaturas altas. O mês mais quente, janeiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, junho, possui média de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição. O índice pluviométrico é de aproximadamente , sendo agosto o mês mais seco e dezembro o mais chuvoso.
Ecologia e meio ambiente Radioatividade natural thumb|esquerda|Lagoa de Caraís no Parque Estadual Paulo César Vinha. As praias de Guarapari são famosas por possuírem um nível alto de radioatividade natural, proveniente das chamadas areias monazíticas, ricas nos elementos urânio e tório. Em alguns pontos das praias foram registradas leituras de até 20μSv/h (175 mSv por ano),National Center for Biotechnology Information - Health Research Foundation, Japan - uma dose equivalente à que seria recebida ao se tirar uma radiografia de tórax a cada cinco horas. Na cidade os níveis de radiação são muito inferiores; um estudo realizado com 320 habitantes encontrou uma dose média de 0.6 µSv/h, ou 5.2 mSv por ano. Estudos recentes revelaram efeitos benéficos à saúde para a medida de radiação da cidade de Guarapari. Em um levantamento sobre o câncer de mama, Guarapari apresentou uma taxa de duas mulheres para cada cem mil, enquanto o índice em outros município foi de 178 e 148 para cada cem mil, nos municípios de Linhares e Colatina, respectivamente.
Situado no extremo norte do município, na faixa litorânea, o parque possui 1 500 hectares de área, protegendo o ecossistema restinga, uma rica flora composta por orquídeas, bromélias, clúsias e outras espécies típicas de restinga. Conta com uma fauna variada: de pererecas endêmicas a saguis-da-cara-branca, cutias, jiboias, quatis, tamanduás, jacarés, macacos e veados. Possui três lagoas de águas avermelhadas, mas somente uma, a Lagoa de Caraís, é aberta a visitação. O parque possui, também, duas trilhas para visitação: Trilha da Clúsia - trilha que possibilita ao visitante um contato mais intimo com a natureza, da uma impressão que está dentre uma mata fechada. Trilha da Restinga - uma trilha relativamente maior, com grau de dificuldade fácil. Leva o turista até a Lagoa de Caraís. Possui 1,5 quilômetros de extensão.
O Parque Paulo César Vinha recebeu esse nome Paulo César Vinha em homenagem ao biólogo Paulo C. Vinha, assassinado cruelmente nos limites do parque enquanto fazia um levantamento fotográfico sobre líquens e fungos. Sua sede fica próxima ao bairro de Setiba, onde conta com guardas e uma estrutura básica de apoio ao turista.
Parque Natural Municipal Morro da Pescaria
Situado ao final da Praia do Morro, esse é o Parque mais visitado no Espírito Santo. É um Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (Unesco).
Demografia Em 2022, a população do município foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 124.656 pessoas, sendo o sétimo mais populoso do estado, apresentando uma densidade populacional de 211,34 habitantes por km². Segundo o Censo 2022, 60.685 pessoas eram homens e 63.971 pessoas eram mulheres. Pelo mesmo censo, 118.113 pessoas viviam na zona urbana e 6.543 na zona rural.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Guarapari é considerado alto, com o valor de 0,731, segundo dados de 2010. Sendo décimo maior de todo o estado do Espírito Santo. Isso significa que o município se encontra em uma faixa de desenvolvimento humano elevada, com base nos indicadores de educação, renda e longevidade.
Religião No censo 2022, a maioria da população se declarou católico com 51.060 pessoas, seguida pelos evangélicos com 37.119 pessoas. Uma parcela menor se identifica como espírita com 6.362 pessoas e os sem religiões são 14.262 pessoas.
Evangélicos - 34,09% Católicos Apostólicos Romanos - 46,89% Não religiosos (incluindo ateus e agnósticos) - 13,1% Espíritas - 1,19% Candoblés ou Ubandistas - 0,58% Outras religiões - 4,06%
miniaturadaimagem|237x237px|Mapa de Guarapari
Etnias No mesmo censo de 2022, a população de Guarapari era formada por 45.864 brancos (36,8%), 13.514 pretos (10,8%), 64.841 pardos (52%, o que são maior grupo do município), 296 indígenas e 140 amarelos.
Brancos - 36,8% Pardos - 52% Pretos - 10,8% Amarelos - 0,12% Indígenas - 0,16%
Infraestrutura Guarapari é classificada pelo IBGE como uma cidade de porte médio. Conhecida pelo apelido de "Cidade Saúde", vive atualmente um período de significativa transformação estrutural. Como um dos principais polos turísticos do Espírito Santo, o município busca equilibrar a intensa demanda da alta temporada com as necessidades de infraestrutura básica de seus moradores.
Saúde A infraestrutura social do município recebeu investimentos essenciais para acompanhar o crescimento populacional. Entre as obras mais emblemáticas, destaca-se o hospital, projetado para ser referência regional e reduzir a dependência da Grande Vitória em atendimentos de alta complexidade. A gestão conta com o apoio estadual para assegurar a disponibilização de equipamentos de última geração.
Política No século XIX, especialmente após a Independência do Brasil em 1822, Guarapari começou a desenvolver uma identidade político-administrativa mais definida. A elevação à categoria de vila trouxe a instalação da Câmara Municipal, órgão fundamental na organização política local, responsável por legislar, administrar e representar os interesses da população.
Nesse período, o sistema político era marcado pelo voto censitário e pela forte presença das elites agrárias, que exerciam grande influência nas decisões públicas. Com a Proclamação da República em 1889, ocorreram mudanças significativas na estrutura política, com a adoção do federalismo e maior autonomia para os municípios, embora o coronelismo tenha continuado a exercer papel relevante na dinâmica política local durante as primeiras décadas republicanas.
Guarapari passou a contar com maior autonomia administrativa, financeira e legislativa. O fortalecimento do poder local possibilitou avanços na participação popular, por meio de conselhos municipais e instrumentos de gestão democrática. A administração municipal passou a enfrentar desafios relacionados ao crescimento populacional, à preservação ambiental, especialmente devido às suas praias e áreas de restinga — e à necessidade de equilibrar o desenvolvimento turístico com a sustentabilidade.
Gestão atual
Prefeito: Rodrigo Lemos Borges (Republicanos) - 2025/2028 Vice-prefeita: Tatiana Cozer Pinto Perim (Republicanos) - 2025/2028 Presidente da Câmara: Sabrina Bubach Astori (PSB) - 2025/2026
Símbolo municipal
Descrição de armas miniaturadaimagem|158x158px|Brasão municipal O Brasão de Armas do Município de Guarapari reflete a rica história e cultura local, combinando elementos naturais, históricos e simbólicos que representam a identidade da cidade. Desenvolvido com inspiração em tendências históricas e contemporâneas, o brasão é composto por diversos elementos que contam a história e destacam os atributos únicos do município.
Descrição dos símbolos