Baependi é um município brasileiro no sul do estado de Minas Gerais. De acordo com o censo demográfico de 2022, sua população é de habitantes.
Um dos municípios mais antigos do sul mineiro, se destaca pelo turismo natural, devido às suas várias cachoeiras, e religioso, por nele ter vivido desde pequena a beata Nhá Chica.
Topônimo
O nome do município é uma referência ao Rio Baependi, cuja etimologia ainda é debatida. Para Eduardo Navarro, é um termo oriundo do tupi mba'eapiny, que significa "rio do monstro marinho" (mba'eapina, monstro marinho indígena + 'y, rio).NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 546. Outra versão, que consta na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, diz que o nome do município vem da união das palavras tupis mbae (coisa), pe (partícula interrogativa) e nde (tua), significando “que gente é essa tua?” ou “pertence-te isso”, pergunta que teria sido feita por um indígena a um dos primeiros exploradores da região. Para Teodoro Sampaio, é uma corruptela do termo tupi mbaé-pindi, que significa o limpo, em alusão a uma clareira nas matas ciliares do rio Grande, facilitando o desbravamento da região.
História esquerda|miniaturadaimagem|Baependi, 1932. Arquivo Nacional. Os primeiros habitantes da região foram os indígenas puris.
As primeiras referências à região são datadas do início do século XVII, com a passagem dos bandeirantes pela região. Alguns autores apontam que a bandeira de André de Leão, em 1601, que partiu de São Paulo e seguiu o Vale do Paraíba, alcançou a região de Pouso Alto e Baependi.
Em 1646, Jaques Félix, partindo do Vale do Paraíba Paulista à procura de jazidas de metais preciosos, alcançou o vale do Rio Verde. Em 1681, relatos dizem que já existia alguma criação de gado na região.
Por volta de 1692, os bandeirantes Antônio Delgado da Veiga, seu filho João da Veiga e o tio de Miguel Garcia Velho, o capitão Manuel Garcia Velho, partiram de Taubaté em busca de ouro e indígenas para escravizar. Transpondo a Serra da Mantiqueira, alcançaram um sítio que chamaram Maependi, nome que também deram a um rio próximo.
No início do século XVIII, paulistas chegaram à região, atraídos por notícias de ouro e também o português da Madeira Tomé Rodrigues Nogueira do Ó, junto com sua esposa lorenense Maria Leme do Prado, graças aos quais surgiu, nessa época, a povoação de Engenho, na margem direita do rio Baependi, ao redor de uma capela em louvor a Nossa Senhora de Montserrat e da casa construída pelo luso em 1717.https://www.baependi.mg.gov.br/site/download/patrimonio_historico/Igreja-Matriz-Nossa-Senhora-do-Montserrat_01_2.pdf
Em 1752, a povoação fundada pelo madeirense foi elevada à categoria de freguesia, com o nome de Baependi. Com a deterioração da capela do Engenho e o aumento populacional, em 1754, Maria Nogueira do Prado, filha de Tomé Nogueira, falecido em 1741, doou terreno para a edificação de uma nova igreja, no local da atual matriz, na margem esquerda do rio Baependi, inaugurada entre 1755 e 1756, para lá sendo transferida a sede da freguesia. Surgia, assim, ao redor do novo templo, a atual cidade de Baependi.
A mineração foi, paulatinamente, substituída pela agricultura e pela criação de gado. Destacou-se a grande lavoura do tabaco, que fez de Baependi o centro produtor da Província de Minas Gerais e que representou importante fonte de riqueza até meados do século XIX.
Por meio de Alvará de 19 de julho de 1814, Baependi foi elevada à categoria de vila, desmembrando-se de Campanha da Princesa (atual Campanha), sendo instalada em 23 de outubro do mesmo ano. Em 1829, José Marques da Rocha propôs a criação de uma nova província no Brasil, que abrangeria os territórios das vilas mineiras de Baependi e Campanha, das paulistas Lorena, Guaratinguetá, Bananal, Areias e Cunha e as fluminenses Ilha Grande, Paraty e São João do Príncipe.
As revoltas liberais de 1842 tiveram repercussão na vila sul-mineira, onde os rebeldes liberais, ainda com vitórias parciais, foram derrotados pelas tropas do Império. Posteriormente, a Lei nº 719, de 16 de maio de 1855, criou a Comarca de Baependi, então abrangendo o território da vila homônima e das vizinhas Aiuruoca e Cristina.
Ao longo de sua história, a vila e posteriormente município perdeu território para a criação de novas municipalidades como Aiuruoca (1834), Pouso Alto (1874), Caxambu (1891), Conceição do Rio Verde (1938), Cruzília (1948) e São Thomé das Letras (1962).
O município teve fortes e grandes impulsos econômicos entre o final do século XIX e durante o século XX, com a chegada da ferrovia da Viação Férrea Sapucaí, que realizava todo o escoamento agropecuário e cafeeiro da região e os distribuía aos grandes portos e aos grandes centros urbanos do país, além do transporte de passageiros, tendo sua primeira estação inaugurada em 1895. A ferrovia mudaria de nomes ao longo dos anos, sendo denominada posteriormente como Linha da Barra da Rede Mineira de Viação e fazia a ligação de Baependi com o município fluminense de Barra do Piraí.
Com a ferrovia sob o comando da Viação Férrea Centro-Oeste, os últimos trens de passageiros e de cargas circularam por Baependi no ano de 1972. Com a desativação de grandes trechos da ferrovia, os trilhos seriam retirados de Baependi logo depois, apesar da fundamental e histórica importância que possuíam para a cidade. A sua terceira e antiga estação ferroviária, datada dos anos 1930 após uma reconstrução, abriga o atual terminal rodoviário e a Câmara Municipal.
Geografia O município de Baependi está localizado no sul de Minas Gerais, a 380 km da capital, Belo Horizonte. Possui uma área de 750 km², com seu relevo fazendo parte de uma sequência de colinas, com vertentes suaves e vales rasos de fundo amplo, interrompidas por alinhamentos de cristais cortados por gargantas. O relevo é majoritariamente de ondulado a montanhoso. Está inserido no bioma Mata Atlântica.https://www.baependi.mg.gov.br/site/download/convenios_-_2021/2-Plano-Municipal-de-Saneamento-Basico-peq.pdf
Economia A economia baependiana é baseada na agricultura, comércio, artesanato, comércio de quartzito e turismo, já que a cidade possui cachoeiras, rios e montanhas. O artesanato é uma importante fonte de renda e as peças feitas em bambu, palha de milho e tronco de cafeeiro são vendidas nas grandes cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e capitais nordestinas.
Religiosidade esquerda|miniaturadaimagem|346x346px|Igreja Matriz de Nossa Senhora de Montserrat, de meados do século XVIII. Baependi é um município majoritariamente católico, segundo o censo 2022: pouco mais de 63% de sua população acima de 10 anos se declarou como sendo de tal vertente cristã.
Os templos, debruçados pelas ladeiras esguias, parecem guardar a cidade e seus habitantes. O Santuário de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecido como Igreja de Nhá Chica, é o mais visitado pelos fiéis, que também se encantam com a arquitetura e o acervo da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Montserrat (1754). As igrejas baependianas - da Matriz, de Nossa Senhora da Boa Morte (1815) e de Nossa Senhora do Rosário (1820) - tombadas pelo Patrimônio Histórico e Artístico, representam bens de grande valor para um povo que considera Nhá Chica o seu maior patrimônio espiritual.
Os evangélicos, que correspondem a cerca de 30% da população baependiana, também possuem seus templos na cidade.
Futebol Inspirado nos clubes cariocas, Baependi conta hoje com dois tradicionais clubes de futebol. São eles: o Botafogo (fundado em 1951, alvinegro) e o América Futebol Clube (clube fundado também nos anos 1950, alvirrubro).
Turismo O município faz parte do Circuito das Águas e é servido pelas rodovias federais BR-267, BR-354 e BR-383. O acesso à sede do município é feito pelas rodovias estaduais AMG-1030 e AMG-1045.
Ligações externas
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