300px|thumb|Retrato do Sá das Galés (c. 1750), autor desconhecido João Rodrigues de Sá, conhecido como o das Galés (Porto, 1355 - Porto, 1425), foi alcaide-mor do Porto e seguidor do partido do Mestre de Avis durante a crise dinástica de 1383-85 em Portugal.
Família Era filho de Rodrigo Anes de Sá e de sua segunda mulher Cecilia Colonna, neta paterna por bastardia de Sciarra Colonna e meia-prima-irmã de D. Agapito Colonna, Cardeal-Bispo de Lisboa.
Biografia Durante o cerco imposto a Lisboa por João I de Castela, João Rodrigues de Sá, vindo do Porto, lutou com sucesso contra as galés castelhanas, o que lhe valendo o epíteto de o da Galés, pelo qual passou a ser conhecido. Destacou-se, também, na batalha de Aljubarrota e na reconquista de Guimarães que estava em poder dos castelhanos. A 29 de Março de 1384 foi feito 1.º Senhor de juro e herdade de Sever e do Barreiro, a 25 de Outubro de 1385 1.º Senhor de juro e herdade de Castro Daire e a 24 de Janeiro de 1386 1.º Senhor de juro e herdade de Neiva.
Como reconhecimento pelos seus serviços, D. João I, entre outras honrarias, nomeou-o em 1386 seu camareiro-mor da Casa Real, cargo que passaria aos seus descendentes. Foi seu Embaixador em Roma, nos Estados Pontifícios, e, após difíceis negociações, conseguiu do papa Bonifácio IX a autorização para que o rei contraísse matrimónio, a que estava impossibilitado pelo facto de ser mestre e cavaleiro professo da Ordem de Avis. A 2 de Março de 1387 sucedeu a seu pai como 2.º Senhor de juro e herdade de Gaia e a 8 de Julho de 1391 foi feito 1.º Senhor de juro e herdade do Castelo de Lindoso.
João Rodrigues de Sá ascendeu ao cargo de alcaide-mor do Porto a 21 de Fevereiro de 1392, mas só em 1406 é que o bispo D. Gil Alma, mediante a promessa de 3000 libras, desiste de toda a soberania exercida até à data sobre o burgo. A governação do Porto é entregue, por decisão de D. João I, a João Rodrigues de Sá, colocando um ponto final nos conflitos entre a coroa e a diocese do Porto acerca da jurisdição do burgo. Foi, ainda, entre outras coisas, governador de Entre Douro e Minho em 1397 e feito 1.º Senhor de juro e herdade de Bouças a 18 de Fevereiro de 1399.
Casamento e descendência Casou com Maria Rodrigues Machado, filha de Rodrigo Afonso Machado e de sua mulher Aldonça Anes de Figueiredo. Do Sá das Galés descendem os condes de Penaguião, de Matosinhos, de Wilson e os marqueses de Abrantes. Antes do casamento teve uma filha natural de Inês Rodrigues e do casamento teve quatro filhos: Guiomar de Sá (c. 1379 - ?), legitimada por Carta Real de 7 de Outubro de 1389, casada com João Vasques, Escudeiro do Porto, o qual poderá ter sido Alcaide Menor do Porto em 1375 em substituição de Gonçalo Vasques Calordo, com geração feminina Fernão de Sá, senhor de Sever, casado Filipa da Cunha, filha de Gil Vasques da Cunha, alferes-mor do reino, com geração, na qual se destacaram seu neto, Garcia de Sá, governador da Índia e seu tetraneto, D. João Rodrigues de Sá, 1.º conde de Penaguião Rodrigo Anes de Sá, Cónego e Juiz dos Feitos e Causas da Sé de Braga em 1426, Arcediago de Labruge e Abade de Santa Madalena, etc, referido no Testamento de seu pai e que foi Testamenteiro do Escudeiro Lourenço Martins de Avelar a 4 de Setembro de 1403, e que, de Luísa de Barros, teve uma filha sacrílega: Filipa de Sá, casada com João Gonçalves de Crescente (c. 1426 - ?), Cavaleiro da Casa de D. João II de Portugal e criado do Bispo de Coimbra D. João Galvão, que lhe deu o Prazo do Curval, com geração Gonçalo de Sá (? - d. 30 de Junho de 1469), Senhor de Aguiar de Sousa de juro e herdade a 28 de Janeiro de 1433, Coudel dos Vassalos Reais do Porto e Vereador do Senado da Câmara desta cidade, onde fez Testamento a 30 de Junho de 1469, casado primeira vez com Isabel de Magalhães, filha de Diogo Afonso de Magalhães e de sua mulher Inês Vasques, sem geração, e casado segunda vez com Inês Vasques ou Vaz Ribeiro (? - 1459), Instituidora do Morgado de Canidelo, que fez Testamento no Porto a 20 de Setembro de 1428, com Instrumento de Aprovação de Cédula e Testamento feito no Porto a 11 de Janeiro de 1459, viúva sem geração de Álvaro Afonso de Beire ou de Veire ou Dinis (c. 1390 - 1428), Vereador do Senado da Câmara do Porto em 1428, por sua vez também viúvo e com geração, sem geração, mas que teve um filho bastardo e uma filha bastarda de mulheres diferentes, a filha de Isabel Esteves: Guiomar de Sá (? - d. 1483), legitimada por Carta Real de D. Afonso V de Portugal de data desconhecida de 1442, e que, a 10 de Novembro de 1483, efectivou o legado de Missas em São Francisco que seu pai tinha instituído em Testamento, casada primeira vez com Fernando Álvares da Maia (Porto, c. 1422 - ?), e casada segunda vez c. 1476 com André Barbosa (? - d. 1483) João Anes de Sá, Senhor de Baltar de juro e herdade, casado com D. Francisca de Sousa
Referências Manuel Abranches de Soveral, Ascendências Visienses. Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII, Porto 2004, ISBN 972-97430-6-1.
Categoria:Portugueses de ascendência italiana Categoria:Naturais do Porto Categoria:Personalidades da Área Metropolitana do Porto Categoria:Camareiros-mores da Casa Real Categoria:Embaixadores de Portugal na Santa Sé Categoria:Apoiantes de D. João, Mestre de Avis Categoria:Portugueses envolvidos na Batalha de Aljubarrota