Paraguai (; ; , ; ), oficialmente República do Paraguai (em castelhano: República del Paraguay; em guarani: Tavakuairetã Paraguái), é um país sem costa marítima localizado no centro da América do Sul. É limitado a norte e oeste pela Bolívia, a nordeste e leste pelo Brasil e a sul e oeste pela Argentina. Possui uma área de , um pouco maior que o estado brasileiro de Mato Grosso do Sul. Segundo o último Censo em 2022, a população paraguaia foi de 6,1 milhões de habitantes, a maioria dos quais estão concentrados na região sudeste do país. Ao lado da Bolívia, o Paraguai é um dos dois países da América do Sul que não possuem uma saída para o mar.

O Paraguai está localizado no centro-sul da América do Sul. A topografia da área do leste do país é extensamente plana. O principal produto de exportação cultivado nessa região é a soja. No oeste, a principal atividade econômica do cerrado do Grande Chaco é a pecuária. O rio Paraguai divide o país entre o norte e o sul. O próprio rio é a mais importante rota comercial de transporte num país que não tem saída para o mar. São parte integrante da população do Paraguai uma grande quantidade de brasileiros, os brasiguaios. Os brasiguaios abrangem uma área muito grande próximo à fronteira com o Brasil. Essa área ocupada pelos brasiguaios é uma fonte de preocupação para os demais habitantes da região.

A capital e maior cidade é Assunção, cuja região metropolitana é o lar de cerca de um terço da população do país. Em contraste com a maioria das nações latino-americanas, a cultura e a língua nativa do país — o guarani — permaneceram altamente influentes na sociedade. Em cada censo, os residentes predominantemente identificam-se como mestiços, refletindo anos de miscigenação entre os diferentes grupos étnicos do país. O guarani é reconhecido como língua oficial, junto com o espanhol, e ambos os idiomas são falados pela população. Os nativos guaranis viviam no atual território paraguaio por pelo menos um milênio antes dos espanhóis conquistarem o território no século XVI. Os colonizadores espanhóis e missões jesuíticas introduziram o cristianismo e a cultura espanhola para a colônia. O Paraguai estava na periferia do Império Espanhol, com poucos centros urbanos e uma população escassa.

Após a independência da Espanha em 1811, o Paraguai foi governado por uma série de ditadores que implementaram políticas isolacionistas e protecionistas. Este desenvolvimento foi truncado pela desastrosa Guerra do Paraguai (1864–1870), na qual o país perdeu entre 60 e 70% da sua população, por conta da guerra e de doenças, e foi forçado a ceder cerca de quadrados do seu território para a Argentina e o Brasil. No século XX, o Paraguai sofreu uma sucessão de governos autoritários, culminando no regime de Alfredo Stroessner, que liderou a mais longa ditadura militar da América do Sul, de 1954 a 1989. Ele foi derrubado durante um golpe militar interno e eleições multipartidárias livres foram organizadas e realizadas pela primeira vez em 1993. Um ano depois, o Paraguai se juntou a Argentina, Brasil e Uruguai para fundar o Mercosul, uma colaboração econômica e política regional. O Paraguai era um dos países mais pobres e isolados da região, embora desde a virada do século XXI tenha experimentado um rápido crescimento econômico. Em 2010, sua economia cresceu 14,5 por cento, a maior expansão econômica da América Latina e a terceira mais rápido do mundo (depois de Qatar e Singapura).CIA Em 2011, o crescimento econômico desacelerou para 6,4%, mas manteve-se superior à média global. No entanto, a desigualdade de renda e o subdesenvolvimento permanecem, assim como a dependência econômica do setor primário.

Etimologia O topônimo Paraguay tem origem relativamente incerta; sabe-se que provém do guarani e que teria sido dado inicialmente ao rio, porém não há uma etimologia fidedigna de seu significado no idioma. As alternativas prováveis são "águas do mar" (de pará, "mar", guá, que denota origem, e ý, "água", significando "água que vem do mar", onde "mar" provavelmente se refere ao Pantanal) ou uma modificação de payagua-í ("água" ou "rio dos paiaguás").

Em guarani, costuma-se escrever o nome como Paraguái, e usa-se, ocasionalmente, a forma Paragua-y para se referir à cidade de Assunção. Em tupi, o vocábulo teria origem no termo Paragoáy (de paragoá, "papagaio" e ý, "rio"), com o significado de "rio do papagaio".GONÇALVES DIAS, Antônio. Diccionario da lingua tupy, chamada lingua geral dos indigenas do Brazil. F.A. Bockhaus, 1858. Disponível em Google Books Eduardo de Almeida Navarro defende que o nome do país e do rio provém da língua guarani antiga, significando "rio dos paraguás" pela junção de paragûá (paraguá, uma variedade de psitacídeo) e 'y (rio).NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 371.

História

Era Pré-Colombiana

thumb|esquerda|Família guarani capturada por caçadores de índios, tela de Jean Baptiste Debret de 1830

Os vestígios mais antigos de presença humana no Paraguai são datados de oito mil anos atrás.

Quando da chegada dos espanhóis ao atual território paraguaio, o Paraguai Oriental, ou seja, a área do seu território entre os rios Paraná e Paraguai, que é uma zona de floresta subtropical úmida, era habitada predominantemente por povos agricultores guaranis (destacando-se os caiuás, mbiás e avá-guarani) ou afiliados aos guaranis, enquanto que o Paraguai Ocidental, dominado pelo Chaco, uma planície com características de Pampas e Llanos, era habitado por grupos de caçadores-coletores.

Período Colonial Os primeiros europeus chegaram ao Paraguai no início da colonização espanhola da América. Um náufrago da expedição de Juan Díaz de Solís, o português Aleixo Garcia, que partiu do litoral do atual estado brasileiro de Santa Catarina em 1524,Alejo García, em espanhol, acesso em 07 de setembro de 2017. e o veneziano Sebastião Caboto, que subiu o Rio Paraná em 1526, foram os primeiros europeus a chegarem ao interior da Bacia do Prata, o que inclui o atual Paraguai, mas coube ao espanhol Domingo Martínez de Irala a primazia dos primeiros núcleos coloniais (1536–1556). Irala lançou os fundamentos do Paraguai e sua política de colonização consistiu na delimitação das fronteiras com a América Portuguesa através da construção de uma linha de fortes contra a expansão portuguesa, na fundação de vilas e na intensa miscigenação de espanhóis com guaranis, base da formação da população do país.Rivarola, Juan Bautista (1952) La Ciudad de Asunción y la Cédula Real del 12 Setiembre de 1537: Una Lucha por la Libertad (The City of Asunción and the Royal Decree of 12 September 1537: A Fight for Freedom) A. G., Impr. Militar, Asunción, Paraguay, , em espanhol Irala teve várias esposas indígenas e com elas vários filhos e, com isso, é antepassado de grande parte dos paraguaios.

A cidade de Assunção, fundada em 15 de agosto de 1537 por Juan de Salazar y Espinosa, espanhol que veio para a América do Sul na mesma expedição de Irala, logo se tornou o centro de uma província nas colônias espanholas na América do Sul, conhecida como "Província Gigante de Indias". De Assunção partiram exploradores que fundaram mais de 70 cidades no interior da América do Sul, como a boliviana Santa Cruz de la Sierra (1561) e as argentinas Córdoba (1573), Santa Fé (1573) e Corrientes (1588), além dos que fizeram a segunda e definitiva fundação da cidade Buenos Aires (1580). Além disso, a atual capital paraguaia era ponto de parada dos navios que transportavam a prata vinda da Bolívia e do Peru até o porto de Sevilha, na Espanha. thumb|Cabildo colonial de Assunção (1537–1811)

Em 1604, durante o governo de Hernandarias de Saavedra, os primeiros jesuítas chegaram ao Paraguai e muitos outros vieram em seguida. Esses padres criaram aldeias conhecidas como "missões" ou "reduções", nas quais os indígenas eram catequisados e protegidos contra caçadores de escravos. Inicialmente instaladas na região do Guayrá (atual estado brasileiro do Paraná) e expandindo-se rapidamente para o sudoeste, estabelecendo-se nos arredores do Rio Tebicuary, as missões tinham certa autonomia em relação ao governo sediado em Assunção, o que incomodou muitos colonizadores. Até a expulsão dos jesuítas, em 1767, estima-se que entre 200 e 250 mil indígenas viveram nas 32 reduções na região, as quais sofriam constantes ataques de bandeirantes e caçadores de escravos espanhóis, com o objetivo de escravizar os indígenas.

Sobre a economia e organização colonial paraguaia, Mendes Júnior e Maranhão afirmam:

Em 1617, ainda no governo de Hernandarias de Saavedra, a Província Gigante de Indias foi dividida em duas governadorias: a do Paraguai e a de Buenos Aires. Dessa forma, o Paraguai perdeu a zona marítima do estuário do Rio da Prata, ficando isolado no interior do continente. Posteriormente, o último acesso paraguaio ao mar foi perdido e pertencia às terras do território de Mbiazá ou Yviazá (ou La Vera), que correspondia ao atual estado brasileiro de Santa Catarina, território no qual se encontrava o porto de San Francisco de Mbiazá, fundado em 1538.

Após as revoluções comuneras no início do século XVIII, a Coroa Espanhola impôs sanções ao Paraguai, enfraquecendo a sua economia. Em 1767, os jesuítas foram expulsos do Império Espanhol, o que diminuiu a importância econômica do país. Em 1776, foi criado o Vice-Reino do Rio da Prata, sediado em Buenos Aires, englobando o atual território paraguaio.

Independência e décadas posteriores thumb|esquerda|upright|Litografia de Rodríguez de Francia Em 15 de maio de 1811, o Paraguai declarou a sua independência da Espanha, de modo totalmente pacífico. O Dr. José Gaspar Rodríguez de Francia, mais conhecido como o "Dr. Francia", ou "O Supremo", assumiu a liderança do país, governando-o até sua morte, em 1840. Durante seu governo, o Dr. Francia isolou o Paraguai do resto do mundo, não mantendo relações com nenhum país e proibindo a emigração e a imigração.The Rise and Fall of the Paraguayan Republic, 1800-1870

Ele reprimiu a oposição ao regime e utilizou a política isolacionista como meio de deter as ambições expansionistas do Brasil e da Argentina e a penetração estrangeira. A fim de evitar a necessidade de comércio exterior, o ditador estimulou a autossuficiência agrícola, mediante a introdução de novas culturas e desenvolveu as manufaturas. Essa política isolacionista contribuiu para preservar o caráter homogêneo do povo paraguaio e seu espírito de independência.

Sobre este caudilho, afirmam Antônio Mendes Junior e Ricardo Maranhão:

Os López e a Guerra do Paraguai

thumb|upright|O ditador paraguaio Francisco Solano López (1862–1870), que iniciou a Guerra do Paraguai

Com a morte de Francia, assumiu a presidência o seu sobrinho, Carlos Antonio López (1840–1862), que acabou com o isolamento do país, expandiu o comércio externo e transformou o Paraguai em um dos países mais desenvolvidos da região, por meio da industrialização e do envio dos melhores estudantes para estudar em universidades europeias. Durante seu governo, o Brasil e a Argentina reconheceram a independência paraguaia.

No entanto, durante o governo de Carlos Antonio, aumentavam as tensões entre o Paraguai e o Brasil e Argentina. O ditador argentino Juan Manuel Rosas ergueu obstáculos ao comércio exterior paraguaio, mediante bloqueio econômico, enquanto reavivavam-se disputas fronteiriças. Consciente do perigo, López tratou de fortalecer o exército, que seu filho, Francisco Solano López , teria amplas oportunidades de usar. Treinado por oficiais alemães e equipado com armas europeias modernas, o exército paraguaio tornou-se uma força formidável empregada numa aventura expansionista.