O Riachuelo foi um navio de guerra do tipo encouraçado de esquadra, também denominado couraçado de torre ou, simplesmente, couraçado. Operou tanto na Armada Imperial Brasileira quanto na Marinha do Brasil, após a Proclamação da República. Construído nos estaleiros Samuda & Brothers, no Reino Unido, fazia parte do projeto brasileiro de aquisição de modernos navios couraçados e foi incorporado à armada em 19 de agosto de 1884. Com deslocamento máximo de cerca de 6 100 toneladas, possuía duas torres de artilharia, cada uma equipada com dois canhões pesados de 9 polegadas, além de uma bateria secundária de seis canhões de 5,5 polegadas (140 mm). À época de sua construção, era um dos mais avançados navios de guerra do mundo.

Entre 1884 e 1885, o Riachuelo integrou a Esquadra de Evoluções, considerada o núcleo mais moderno da armada imperial. Após a Proclamação da República, o Riachuelo escoltou o paquete Alagoas, que transportou a Família Imperial para o exílio. Em 1891, sua oficialidade aderiu ao movimento naval que culminou na renúncia de Deodoro da Fonseca. Em 1893, o encouraçado seguiu para a Europa para ser modernizado e encontrava-se fora do país durante a Revolta da Armada de 1893–1894.

Entre suas principais missões, destacam-se o transporte do presidente Campos Sales em visita oficial à Argentina, em 1900, e o deslocamento do Contra-Almirante Huet de Bacellar à Europa, em 1907, para acompanhar a construção e o recebimento dos novos encouraçados Minas Gerais e São Paulo. O Riachuelo foi desativado em 1910.

Construção Em meados de 1880, o então Ministro da Marinha, o almirante José Rodrigues de Lima Duarte, apresentou um relatório à Assembleia Legislativa sobre a urgência de se modernizar a Marinha Imperial, com a adoção de então modernos navios encouraçados. O almirante desejava a aquisição destes tipos de navios a fim de valer a posição que o império tinha naquele período perante outras nações marítimas.

O encouraçado foi construído pelos estaleiros da Samuda & Brothers, no Reino Unido. A sua quilha foi batida em 31 de agosto de 1881, tendo sido lançado ao mar em 7 de junho de 1883 e incorporado à Armada Imperial Brasileira em 19 de agosto de 1884. À época, foi considerado o mais poderoso navio de guerra do hemisfério ocidental. O seu primeiro comandante foi o capitão de mar e guerra Eduardo Wandenkolk – mais tarde Primeiro Ministro da Marinha, após a Proclamação da República Brasileira. Deve seu nome à Batalha Naval do Riachuelo, travada em 11 de junho de 1865. Assim que chegou ao Brasil, tendo aportado ao Rio de Janeiro, então capital do Império, em 13 de novembro de 1884, a embarcação foi subordinada à Esquadra de Evoluções, sob o comando do Almirante Barão de Jaceguai, entre os anos de 1882 e 1885.esquerda|miniaturadaimagem|Desenho do RiachueloA Comissão Naval designada para acompanhar a construção e receber o Riachuelo e Aquidabã, outro encouraçado de características semelhantes, foi presidida pelo Contra-Almirante José da Costa Azevedo, assessorado pelo Engenheiro Naval Trajano Augusto de Carvalho. A introdução do Riachuelo representou uma significativa vantagem no poderio militar da frota brasileira. Quando terminado, era um dos mais avançados navios de seu tempo, além de um modelo em seu gênero. Além disso, a aquisição do Riachuelo e Aquidabã fez da marinha brasileira a mais poderosa do hemisfério ocidental. Sobre isso, Hilary Abner Herbert, chefe do comitê de assuntos navais da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, alertando o congresso americano em 1883, comentou: "Se toda essa nossa marinha velha fosse colocada em um arranjo de batalha no meio do oceano e confrontados com o Riachuelo, é duvidoso que uma única embarcação portando a bandeira americana voltasse ao porto". A preocupação norte-americana com a construção do Riachuelo levou o congresso a deliberar sobre a situação em que se encontrava a frota do país. De fato, o encouraçado brasileiro influenciou os Estados Unidos a desenvolverem navios que pudessem fazer frente às outras potências, como o USS Maine e o USS Texas, os primeiros navios capitais de sua marinha.

Características O Riachuelo era feito de aço trabalhado em forno Siemens-Martin, com o metal recobrindo o casco com duas camadas de seis polegadas e forrado externamente com cobre. O navio era dividido em 58 compartimentos estanques e fundo duplo subdividido em dezesseis compartimentos. A roda de proa, cadaste e o leme foram construídos em bronze; couraça do casco de face acerada, constituída por uma cinta de 250 pés (76 metros) de extensão de 11 polegadas (279 milímetros) a meio comprimento do costado, onde protegia as máquinas, caldeiras e paióis, sendo no comprimento restante reduzida a 10 polegadas (254 milímetros) de espessura e na parte submersa do casco uma parte com 10 (254 milímetros) e outra com 7 polegadas (178 milímetros).

Nos extremos do casco, havia uma couraça inclinada de 3 polegadas (76 milímetros) com 15 graus de inclinação. Deslocava 6 100 toneladas, tinha 97,72 metros de comprimento, 15,25 metros de boca, 5,94 metros de calado e um pano envergado junto à barca. O armamento principal consistia em quatro canhões pesados de retrocarga de 9 polegadas, instalados aos pares em duas torres dispostas en echelon. As peças haviam sido originalmente encomendadas à Whitworth, mas foram posteriormente modificadas segundo o sistema Armstrong. A bateria secundária era composta por seis canhões de 5,5 polegadas (140 mm). O armamento era complementado por quinze metralhadoras e cinco tubos lança-torpedos. A tripulação constituía-se de 350 homens.

História thumb|O couraçado Riachuelo (O Occidente, 1894) O Riachuelo zarpou da Inglaterra no dia 20 de setembro de 1884, fazendo escala em Lisboa, e atracou no Rio de Janeiro em 13 de novembro. Antes de sua saída da Europa, o encouraçado havia sido incorporado à Esquadra de Evoluções, em 19 de agosto, o núcleo mais moderno da armada em propulsão, artilharia e torpedos, que ficou sob o comando do chefe de esquadra Artur Silveira de Motta. O Riachuelo tornou-se, assim, um dos dezesseis navios da esquadra (os encouraçados , e Javary; os cruzadores híbridos e ; as corvetas oceânicas , Barroso e ; as torpedeiras de 1.ª Classe (50 t) 1, 2, 3, 4 e 5 e as torpedeiras de 4.ª Classe (50 t) , e ). O objetivo desta divisão era o aperfeiçoamento das táticas de batalha e treinamento avançado, além de exibir o poder naval brasileiro. Neste período, a Marinha chegou a ser a quinta maior do mundo. No dia 28 de agosto, recebeu o distintivo número 1. Ainda em 1884, após sua chegada ao Brasil, o encouraçado juntou-se à esquadra.

No dia 17 de novembro de 1889, o Riachuelo foi destacado para escoltar o paquete , navio que levou a Família Imperial Brasileira ao exílio na Europa, após a Proclamação da República. O encouraçado, comandado pelo capitão-tenente Alexandrino Faria de Alencar, acompanhou o Alagoas até a linha do Equador. Na viagem, D. Pedro II irritou-se com com a baixa velocidade do Riachuelo, que obrigava o Alagoas, muito mais rápido, a diminuir seu ritmo ou até mesmo navegar em círculos para não deixar sua escolta para trás. Em 14 de janeiro de 1890, o encouraçado partiu do Rio de Janeiro, com o ministro Quintino Bocaiuva a bordo, para Buenos Aires. O ministro tinha por objetivo assinar o Tratado de Limites firmado com a Argentina. O acordo foi assinado na cidade uruguaia de Montevideo, em 25 de janeiro de 1890. Esse tratado foi posteriormente rejeitado pelo congresso brasileiro.

Em 1891, a oficialidade do Riachuelo aderiu ao movimento naval que culminou na renúncia do presidente Deodoro da Fonseca. Dois anos depois, em 9 de agosto de 1893, o encouraçado partiu para a Europa, sob o comando do capitão de mar e guerra João Justino de Proença, para ser submetido a uma ampla modernização. Quando eclodiu a Revolta da Armada de 1893–1894, o Riachuelo encontrava-se na Europa e não participou do conflito. Entre 1893 e 1895, permaneceu nos estaleiros da Forges et Chantiers de la Méditerranée, em Toulon, onde passou por diversas modificações que aumentaram seu poder fogo, além de ter recebido dois pesados mastros militares que lhe deram maior estabilidade. Nesse período, em 1894, o governo brasileiro assinou um contrato com o engenheiro francês Claude Goubet, a bordo do encouraçado, para a construção de um submarino de oito metros de comprimento. A tripulação seria composta por um oficial e dois praças do próprio Riachuelo. Se concretizado, seria a primeira tentativa brasileira em adquirir um navio desse tipo. A construtora acabou por nunca ter cumprido o contrato e o submarino permaneceu apenas como projeto.

esquerda|miniaturadaimagem|Riachuelo em 1907|300x300px Após testes de máquinas para avaliar seu desempenho, o Riachuelo voltou ao Brasil novamente como nau capitânia da Esquadra e, em 1900, capitaneou um grupo-tarefa designado para levar o presidente Campos Sales em visita oficial à Argentina, acompanhado pelos cruzadores e . Esse grupo-tarefa ficou conhecido como "Divisão Branca". Em 1907 realizou a sua última missão importante, conduzindo a bordo a Comissão Naval Brasileira, presidida pelo contra-almirante Huet de Bacellar, designada para acompanhar a construção e receber os novos encouraçados encomendados dentro do Plano Naval de 1906: os encouraçados e . No mesmo ano, o encouraçado participou do evento da Revista Naval Internacional de Hampton Roads, nos Estados Unidos, em conjunto novamente com os cruzadores Barroso e Tamoio. O Riachuelo foi desativado de forma definitiva em 28 de março de 1910 e seguiu a reboque para um desmanche na Europa, porém, acabou por naufragar durante um violento temporal antes de chegar ao destino.

Ver também Lista de encouraçados do Brasil Riachuelo (encouraçado de 1914)

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