Mali ou Máli, oficialmente República do Mali, (em bambara, Mali ka Fasojamana) é um país africano sem saída para o oceano na África Ocidental. É o sétimo maior país da África, e limita-se, a norte, pela Argélia, a leste pelo Níger, a oeste pela Mauritânia e Senegal e ao sul pela Costa do Marfim, Guiné e Burquina Fasso. O Mali tem uma área de  km² e a sua população é estimada em cerca de 24,5 milhões de habitantes. A capital do país é Bamaco.

Formado por oito regiões, o Mali tem fronteiras ao norte, no meio ao Deserto do Saara, enquanto a região sul, onde vive a maioria de seus habitantes, está próximo aos rios Níger e Senegal. Alguns dos recursos naturais no Mali são o ouro, o urânio e o sal.

O atual território do Mali foi sede de três impérios da África Ocidental, que controlava o comércio transaariano: o Império do Gana, o Império do Mali (que deu o nome de Mali ao país), e o Império Songai. No final do , o Mali ficou sob o controle da França, tornando-se parte do Sudão Francês. Em 1960, conquistou a independência, juntamente com o Senegal, tornando-se a Federação Mali. Um ano mais tarde, a Federação do Mali se dividiu em dois países: Mali e Senegal. Depois de um tempo em que havia apenas um partido político, um golpe em 1991 levou à escritura de uma nova Constituição e à criação do Mali como uma nação democrática, com um sistema pluripartidário. Quase a metade de sua população vive abaixo da linha de pobreza, com menos de 1 dólar por dia.

Etimologia

O nome Mali deriva do nome do Império do Mali. O nome significa "o lugar onde o rei mora" e carrega uma conotação de força.

O escritor guineense Djibril Niane sugere, em sua obra Sundiata: An Epic of Old Mali (1965), que não é impossível que Mali tenha sido o nome dado a uma das capitais dos imperadores. O viajante marroquino do século XIV, Ibne Batuta, relatou que a capital do Império do Mali se chamava Mali. Uma tradição Mandinka conta que o lendário primeiro imperador Sundiata Keita se transformou em um hipopótamo após sua morte no rio Sankaranie, sendo possível encontrar aldeias na área deste rio denominadas "velho Mali", possuindo Mali em seus nomes. Um estudo de provérbios do Mali observou que, no antigo Mali, havia uma aldeia chamada Malikoma, que significa "Novo Mali", e que Mali poderia ter sido anteriormente o nome de uma cidade.

Outra teoria sugere que Mali é uma pronúncia Fulani do nome dos povos Mande. É sugerido que uma mudança de som levou à alteração.

História O território do atual Mali foi sede de grandes impérios da África Ocidental, que controlavam o comércio de sal, ouro, matérias prima, além de prata e bronze. Estes reinos careciam tanto de fronteiras geopolíticas quanto de identidades étnicas. Um destes grandes impérios foi o Império do Gana, fundada pelos soninquês, que falavam mandê. O reino se expandiu por toda África Ocidental desde o até 1078, quando foi conquistado pelos almorávidas.

thumb|esquerda|A extensão do Império do Mali

O Império do Mali se formou na parte superior do Rio Níger e chegou à sua força máxima em meados do . Sob o reinado do Império do Mali, as antigas cidades de Djené e Tombuctu foram importantes centros de comércio e de aprendizagem islâmica. O reino entrou em declínio e, posteriormente, foi resultado de conflitos internos, e até ser substituído pelo Império Songai. O povo songai é originário do noroeste da atual Nigéria, cujo império tinha sido há muito tempo uma potência na África Ocidental sob o controle do Império de Mali.

No final do , o Império Songai ganhou a independência do Império do Mali gradualmente, abrangendo a extremidade oriental deste império. Sua queda foi resultado de uma invasão berbere em 1591, marcando o fim do papel regional da encruzilhada comercial. Após o estabelecimento de rotas marítimas pelas potências europeias, a rotas comerciais transaarianas perderam sua importância.

Na era colonial, Mali ficou sob o controle francês no fim do . Em 1905, toda a sua área estava sob controle da França, fazendo parte do Sudão Francês. No início de 1959, o Mali e o Senegal se uniram, formando a Federação do Mali, que conquistou a sua independência em 20 de agosto de 1960. A retirada da federação senegalesa permitiu que a ex-república sudanesa formasse a nação independente do Mali em 22 de setembro de 1960. Modibo Keita, que foi primeiro-ministro da Federação do Mali até sua dissolução, foi eleito o primeiro presidente. Keita estabeleceu o unipartidarismo, adotando, por sua vez, uma orientação africana independente e socialista de fortes laços com a União Soviética e realizou uma grande nacionalização dos recursos econômicos.

thumb|esquerda|Antiga cidade de Djenné, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco

Em 1968, como resultado de um crescente declínio econômico, o mandato de Keita foi derrubado por um golpe militar liderado por Moussa Traoré. O regime militar subsequente, de Traoré como presidente, teve a função de fazer reformas econômicas. Apesar disso, seus esforços foram frustrados pela instabilidade política e uma devastadora seca que ocorreu entre 1968 e 1974. O regime Traoré enfrentou distúrbios estudantis que começaram no final dos anos 70, como também ocorreram três tentativas de golpe de estado. No entanto, as divergências foram suprimidas até o final da década de 1980.

O governo continuou a tentar implantar reformas econômicas, mas sua popularidade entre a população diminuiu cada vez mais. Em resposta à crescente demanda por uma democracia pluripartidária, Traoré consistiu uma liberalização política limitada, mas negou a marcar o início de um pleno sistema democrático. Em 1990, começaram a surgir novos movimentos de oposição coerentes, mas estes processos foram interrompidos pelo aumento da violência étnica no norte do país, devido ao retorno de muitos tuaregues ao país.

Novos protestos contra o governo ocorreram em 1991 levaram a mais um golpe de estado, seguido de um governo de transição e a realização de uma nova constituição. Em 1992, Alpha Oumar Konaré venceu as primeiras eleições presidenciais democráticas. Após sua reeleição em 1997, o presidente Konaré impulsionou reformas político-econômicas e lutou em combater a corrupção. Em 2002, foi substituído por Amadou Toumani Touré, general que liderou um outro golpe de estado contra os militares e impôs a democracia. O Mali vinha sendo um dos países mais estáveis de África no âmbito político e social. Entretanto, em 21 de março de 2012, um golpe militar derrubou o governo do presidente Touré. Em 2013, Ibrahim Boubacar Keïta venceu as eleições presidenciais daquele ano e assumiu a presidência até 18 de agosto de 2020, quando um outro golpe militar derrubou o governo de Keïta. Em setembro de 2020, a junta militar elegeu o presidente interino Bah N'daw no lugar de Keïta e governou o país até o dia 24 de maio de 2021, quando as tropas lideradas pelo chefe Assimi Goita derrubaram o governo de Bah e assumiram o poder de Mali até os dias atuais. Em 16 de maio de 2023, os governos militares de Mali, Burquina Fasso e Níger formam a aliança de defesa denominada Aliança de Estados do Sahel (AES), cujo objetivo é fortalecer as defesas dos três países em combate aos jihadistas ligados à Al-Qaeda e o Estado Islâmico.

Em 29 de janeiro de 2024, o Mali saiu da CEDEAO, junto com Burquina Fasso e Níger, devido a acusação dos três países de 'trair seus próprios fundadores' após o grupo aplicar sanções econômicas contra eles.

Geografia

thumbnail|esquerda|Imagem de satélite de Mali

O Mali é um país sem saída para o mar, situado na África Ocidental, a sudoeste da Argélia. Com uma área de km2, é o 23.º maior país do mundo, com extensão semelhante à da África do Sul e de Angola. Possui 7 243 km de fronteiras com os sete países que limita. A maior parte do país integra o sul do Deserto do Saara, por isso o clima é quente, sendo comuns tempestades de poeira que se formam durante secas. O território do Mali é essencialmente plano, com algumas regiões montanhosas: o Adrar dos Ifogas está localizado no nordeste, e as maiores altitudes são as Montanhas Hombori, que ultrapassam a altitude de metros a sudeste, e as Montanhas Bambuque a sudoeste.

Os recursos naturais do país são consideráveis: ouro, urânio, fosfato, caulim, sal e calcário são os recursos mais explorados. O Mali está a enfrentar problemas ambientais, como a desertificação, o desmatamento, a erosão do solo e a contaminação da água.

Clima O clima varia de subtropical a sul ao árido no norte. A maior parte do país sofre de problemas ambientais. A estação chuvosa vai do final de junho a dezembro. Durante este período de tempo, é comum ocorrerem inundações do rio Níger em parte da região.

Demografia

thumbnail|esquerda|Evolução da população entre 1961 e 2021

Conforme dados do Instituto Nacional de Estatística do Mali (INSTAT), a população do país foi estimada em 22,3 milhões de habitantes em 2022. 30,4% da população vive na zona urbana, 69,6% na zona rural e 2% são nômades. Mais de 90% da população vive no sul, especialmente em Bamaco, que tem mais de 4 milhões de habitantes.

Em 2022, aproximadamente 47,2% da população de Mali era inferior a 15 anos, 32% entre 15 e 34, e os restantes 4,6% 60 anos ou mais. A idade mediana foi de 21,4 anos. A taxa de natalidade em 2021 foi de 47,8 nascimentos por habitantes, e a taxa de fertilidade de 5,9 nascimentos por mulher em 2021. A taxa bruta de mortalidade em 2021 foi de 9,2 mortes por habitantes. A expectativa de vida no nascimento é de 58,94 (60,33 para os homens e 57,6 para as mulheres). Mali tem uma das taxas de mortalidade infantil mais altas do mundo (97,9/mil nascidos vivos).

thumbnail|150px|Uma menina bozo em Bamaco A população do Mali abrange vários grupos étnicos subsaarianos. Os bambaras são de longe o maior grupo étnico único, constituindo 36,5% da população.

Coletivamente, os bambaras, soninquês, cassonquês e mandingas (também chamados mandinca), todos parte do grupo mais amplo mandês, constituem 50% da população do Mali. Outros grupos significativos são os fulas (17%), voltaic (12%), songais (6%) e tuaregues e mouros (10%). No Mali, assim como no Níger, os mouros também são conhecidos como árabes de Azawagh, em homenagem à região de Azawagh no Saara. Eles falam principalmente o árabe hassani, que é uma das variedades regionais do árabe.Popenoe, Rebecca (2003) Feeding Desire – Fatness, Beauty and Sexuality among a Saharan People. Routledge, London. pp. 16–17.

No extremo norte, há uma divisão entre as populações nômades tuaregues descendentes de berberes e os bellas ou tamaxeques, de pele mais escura, devido à expansão histórica da escravidão na região.

Estima-se que 800 mil pessoas no Mali são descendentes de escravos. A escravidão no Mali persistiu por séculos. A população árabe manteve escravos até o século 20, quando a escravidão foi suprimida pelas autoridades francesas em meados do século 20. Ainda persistem certas relações de servidão hereditária,"Kayaking to Timbuktu, Writer Sees Slave Trade ". National Geographic News. 5 December 2002."Kayaking to Timbuktu, Original National Geographic Adventure Article discussing Slavery in Mali ". National Geographic Adventure. December 2002/January 2003. e de acordo com algumas estimativas, ainda hoje aproximadamente 200 mil malianos ainda são escravizados.

Alguns descendentes mistos de europeus/africanos muçulmanos de origem espanhola, francesa, irlandesa, italiana e portuguesa vivem no Mali, onde são conhecidos como o povo arma (0,4% da população do país).

+ Evolução do IDH entre 1975 e 2023 Ano 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2006 2007202120222023 IDH 0,252 0,279 0,292 0,312 0,346 0,386 0,380 0,391 0,3710,4280,4100,419

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