Bom Jardim de Minas é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no sul mineiro, estando situado a cerca de da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação do município predomina a Mata Atlântica. Com 85% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com cinco estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,673, considerando como médio em relação ao estado.
O povoamento do lugar teve início por volta de 1750, com o estabelecimento de uma fazenda nas atuais terras bom-jardinenses. No local se formou um arraial, que foi elevado à categoria de freguesia e, em 1856, a distrito de Andrelândia, sendo emancipado em 17 de dezembro de 1938. Atualmente, Bom Jardim se destaca na realização de festas como o Carnaval, que é um dos maiores da região; e a festa do padroeiro da cidade, Bom Jesus dos Matozinhos, em agosto; além dos atrativos naturais, como cachoeiras e serras.
História
A região onde atualmente se localiza Bom Jardim de Minas era habitada pelos Puris. Em 1770, houve o início da ocupação da região por colonizadores, entre os quais o português Manoel Arriaga de Oliveira (casado com D. Maria Alcântara de Oliveira, com quem teve seis filhos) e sua família. Após se estabelecerem na região, fundaram a Colônia de Campo Vermelho, próximo à atual sede municipal. Esta foi atacada por uma tribo de indígenas que habitava a região, tendo durante o ataque sido massacrado um de seus filhos. Manoel Arriaga, entristecido com o fato, afastou-se da Colônia e fixou residência às margens do córrego Milho Branco, onde organizou uma fazenda, atualmente a cidade.Dirigido por: FERREIRA, Jurandir Pires. Texto por: PEREIRA, Maria Auxiliadora Peres; & DIAS, Miguel. Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Rio de Janeiro: IBGE, 1957.
Anos mais tarde, o Senhor Manoel Arriaga recebia em sua fazenda a visita do Capitão Antônio Correia de Lacerda, que vinha acompanhado de sua esposa e filhos. Simpatizaram-se com o local e associaram-se a Manoel para a ampliação da fazenda, iniciando o cultivo da terra em grande escala. A pedido do Capitão Lacerda, foi erigida no núcleo do povoado, ainda em formação, a primitiva Capela do Bom Jardim, hoje a Antiga Matriz. Alguns anos depois, a partir da união das famílias Arriaga e Lacerda, a fazenda recebia a denominação de "Fazenda do Bom Jardim". A origem do nome foi devido a um bem cuidado jardim, que havia nas proximidades da sede da fazenda.
A partir da Fazenda do Bom Jardim, surgiu em 1856 o Arraial do Senhor Bom Jesus do Bom Jardim. A Lei providencial nº 761 de 2 de maio de 1856, criou o distrito com a denominação de "Senhor Bom Jesus do Bom Jardim", pertencendo ao município do Turvo (atual Andrelândia). Pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, passou a se denominar-se distrito "Bom Jardim", continuando a pertencer ao município de Turvo.
Pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, cria-se o município de Bom Jardim, constituído pelo distrito-sede (desmembrado de Andrelândia) e Tabuão (desmembrado do município de Rio Preto). Pelo decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, o Bom Jardim passa a denominar-se Bom Jardim de Minas e é criado o distrito de Arantina, com território desmembrado do distrito-sede. Em 30 de dezembro de 1962, porém, ocorre a emancipação de Arantina, permanecendo desde então Bom Jardim dividida em dois distritos (distrito-sede e Tabuão).
Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constitui a zona urbana. Situa-se a 21°56'60" de latitude sul e 44°11'28" de longitude oeste e está a uma distância de 354 quilômetros a sul da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Passa Vinte e Santa Rita de Jacutinga, a sul; Arantina e Liberdade, a oeste; Andrelândia, a norte; e Rio Preto, Olaria e Lima Duarte, a leste.
Na geodésica Bom Jardim de Minas é localizado por UTM: 7.579.452 (N), 594.052 (E). De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Juiz de Fora. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Andrelândia, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Sul e Sudoeste de Minas.
Relevo e hidrografia thumb|esquerda|Relevo ondulado em rua da cidade Na região do município, é possível encontrar em grande quantidade o quartzito e a gnaisse, e sobre essas rochas, localmente, desenvolvem-se solos tipo cambissolos álicos e latossolos vermelho-escuro. Outros dos principais minerais encontrados em maior abundância são o quartzo, mica, caulim, ferro e feldspatos. Dentre as rochas destacam-se o granito (rochas magmáticas); o micaxisto e o migmatito (rochas metamórficas); e o arenito, arcózio, argila e conglomerado (rochas sedimentares).
O relevo é predominantemente ondulado, sendo constituído principalmente por planaltos, com altitude média de metros, porém, esta média diminui em direção ao rio Grande, para formar a planície pluvial que é contornada pelos mares de morros e serras, com nível topográfico mais elevado. Aproximadamente do território bonjardinense é coberto por áreas onduladas, enquanto em cerca de há o predomínio de mares de morros em terrenos montanhosos, e os restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se na Serra da Bandeira, no distrito de Tabuão, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima está na divisa com Olaria, com 998 metros.
O município está localizado às margens do rio Grande e na Serra da Mantiqueira. A região de Taboão é constituída de diversas serras de grande altitude, com muitas nascentes de água, o que faz com que haja várias cachoeiras na região. As nascentes do rio do Peixe, um dos principais leitos da região, localizam-se nas serras do distrito de Taboão. Bom Jardim de Minas se situa sobre um divisor de águas de duas importantes bacias hidrográficas: a bacia do rio Grande e a bacia do rio Paraíba do Sul, apresentando em seu território uma vastidão de cursos hídricos de pequeno e médio porte que contribuem com essas áreas de drenagem. São exemplos desses mananciais o rio do Peixe, os ribeirões do Taboão e Imbutaia e os córregos da Serra da Bandeira, das Três Barras, do Ataque, do Goiabal e do Milho Branco.
Clima Maiores acumulados de chuva em 24 horas registrados em Bom Jardim de Minas por meses (Estação Bom Jardim de Minas) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 25/01/2017 Julho 22/07/1976 Fevereiro 19/02/1988 Agosto 03/08/1969 Março 10/03/1987 Setembro 27/09/1992 Abril 27/04/1992 Outubro 31/10/1973 Maio 16/05/1994 Novembro 02/11/1979 Junho 04/06/1983 Dezembro 29/12/1945 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O clima bonjardinense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical mesotérmico brando úmido (tipo Cwb segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e frios e verões chuvosos com temperaturas amenas. O mês mais quente, janeiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de , sendo agosto o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em agosto de 2010, por exemplo, a precipitação de chuva em Bom Jardim não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.
De acordo com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), com dados coletados na estação pluviométrica Bom Jardim de Minas de 1941 a 2022, o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas foi de no dia 31 de outubro de 1973. Outros grandes acumulados foram de em 25 de janeiro de 2017, em 29 de dezembro de 1945 e em 2 de novembro de 1979. Contudo, na estação Pedreira-Pacau, em operação desde 1965, o acumulado recorde atingiu em 20 de março de 1983. Já na estação Tabuão, em operação desde 1982, o maior acumulado foi de em 4 de janeiro de 2001. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 325º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 4,5862 raios por quilômetro quadrado. Ocasionalmente também são registrados episódios de geadas.
Fauna e flora A vegetação da cidade é formada por duas classes de formações fisionômicas ecológicas nativas, sendo estas a Florestal (pela Mata Atlântica) e o Campestre; ocorrendo também a vegetação exótica ou monoculturas. Estas, associadas à topografia acidentada, resultam numa cobertura vegetal diversificada, constituindo, assim, um complexo vegetacional formado por mosaicos de comunidades de diferentes fisionomias. Destacam-se na Mata Atlântica árvores como os ipês, jacarandás, angicos, quaresmeiras, araucárias e cedro.
Já a fauna, existem na cidade cerca de 25 a 30 espécies de mamíferos de médio e grande porte, como a Capivara, Jaguatirica, Lobo-Guará, Paca, Lontra, Mão Pelada, além de primatas como o Sauá e o Mico-estrela. A avifauna possui uma boa representatividade, existindo mais de 200 espécies, entre elas, o Marrequinho, Pato-selvagem, Garça, Carcará, Canário-da-terra, Bem-te-vi, Azulão, Tucano, Pintassilgo, Sabiá-laranjeira, Sabiá-do-campo e Sangue-de-boi. As espécies de peixes, citando: Dourado, Piaba, Mandi, Traíra, Piau, Chorão e Lambari-do-rabo-vermelho situam-se no rio Grande; e as espécies Lambari-barriga-azeda, Lambari-do-rabo-vermelho, Bagre (Maria Mole), Cará e Traíra, situam-se nos córregos e ribeirões da região. Porém, a pesca irregular com rede de arrastão, a retirada do oxigênio da água, a intoxicação das águas com carbureto ou gás, e, também, a introdução de espécies exóticas como o Bagre-africano, põe em risco os ecossistemas daquele rio, podendo levar à extinção dos peixes.
Localidades na vizinhança O diagrama seguinte representa as localidades ao redor de Bom Jardim de Minas. 400px|left|Localidades na vizinhança
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e 925 na zona rural. Da população total em 2010, habitantes (21,12%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (67,34%) tinham de 15 a 64 anos e 750 pessoas (11,54%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 74,3 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 1,4.