300px|miniaturadaimagem|Reagan se encontrando com membros proeminentes de seu gabinete no Salão Oval no período do caso Irã-Contras. O (; ; ), foi um escândalo político nos Estados Unidos revelado pela mídia em novembro de 1986, durante o segundo mandato do presidente Ronald Reagan, no qual figuras chave da CIA facilitaram o tráfico de armas para o Irã, que estava sujeito a um embargo internacional de armamento, para assegurar a libertação de reféns e para financiar os Contras nicaraguenses.
A operação começou como uma tentativa de melhorar as relações entre Estados Unidos e Irã, através da mediação de Israel, que iria enviar armas para um grupo politicamente influente de iranianos; os Estados Unidos iriam então fornecer mais armas para Israel e receber o pagamento feito pelos iranianos aos israelitas. Os destinatários iranianos prometeram fazer o possível para conseguir a libertação de seis estadunidenses que eram mantidos reféns pelo grupo islâmico xiita libanês Hezbollah, que era ligado ao Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica.
O plano acabou virando um esquema de "armas por reféns", no qual os membros do Poder Executivo dos Estados Unidos vendiam armas para o Irã em troca da libertação de reféns estadunidenses."Tower commission report excerpts". The Tower Commission Report. Acessado em 23 de novembro de 2009."Reagan's mixed White House legacy". BBC, 6 de junho de 2004. Acessado em 23 de novembro de 2009. Grandes modificações ao plano foram feitas pelo tenente-coronel Oliver North, do Conselho de Segurança Nacional, no final de 1985. A partir de então, uma parcela do lucro obtido com a venda de armas foi destinada ao financiamento dos rebeldes anticomunistas da Nicarágua, que lutavam contra a Frente Sandinista de Libertação Nacional, mais conhecidos como Contras.Hart, Robert (2 de junho de 2004). "NYT's apologies miss the point". The Consortium for Independent Journalism, Inc. Acessado em 23 de novembro de 2009. Apesar de Reagan ser um defensor da causa dos Contras,Reagan, Ronald (1990), p. 542. não foram encontradas evidências mostrando que ele autorizou o plano."The Iran-Contra Report". The American Presidency Project. Acessado em 23 de novembro de 2009.
Após a venda de armas ser revelada pela imprensa em novembro de 1986, Reagan apareceu em rede nacional de televisão para afirmar que as transferências de armas ocorreram de fato, mas que os Estados Unidos não estava negociando armas por reféns.Reagan, Ronald (13 de novembro de 1986). "Address to the Nation on the Iran Arms and Contra Aid Controversy". Ronald Reagan Presidential Foundation. Acessado em 23 de novembro de 2009. A investigação do escândalo foi comprometida quando grandes volumes de documentos relativos ao caso foram destruídos ou retidos por funcionários do governo Reagan."Excerpts From the Iran-Contra Report: A Secret Foreign Policy". The New York Times. 1994. Acessado em 23 de novembro de 2009. Em 4 de março de 1987, Reagan fez outro discurso televisivo assumindo total responsabilidade por quaisquer ações feitas sem seu conhecimento e admitindo que "o que começou como uma abertura estratégica nas relações com o Irã deteriorou-se, em sua implementação, na troca de armas por reféns".Reagan, Ronald (4 de março de 1987). "Address to the Nation on the Iran Arms and Contra Aid Controversy". Ronald Reagan Presidential Foundation. Acessado em 23 de novembro de 2009.
Várias investigações foram feitas, incluindo as do Congresso dos Estados Unidos e da Comissão Tower, nomeada pelo próprio Reagan.Ronald H. Chilcote, Teaching Iran-Contra: Further Reflections, PS: Political Science and Politics, Vol. 30, No. 3 (Sep., 1997), pp. 515-517. Nenhuma delas encontrou qualquer evidência de que Reagan soubesse da extensão do plano. Por fim, quatorze funcionários do governo federal foram responsabilizados por crimes, e onze deles condenados, incluindo o então Secretário de Defesa Caspar Weinberger.Dwyer, Paula. "Pointing a Finger at Reagan". Business Week. Acessado em 23 de novembro de 2009. Weinberger e outros cinco funcionários receberam perdão presidencial em dezembro de 1992, nos últimos dias do governo de George H. W. Bush, que era o vice-presidente na época do escândalo."Pardons and Commutations Granted by President George H. W. Bush". United States Department of Justice. Acessado em 23 de novembro de 2009.
Referências na cultura popular Em 1988, o escândalo foi tema do documentário Cover Up de David Kasper e Barbara Trent, que foi indicado ao Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance."Cover Up (1988) - Awards", Internet Movie Database. No ano seguinte, cenas do testemunho de Oliver North perante o Congresso foram incluídas no videoclipe de "The End of the Innocence", canção presente no terceiro álbum solo de Don Henley, baterista e percussionista da banda de folk rock The Eagles. A filha de Reagan, Patti Davis, namorou Bernie Leadon, colega de banda de Henley, tendo inclusive composto uma canção do álbum One of These Nights com ele, para desgosto de Henley. De acordo com o jornal Washington Post, Henley já doou mais de meio milhão de dólares para campanhas Democratas.Washington Post (2008). "Stars Who Don't Have Money on This Race". Entre outras canções que questionam o papel do governo estadunidense no caso Irã-Contras estão "The Big Stick" de Minutemen, "Nicarágua" de Bruce Cockburn e "Please Forgive Us" de 10 000 Maniacs.
Em 2014 o diretor americano Michael Cuesta lançou o filme Kill the messenger, que aborda tanto esse escândalo como a forma usada pela CIA, à época, para tentar abafar o caso.O Mensageiro - AdoroCinemaMatem o Mensageiro - Cinecartaz
O escândalo serviu de pano de fundo para a trama do episódio "Stanny Slickers II: The Legend of Ollie's Gold", da terceira temporada do seriado de animação American Dad!, exibido originalmente em 27 de abril de 2008 nos Estados Unidos.Sinopse do episódio O documentário britânico Iran and the West, exibido pela BBC em 7 de fevereiro de 2009, também aborda o escândalo."Iran and the West (2009) - Release dates", Internet Movie Database.
A série de jogos eletrônicos shoot-em-up Contra, da Konami, iniciou-se no ano de 1987, apenas alguns meses após o decorrer do caso Irã-Contras. Apesar de não ter sido explicitado pela empresa/equipe desenvolvedora, há evidências de que o nome/tema do jogo foi inspirado no caso, como o fato de uma das narrativas afirmar que a ação do primeiro título se passa na Nicarágua, bem como o tema sonoro de encerramento/créditos ser chamado "Sandinista".
Ligações externas Envolvimento de Portugal no escândalo Irã-Gate
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