Araçuaí é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Jequitinhonha, estando situado a cerca de a nordeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
O município foi emancipado em 1871 e seu Centro Histórico preserva características do final do século XIX e começo do século XX, sobressaindo-se casarões, igrejas e estabelecimentos de valor histórico e paisagístico. As atividades econômicas mais importantes são a mineração, o comércio e a prestação de serviços. Teve o registro de cidade mais quente do Brasil obtido durante a onda de calor de novembro de 2023.
Topônimo
De acordo com o filólogo Eduardo de Almeida Navarro, Araçuaí provém da língua tupi, por meio da composição entre as palavras araso’iá (araçoia) e ‘y (rio), significando portanto “rio das araçoias”.
Até ser elevado à categoria de vila, em 1857, o lugar foi chamado de Calhau, devido à grande quantidade de calhais existentes na região.
História thumb|esquerda|upright|Mapa do município em 1939, antes com nome de "Arassuaí". Antes da chegada de forasteiros, o atual município de Araçuaí foi habitado pelos tocoiós e botocudos. Por volta de 1830, havia um povoamento na confluência dos rios Araçuaí e Jequitinhonha, denominado Aldeia do Pontal, onde se encontra o distrito de Itira. Padre Carlos de Moura Murta expulsou dali canoeiros e prostitutas que promoviam festas barulhentas, que foram abrigados na Fazenda Boa Vista da Barra do Calhau pela proprietária, a mulata Luciana Teixeira. Esse movimento deu origem a um arraial, que ficou conhecido como "Calhau", devido à fartura de pedras lisas e arredondadas.
O novo arraial se tornou um ponto de parada de canoeiros e viajantes. Em sequência, foi observado um desenvolvimento populacional e econômico em função da pecuária, agricultura e do artesanato de ferro, cerâmica e couro, superando o núcleo urbano original, em Itira. Assim, mediante a lei provincial nº 471 de 1º de junho de 1850, foi reconhecido o distrito denominado Calhau, pertencente a Minas Novas. Foi emancipado pela lei provincial nº 1.780 de 21 de setembro de 1871, com o nome de "Arassuaí".
Em 1942, a sede da cidade passou a ser atendida pela Estrada de Ferro Bahia e Minas (EFBM), que ligava Araçuaí ao município de Caravelas, na Bahia. Nesse tempo, as estradas para veículos eram precárias, então a via férrea se tornou uma opção relevante de viagens de negócio e lazer, transporte de produtos e correios, sendo responsável por um impulso no desenvolvimento municipal. Entretanto, a ferrovia foi desativada e extinta na década de 1960. Embora a infraestrutura das rodovias tenha se desenvolvido, a cidade foi impactada pelo fim do transporte ferroviário.
No decorrer dos séculos XIX e XX, o município passou por diversas modificações territoriais, com sucessivas criações e emancipações de distritos. De Araçuaí foram desmembrados, por exemplo, os municípios de Itaobim, Comercinho, Medina (1938), Novo Cruzeiro, Itinga (1943) e Virgem da Lapa (1948). Perante a lei estadual nº 336 de 27 de dezembro de 1948, a grafia foi alterada de "Arassuaí" para "Araçuaí".
Geografia O município de Araçuaí limita-se com Itinga (a nordeste e norte), Coronel Murta (norte e noroeste), Virgem da Lapa, Francisco Badaró (oeste), Jenipapo de Minas (sudoeste), Novo Cruzeiro (sul e sudoeste), Caraí (sudeste), Padre Paraíso e Ponto dos Volantes (leste). A sede dista por rodovia da capital mineira, Belo Horizonte. As principais estradas que atendem ao município são a BR-367, que corta a cidade, BR-342, LMG-676 e LMG-678.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediárias de Teófilo Otoni e Imediata de Araçuaí. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Araçuaí, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Jequitinhonha.
Relevo e meio ambiente O relevo do município é consideravelmente variado, com 60% de sua área acidentada, 30% ondulada e 10% plana. A altitude mínima se encontra no leito do rio Jequitinhonha, com , enquanto que a altitude máxima chega aos na Chapada da Cavalhada. Já o ponto central da cidade está a . Os tipos de solo predominantes são os latossolos vermelho-amarelo e vermelho-escuro.
Araçuaí integra a bacia do rio Jequitinhonha, que banha o distrito de Itira. Além do Jequitinhonha, os principais mananciais que intercedem a área municipal são os rios Araçuaí, Gravatá e Piauí. O rio Araçuaí irriga a zona urbana e sua foz no rio Jequitinhonha se encontra em Itira. O município é banhado ainda por diversos cursos hídricos de menor porte, que vertem para os leitos principais, porém são comuns os mananciais intermitentes, que secam durante longos períodos de estiagem.
Apesar do predomínio do clima quente e seco, períodos pontuais de chuvas contínuas e intensas, associados aos impactos ambientais de ocupações indevidas do solo, são responsáveis por enchentes reincidentes do rio Araçuaí e seus afluentes na cidade. A mais grave, em fevereiro de 1979, deixou desabrigados, casas destruídas e perdas consideráveis na agricultura em Araçuaí.
O bioma original predominante é a Mata Atlântica, mas a vegetação nativa foi consideravelmente suprimida pelas atividades econômicas locais, sendo substituída sobretudo por pastagens agropecuárias. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município foi o segundo em Minas Gerais e o quinto no Brasil que mais desmatou áreas de Mata Atlântica no período de outubro de 2021 a outubro de 2022, suprimindo de vegetação nesse período. O clima cada vez mais quente e seco, associado à degradação do solo, fez com que surgissem áreas propensas à desertificação em Araçuaí.
Clima O clima araçuaiense é caracterizado como semiárido brando (tipo BSh segundo Köppen), com temperatura média anual de , sendo a máxima anual de e a mínima de . A pluviosidade média é de cerca de , concentrados de novembro a março. No entanto, as mudanças climáticas têm afetado o município com secas cada vez mais severas, propiciando o processo de desertificação no semiárido, que também é favorecido pelo desmatamento. As alterações do clima são evidenciadas pelo encurtamento e irregularidade das estações chuvosas, com chuvas volumosas concentradas em períodos de tempo menores, enquanto os períodos secos estão mais demorados e as temperaturas médias cada vez mais altas.
As chuvas são irregulares e concentradas em períodos curtos, mas são capazes de provocar enchentes e enxurradas. Podem ainda vir acompanhadas de descargas elétricas e rajadas de vento. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1931 a menor temperatura registrada em Araçuaí foi de em 28 de julho de 1942, porém o recorde mínimo absoluto desde 1918, quando tiveram início as medições, foi de em 12 de julho de 1927. A máxima absoluta atingiu em 19 de novembro de 2023, durante uma onda de calor intensa. Esse foi o recorde de maior temperatura do Brasil pelo INMET, superando os observados em Bom Jesus, Piauí, em 21 de novembro de 2005.
O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de milímetros (mm) em 7 de dezembro de 2000. Outros grandes acumulados iguais ou superiores a foram: em 24 de novembro de 1945, em 18 de dezembro de 1943, em 4 de dezembro de 1983, em 2 de janeiro de 1960, em 29 de outubro de 1949, em 24 de fevereiro de 1968, em 25 de novembro de 1996, em 29 de novembro de 1987 e 13 de novembro de 2000, em 7 de fevereiro de 1944 e em 5 de novembro de 2002.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, habitantes eram homens (49,02%) e habitantes mulheres (50,98%). Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana (74,28%) e na zona rural (25,72%). Segundo o IBGE, Araçuaí é considerada um centro sub-regional na hierarquia urbana brasileira, ao exercer influência regional com relação à gestão e disponibilidade de serviços e na gestão do território. Trata-se do quarto município mais populoso do Vale do Jequitinhonha, depois de Diamantina, Almenara e Capelinha.
Da população total em 2022, habitantes (18,73%) tinham menos de 15 anos de idade, (14,92%) tinham de 15 a 24 anos, (21,58%) tinham de 25 a 39 anos, (31,83%) tinham de 40 a 64 anos e (12,94%) possuíam 65 anos ou mais. Em 2022, a população era composta por pardos (64,55%), brancos (19,87%), negros (14,88%), 225 indígenas (0,66%) e 15 amarelos (0,04%). O município também possuía pessoas quilombolas.
Quanto aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por católicos (80,92% do total), evangélicos (15,22%), 566 pessoas sem religião (1,87%), 120 espíritas (0,4%), 13 da umbanda e candomblé (0,04%) e 1,56% estão divididos entre outras religiões. Segundo divisão feita pela Igreja Católica, o município abriga a sé episcopal da Diocese de Araçuaí, que é a Catedral Santuário de São José.
Política e subdivisões A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por onze vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Araçuaí se rege por sua lei orgânica, que foi promulgada em 21 de abril de 1990, e abriga uma comarca do Poder Judiciário estadual, de segunda entrância, que tem como termos os municípios de Coronel Murta, Itinga, Padre Paraíso, Ponto dos Volantes e Virgem da Lapa. O município possuía, em maio de 2026, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Araçuaí é composta por dois distritos, além da sede, sendo eles Engenheiro Schnoor e Itira. O distrito-sede era o mais populoso em 2022, com habitantes (86,98% da população municipal), seguido por Engenheiro Schnoor, com moradores (8,67%). Essa divisão é fruto de uma série de alterações feitas na configuração do território araçuaiense desde a emancipação política da cidade, que envolveu o desmembramento de vários distritos para a criação de novos municípios. O último desmembramento ocorreu em 27 de dezembro de 1948, quando houve a emancipação de Virgem da Lapa. +Distritos de Araçuaí (IBGE/2022) Distrito Código IBGE Habitantes (2022) Domicílios particulares (2022) Araçuaí (sede) 310340505 Engenheiro Schnoor 310340510 Itira 310340515 563
Economia O Produto Interno Bruto (PIB) de Araçuaí tem seu rendimento concentrado no setor terciário da macroeconomia, mas com participação significativa da agropecuária e da mineração. Segundo dados do IBGE, relativos a 2023, o PIB do município era de R$ , ao mesmo tempo que o PIB per capita era de R$ . Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (24,5%), seguido pelo setor da alimentação (7,9%) e por serviços especializados para construção (7,15%). No mesmo ano, pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram o comércio varejista (13,9%), a administração pública (13,4%) e a extração de minerais não metálicos (10%).
A pecuária e a agricultura acrescentavam reais na economia em 2021. Dentro da agricultura, o feijão representou a maior área ocupada pela lavoura temporária municipal em hectares (ha) em 2024, com um total de cultivados, seguido pela mandioca () e pela cana-de-açúcar (). Enquanto isso, os cultivos permanentes mais representativos foram a banana (), manga () e laranja (). Com relação à pecuária, o município possuía um rebanho de galináceos, bovinos, suínos e equinos. Araçuaí produziu dúzias de ovos de galinha de galinhas, litros de leite de vacas, quilos de mel de abelha, quilos de tilápia e quilos de tambaqui.