A Linha do Sul é uma ferrovia portuguesa que liga a estação de Campolide A, em Lisboa, à estação de Tunes, no Algarve, numa distância total de 273,6 km. O primeiro troço da linha, entre o Pinhal Novo e Setúbal, entrou ao serviço em 1861 pela Companhia Nacional dos Caminhos de Ferro ao Sul do Tejo,MARTINS et al, 1996:51 e em 1869 passou para a posse do estado, que o prolongou até à Funcheira em 25 de Maio de 1920.REIS et al, 2006:26 A linha foi integrada na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses em 1927, e em 2003 foi prolongada até Lisboa, atravessando o Rio Tejo pela Ponte 25 de Abril.REIS et al, 2006:202-203 O troço entre o Pinhal Novo e a Funcheira foi até 1992 classificado como a Linha do Sado, sendo que até essa data classificava-se como Linha do Sul o troço Barreiro - Vila Real de Santo António via Vendas Novas e Beja (atualmente denominado Linha do Alentejo).

thumb|left|Estação de Campolide A, PK 0 da Linha do Sul. thumb|left|Linha do Sul, perto de Azinheira dos Barros, no concelho de Grândola.

Caracterização thumb|upright|left|Comboio urbano 17264 (“Linha do Sado”: Praias do Sado A - Barreiro) da CP Lisboa, a entrar no Túnel das Fontainhas, na Linha do Sul, em 2008. É a segunda linha ferroviária mais importante de Portugal, a seguir à Linha do Norte , ligando Lisboa a Tunes e daí — através da Linha do Algarve — a Faro. Esta linha está totalmente electrificada e é maioritariamente em via única, com alguns troços de via dupla.

Tráfego de passageiros Entre Campolide e Setúbal existe um forte tráfego de comboios suburbanos explorados por uma empresa privada, a Fertagus, que detém até final de 2019Fertagus prorroga concessão até 2019 - Grupo Barraqueiro a concessão deste serviço. Os restantes serviços estão a cargo da CP.

Material circulante Entre o material circulante diesel utilizado nesta linha, estiveram as locomotivas da Série 1200, que rebocavam serviços urbanos entre o Barreiro, Setúbal e Praias-Sado. Estas locomotivas também foram utilizadas para rebocar os comboios regionais ao longo da linha, até à Funcheira. Outras séries utilizadas nesta linha incluíram a 1520, que em Outubro de 1992 estava a rebocar comboios urbanos entre o Barreiro e Praias-Sado, e a Série 1900, nos comboios de carvão a partir de Neves-Corvo. Em termos de automotoras, regista-se a passagem da Série 0600, que em 1999 entrou ao serviço na Linha do Sado.

Quanto a material eléctrico, destacam-se as automotoras da Série 4000, utilizadas nos comboios Alfa Pendulares entre o Porto e Faro, as automotoras Séries 2300/2400 e Série 3500 nos urbanos, as automotoras Série 2240 nos regionais Barreiro - Faro e nos urbanos (em substituição das Séries 2300/2400), as locomotivas da Série 5600 nos serviços Intercidades e de mercadorias e Série 4700 nos serviços de mercadorias.

Tráfego de mercadorias Ao longo do século XX, as estações desta linha tiveram um importante movimento de carga com as estações no Algarve, da Área Metropolitana de Lisboa, com predominância para a Península de Setúbal. As estações de Santa Clara-Sabóia, Pereiras, São Marcos da Serra, Setúbal e Alvalade exportaram madeiras e lenhas em grande quantidade,CAVACO, 1976:436 enquanto que Setúbal recebeu farinhas e óleos e peixe, e azeite em embalagens, sendo todas estas mercadorias originárias do AlgarveCAVACO, 1976:438-439 Outra estação de grande importância em termos de tráfego de carga foi São Bartolomeu de Messines, onde se centrava um dos principais núcleos industriais de panificação no Algarve. Por outro lado, a Linha do Sado permitiu um movimento de mercadorias mais rápido entre o Algarve e o resto de Portugal, especialmente as áreas portuárias de Setúbal e Lisboa.CAVACO, 1976:435-438 Num artigo publicado no jornal Diário de Notícias de 22 de Novembro de 1929, um importante lavrador da região do Alentejo afirmou que anualmente chegavam pelos caminhos de ferro e por via marítima mais de 200 mil sacas de adubo, testemunhando a importância dos transportes como promotores do desenvolvimento da agricultura na região.QUARESMA, 2009:56

Outros importantes serviços de mercadorias foram os comboios de carvão desde o Porto de Sines até à Central Termoeléctrica do Pego, iniciados na década de 1990, de minério desde as Mina de Neves-Corvo,REIS et al, 2006:220 e de automóveis desde o complexo da AutoEuropa, em Palmela, até ao Porto de Setúbal.REIS et al, 2006:222

Dado que todo o tráfego de mercadorias está proibido na Ponte 25 de Abril, todos os serviços deste tipo são efectuados via Linha de Vendas Novas, não existindo assim serviços de mercadorias na Linha do Sul a norte do Ramal da Siderurgia Nacional.

Variante de Alcácer Entre os (um pouco a sul da estação de Pinheiro) e (junto à estação da Somincor)(I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20 existe desde início do século XXI um troço com cerca de 29 km extensão que substitui o traçado original: designa-se Variante de Alcácer por evitar esta estação, bem como como as de Monte Novo - Palma e de Vale do Guizo; com efeito este traçado variante não contempla qualquer interface de passageiros. Inclui não obstante quatro viadutos: O primeiro é sobre a ribeira de São Martinho com 852 m, o segundo sobre ribeira de Água Cova com 271 m, o terceiro sobre o Rio Sado com aproximadamente 2735 m e o último sobre o IC1 com 52 metros. Situa-se neste troço, ao , a zona neutra da Variante de Alcácer (assim singularmente designada, ao contrário de quase todas as restantes, que tomam o nome da interface mais próxima) que divide em duas partes, isolando-as, o segmento da Linha do Sul eletrificado pela subestação de tração de de Monte Novo - Palma, em paralelo com a zona neutra daquela estação.Diretório da Rede 2024. I.P.: 2022.12.09

História + Fases da inauguração (por ordem geográfica) Estações Inauguração Nomes anteriores Nomes posteriores Campolide – Fogueteiro 17,730 29 de Julho de 1999 Eixo Norte-Sul Fogueteiro – Pinhal Novo 19,076 24 de Julho de 2003 Eixo Norte-Sul Pinhal Novo – Setúbal 12,800 1 de Fevereiro de 1861 R. Setúbal / L.ª Sado Setúbal – Alcácer do Sal 40 25 de Maio de 1920 Linha do Sado Pinheiro - Somincor 27,812 12 de Dezembro de 2010 Variante de Alcácer Variante de Alcácer Alcácer do Sal – Grândola 25 14 de Julho de 1918 Linha do Sado Grândola – Canal Caveira 6 22 de Outubro de 1916 Linha do Sado Canal Caveira – Lousal 13 20 de Setembro de 1916 Linha do Sado Lousal - Alvalade 13 20 de Setembro de 1916 Linha do Sado Alvalade - Garvão (Funcheira) 11 20 de Setembro de 1916 Linha do Sado Garvão (Funcheira) - Amoreiras 6,626 3 de Junho de 1888 C.º de Ferro do Sul Amoreiras - Odemira - Faro 113,830 1 de Julho de 1889 C.º de Ferro do Sul L.ª Algarve (Tunes a Faro) Faro - Olhão 10 1 de Maio de 1904 C.º de Ferro do Sul Linha do Algarve Olhão - Fuseta 8 1 de Setembro de 1904 C.º de Ferro do Sul Linha do Algarve Fuseta - Luz 1 4 de Fevereiro de 1905 C.º de Ferro do Sul Linha do Algarve Luz - Tavira 6 10 de Março de 1905 C.º de Ferro do Sul Linha do Algarve Tavira - V. R. de Santo António 31 14 de Abril de 1906 C.º de Ferro do Sul Linha do Algarve V.R.S.A. - V.R.S.A.-Guadiana 0,963 24 de Janeiro de 1952 C.º de Ferro do Sul Linha do Algarve

Antecedentes

Um dos primeiros projectos ferroviários em Portugal foi a apresentação, em 1844, de uma linha entre Alcácer do Sal e o Alentejo, de modo a complementar as deficientes ligações rodoviárias e marítimas nesta região.MARTINS et al, 1996:8-11

Troço entre o Pinhal Novo e Setúbal Em meados do século XIX, a Companhia Nacional dos Caminhos de Ferro ao Sul do Tejo propôs uma linha entre a região do Alentejo e margem Sul do Rio Tejo, onde se ligaria a Lisboa por via fluvial. Este projecto foi dividido em duas metades pelo governo, sendo a Companhia Nacional responsável pelo troço desde a margem Sul até Vendas Novas, enquanto que a Companhia do Sueste deveria continuar a linha até Beja e Évora.SANTOS, 1995:107

Desta forma, a Companhia Nacional inaugurou o troço entre o Barreiro e Vendas Novas em 1 de Fevereiro de 1861, com um ramal entre o Pinhal Novo e Setúbal.MARTINS et al, 1996:242 Ambos os lanços utilizavam originalmente a bitola padrão, enquanto que a Companhia do Sueste já tinha iniciado a construção além de Vendas Novas, em Bitola ibérica, forçando ao transbordo de passageiros e mercadorias entre comboios naquela estação.SANTOS, 1995:108 De forma a tentar resolver este problema, o governo nacionalizou a Companhia Nacional em finais de 1861, e fundiu-a com a Companhia do Sueste em 1864.SANTOS, 1995:109 O contrato entre o governo e a Companhia do Sueste incluía a obrigatoriedade de mudar a bitola das antigas linhas da Companhia Nacional, e a construção de uma nova estação em Setúbal, num local diferente.SANTOS, 1995:113 No ano seguinte, esta empresa começou a alterar a bitola nas antigas linhas da Companhia Nacional, incluindo o Ramal de Setúbal. Em 1869, a Companhia do Sueste também foi nacionalizada, ficando o estado a explorar directamente a rede ferroviária, formando a divisão dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste.

Originalmente, o Ramal de Setúbal tinha sido construído utilizando carris de ferro em forma de T duplo assimétrico, no sistema champignon simples, com um peso de 30 Kg por metro, seguros por coxins. Os carris foram parcialmente substituídos por outros mais resistentes, quando a Companhia do Sueste alargou a bitola da via férrea, tendo os antigos carris sido utilizados noutras linhas, como o lanço entre Beja e Quintos do Ramal de Moura. Após a integração da divisão do Sul e Sueste, passou a usar carris de aço de perfil vignole, com 30 Kg, do tipo padrão nos caminhos de ferro estatais.

thumb|left|Antiga Ponte Ferroviária de Magra, ao PK 237,835 da Linha do Sul, demolida na primeira metade do século XX. Troço entre a Funcheira e Tunes Os lanços do Barreiro a Vila Real de Santo António, via Beja, foram construídos originalmente como parte do Caminho de Ferro do Sul, igualmente denominado de Linha do Sul. Assim, o lanço entre a Funcheira e Amoreiras-Odemira entrou ao serviço em 3 de Junho de 1888, em conjunto com o tramo entre a Funcheira e Casével, enquanto que o tramo de Amoreiras a Faro abriu à exploração em 1 de Julho de 1889.

Troço entre Setúbal e Funcheira Primeira fase Em 1877, o engenheiro e político Sousa Brandão defendeu a continuação da linha de Setúbal até ao Algarve, porque proporcionava uma viagem mais rápida até esta região a partir de Lisboa do que o Caminho de Ferro do Sul, que tinha de dar a volta por Beja. Por outro lado, esta linha seria de fácil construção, apenas se verificando algumas dificuldades na transição do Esteiro da Marateca, e passaria por zonas de elevada produção florestal, mineira e agrícola, no vale do Rio Sado. Esta região, apesar de bastante rica, tinha graves problemas de comunicações, que se esperava que fossem resolvidos pelo caminho de ferro. Com efeito, em 1872 e 1880 foram registados várias jazidas mineiras no concelho de Grândola, e quando se iniciou a exploração das minas, como as da Caveira, Santa Juliana e Aljustrel, o principal meio de transporte eram as carroças dos almocreves, que carregavam a produção mineira até ao porto fluvial de Alcácer do Sal. Nalguns casos, este tráfego continuou mesmo após a construção do caminho de ferro.GUIMARÃES, 2001:118 Ainda na década de 1860, tinha sido estudada uma linha desde a mina da Caveira até Alcácer do Sal, tendo-se chegado à conclusão que não seria muito dispendiosa, mas este projecto não chegou a avançar, tendo-se continuado a utilizar os carros a tracção animal.GUIMARÃES et al, 2001:81-82 Os registos das jazidas de minério no concelho estiveram relacionados com os projectos para a construção da Linha do Sado.GUIMARÃES, 2001:133