Beatriz Maria Vitória Feodora (em inglês: Beatrice Mary Victoria Feodore; Londres, – , West Sussex, ), mais tarde Princesa Beatriz de Battenberg, foi a quinta filha e a mais nova da rainha Vitória do Reino Unido e do príncipe consorte Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Beatriz também foi a última filha da rainha Vitória a morrer, quase 66 anos depois da primeira, sua irmã mais velha, Alice.

A infância de Beatriz coincidiu com o período de luto de Vitória após a morte de Alberto em dezembro de 1861. A rainha passou a depender cada vez mais de sua filha mais nova a medida que suas outras irmãs foram se casando e indo embora, com sua mãe a chamando de "bebê" por toda sua infância. Beatriz cresceu e foi educada para sempre ficar com a rainha e ela logo aceitou esse destino. Vitória era tão contra a ideia dela se casar que se recusava até a discutir a possibilidade. Mesmo assim muitos pretendentes apareceram, como Napoleão Eugênio, Príncipe Imperial e filho do imperador , e Luís IV, Grão-Duque de Hesse e viúvo de sua irmã mais velha Alice. Beatriz ficou atraída por Napoleão Eugênio e existiram conversas sobre um possível casamento, porém ele acabou morrendo em 1879 na Guerra Anglo-Zulu.

Beatriz acabou se apaixonando pelo príncipe Henrique de Battenberg, filho do príncipe Alexandre de Hesse e Reno e sua esposa Julia de Hauke. Vitória concordou com a união depois de muita persuasão, com o casamento ocorrendo em 23 de julho de 1885. A rainha apenas aceitou sob a condição que Beatriz e Henrique vivessem com ela e que a filha continuasse na sua função extraoficial de secretária particular. O casal teve quatro filhos, porém o príncipe morreu de malária durante a Quarta Guerra Anglo-Ashanti depois de dez anos de casamento. A princesa permaneceu ao lado de Vitória até esta morrer em janeiro de 1901. Beatriz dedicou os trinta anos seguintes a editar os diários da rainha como sua executora literária designada, continuando também a fazer aparições públicas. Ela morreu aos 87 anos em 1944, depois de todos os seus irmãos, dois de seus filhos e alguns sobrinhos.

Início de vida thumb|upright|left|Beatriz aos dois anosFranz Xaver Winterhalter, 1859 Beatriz nasceu no Palácio de Buckingham, Londres, em . Era a quinta menina e a mais nova de todos os nove filhos da rainha Vitória do Reino Unido e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Seu nascimento causou certa controvérsia já que foi anunciado que a rainha usaria clorofórmio administrado pelo Dr. John Snow para ter certo alívio das dores causadas pelo parto. A substância era considerava perigosa tanto para mãe quanto para a criança, sendo vista de maneira suspeita pela Igreja Anglicana e pelas autoridades médicas. Vitória não se deixou abalar e usou o "aquele abençoado clorofórmio" para sua última gravidez. A rainha escreveu em seu diário duas semanas depois que "Eu fui amplamente recompensada e esqueci de tudo que havia acabado de passar quando ouvi o querido Alberto dizer 'É uma criança saudável, e uma menina!". Vitória e Alberto nomearam a filha como Beatriz Maria Vitória Teodora: Maria em homenagem a princesa Maria, última filha ainda viva do rei Jorge III; Vitória em homenagem a mãe e Teodora em homenagem a princesa Teodora de Leiningen, a meia-irmã mais velha da rainha. A princesa foi batizada em 16 de junho de 1857. Seus padrinhos foram sua avó materna, a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld, sua irmã mais velha Vitória, Princesa Real, e o marido desta Frederico Guilherme, Príncipe Herdeiro da Prússia.

Desde seu nascimento ela foi a filha favorita. A filha mais velha favorita do príncipe Alberto, a Princesa Real, estava prestes a ir morar na Prússia com seu novo marido. Ao mesmo tempo a recém-chegada Beatriz mostrava-se promissora. Seu pai escreveu para a rainha Augusta de Saxe-Weimar-Eisenach, mãe de Frederico Guilherme, que o "Bebê pratica suas escalas como uma boa prima donna antes de uma performance e tem uma boa voz!". Apesar de Vitória ter sido conhecida por não gostar da maioria dos bebês, ela gostou da princesa e a considerava atraente. Isso deu a Beatriz uma vantagem sobre suas irmãs mais velhas. A rainha certa vez comentou que a filha era uma "criança bonita, gorda e florescente ... com bons olhos azuis grandes, [uma] boquinha bonita e uma pele muito boa". Seu cabelo loiro e longo era o foco das pinturas encomendadas por Vitória, que gostava de dar banho em Beatriz, diferentemente de seus outros filhos. Ela mostrava inteligência, algo que cativou ainda mais Alberto que ficava maravilhado pela precocidade da criança.

O príncipe escreveu para seu conselheiro o barão Christian Friedrich von Stockmar que Beatriz era "o bebê mais maravilhoso que já tivemos". Apesar de passar pelo rigoroso programa educacional criado por Alberto e Stockmar, a infância da princesa foi mais relaxada que a de seus irmãos por causa de sua relação com os pais. Aos quatro anos, a reconhecida última criança real, não foi forçada a dividir a atenção dos pais como seus irmãos mais velhos, dando conforto para Alberto, cuja saúde estava piorando.

Companheira da rainha thumb|upright|Beatriz em 1868 A princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld, mãe da rainha, morreu em março de 1861. Vitória ficou tomada pela dor e arrependimento sobre suas diferenças no início de seu reinado. Beatriz tentou consolar a mãe dizendo que a princesa estava "no paraíso, porém Beatriz esperava que ela voltasse". Esse conforto foi importante pois Vitória havia se isolado dos filhos com a exceção de Alice e Beatriz. A rainha novamente contou com as duas após a morte de Alberto em dezembro do mesmo ano.

O tamanho da dor de Vitória pela morte de seu amado marido surpreendeu sua família, cortesãos, políticos e o povo britânico. A rainha novamente se isolou de todos – especialmente de Alberto Eduardo, Príncipe de Gales, quem ela culpou pela morte de Alberto – exceto mais uma vez de Alice e Beatriz. Vitória várias vezes tirava a filha caçula do berço e a levada para sua cama e "ficava ali sem dormir, apertando sua filha, envolta nos pijamas de um homem que não mais os vestiria". Depois que sua última irmã, a princesa Luísa, se casou em 1871, a rainha passou a depender de Beatriz, que ainda jovem declarou: "Eu não gosto de casamentos. Nunca hei de me casar. Hei de ficar com minha mãe". Como secretária da soberana, a princesa realizava deveres como escrever em nome da rainha e ajudá-la com sua correspondência política. Tais atividades mundanas eram semelhantes àquelas realizadas em sucessão por suas irmãs Alice, Helena e Luísa. Porém Vitória acrescentou tarefas mais pessoais. Ela ditou passagens de seu diário a Beatriz em 1871 durante o período que ficou seriamente doente, permitindo em 1876 que a princesa ordenasse as músicas que ela e Alberto costumavam tocar, não utilizadas desde a morte do príncipe quinze anos antes.

A devoção que Beatriz demonstrou para a mãe foi reconhecida nas cartas e diários da rainha, porém sua dependência da filha apenas crescia. Vitória sofreu mais uma grande perda em 1883 com a morte de seu criado escocês John Brown. Mais uma vez ela entrou em um grande período de luto e contou com Beatriz para ter apoio. A princesa gostava de Brown, diferentemente de suas irmãs, e os dois eram muitas vezes vistos juntos; de fato, ambos trabalharam juntos para realizarem os desejos da rainha.

Casamento Pretendentes left|upright|thumb|Beatriz em 1877 Vários possíveis pretendentes apareceram para a mão de Beatriz, mesmo com Vitória sendo contra a ideia da princesa se casar com qualquer pessoa na expectativa que ela não estaria mais ao seu lado. Uma deles foi Napoleão Eugênio, Príncipe Imperial e filho do ex-imperador Napoleão III da França e sua esposa Eugênia de Montijo. O imperador fora deposto e se exilou no Reino Unido após perder a Guerra Franco-Prussiana em 1870. Vitória e Eugênia criaram uma amizade três anos depois da morte de Napoleão III, com os jornais noticiando o noivado iminente entre Beatriz e o Príncipe Imperial. Os rumores terminaram quando o príncipe foi morto em junho de 1879 na Guerra Anglo-Zulu. O diário da rainha conta que "A querida Beatriz, chorando muito como eu também fiz, me deu o telegrama ... Estava amanhecendo e eu tinha dormido pouco ... Beatriz estava tão angustiada; todos bastante atordoados".

O Príncipe de Gales sugeriu após a morte de Napoleão Eugênio que Beatriz se casasse com Luís IV, Grão-Duque de Hesse e o viúvo de Alice, que havia morrido de difteria em 1878. Alberto Eduardo sugeriu que a irmã pudesse atuar como mãe substituta para os filhos de Luís enquanto passava a maior parte de seu tempo na Inglaterra cuidando da mãe. Ele ainda sugeriu que a rainha poderia supervisionar o crescimento dos seus netos com maior facilidade. Porém era proibido por lei na época que Beatriz se cassasse com o viúvo de sua irmã. Isso era combatido pelo Príncipe de Gales que apoiava a aprovação do Projeto de Lei da Irmã Falecida, que acabaria com esse impedimento. Apesar do apoio popular que a medida gozava e dela ter sido aprovada pela Câmara dos Comuns, ela foi rejeitada pela Câmara dos Lordes por causa da oposição dos Lordes Espirituais. Apesar de Vitória ter ficado decepcionada pelo fracasso do projeto de lei, ela ficou feliz por manter a filha do seu lado.

Outros candidatos propostos incluíam os príncipes Alexandre e Luís de Battenberg. Apesar do primeiro nunca ter formalmente ido atrás de Beatriz, apenas afirmando que "pode até ser que em algum momento eu fique noivo de minha amiga de infância, Beatriz da Inglaterra", era o segundo que estava mais interessado. Vitória o convidou para jantar, porém sentou-se entre ele e a filha, que foi instruída a ignorar Luís para desencorajar a pretensão. O príncipe durante anos não soube a verdade sobre esse silêncio e acabou se casando com a princesa Vitória de Hesse e Reno, sobrinha de Beatriz. Apesar de novamente frustrada em suas expectativas de casamento, Beatriz compareceu ao casamento de Luís em Darmstadt e conheceu e se apaixonou pelo irmão dele, o príncipe Henrique de Battenberg.

Noivado e casamento thumb|upright|Beatriz em seu casamento Ao voltar de Darmstadt, Beatriz contou a Vitória que planejava se casar; a rainha ficou em silêncio aterrorizada. Apesar de terem continuado lado a lado, Vitória ficou sem falar com a filha por sete meses, se comunicando apenas via bilhetes. O comportamento da rainha foi inesperado para sua família e parecia motivado pela ameaça de perder a filha. Ela considerava a princesa seu "bebê", sua filha inocente, e via o ato sexual que viria com o casamento como o fim dessa inocência.

Depois de algumas persuasões sutis realizadas pelo Príncipe de Gales e pela Princesa Real, que lembraram a mãe da felicidade que a irmã trouxe para o pai em seus últimos anos, a rainha voltou a falar com Beatriz. Ela consentiu com o casamento na condição que Henrique abrisse mão de seus comprometimentos alemães e vivesse permanentemente no Reino Unido com as duas.

Beatriz e Henrique se casaram em 23 de julho de 1885 na Igreja de Santa Mildrith em Whippingham. A princesa usou o véu de casamento da mãe e foi levada até o altar por ela e por seu irmão Alberto Eduardo. Beatriz tinha consigo dez damas de honra reais, todas suas sobrinhas: as princesas Alice e Irene, filhas de sua irmã Alice; princesas Alexandra, Maria e Vitória Melita, filhas de seu irmão o príncipe Alfredo, Duque de Edimburgo; princesas Luísa, Maud e Vitória, filhas de seu irmão Alberto Eduardo; e as princesas Maria Luísa e Helena Vitória, filhas de sua irmã Helena. Os padrinhos do noivo eram seus irmãos, os príncipes Alexandre e Francisco José.