São João do Caru é um município brasileiro do estado do Maranhão. Sua população em 2022 era de 12.251 habitantes.G1 MA. População de São João do Carú (MA) é de 12.251 pessoas, aponta o Censo do IBGE. Disponível em: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2023/06/28/populacao-de-sao-joao-do-caru-ma-e-de-12-251-pessoas-aponta-o-censo-do-ibge.ghtml. Acesso em: 05 de janeiro de 2025.
História Os primeiros exploradores começaram a chegar no início da década de 60 e eram caçadores que passavam semanas nas proximidades do rio Caru onde hoje é a praia dos festivais e percorriam veredas abertas onde atualmente é a rua Getúlio Vargas, no entanto, não fixaram morada pois ano após ano seguiam o curso rio acima, deixando suas marcas como cabanas abandonadas, limoeiros que nasceram das sementes que os mesmo jogavam fora, inclusive após o início do povoamento, o caminho deixado por eles era chamado de vereda do limão, hoje chamada de rua Getúlio Vargas, ficando no entanto parte da rua conservando esse nome, a rua do Limão.
No dia 17 de julho de 1966, deu-se início ao povoado de São João do Carú, através de seus fundadores: José Leondidas Siqueira e seu irmão Aldenor Leondidas Siqueira, procedentes do povoado Barra do Carú. Chegaram na região para trabalhar em roças e exploração da caça e da pesca. A chegada de outras famílias aconteceu logo no ano seguinte e foram elas, a família do Senhor Faroal Leondidas Siqueira, Raimundo Nonato Siqueira, José Grande, Francisco Leonor, João Calado e também o senhor Caetano.
Há ainda o histórico da passagem aqui pela região, no início da década, dos senhores Carlos Gomes e Caetano, que trabalhavam no local onde hoje é o povoado Seringal e que aqui sempre pernoitavam em cabanas sempre que estava de passagem.
Em 1965 o Senhor Aldenor Leondidas Siqueira acompanhado de outros caçadores oriundos do povoado Barra do Carú, aqui aportaram com o intuito de caçar, pescar e quebrar coco babaçu, permaneceram por alguns dias e após explorar a região, o Sr. Aldenor chegou à conclusão de que esse era um lugar bom para se viver e decidido, chegando de volta à Barra do Caru, convocou aos parentes e vizinhos para se mudarem para o local por ele descoberto e que considerava ideal para uma nova povoação. Um ano após, muitos tinha mudado de ideia, assim, em 17 de julho de 1966 às 14:30h chegaram os primeiros moradores desse novo povoado, o Senhor Aldenor Leondidas Siqueira, sua esposa Joana Fernandes de Oliveira e seu irmão José Leônida Siqueira. No ano seguinte chegaram outras famílias dentre elas, a família do Senhor Faroal Leonidas Siqueira, do Senhor Raimundo Nonato Siqueira, e do Senhor José Grande.
Como o objetivo era sobreviver da prática da agricultura dentre outras atividades, lavraram suas primeiras roças de arroz que ficavam exatamente onde hoje é a rua do comércio, que se estendiam desde a esquina da rua do porto onde fixaram sua moradia.
Nessa época, os índios tinham migrado para dois pontos: às margens do rio Caru, hoje porto Franco e as margens do rio Turi por causa da chegada dos colonizadores, e com o aumento significativo da população, consequências terríveis se tornaram inevitáveis, um surto de gripe acometeu aos índios que tinham se adaptado ao contato com os moradores do povoado, e com o isolamento e distância para os povoados mais próximos, morreram centenas de índios chegando a dizimar famílias inteiras. Com a interferência de um casal de antropólogos, Fiorelo e Valéria Aparício, conseguiram capturar e salvar da morte alguns índios, dentre eles os jovens Iapó Guajá e Jeí Guajá.
A princípio, o nome do povoado era Igarapé São João, visto está próximo ao igarapé em cujas margens era abundante uma árvore chamada são-joão (que nomeou inicialmente ao igarapé e logo em seguida ao povoado). Só mais tarde passaram a denominar São João do Caru, por causa do rio Caru e sua importância para a população. Quanto ao igarapé São João, nessa época importante pela grande quantidade de peixes, era profundo e suas águas eram usadas para o consumo e para lavar roupa, hoje, nem parece que teve tamanha importância para a população caruense, pelo desprezo com que é tratado.
As viagens eram feitas de canoa e levavam em média quatro dias para o destino final que quase sempre era Alto Alegre do Pindaré. O rio ainda pouco explorado parecia uma estreita vereda envolta em muitas árvores. Com o tempo, após a retirada do excesso de árvores foi possível o tráfego de barcos movidos a motor. Como na época os barcos eram pequenos e descobertos, receberam o apelido de “periquito pelado”.
Uma atividade econômica que gerava renda para muitas famílias além da agricultura era a extração de madeira. Toras gigantes de cedro eram empurradas rio abaixo e seguidas por canoas até chegarem ao rio Pindaré, quando eram atreladas em forma de balsa e conduzidas até um local próximo ao povoado Bambu, município de Pindaré, chamado Aterro, onde eram comercializadas. Todo o percurso entre São João do Caru e Aterro levava meses para ser concluído. O cedro antes abundante nessa região, infelizmente hoje está extinta.
Fatos marcantes ocorreram no desenrolar da história deste recém-criado povoado, como a tão famosa história do nambu contada pelos antigos moradores. O fato ocorreu em 1970 e um dos envolvidos, irmão do Senhor Aldenor, o Senhor Faroal, tornou-se vítima de um ato impensado que manchou de sangue a nossa história. O senhor Manoel Domingos criava um nambu, vindo o mesmo e ser devorada por um gato de propriedade do senhor Faroal. Houve o desentendimento e consequentemente a morte do Senhor Farol por tiros de espingarda desferidos pelo ressentido Senhor Manoel Domingos.
Em 1978 na administração do senhor Miguel Meireles, prefeito de Bom Jardim, foi construído a estrada vicinal que liga São João do Caru à sede do município, atual MA 318, (mudou apenas o nome, a estrada continua a mesma, sem asfalto e sem tráfego no período das chuvas). Um episódio marcou a finalização da construção: quando o trator que abria a estrada entrava em São João do Caru, trazia um senhor chamado Manoel Cândido que vinha soltando fogos, alegre com a chegada da estrada, acontece que o trator entrou em uma vala, o homem caiu e o trator tombou sobre ele, que morreu minutos depois.
O Senhor José Abreu de Oliveira instalou moradia fixa no pequeno povoado de São João do Caru em 1970 aos 35 anos de idade e acabou exercendo importante papel na pacificação do povoado que com a distância, o isolamento e o crescimento da população acabava cedendo espaço à violência, assim o Senhor Marinheiro, primeiro delegado do povoado, era procurado para resolver os problemas que surgiam e graças às suas qualidades de homem íntegro e respeitável, acabava aconselhando e pacificando as partes envolvidas. O mesmo foi eleito vereador em 1976 pelo município de Bom Jardim, chegando a ser o segundo vereador mais votado em todo o município, trazendo para São João do Caru benefícios tão necessários para o crescimento do povoado como escolas, pontes, mercado, posto de saúde dentre outros. Devido perseguições políticas, em 1978 partiu para a cidade de Vila Rondon-PA, retornando em 1993 e lutando bravamente pela emancipação do povoado, elegeu-se vereador já pelo recém-criado município de São João do Caru fazendo parte da mesa diretora da primeira composição da Câmara Municipal de Vereadores como Vice-Presidente. Faleceu em 30 de setembro de 2003 deixando um rastro de muita luta, conquistas e dedicação ao município de São João do Caru, cidade que escolheu como terra-mãe.
Com o passar dos anos, com a chegada de pessoas, foram surgindo os problemas, principalmente o da violência. Foram vários assassinatos que que envolviam as pessoas da comunidade e deixaram marcas profundas nos entes queridos e no povoado como um todo. O primeiro fato marcante na história deste povoado e agora cidade, foi o assassinato do Sr. Faroal, no ano de 1970. Sendo ele irmão dos fundadores e também pioneiros na região, foi grande a repercussão do caso, principalmente pela insignificância do motivo que envolveu as partes. Foi apenas o fato de que o Sr. Manoel Domingos, possuía uma nambutona e a mesma ter sido devorado pelo gato do Sr. Faroal, daí surgia o conflito que resultou na morte com um tiro de espingarda, desferido pelo Sr. Manoel Domingos.
Dentre os vultos de nossa história podemos citar dois grandes guerreiros: O Senhor José Abreu de Oliveira, mais conhecido como Marinheiro e o Senhor José Rodrigues Neto, conhecido como Dedezão.
O Sr. José Abreu de Oliveira (Marinheiro) chegou com família em em São João do Caru no 1970, sendo que o mesmo passara 8 dias de viagens de Novo Caru para São João do Caru. O rio caru não dava condições de se desenvolver uma viagem com mais agilidade, pois o mesmo era de baixa profundidade, cheio de madeira e na época havia bastante quedas que impediam o bom desempenho da viagem.
Pertencendo na época ao município de Bom Jardim, São João do Caru, pouco sabia por parte das autoridades municipais, daí surgiu em 1976, o primeiro candidato a vereador escolhido pela própria comunidade, o Sr. José de Abreu Oliveira (Marinheiro), ele que foi o primeiro farmacêutico do município e agia também como uma espécie de conselheiro, pois quando tinha algum desentendimento entre os moradores, ele como um senhor que tinha o respeito de todos os moradores, as pessoas levavam até ele o caso para ser resolvido; e assim ele se elegeu com 95% dos Votos da comunidade, sendo assim o segundo mais votado em todo município de Bom Jardim. com o representante na Câmara Municipal o povoado começou a receber benefícios nunca antes recebidos como: colégios pontes, mercado, mini-posto de saúde, etc. O Sr. (Marinheiro) foi e sempre será um grande nome em São João do Caru.
Importância do Rio Caru O Rio Caru nasce na serra do Piracambu ao norte do município. É um rio permanente, tendo um longo período de cheia, período em que é grande o tráfego de transportes fluviais, como lanchas, canoas e rabetas que percorrem todo o seu curso.
De acordo com informações obtidas por antigos moradores, o rio Caru foi muito fértil, constando-se a diversidade e quantidade de peixe que garantiam a subsistência da população, além de atrair também pescadores de outras regiões que vinham a procura de peixe, em grande número naquela época, o Surubim, peixe muito apreciado pelo o paladar (Maranhense) brasileiro. Hoje, o rio já não conta mais com a mesma fartura que se encontrava há cerca de três ou quatro décadas atrás. A destruição do Rio Caru, vem se propagando cada vez mais, devido a ação desenfreada e impensada do homem que tem poluído aos poucos um recurso natural que é indispensável para a sua sobrevivência. Diariamente são jogadas quantidades significativas de lixo nas encostas do rio, detritos químicos que provêm de esgotos domésticos, além de derrubada da vegetação de suas margens e assoreamento das águas.
Emancipação Fica criado, pela Lei Nº 6.125, de 10 de novembro de 1994, o município de São João do Caru, com sede no Povoado São João do Caru, a ser desmembrado do município de Bom Jardim, subordinado à Comarca de Bom Jardim.
O município de São João do Caru limita-se ao Norte com o município de Governador Newton Bello; a Leste com o município de Bom Jardim; a Oeste com o município de Centro Novo do Maranhão e ao Sul com o município de Bom Jardim.
Elevado à categoria de município e distrito com a denominação de São João do Caru, pela lei estadual nº 6125, de 10-11-1994, desmembrado de Bom Jardim. Sede no atual distrito de São João do Caru ex-povoado. Constituído do distrito sede. Instalado em 01-01-1997.
Em divisão territorial datada de 15-07-1997, o município é constituído do distrito sede.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2005.
Geografia O município de São João do Carú possui uma extensão territorial de 910,065 quilômetros quadrados, ocupando a 110 posição entre os 217 municípios maranhenses em termos de área.