A Rua dos Caldeireiros é um arruamento nas freguesias da Sé e Vitória da cidade do Porto, em Portugal.

História A primeira referência documental a este rua data de 1234. Sabermos, no entanto, que o arruamento é muito anterior. Continuação natural da rua do Souto - com a qual partilhava o nome - estabelecia a ligação entre o núcleo primitivo do burgo, no morro de Pena Ventosa e a porta do Olival da Muralha Fernandina do Porto e, daí, para as estradas de Braga e de Vila do Conde e Viana do Castelo, integrada no Caminho de Santiago.Freguesia da Vitória

Quando em 1522 foi rasgada a rua das Flores, a parte da antiga rua do Souto que lhe ficava a ocidente passou a assumir outras designações. Rua da Laje e da Ferraria de Cima foram nomes que ao arruamento adoptou nos séculos seguintes. "Ferraria de Cima", por oposição à "Ferraria de Baixo" (hoje a rua do Comércio do Porto), ambos locais onde funcionavam as oficinas dos ferreiros.Explicação breve acerca das duas antigas ferrarias

Os ferreiros tinham Nossa Senhora da Silva como padroeira das respetivas irmandades. A dos ferreiros de cima foi constituída no hospital de São João Batista, localizado na mesma rua, a 22 de agosto de 1599. Em 1682, as confrarias dos ferreiros de cima e dos ferreiros de baixo foram obrigadas judicialmente a juntarem-se, por sentença dimanada do Juízo da Correição do Cível e confirmada pelo Senado da Relação que ordenava que "se unissem os confrades delas, os da parte de baixo com os da parte de cima", e que ao serviço da Confraria que resultasse dessa fusão, "houvesse só um livro de receita e despesa, um só compromisso [i.e., estatutos], um só escrivão e um só provedor".

Em 1616 temos referências à "rua da Caldeiraria", encontrando-se a denominação atual da Rua dos Caldeireiros pela primeira vez em 1780.Toponímia

A sede da nova Confraria de Nossa Senhora da Silva passou a ser na atual rua dos Caldeireiros. A unificação das confrarias implicou, também, alterações com os hospitais. Assim, ao já existente hospital de São João Batista, juntaram-se os hospitais de Santa Catarina e de Santiago, vindos da beira-rio. O hospital de Santiago funcionava, principalmente, como albergaria para apoio aos peregrinos e tinha como obrigação "dar camas boas e limpas em que se possam albergar nove desses peregrinos aos quais serão dadas rações de entrada e saída, e lume, água e sal quanto lhes fizer mister". Os ferreiros foram sempre grandes devotos de Nossa Senhora da Silva, de São João Batista e de São Baldomero, cujas imagens figuram na capela da irmandade com destaque, naturalmente, para a de Nossa Senhora da Silva.

Também na rua dos Caldeireiros, na esquina com a rua das Flores, funcionou o antigo hospital de Rocamador, o primeira a ser fundado no Porto, ainda no tempo de D. Sancho I, ampliado e completamente reformulado pela Santa Casa da Misericórdia do Porto, passando a adotar o nome de hospital de D. Lopo de Almeida. Este tornou-se o principal centro hospitalar da cidade até à abertura do hospital de Santo António em 1799.História da Santa Casa da Misericórdia do Porto

Ainda na rua dos Caldeireiros existiu, até 1869, o cruzeiro do Senhor da Boa Fortuna. Tendo desaparecido o cruzeiro, conserva-se ainda a imagem num nicho que se encontra na esquina da viela do Ferraz.

Ligações externas

Categoria:Logradouros da Área Metropolitana do Porto Categoria:Sé (Porto) Categoria:Vitória (Porto) Caldeireiros