Alexandra Carolina Maria Carlota Luísa Júlia (nome completo em dinamarquês: Alexandra Carolina Marie Charlotte Louise Julia; Copenhaga, 1 de dezembro de 1844 — Sandringham, 20 de novembro de 1925) foi Rainha Consorte do Reino Unido e dos Domínios Britânicos, e Imperatriz da Índia, de 22 de janeiro de 1901 a 6 de maio de 1910 como esposa do rei-imperador .
A família de Alexandra era relativamente desconhecida até o seu pai, o príncipe Cristiano de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo, ser escolhido para suceder ao seu primo distante, o rei . Aos dezesseis anos, a princesa foi escolhida para futura esposa de Alberto Eduardo, Príncipe de Gales, herdeiro da rainha Vitória do Reino Unido, tendo contraído matrimónio dezoito meses depois, em 1863, o mesmo ano em que o seu pai se tornou rei da Dinamarca e o seu irmão foi escolhido para se tornar rei da Grécia. Alexandra foi princesa de Gales entre 1863 e 1901, sendo até hoje a pessoa que mais tempo deteve este título. Tornou-se geralmente popular e o seu estilo e porte foram imitados por quase todas as mulheres britânicas da época. Apesar de ser excluída de qualquer actividade política, a princesa tentou sem sucesso influenciar alguns ministros britânicos e a família do marido a favor de interesses gregos e dinamarqueses. As suas funções de estado limitavam-se a trabalhos de caridade que não causassem demasiado escândalo.
Após a morte da rainha Vitória em 1901, o seu marido tornou-se o rei Eduardo VII, imperador da Índia e Alexandra passou a ser a sua rainha e imperatriz consorte. Desde a morte de Eduardo em 1910 até sua própria morte, foi rainha-mãe do Reino Unido, sendo mãe do rei . Não confiava no seu sobrinho, o imperador e deu total apoio ao seu filho durante a Primeira Guerra Mundial que colocou a Grã-Bretanha contra o Império Alemão.
Família e infância miniaturadaimagem|esquerda|220px|Alexandra (esquerda), quando criança, com a sua irmã Dagmar A princesa Alexandra Carolina Maria Carlota Luísa Júlia ou Alix, como a família mais chegada lhe chamava, nasceu no Palácio Amarelo, um palacete citadino do século XVIII localizado ao lado do Palácio de Amalienborg em Copenhaga.Eilers, Marlene A., Queen Victoria's Descendants, p. 171. O seu pai era o príncipe Cristiano de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo e a sua mãe a princesa Luísa de Hesse-Cassel.Montgomery-Massingberd, Hugh (ed.) (1977). Burke's Royal Families of the World, Volume 1. (London: Burke's Peerage). ISBN 0-220-66222-3. pp. 69–70. Apesar de ter sangue real,Os seus pais eram ambos bisnetos do rei Jorge II da Grã-Bretanha. a sua família vivia uma vida relativamente normal. Não eram muito ricos, o rendimento do seu pai vinha da comissão no exército e era de oitocentas libras por ano e viviam numa casa emprestada pela coroa dinamarquesa.Duff, pp. 16–17. Por vezes o escritor Hans Christian Andersen era convidado ao palácio para ler histórias às crianças antes de elas irem dormir.Duff, p. 18.
miniaturadaimagem|220px|Alexandra da Dinamarca (sentada ao centro) com os irmãos, Dagmar, Frederico, Tira e Jorge, em 1858 Em 1848, o rei morreu e o seu único filho, Frederico, subiu ao trono. Frederico não tinha filhos apesar de se ter casado duas vezes, pelo que se assumia que fosse infértil. Iniciou-se então uma crise de sucessão, visto que Frederico reinava tanto na Dinamarca como nos ducados de Eslésvico-Holsácia e estes tinham leis de sucessão distintas. Em Holsácia, a lei sálica impedia que o trono fosse herdado através da linha de sucessão feminina enquanto que na Dinamarca não havia qualquer impedimento nesse sentido. Holsácia, sendo um ducado predominantemente alemão, queria a independência e pediu ajuda à Prússia. Em 1852, as grandes potências convocaram uma conferência em Londres para discutir a sucessão dinamarquesa. Foi assinado um tratado de paz pouco seguro que inclua a garantia de que Cristiano seria o herdeiro de Frederico e que todos os outros membros da família real dinamarquesa que tivessem direitos de sucessão teriam de desistir deles.Battiscombe, p. 8.Maclagan, Michael; Louda, Jiří (1999). Lines of Succession (London: Little, Brown). ISBN 0-85605-469-1. p. 49.
O príncipe Cristiano recebeu o título de príncipe da Dinamarca e a sua família mudou-se para uma nova residência oficial, o Palácio de Bernstorff. Apesar do estatuto da família ter aumentado, houve pouca diferença nos seus rendimentos e não frequentavam a corte em Copenhaga, visto que os pais de Alexandra se recusavam a conhecer a terceira esposa e antiga amante do rei Frederico, Louise Rasmussen, por esta ter um filho ilegítimo do seu antigo amante.Duff, pp. 19–20. Alexandra partilhava um quarto no sótão com a sua irmã mais nova, Dagmar, que depois se tornaria imperatriz da Rússia, fazia as suas próprias roupas e punha a mesa com a ajuda das suas irmãs.Priestley, p. 17. Foi em Bernstorff que Alexandra se tornou uma jovem mulher, aprendendo a falar inglês com aulas de um capelão britânico e teve a sua cerimónia de confirmação no Palácio de Christiansborg.Duff, p. 21. Alexandra sempre foi muito religiosa e continuaria a sê-lo por toda a sua vida, preferindo a doutrina litúrgica mais conservadora.Battiscombe, pp. 125, 176. Alexandra teve aulas de natação na companhia da sua irmã Dagmar dadas pela sueca Nancy Edberg, uma pioneira na natação feminina.Idun (1890): Nr 15 (121)
Casamento e família miniaturadaimagem|esquerda|250px|A chegada de Alexandra ao Reino Unido, em 1863 A Rainha Vitória e o seu marido, o Príncipe Alberto, estavam à procura de uma noiva para o seu filho e herdeiro, Alberto Eduardo, Príncipe de Gales. Tinham feito uma lista de princesas disponíveis com a ajuda da sua filha, a Princesa Vitória da Prússia, e procuravam a candidata ideal. Alexandra não foi a sua primeira escolha, visto que os dinamarqueses estavam de costas voltadas para os prussianos e por extensão para todos os estados germânicos por causa da questão de Eslésvico-Holsácia e a grande maioria dos parentes da família real britânica eram ou tinham origens germânicas. Contudo, depois de Eduardo ter rejeitado todas as outras candidatas da lista, o casal acabou por decidir que ela era "a única que pode ser escolhida".Príncipe Alberto citado em Duff, p. 31.
Em 24 de setembro de 1861, a Princesa Vitória apresentou o seu irmão Eduardo a Alexandra em Speyer, mas só um ano depois, em 9 de setembro de 1862, depois do seu caso com Nellie Clifden e a morte do Príncipe Alberto, é que Eduardo pediu Alexandra em casamento no Castelo Real de Laeken, casa do seu tio-avô Leopoldo I da Bélgica.Battiscombe, pp. 27–37, Bentley-Cranch, p. 44, and Duff, p. 43.
Alguns meses depois, Alexandra viajou para o Reino Unido a bordo do iate real Victoria and Alber II e chegou a Gravesend, Kent, em 7 de março de 1863.The Landing of HRH The Princess Alexandra at Gravesend, 7th March 1863, National Portrait Gallery Sir Arthur Sullivan compôs uma música para a sua chegada e Alfred Tennyson, poeta laureado, escreveu um ode em honra de Alexandra:
Alexandra e Eduardo casaram-se em 10 de março de 1863 na Capela de São Jorge no Castelo de Windsor, sendo a cerimônia celebrada pelo Arcebispo da Cantuária, Thomas Longley.As suas damas-de-companhia foram Diana Beauclerk, Victoria Montagu-Douglas-Scott, Victoria Howard, Elma Bruce, Agneta Yorke, Emily Villiers, Eleanor Hare and Feodora Wellesley. A escolha da igreja foi criticada pela impressa, (por se localizar fora de Londres, a maioria dos habitantes não pôde assistir ao espectáculo), pelos convidados (era um local de difícil acesso e demasiado pequeno, além do fato de muitos membros de famílias reais europeias que esperavam ser convidados não o serem) e pelos dinamarqueses, visto que apenas a família mais chegada de Alexandra foi convidada. A Corte ainda estava de luto pelo príncipe Alberto, por isso as senhoras convidadas só puderam vestir-se de cinzento, lilás ou malva.Duff, pp. 48–50. À medida que o casal deixava Windsor para a sua lua-de-mel na Casa Osborne, na ilha de Wight, foram aclamados pelos alunos de Eton College que ficava perto. Entre eles encontrava-se lorde Randolph Churchill.Duff, p. 60
No final do ano seguinte, o pai de Alexandra tinha ascendido ao trono da Dinamarca, seu irmão Jorge tinha-se tornado Rei da Grécia, sua irmã Dagmar ficou noiva do Czarevich da RússiaDagmar esteve primeiro noiva do Czarevich Nicolau, mas depois da morte deste acabaria por se casar com o irmão Alexandre. e Alexandra tinha dado à luz o seu primeiro filho. A ascensão do seu pai ao trono deu início a mais conflitos sobre o destino de Eslésvico-Holsácia. A Confederação Alemã conseguiu invadir a Dinamarca com sucesso, reduzindo a área do país em dois quintos. Para grande irritação da Rainha Vitória e da Princesa Herdeira da Prússia, Alexandra e Eduardo apoiaram os dinamarqueses durante a guerra. A conquista prussiana de antigas terras dinamarquesas ajudou a aumentar seu ódio natural por alemães, um sentimento que duraria por toda a vida.Purdue, A. W. (September 2004). "Alexandra (1844–1925)", Oxford Dictionary of National Biography, Oxford University Press, doi:10.1093/ref:odnb/30375
O primeiro filho de Alexandra, o príncipe Alberto Vítor, nasceu dois meses antes do previsto, no início de 1864. Alexandra era muito dedicada aos seus filhos: "Não havia momento em que ela estivesse tão feliz como quando podia correr para o quarto das crianças, vestir uma camisa de flanela, dar banho aos filhos e vê-los adormecer nas suas caminhas."Mrs. Blackburn, a ama principal, citada Duff, p. 115. Eduardo e Alexandra tiveram seis filhos ao todo: Alberto Vitor, Jorge, Luísa, Vitória, Maud e Alexandre João. Aparentemente todos eles nasceram antes do tempo, mas o biógrafo Richard Hough defende que Alexandra teria dado as datas erradas à rainha Vitória deliberadamente para que ela não estivesse presente durante os partos.Hough, p. 116. Durante o nascimento da sua filha Luísa em 1867, houve complicações no parto quando Alexandra adoeceu com febre reumática, algo que lhe ameaçou a vida e a deixou permanentemente coxa.Battiscombe, pp. 82–86, and Duff, pp. 73, 81.
Em público, Alexandra era digna e encantadora, em privado, afetuosa e alegre.Battiscombe, pp. 127, 222–223. Gostava de praticar muitas atividades, incluindo a dança e a patinagem no gelo, mas também era uma amazona experiente. Também gostava de caçar, algo que incomodava a rainha Vitória que lhe pediu para parar, mas sem qualquer sucesso.Hough, p. 102. Mesmo depois do nascimento do seu primeiro filho, Alexandra continuou a socializar tanto como antes, o que levou a algum conflito entre ela e a rainha que foi alimentado pelo seu ódio pela Prússia.
Princesa de Gales miniaturadaimagem|esquerda|250px|A Princesa de Gales em 1872 Alexandra e Eduardo visitaram a Irlanda em abril de 1868. Depois da doença que a tinha afetado no ano anterior, Alexandra tinha começado a caminhar pouco antes sem a ajuda de duas bengalas e já estava grávida do seu quarto filho.Battiscombe, p. 94. O casal real iniciou uma viagem pela Áustria, o Egito e a Grécia que durou entre 1868 e 1869, incluindo visitas ao seu irmão, o rei Jorge I da Grécia, aos campos de batalha da Crimeia e, só no caso de Alexandra, ao harém de Ismail Paxá. No Império Otomano, a Princesa de Gales tornou-se a primeira mulher a jantar na companhia do sultão Abdulazize.Duff, pp. 93–100.
miniaturadaimagem|220px|Alexandra com filhos em 1883