Pancas é um município brasileiro no estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se na região noroeste do estado, estando situado a cerca de da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
O território do atual município começou a ser povoado em 1918, com a vinda de forasteiros à procura de terras para a agricultura. O cultivo do café deu sequência ao crescimento populacional e econômico, que foi impulsionado pela vinda de levas de imigrantes, principalmente alemães, pomeranos e italianos. Em vista do desenvolvimento, a emancipação de Pancas ocorreu em 1963. A influência cultural deixada pelos imigrantes europeus ainda é visível, sendo expressa em hábitos e costumes diversos pelos descendentes. A língua pomerana,que tem mais descendentes no distrito de Lajinha inclusive, é cooficializada na cidade.
Além da cafeicultura, presente em 90% das propriedades rurais, também figuram entre as atividades econômicas mais importantes a pecuária e a prestação de serviços. Pancas possui uma série de atrativos naturais que são destinos de turistas e praticantes de esportes de aventura, como cachoeiras, morros e trilhas, parte dos quais estão localizados no Monumento Natural dos Pontões Capixabas. Trata-se de uma unidade de conservação que se destaca por seu conjunto de afloramentos rochosos e à Mata Atlântica preservada.
Muitas festas culturais são feitas no município, como a Pomerfest, festa organizada pela APOP para a divulgação da cultura Pomerana presente no município, e o festival de balonismo, organizado pelo município para o turismo nos Monumento Natural dos Pontões Capixabas
História A área onde está situada o atual município de Pancas começou a ser colonizada em 1918, quando forasteiros vindos de Minas Gerais estavam à procura de terras férteis e adequadas à agricultura. Esses colonizadores se afixaram na localidade e, aliados a imigrantes alemães, iniciaram o cultivo do café. Devido ao desenvolvimento observado, criou-se o distrito denominado "Nossa Senhora da Penha" pela lei estadual nº 1.486 de 5 de setembro de 1924, subordinado a Colatina. Pela lei estadual nº 9.222 de 31 de março de 1938, a localidade foi renomeada para "Santa Luzia".
Na década de 1940, a chegada de uma considerável leva de imigrantes, principalmente alemães, pomeranos e italianos, deu sequência ao crescimento populacional e econômico da localidade. Em 31 de dezembro de 1943, pela lei estadual nº 15.177, o então distrito passou a se chamar "Pancas". Sua emancipação foi decretada pela lei estadual nº 1.837 de 21 de fevereiro de 1963, instalando-se a 13 de maio do mesmo ano. A data de instalação, 13 de maio, é considerada o dia do aniversário da cidade.
Quando o município foi emancipado era composto pelos distritos de Alto Rio Novo e Lajinha, além do distrito-sede. Pela lei nº 1.919 de 31 de dezembro de 1963, foram criados os distritos de Palmerino e Vila Verde. Contudo, Alto Rio Novo foi emancipado pela lei estadual nº 4.071 de 11 de maio de 1988, decreto que também incorporou Palmerino como distrito do novo município. Assim, restaram a partir de então os distritos de Lajinha, Pancas (sede) e Vila Verde.
Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19°13'30" de latitude sul e 48°51'03" de longitude oeste e está a uma distância de 183 quilômetros a noroeste da capital capixaba. Seus municípios limítrofes são Alto Rio Novo, Mantenópolis, Águia Branca, Colatina, Baixo Guandu e São Domingos do Norte no Espírito Santo e Resplendor em Minas Gerais.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Colatina. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Colatina, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Noroeste Espírito-Santense.
Relevo e meio ambiente thumb|esquerda|Monumento Natural dos Pontões Capixabas O relevo de Pancas é consideravelmente acidentado, sendo predominantemente ondulado, com altitudes que variam de 110 a 480 metros na maior parte de seu território. Entretanto, há uma grande quantidade de afloramentos rochosos, que se concentram no Monumento Natural dos Pontões Capixabas. Nessa região do município estão localizadas diversas formações rochosas (os "pontões") que se sobressaem no relevo, como a Pedra do Camelo (), a Pedra da Cara (), a Pedra Gaveta () e a Pedra Agulha (). Pancas faz parte do bacia do rio Doce e tem como principais mananciais os rios Pancas, Panquinhas e São José. O tipo de rochas predominante é o latossolo vermelho-amarelo.
A vegetação nativa foi consideravelmente suprimida para ceder espaço às atividades agropecuárias, principalmente a cafeicultura. Dessa forma, a maior parte do território municipal é ocupada por pastagens, que abrangiam 31,2% da área em 2013, seguidas pelas plantações de café (14,8%). Os afloramentos rochosos, por sua vez, também correspondiam a 14,8% do território. No mesmo ano, os remanescentes florestais ocorriam em 13% do município e as matas nativas em estágio de recuperação em 10,7%, porém as florestas existentes se distribuíam em pontos dissolvidos e isolados.
A maioria das florestas conservadas estão concentradas no Monumento Natural dos Pontões Capixabas, unidade de conservação que foi criada como parque nacional em 2002 e reconhecida como monumento natural em 2008. A reserva se estende por entre os municípios de Pancas e Águia Branca, mas cerca de 86% de sua extensão está situada em Pancas. Contudo, 72,6% das propriedades rurais contavam com florestas destinadas à preservação permanente ou reservas e mais de 16,8% possuíam florestas plantadas em 2017.
Clima O clima panquense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno dos , tendo invernos amenos e verões chuvosos com temperaturas altas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , enquanto que o mês mais frio, julho, possui média de . Outono e primavera são estações de transição. O índice pluviométrico anual é de aproximadamente , sendo junho o mês mais seco e dezembro o mais chuvoso.
Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1957 a 2023, o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Pancas foi de no dia 2 de março de 2020. Outros grandes acumulados foram de em 21 de dezembro de 2013, em 18 de janeiro de 1958 e em 11 de fevereiro de 1981. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Pancas é o 51º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado do Espírito Santo, com uma média anual de 1,6258 raios por quilômetro quadrado.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens (51,05% do total) e habitantes mulheres (48,95%). Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana (46,87%) e na zona rural (53,13%). Da população total, habitantes (25,18%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (67,04%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (7,79%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 73,89 anos.
Em 2010, a população panquense era composta por pardos (52,61% do total), brancos (40,46%), negros (6,54%), 73 amarelos (0,34%) e dez indígenas (0,05%). Quanto às religiões, são católicos (46,79%), evangélicos (42,30%), 34 Testemunhas de Jeová (0,16%), 25 espíritas (0,12%), pessoas sem religião (9,96%) e os 0,67% restantes possuíam outras religiões além dessas ou não tinham religiosidade definida. A influência cultural deixada pelos imigrantes europeus, principalmente pomeranos e italianos, ainda é visível em Pancas, sendo expressa em hábitos e costumes diversos pelos descendentes. Cerca de 60% da população é descendente de pomeranos. Além da herança visível na arquitetura, também são notáveis as marcas na culinária, na dança e música. Em 2007, a língua pomerana foi cooficializada no município.
Distritos +Distritos de Pancas (IBGE/2022) Distrito Código IBGE Habitantes (2022) Domicílios particulares (2022) Lajinha 320400515 Pancas (distrito-sede) 320400505 Vila Verde 320400525 728
Economia No Produto Interno Bruto (PIB) de Pancas, destacam-se as áreas da agropecuária e de prestação de serviços. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2019, o PIB do município era de R$ . eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes e o PIB per capita era de R$ . Em 2010, 62,79% da população maior de 18 anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 5,37%.
A pecuária e a agricultura acrescentavam reais na economia de Pancas em 2019, o que se deve sobretudo à cafeicultura e à pecuária, que são responsáveis por pelo menos 70% do PIB do setor primário. A cafeicultura, inclusive, é praticada em cerca de 90% das propriedades rurais, ao mesmo tempo que corresponde a aproximadamente 90% da produção da lavoura permanente municipal. Outros cultivos permanentes que se sobressaem são a banana, o cacau, o coco, a pimenta-do-reino e a manga. A banana e o cacau possuem importância de modo especial como fontes de renda da agricultura familiar do município. Os cultivos temporários mais representativos, por sua vez, são o milho e a mandioca, sendo comum que sejam plantados em alternância com o café ou a banana. Com relação à pecuária, destaca-se a bovinocultura de corte, mas também há participação da suinocultura, piscicultura e da apicultura.
A indústria, por sua vez, acrescentava reais do PIB municipal em 2019. Esse setor é representado principalmente pela fabricação de produtos oriundos da produção agropecuária, como derivados de café, polpa de fruta, massas e mel, além da extração de rochas ornamentais. Ao mesmo tempo, reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto do setor de serviços e reais do valor adicionado da administração pública.
A presença de diversos atrativos rurais, como morros, trilhas e cachoeiras, bem como o Monumento Natural dos Pontões Capixabas, também reforça a contribuição do turismo rural para a economia de Pancas. Há de se destacar que o município é destino de praticantes de esportes de aventura, como montanhismo, trekking, alpinismo, rapel, enduros, mountain bike e voo livre, haja vista as condições viabilizadas pela geografia física do lugar, as estradas rurais e a infraestrutura existente destinada aos visitantes.
Infraestrutura Saúde e educação A rede de saúde de Pancas inclui oito unidades básicas de saúde, segundo informações de 2018. Dentre outros serviços, a prefeitura disponibiliza acompanhamento próprio para a população idosa, que inclui grupos de atividade física, fisioterapia, atendimentos odontológicos e acompanhamento psicológico. Em 2020, foram registrados 123 óbitos por morbidades, dentre os quais as doenças do sistema circulatório representaram a maior causa de mortes (22,74%), seguida pelos tumores (20,32%). Ao mesmo tempo, foram registrados 176 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil no mesmo ano foi de 4,46 óbitos de crianças menores de um ano de idade a cada mil nascidos vivos.