Seicheles ou Seychelles (em inglês e francês, Seychelles; em seichelense, Sesel), oficialmente República das Seicheles ou Seychelles, são um país insular localizado no oceano Índico ocidental, constituído por 115 ilhas distribuídas entre vários arquipélagos localizados a norte e nordeste de Madagáscar. Fazem parte das Seicheles as Ilhas Seicheles propriamente ditas, as ilhas Amirante, as ilhas Farcuar, as ilhas Aldabra e algumas outras ilhas dispersas. Além de Madagáscar, os seus vizinhos mais próximos são: Maurícia (ou Maurício), a sudeste, Comores e Maiote, a sudoeste, e as ilhas Gloriosas, a sul. A capital do país é Vitória.

As Seicheles eram desabitadas antes de serem encontradas pelos europeus no século XVI. Enfrentaram interesses franceses e britânicos concorrentes, até ficar sob controle britânico total no final do século XIX. Desde a proclamação da independência do Reino Unido em 1976, o país passou de uma sociedade amplamente agrícola para uma economia diversificada baseada no mercado, caracterizada pelo rápido crescimento das atividades de serviços, setor público e turismo. De 1976 até 2015, o PIB nominal cresceu quase sete vezes e a paridade do poder de compra aumentou quase dezesseis vezes. Desde o final de 2010, o governo tomou medidas para incentivar o investimento estrangeiro.

Hoje, as Seicheles possuem o maior PIB per capita entre todas as nações africanas. São o primeiro e único país africano com Índice de Desenvolvimento Humano considerado muito alto, além de ter uma das maiores renda per capita da África, e o único país africano classificado como economia de alta renda pelo Banco Mundial. Apesar de sua relativa prosperidade, a pobreza permanece generalizada e o país tem um dos níveis mais altos de desigualdade econômica e distribuição desigual de riqueza, com a classe alta e dominante comandando uma vasta proporção da riqueza do país.

A cultura e sociedade das Seicheles são uma mistura eclética de influências francesas, inglesas e africanas, com infusões mais recentes de elementos chineses e indianos. O país é membro das Nações Unidas, da União Africana, da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral e da Commonwealth.

História

Embora mareantes austronésios ou mercadores árabes possam ter sido os primeiros a visitar as desabitadas Seicheles, o primeiro registro europeu conhecido do avistamento das ilhas ocorreu em 1502, pelo almirante português Vasco da Gama, que atravessou as Ilhas Amirante, nomeando-as em honra de si próprio (ilhas do Almirante). A primeira visita a terra registrada e a primeira descrição escrita do arquipélago deve-se à tripulação do East Indiaman inglês Ascension em 1609. Fazendo parte da rota comercial entre a África e a Ásia, as ilhas eram ocasionalmente utilizadas por piratas até os franceses iniciarem o controlo do arquipélago em 1756, quando a Pedra da Possessão foi colocada pelo Capitão Nicholas Morphey. As ilhas foram nomeadas em honra de Jean Moreau de Séchelles, Ministro das Finanças de Luís XV.

Os britânicos disputaram o controle das ilhas com os franceses entre 1794 e 1812. Jean Baptiste Quéau de Quincy, o administrador francês das Seicheles durante os anos da guerra com o Reino Unido, preferiu não resistir quando os navios inimigos chegaram. Em vez disso, Quincy negociou com sucesso a capitulação aos Britânicos, que conferiu aos colonos uma posição privilegiada de neutralidade.

Finalmente, a Grã-Bretanha acabou assumindo o controle total após a rendição das Ilhas Maurícias em 1812, o que foi formalizado em 1814 no Tratado de Paris. As Seicheles tornaram-se uma colónia realenga separada das Maurícias em 1903 e a independência foi conseguida em 1976, sob a forma de república inserida no Commonwealth. Em 1977, um golpe de estado depôs o primeiro presidente da república, James Mancham, substituindo-o por France Albert René. A constituição de 1979 declarou um estado socialista unipartidário, e assim permaneceu até 1991. O primeiro rascunho da nova constituição não obteve os 60% de votos requeridos em 1992, mas uma versão emendada foi aprovada em 1993. Nas eleições presidenciais de julho de 1993, o até então ditador Albert René foi eleito com 59% dos votos totais. Atualmente a República de Seicheles tem um sistema político multipartidário, constituído por um presidente, como chefe de Estado e Governo, que dirige um gabinete de 13 ministros. Já o Poder Legislativo é atribuído à Assembleia Nacional, com 32 membros.

Geografia

thumb|esquerda|As densas florestas da ilha de Mahé

Uma nação insular, as Seicheles localizam-se na parte ocidental do oceano Índico, a nordeste de Madagáscar e a 1593 km a leste de Mombaça, no Quénia, entre 4º e 5º a sul do Equador e entre as longitudes de 55º e 56º leste. O número de ilhas do arquipélago é muitas vezes dado como 115, mas a Constituição da República das Seicheles lista 155. As ilhas, segundo a Constituição, estão divididas em vários grupos:

42 ilhas graníticas, num grupo interior, que se estende num raio de 90 km de Mahé, a maior ilha do arquipélago e onde se encontra a capital Vitória, com altitudes que chegam a 940 metros. Em ordem decrescente de tamanho: Mahé, Praslin, Silhouette, La Digue, Curieuse, Félicité, Frégate, St. Anne, North, Cerf, Marianne, Grand Sœur, Thérèse, Aride, Conception, Petite Sœur, Cousin, Cousine, Long, Récif, Round (Praslin), Anonyme, Mamelles, Moyenne, Île aux Vaches Marines, L'Islette, Beacon (Île Sèche), Cachée, Cocos, Round (Mahé), L'Îlot Frégate, Booby, Chauve Souris (Mahé), Chauve Souris (Praslin), Ile La Fouche, Hodoul, L'Ilot, Rat, Souris, St. Pierre (Praslin), Zavé, Harrison Rocks (Grand Rocher). Dois cayos de coral e areia a norte das ilhas graníticas: Denis e Bird. Duas ilhas coralinas a sul das graníticas: Coëtivy e Platte. 29 ilhas coralinas no grupo das Amirantes, a oeste das graníticas: Desroches, Poivre Atoll (que inclui três ilhas: Poivre, Florentin e South Island), Alphonse, D'Arros, St. Joseph Atoll (incluindo 14 ilhas: St. Joseph Ile aux Fouquets, Ressource, Petit Carcassaye, Grand Carcassaye, Benjamin, Bancs Ferrari, Chiens, Pélicans, Vars, Ile Paul, Banc de Sable, Banc aux Cocos e Ile aux Poules), Marie Louise, Desnoeufs, African Banks (compreendendo duas ilhas: African Banks e South Island), Rémire, St. François, Boudeuse, Etoile, Bijoutier. 67 ilhas coralinas sobrelevadas no Grupo Aldabra, a oeste do Grupo Farcuar: Atol de Aldabra, Património Mundial da UNESCO (compreendendo 46 ilhas: Grande Terre, Picard, Polymnie, Malabar, Île Michel, Île Esprit, Ile aux Moustiques, Ilot Parc, Ilot Emile, Ilot Yangue, Ilot Magnan, Île Lanier, Champignon des Os, Euphrate, Grand Mentor, Grand Îlot, Gros Ilot Gionnet, Gros Îlot Sésame, Heron Rock, Hide Island, Île aux Aigrettes, Île aux Cèdres, Iles Chalands, Ile Fangame, Île Héron, Ile Michel, Île Squacco, Île Sylvestre, Île Verte, Îlot Déder, Îlot du Sud, Îlot du Milieu, Ilot du Nord, Îlot Dubois, Îlot Macoa, Ilot Marquoix, Ilots Niçois, Ilot Salade, Middle Row Island, Noddy Rock, North Row Island, Petit Mentor, Petit Mentor Endans, Petits Îlots, Pink Rock e Table Ronde), Assumption, Astove e Atol de Cosmoledo (compreendendo 19 ilhas: Menai, Ile du Nord (West North), Ile Nord-Est (East North), Ile du Trou, Goëlettes, Grand Polyte, Petit Polyte, Grand Ile (Wizard), Pagode, Ile du Sud-Ouest (South), Ile aux Moustiques, Ile Baleine, Ile aux Chauve-Souris, Ile aux Macaques, Ile aux Rats, Ile du Nord-Ouest, Ile Observation, Ile Sud-Est e Ilot la Croix). 13 ilhas coralinas no Grupo Farcuar, a sul-sudoeste das Amirantes: Atol de Farcuar (que compreende 10 ilhas: Bancs de Sable, Déposés, Ile aux Goëlettes, Lapins, Ile du Milieu North, Manaha South, Manaha Middle, Manaha, North Island, e South Island), Atol Providence (compreendendo duas ilhas: Providence e Bancs Providence) e St Pierre.

As ilhas coralinas espalham-se numa área até 1200 km de nordeste a sudoeste, são planas e sem nenhuma água doce.

O clima é tropical com humidade elevada, sendo mais fresco entre maio e setembro devido às monções vindas do sudeste. A monção noroeste é de março a maio, tendo temperaturas mais mornas. As chuvas têm precipitações médias de 2800 mm em Mahé, ao nível do mar, e 3 550 mm nas montanhas.

Flora e fauna thumb|esquerda|180px|Coco-do-mar (Praslin) thumb|esquerda|180px|Tartaruga-gigante (Dipsochelys hololissa)

A legislação ambiental das Seicheles é muito estrita, e todo o turismo projectado está sujeito a uma revisão ambiental e a um longo processo de consulta com o público e os conservacionistas. As ilhas são líderes mundiais em turismo sustentável. O resultado final deste desenvolvimento sustentável é um ambiente natural intacto e estável, que atrai visitantes com grande poder financeiro (150000 em 2007) mais do que turismo de massas de curta duração. Desde 1993 uma lei garante aos cidadãos o direito a um ambiente limpo, ao mesmo tempo que os obriga a proteger esse ambiente.

thumb|180px|Anse Source d'Argent em La Digue

Tal como muitos ecossistemas insulares frágeis, as Seicheles viram a perda de biodiversidade durante o início da colonização, incluindo o desaparecimento das tartarugas-gigantes das ilhas graníticas, o abate das florestas costeiras e de média altitude, e a extinção de espécies como o Zosterops erythropleurus, o periquito-das-Seicheles e o crocodilo-de-água-salgada. No entanto, as extinções aqui foram muito menores que em ilhas como as Maurícias ou o Havai, em parte graças a um menor período de ocupação humana (desde 1770). As Seicheles são hoje em dia conhecidas pelos casos de sucesso na protecção da sua flora e fauna. O raro papagaio-preto-das-seicheles, o pássaro nacional do país, está agora protegido.

As ilhas graníticas das Seicheles são o lar de cerca de 75 espécies vegetais endémicas, a que se somam mais cerca de 25 espécies do grupo Aldabra. É particularmente bem conhecido o coco-do-mar, uma espécie de palmeira que cresce apenas na ilha Praslin e na sua vizinha Curieuse. Por vezes alcunhado de "noz do amor" devido à sua forma sugestiva, o coco-do-mar é a maior semente do mundo. A árvore-medusa encontra-se apenas em alguns locais, hoje em dia. Esta estranha e antiga planta resistiu a todos os esforços efectuados para a sua propagação. Outras espécies vegetais únicas incluem a gardénia-de-wrights, encontrada apenas na Reserva Especial da Ilha de Aride. Atualmente acredita-se que a ilha Silhouette seja o único local onde sobreviva Afrolychas braueri, uma espécie de escorpião da família Buthidae, embora a espécie tenha sido historicamente encontrada em duas outras ilhas das Seicheles.

As tartarugas-gigantes-de-aldabra povoam agora muitas das ilhas das Seicheles, sendo a população de Aldabra a maior do mundo. Estes quelónios peculiares podem ser encontrados até como grupos populacionais vivendo em cativeiro. Foi reportado que as ilhas graníticas das Seicheles abrigam espécies distintas de tartaruga-gigante-das-Seicheles, mas o estado actual das diferentes populações não é claro.

As Seicheles abrigam algumas das maiores colónias de aves marinhas do mundo.

A vida marinha em volta das ilhas, em especial as ilhas coralíferas mais remotas, pode ser espectacular. Mais de espécies de peixes foram registadas. Desde que a utilização de arpões e dinamite na pesca foi banida devido aos esforços dos conservacionistas locais nos anos 1960, a vida selvagem deixou de temer os snorkelers e mergulhadores. O branqueamento de corais em 1998 infelizmente danificou muitos recifes, mas alguns mostram uma recuperação saudável (por exemplo na Ilha de Silhouette).

Demografia

200px|thumb| Demografia de Seicheles entre 1961 e 2003 x 1000 Habitantes

As Seicheles têm 99 545 habitantes, na sua maioria concentrados na ilha de Mahé, onde se situa a capital. O arquipélago era desabitado até ao , sendo actualmente a população descendente dos colonizadores franceses e de imigrantes indianos, africanos e chineses.

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