"Like a Virgin" é uma canção da artista musical estadunidense Madonna, contida em seu segundo álbum de estúdio de mesmo nome (1984). Foi composta por Tom Kelly e Billy Steinberg, e produzida por Nile Rodgers. A faixa foi originalmente escrita por Steinberg, que surgiu com a ideia para a obra inspirado em suas experiências pessoais; na época, ele estava vivendo nas vinhas de seu pai no Coachella Valley, e havia acabado de terminar um relacionamento emocionalmente desafiador, e conhecido alguém novo. O tema foi posteriormente desenvolvido com Kelly, que a apresentou para Michael Ostin, do departamento de artistas e repertório da Warner Bros. Records, para que decidissem qual artista deveria gravá-la. O profissional enviou-a para Madonna, que a aprovou de imediato. Após ser selecionado como o produtor do disco da cantora, Rodgers inicialmente rejeitou o número por achar que não tinha um gancho suficiente, mas mudou de opinião após ficar com a canção em sua cabeça.
Para a gravação da canção nos Power Station Studios em Manhattan, Nova Iorque, o engenheiro Jason Corsaro propôs a Rodgers o uso da gravação digital, uma nova técnica introduzida na época que ele acreditou ser o futuro da gravação musical. A performance vocal de Madonna foi influenciada pela demo, tendo os mesmos ad-libs presentes na original; ela, embora não precisasse, esteve presente durante todo o processo de gravação. Lançada em 6 de novembro de 1984 pelas gravadoras Sire e Warner Bros. como o primeiro single do disco, "Like a Virgin" é uma canção dance-pop que inclui dois ganchos. A voz da intérprete é ouvida em um alto registro, com um contínuo arranjo de baterias sendo ouvido junto com a linha do baixo. Seu conteúdo lírico é ambíguo e consiste em significados escondidos, podendo ser interpretado de diferentes formas.
A obra foi bem recebida criticamente, sendo frequentemente citada como uma das canções definitivas de Madonna. Comercialmente, tornou-se o primeiro número um da cantora na Billboard Hot 100, permanecendo no topo por seis semanas consecutivas, liderando também tabelas australianas, canadenses e japonesas e atingindo as dez primeiras colocações em uma série de países. O vídeo musical correspondente foi dirigido por Mary Lambert, com quem Madonna havia trabalhado anteriormente em "Borderline", e foi filmado em Veneza e Nova Iorque em julho de 1984. As cenas retratam a cantora andando por Veneza em uma gôndola, e andando por um palácio usando um vestido de casamento branco. Com a gravação, estudiosos notaram Madonna se retratando como uma mulher sexualmente independente, a semelhança de um rapaz usando uma máscara de leão com o de São Marcos, e a ligação entre o eroticismo do vídeo e a vitalidade de Veneza.
Madonna apresentou "Like a Virgin" no primeiro MTV Video Music Awards, de 1984 — performance considerada uma das mais icônicas da história da premiação —, e em quase todas as suas turnês, com exceção da Drowned World Tour (2001) e da Re-Invention Tour (2004). Regravada por vários artistas e inclusa em vários filmes, a canção teve ameças de banimento por grupos conservadores, que acreditavam que ela promovia sexo antes do casamento. Por outro lado, a figura pública de Madonna como uma mulher indomável, sem vergonha de sexo e confiante foi altamente aceita pela geração mais jovem, que passou a imitar seu estilo e moda. Críticos e acadêmicos creditam "Like a Virgin", juntamente com "Material Girl", como a canção que consolidou a cantora como um ícone da cultura pop.
Antecedentes e lançamento thumb|left|upright|"Like a Virgin" foi composta por Tom Kelly (imagem) e Billy Steinberg. "Like a Virgin" foi composta por Billy Steinberg e Tom Kelly. A ideia para a canção surgiu quando o primeiro estava vivendo nas vinhas de seu pai no Coachella Valley, e dirigindo uma caminhonete vermelha um dia. Em entrevista ao jornal Los Angeles Times, ele explicou que a faixa não foi escrita com Madonna ou qualquer outra cantora em mente, mas sim inspirada por suas experiências pessoais. Naquela época, Steinberg havia acabado de terminar um relacionamento emocionalmente desafiador e conhecido outra pessoa. Esses fatos inspiraram as primeiras letras de "Like a Virgin" — "Eu superei as dificuldades / De alguma forma eu superei isso" —, sobre como ele lidou com a difícil situação. Quando apresentou a obra para Kelly, eles decidiram que ela seria uma balada, porém não conseguiram concluir como a palavra "virign" se encaixaria nela. Ele elaborou: "Eu não estava apenas tentando encaixar aquela picante palavra virgem em uma letra. Eu estava dizendo (...) que talvez não seja um virgem — eu estava mal romanticamente e emocionalmente como muitas pessoas — mas estou começando um novo relacionamento e parece ser tão bom, está curando todas as feridas e me fazendo sentir como se nunca tivesse feito isso antes, porque é muito mais profundo do que qualquer coisa que eu já senti".
Ao tocar a linha do baixo da canção, Kelly interpretou as letras usando o seu falsete, ao que Steinberg decidiu que ela seria cantada desta forma. A demo também foi gravada desta forma, com Kelly nos vocais e Steinberg nos vocais de apoio. O primeiro convidou Michael Ostin, do departamento de artistas e repertório da Warner Bros. Records, para que fosse à sua casa ouvi-la. Os compositores apresentaram cerca de cinco músicas para Ostin, e focaram em discutir sobre "Like a Virgin", pois não tinham certeza sobre para qual artista ela seria mais adequada. Devido ao seu encontro marcado com Madonna no dia seguinte para discutir seu futuro segundo álbum, Ostin escolheu tocar a demo para ela, acreditando que as letras e o groove lhe seriam perfeitos. Ele lembrou: "Quando eu apresentei [a demo] para Madonna, ela enlouqueceu, e sabia instantaneamente que era uma canção para ela e que poderia fazer uma boa gravação dela". A música foi lançada em 6 de novembro de 1984, pelas gravadoras Sire e Warner Bros., seis dias antes do lançamento do disco homônimo. Em 2009, a cantora foi entrevistada por Austin Scaggs, da Rolling Stone, sobre suas primeiras impressões após ouvir as demos de "Like a Virgin" e "Material Girl". Ela respondeu:
Gravação thumb|right|"Like a Virgin" foi gravada nos Power Station Studios, em Manhattan, Nova Iorque, assim como todo o disco. Para o seu segundo álbum, Madonna quis ser uma das principais produtoras, sentindo a necessidade de controlar os vários aspectos de sua música, porém a Warner Bros. não estava pronta para lhe dar a liberdade artística desejada. Ela acabou escolhendo Nile Rodgers, inspirada pelo seu trabalho com David Bowie em Let's Dance (1983), recebendo a aprovação dos executivos da gravadora. Em meados de 1984, eles se encontraram nos Power Station Studios em Manhattan, Nova Iorque, onde todo o disco foi gravado. Inicialmente, o produtor não queria que Madonna gravasse "Like a Virgin", pois sentiu que a linha "como uma virgem" não era um gancho terrível; de acordo com ele, esta não era uma frase grudenta atemporal. Rodgers não gostou da obra após ouvir a demo, opinando que ela parecia "muito estúpida e retardada". Posteriormente, porém, ele teve outros pensamentos: "É estranho porque eu não consegui tirá-la da cabeça após tocá-la, mesmo não tendo gostado dela. Ela parecia muito grudenta para mim, mas acabou crescendo em mim. Eu comecei a gostar dela. [...] Mas a minha primeira reação foi, 'isso é muito estranho'". Rodgers creditou Madonna por reconhecer o potencial da canção, comentando: "Eu pedi desculpas a ela [...] e disse: 'Sabe, se é tão cativante ao ponto deu ficar com isso na minha cabeça por quatro dias, então algo [de especial] deve ter. Então vamos lá". Depois de Rodgers aprovar a canção, ela foi finalmente gravada. Steinberg refletiu sobre o processo de gravação, comentando:
Jason Corsaro, engenheiro de áudio da canção e também do disco, convenceu Rodgers a utilizar a gravação digital, uma nova técnica introduzida na época que ele acreditou ser o futuro da gravação, pois as pressões de teste sempre soavam de forma consistente. Para assegurar isso, Corsaro usou uma fita de gravação digital Sony 3324 de 24 faixas e uma Sony F1 de duas faixas para a mixagem de 12 bits. Madonna gravou as partes principais em uma pequena sala de piano amadeirada e de teto alto na parte de trás do Studio C, também conhecida como a "sala R&B" do Power Station Studios. Corsaro posicionou berimbais ao redor da cantora, usando também a cápsula do topo de um tubo de microfone estério AKG C24, com um pré-amplificador de microfone Schoeps e um equalizador Pultec. Após "Like a Virgin" ser recebida com aprovação geral, Robert Sabino adicionou as partes do teclado, tocando principalmente um Sequential Circuits Prophet-5, além de notas do piano Rhodes e de piano acústico, enquanto Rodgers também tocou um synclavier. Madonna, embora não precisasse, esteve presente em todo o processo das sessões de gravação e de mixagem, conforme explicado por Corsaro para a Sound on Sound: "Nile estava lá em boa parte do tempo, mas ela estava lá o tempo todo. Ela não saía".
Composição
Pertencente ao gênero dance-pop, a introdução de "Like a Virgin" é composta por dois refrões. De acordo com a partitura publicada no Musicnotes.com, pela Alfred Publishing, música tem uma fórmula de compasso 4/4 e é tocada em um ritmo de 118 batidas por minuto. É composta na clave de fá maior e o registro vocal de Madonna, bastante agudo, varia da nota sol3 para dó5. Segundo Rikky Rooksby, autor do livro The Complete Guide to the Music of Madonna, a linha de baixo da introdução, é uma reformulação do baixo leitmotiv de três notas presente na canção "I Can't Can't Myself (Sugar Pie Honey Bunch)" (1965 ), de Four Tops, e também é semelhante a "Billie Jean" (1983), de Michael Jackson, especialmente na segunda estrofe. Madonna canta em seu registro agudo, enquanto o arranjo de bateria de Tony Thompson pode ser ouvido junto com a linha de baixo que é acompanhada pelos sintetizadores, dando-lhe uma progressão circular através de todos os sete acordes diatônicos I–IV–VIIº–III–VI–II–V–I.
Quanto à letra, de uma forma geral, pode-se dizer que é uma ode a um amante que a faz sentir-se 'renovada' após um encontro sexual. Madonna comentou: "Gosto de insinuações, ironia e a maneira como as coisas podem ser levadas a outros níveis". Segundo Rooksby, essa afirmação destacou a ambiguidade da letra, principalmente por causa do uso da palavra "como" na música. O autor também interpretou o significado da obra de diferentes maneiras. Ele disse que, para as mulheres realmente virgens, o sujeito as aconselha a manter a calma antes do primeiro ato sexual, enquanto as que têm experiência, ele diz que podem reviver os sentimentos que tiveram em seu primeiro relacionamento novamente. Quanto aos homens, o autor mencionou que a música apresenta uma imagem narcisista deles, pois eles podem fazer uma mulher esquecer seus encontros anteriores e viver sua sexualidade como se fosse a primeira vez. Por sua parte, Leo Tassoni, em seu livro Madonna, comentou a música: "Em "Like a Virgin", que foi originalmente concebida como uma balada, [a cantora] diz que desde que conheceu seu novo amor, sente-se novamente como virgem".
Crítica profissional