The Truman Show é um filme norte-americano de comédia dramática de 1998, dirigido por Peter Weir e escrito por Andrew Niccol. Estrelado por Jim Carrey, mostra a vida de Truman Burbank, que vive numa realidade simulada transmitida 24 horas por dia para bilhões. Ao desconfiar da realidade, ele busca descobrir a verdade. Também atuam Laura Linney, Noah Emmerich, Natascha McElhone e Ed Harris.
O roteiro, escrito por Niccol em 1991, foi inspirado no episódio "Special Service" de Além da Imaginação.Publicado em 23 de setembro de 2011. Films Inspired by Rod Serling's 'The Twilight Zone' WJS. Snapshot (Visitado em 17 de janeiro de 2016) Inicialmente, era um thriller de ficção científica ambientado em Nova Iorque. Após ser comprado por Scott Rudin, o projeto foi apresentado à Paramount Pictures. Peter Weir dirigiu o filme, que foi gravado em Seaside, no Panhandle da Flórida, com orçamento de 60 milhões de dólares.
O filme foi sucesso de crítica e bilheteria, recebendo indicações ao Oscar, Globo de Ouro, BAFTA e Saturn Award. É visto como uma reflexão sobre o cristianismo, realidades simuladas, existencialismo e a ascensão dos reality shows.
Enredo Truman Burbank viveu toda sua vida, mesmo antes do nascimento, sob as câmeras do Show de Truman, sem saber disso. Sua vida é filmada por milhares de câmeras escondidas, transmitidas ao vivo para o mundo. A cidade de Truman, Seahaven, é um cenário dentro de um enorme domo, habitado por atores e equipe, onde o produtor executivo Christof controla todos os aspectos, até o clima. Para impedir que Truman descubra a verdade, Christof cria obstáculos, como “matar” seu pai numa tempestade para criar medo de água, divulgar perigos de viajar e transmitir programas que valorizam ficar em casa. Apesar do controle, Truman age de forma inesperada, apaixonando-se por Sylvia, uma figurante, ao invés de Meryl, a atriz que interpreta sua esposa. Sylvia é removida, mas Truman lembra dela e começa a imaginar uma vida ao seu lado. Ela faz parte da campanha "Liberte Truman" para libertá-lo do programa.The Truman Show, dir. Peter Weir, 1998
No aniversário de 30 anos do programa, Truman percebe sinais estranhos: um refletor cai do céu, ele ouve conversas da equipe na rádio do carro e seu pai, antes dado como morto, reaparece disfarçado. Truman começa a desconfiar que tudo gira em torno dele, com repetição diária de situações. O casamento com Meryl se deteriora, e ele tenta fugir, mas obstáculos como voos cancelados, trânsito e incêndio o prendem. Depois que Meryl é removida, Christof traz o pai de Truman de volta para mantê-lo, mas Truman se isola no porão. Numa noite, ele escapa por um túnel secreto, forçando Christof a suspender temporariamente a transmissão, o que gera entusiasmo entre os telespectadores, inclusive Sylvia.
Christof ordena uma busca em toda a cidade, que força a "ligar o sol" para otimizar a procura. Truman supera seu medo de água e veleja para longe no barco Santa María. Christof cria uma tempestade para tentar virar o barco, mas acaba cessando a tormenta diante da determinação de Truman. O barco chega ao fim do domo, com Truman encontrando uma escada e uma porta marcada “saída”. Christof tenta persuadi-lo a ficar, dizendo que o mundo real não é mais verdadeiro que o artificial. Após refletir, Truman diz seu bordão "Caso eu não os veja mais... bom dia, boa tarde e boa noite", se curva para o público e atravessa a porta rumo ao mundo real. Os telespectadores comemoram sua fuga, Sylvia vai ao seu encontro, e a emissora encerra o programa, com a audiência buscando novo conteúdo.
Elenco Jim Carrey como Truman Burbank, escolhido dentre cinco gravidezes indesejadas e a primeira criança a ser legalmente adotada por uma corporação. Ele não sabe que sua vida está sendo diariamente transmitida 24 horas por dia para todo o mundo. Ele tem um emprego em uma companhia de seguros e uma adorável esposa, porém eventualmente percebe que seu ambiente não é o que parece. Robin Williams foi considerado para o papel, porém Weir escolheu Carrey depois de vê-lo em Ace Ventura: Pet Detective, porque a interpretação de Carrey o fez lembrar de Charlie Chaplin. Carrey usou a oportunidade para se mostrar como ator dramático, ao invés de ficar marcado por papéis cômicos. Carrey, que normalmente recebia 20 milhões de dólares por filme, concordou em fazer The Truman Show por 12 milhões. Ele e Weir inicialmente tiveram dificuldades para trabalharem juntos (o contrato de Carrey lhe permitia exigir mudanças no roteiro), porém Weir ficou impressionado com as capacidades de improvisação do ator, e os dois ficaram mais interativos. A cena onde Truman declara "este é o planeta Trumania, da galáxia Burbank" foi uma ideia de Carrey. (DVD) How's It Going to End? The Making of The Truman Show, Part 2. Paramount Pictures. 2005. Laura Linney como Meryl/Hannah Gill, Hannah Gill interpreta a esposa de Truman, Meryl, uma enfermeira em um hospital. Já que o programa baseia-se em propagandas de produtos para obter lucro, Meryl regularmente mostra vários itens que ela recentemente "comprou", uma das muitas esquisitices que faz Truman questionar sua vida. Seu papel é essencialmente atuar como a esposa de Truman e ter um filho com ele, apesar de sua relutância para fazer ambas. Linney explica que "ela era uma atriz mirim que não teve sucesso, e agora é muito ambiciosa. Principalmente, ela está negociando seu contrato. Cada vez que dorme com Truman, ela consegue 10 000 dólares adicionais". Linney estudou muito os catálogos da Sears da década de 1950 para desenvolver as poses de sua personagem.(DVD) How's It Going to End? The Making of The Truman Show, Part 1. Paramount Pictures. 2005. Ed Harris como Christof, o criador do Show de Truman. Christof permanece integralmente dedicado ao programa, frequentemente supervisionando e dirigindo o programa pessoalmente (ao invés de através de ajudantes), no clímax/resolução do filme, ele fala com Truman pelo sistema de som revelando sua natureza verdadeira. Dennis Hopper foi originalmente contratado para o papel, porém deixou em abril de 1997 (durante as filmagens) devido a "diferenças criativas". Harris foi uma substituição de último minuto. Vários atores recusaram o papel depois da saída de Hopper. Harris teve a ideia de interpretar Christof como um corcunda, porém Weir não gostou da sugestão. Noah Emmerich comoMarlon/Louis Coltrane, Louis Coltrane interpreta o melhor amigo de Truman desde sua infância. Marlon, que trabalha como vendedor para a companhia Goodies, promete à Truman que nunca mentirá para ele, apesar dos últimos eventos na vida de seu amigo. Emmerich disse, "Meu personagem está em muita dor. Ele se sente realmente culpado por enganar Truman. Ele teve um sério vício em drogas durante muitos anos. Saindo e entrando de várias reabilitações".
Produção Andrew Niccol completou um tratamento de uma página intitulado The Malcolm Show em maio de 1991. O rascunho original tinha mais o tom de um thriller de ficção científica, com a história se passando em Nova Iorque. Disse: "Eu acho que todos perguntam sobre a autenticidade de suas vidas em certos pontos. É como quando as crianças perguntam se são adotadas". No outono de 1993, o produtor Scott Rudin comprou o roteiro por um pouco mais de um milhão de dólares e a Paramount Pictures concordou imediatamente em distribuir o filme. Parte do acordo envolvia Niccol tendo sua estreia na direção, apesar de a Paramount achar que o orçamento estimado de 80 milhões de dólares ser muito alto para ele – o estúdio queria um diretor renomado nos créditos, e acabaria pagando uma comissão extra para Niccol "deixar" o cargo. Brian De Palma estava em negociações para dirigir antes de deixar o projeto em março de 1994. Diretores considerados depois de Palma incluíam Tim Burton, Terry Gilliam, Barry Sonnenfeld e Steven Spielberg, antes de Peter Weir ser escolhido em 1995, após recomendação de Niccol.
A Paramount estava cuidadosa sobre The Truman Show, que foi chamado de "o filme de arte mais caro já feito" devido ao seu orçamento de US$ 60 milhões. Eles queriam que o filme fosse mais engraçado e menos dramático. Weir compartilhava essa visão, achando que o roteiro de Niccol era muito sombrio: "onde ele [Niccol] fez depressivo, eu poderia fazer uma luz. Eu poderia convencer o público que eles poderiam assistir a esse programa 24 horas por dia, sete dias por semana". Niccol escreveu dezesseis rascunhos antes de Weir considerar o roteiro pronto para as filmagens. Mais tarde em 1995, Jim Carrey assinou para estrelar o filme, porém devido a comprometimentos com os filmes The Cable Guy e Liar Liar, não estaria disponível para filmar até o ano seguinte. Weir achou que Carrey era perfeito para o papel e escolheu esperar um ano ao invés de contratar outro ator. Niccol reescreveu o roteiro doze vezes, enquanto Weir criava um livro ficcional sobre a história do programa. Ele criou passados para os personagens e encorajou os atores a fazerem o mesmo.
thumb|right|Seaside, na Flórida, serviu como locação para a cidade de Seahaven Weir procurou locações no oeste da Flórida, porém não ficou satisfeito com as paisagens. Os estúdios da Universal Studios estavam reservados para abrigar a história em Seahaven antes da esposa de Weir ter lhe mostrado Seaside, na Flórida, uma comunidade planejada localizada no Panhandle do estado. Escritórios de pré-produção foram instantaneamente abertos em Seaside, onde a maior parte das filmagens ocorreriam. Outras cenas foram filmadas nos estúdios da Paramount em Los Angeles, Califórnia. As pinturas de Norman Rockwell em cartões postais da década de 1960 serviram como inspiração para o desenho de produção do filme. (DVD) Faux Finishing, the Visual Effects of The Truman Show. Paramount Pictures. 2005. Weir, o diretor de fotografia Peter Biziou e o diretor de arte Dennis Gassner pesquisaram técnicas de vigilância para construir certos planos.
Weir viu The Truman Show como uma chance de usar uma técnica do cinema mudo há muito tempo abandonada: vinhetar as bordas do quadro para enfatizar o centro. O visual geral foi influenciado por imagens de televisão, particularmente comerciais: muitas tomadas têm os personagens se inclinando em direção as lentes da câmera com os olhos bem abertos, e os interiores eram muito iluminados, porque Weir queria lembrar o público de que "neste mundo, tudo estava à venda". Aqueles envolvidos nos trabalhos de efeitos visuais acharam que o filme era um pouco difícil de se fazer, já que 1997 era o ano em que muitas companhias de efeitos visuais estavam tentando se converter para imagens geradas por computador. Computação gráfica foi usada para adicionar andares a mais em alguns dos prédios maiores no centro da cidade. Craig Barron, um dos supervisores de efeitos, disse que esses modelos digitais não precisavam parecer tão detalhados quanto normalmente deveriam em um filme devido ao visual artificial de toda a cidade, apesar deles terem imitado pequenas imperfeições encontradas em prédios verdadeiros.
Trilha sonora A trilha sonora de The Truman Show foi composta por Burkhard Dallwitz. Dallwitz foi contratado depois de Peter Weir ter recebido uma fita com seu trabalho enquanto estava na Austrália para a pós-produção. Algumas partes da trilha sonora foram compostas por Philip Glass, incluindo quatro peças que apareceram em seus trabalhos anteriores (Powaqqatsi, Anima Mundi e Mishima: A Life in Four Chapters, o movimento de abertura do último aparece no final do filme e no início dos créditos finais). Glass também aparece rapidamente no filme como um dos artistas musicais do estúdio. Tanto Dallwitz como Glass venceram o Golden Globe Award de Melhor Trilha Sonora Original.