Yolande Martine Gabrielle de Polastron (Paris, 8 de setembro de 1749 – Viena, 9 de dezembro de 1793), condessa e, posteriormente, duquesa de Polignac, mais conhecida apenas como "Gabrielle", foi amiga, confidente e suposta amante da rainha da França, Maria Antonieta.

Considerada por seus críticos, na véspera da Revolução Francesa, o protótipo da aristocrata egoísta e extravagante do Antigo Regime, Gabrielle deixou a França em 1789, após a Queda da Bastilha, por recomendação de Maria Antonieta e nunca mais retornou. Faleceu em Viena, Áustria, aos 44 anos, pouco depois da execução de Maria Antonieta, alegadamente de tristeza, embora estudos apontem para tuberculose ou câncer.

Através de seu filho, Jules de Polignac, primeiro-ministro da França, Gabrielle é ancestral da atual família principesca de Mônaco.Braude, Mark. 2016. Making Monte Carlo: A History of Speculation and Spectacle. Simon & Schuster. New York. pp. 136–137, 169–170,179–180, 184–188, 198–203, 209, 213–214. .

Aparência miniaturadaimagem|esquerda|200px|Gabrielle em pastel de 1787, por Élisabeth Vigée Le Brun. A maioria dos retratos sobreviventes mostra que Gabrielle era bonita. O historiador britânico Simon Schama disse que Gabrielle, em seus retratos de Élisabeth Vigée Le Brun, geralmente é apresentada como "uma fruta colhida e suculenta". Ela tinha cabelos castanhos escuros, pele muito branca e, talvez o mais incomum, olhos lilases ou violetas.

Compilando relatos contemporâneos sobre ela, a historiadora moderna Antonia Fraser resumiu sua aparência física:

Governanta dos Filhos de França

miniaturadaimagem|esquerda|200px|Gabrielle em 1783, por Vigée Le Brun. Em 1782, a Governanta dos Filhos de França, Vitória de Rohan, princesa de Guéméné e esposa de Henrique Luís de Rohan, teve que renunciar ao seu posto devido a um escândalo causado pela falência do marido. A rainha substituiu a princesa por Gabrielle. Esta nomeação gerou indignação na corte, onde se sentiu que o status social de Gabrielle era insuficiente para um posto de tal magnitude.

Como resultado de sua nova posição, Gabrielle recebeu um apartamento de treze cômodos para si no palácio. Tecnicamente, isso estava dentro dos limites aceitáveis de etiqueta, mas o tamanho do apartamento era sem precedentes, particularmente em um lugar tão superpopuloso quanto Versalhes. Governantas reais tinham sido alojadas anteriormente em apartamentos de quatro ou cinco cômodos. Gabrielle recebeu até mesmo sua própria casa de campo no refúgio pastoral favorito de Maria Antonieta, o Hameau de la Reine, construído na década de 1780 no terreno do Petit Trianon no parque de Versalhes.

Nesse ínterim, rumores sobre infidelidade no casamento de Gabrielle minavam sua reputação e comprometiam sua posição como governanta real. O casamento de Gabrielle foi cordial, se não bem-sucedido; era típico de casamentos arranjados aristocráticos. Por muitos anos, ela aparentemente estava apaixonada pelo capitão da Guarda Real, Joseph Hyacinthe François de Paule de Rigaud, Conde de Vaudreuil, embora muitos de seus amigos considerassem Vaudreuil muito dominador e muito grosseiro para o tipo de sociedade em que Gabrielle se movia. Houve rumores em Versalhes de que o filho mais novo de Gabrielle era na verdade filho de Vaudreuil. No entanto, a natureza exata do relacionamento de Gabrielle com Vaudreuil foi questionada por alguns historiadoresJohn Hardman, Marie-Antoinette: The Making of a French Queen (New Haven: Yale University Press, 2019), p. 83-88; Vincent Cronin, Louis and Antoinette (Londes: Collins, 1973), p. 220-221, 316 que duvidaram que a ligação fosse sexual. Esta teoria foi recentemente ressuscitada pela romancista e comentarista católica Elena Maria Vidal. Apesar das alegações de que eram amantes, Gabrielle não demonstrou hesitação em se distanciar de Vaudreuil sempre que sentia que sua própria posição social estava ameaçada pela antipatia da rainha pelo cortesão manipulador. Quase não há cartas sobreviventes do casal, que na realidade pode não ter sido suficientemente próximo para escrever um ao outro quando separados, ou pode ter sido muito cuidadoso em mascarar suas comunicações por razões políticas. Suas cartas podem ter sido posteriormente destruídas por eles próprios ou por outros por precaução.Cronin, Louis and Antoinette, p. 394

Na Inglaterra miniaturadaimagem|175px|Georgiana Cavendish, amiga inglesa de Gabrielle. Talvez devido à intensa antipatia da rainha pelo conde de Vaudreuil, a quem ela achava rude e irritante, a influência de Gabrielle sobre Maria Antonieta diminuiu temporariamente após 1785, quando o segundo filho da rainha nasceu.Madame Campan, Memoirs of the Court of Marie Antoinette, Queen of France, p. 195-6 A rainha estava ficando cada vez mais insatisfeita com a ambição de seus favoritos, especialmente quando eles defendiam um político que a rainha desprezava.. Capítulo XII. Maria Antonieta confidenciou a outra dama de companhia, Henriette Campan, que ela estava "sofrendo de aguda insatisfação" com os Polignacs. Campan escreveu: "Sua Majestade me observou que quando um soberano levanta favoritos em sua corte, ela levanta déspotas contra si mesma". Eventualmente, Gabrielle sentiu o desagrado de Maria Antonieta e decidiu visitar amigos na Inglaterra, particularmente Georgiana Cavendish, Duquesa de Devonshire, que era a líder da alta sociedade de Londres e uma das amigas mais próximas de Gabrielle. Durante seu tempo na Inglaterra, ela ganhou o apelido de Little Po, devido à sua constituição delicada.

Revolução Francesa

Em 14 de setembro de 1788, os protestos antimonárquicos se renovaram e, em outubro de 1788, os manifestantes exigiram dinheiro para fogos de artifício, exigiram que qualquer pessoa em uma carruagem desmontasse e saudasse Henrique IV e, também, queimaram efígies representando Gabrielle. Então, as tropas foram mobilizadas e dispersaram as multidões com grande derramamento de sangue na Place de la Grève.

miniaturadaimagem|esquerda|200px|Gravura póstuma de Gabrielle, em 1814. Os meses que antecederam a eclosão da Revolução Francesa, em julho de 1789, fizeram a rainha e a duquesa de Polignac se tornarem próximas novamente. Politicamente, Gabrielle e seus amigos apoiaram o movimento ultramonarquista em Versalhes, com a duquesa tornando-se cada vez mais importante nas intrigas monarquistas conforme o verão avançava, geralmente em parceria com seu amigo, o conde d'Artois, o irmão mais novo do rei.

O marquês de Bombelles, um diplomata e político, lembrou-se do trabalho incessante de Gabrielle para promover respostas de linha dura contra a revolução emergente. Junto com o barão de Breteuil, padrinho e ex-diplomata de Bombelles, e o conde d'Artois, Gabrielle persuadiu Maria Antonieta a trabalhar contra o popular ministro das finanças do rei, Jacques Necker. No entanto, sem o apoio militar necessário para esmagar a insurreição, a demissão de Necker alimentou a séria violência em Paris, culminando no ataque à fortaleza da Bastilha, em 14 de julho de 1789.

miniaturadaimagem|210px|Panfleto revolucionário contra a duquesa de Polignac impresso em 1789, após sua fuga para a Suíça.

Na sequência da queda da Bastilha, todos os membros da família Polignac seguiram para o exílio. Por ordens expressas de Luís XVI, o conde d'Artois e o barão de Breteuil também deixaram a França. Gabrielle seguiu com sua família para a Suíça, onde manteve contato com a rainha por meio de cartas. Depois que Gabrielle partiu, o cuidado das crianças reais foi confiado à marquesa de Tourzel.

Exílio e morte Após sua partida da França, ela e sua família viveram uma vida ambulante, viajando de um lugar para outro. Ela manteve contato com Maria Antonieta por meio de correspondência, pela qual seu local de residência pode ser rastreado. A família Polignac viajou pela Suíça, Turim, Roma e Veneza (onde ela compareceu ao casamento de seu filho em março de 1790) e da Itália para Viena, na Áustria, em 1791. Ela estaria residindo nos Países Baixos Austríacos durante a frustrada Fuga de Varennes da família real e, em julho de 1791, ela é notada como uma das mulheres extravagantemente vestidas que compareceram à corte de emigrados do conde de Provença (irmão do meio de Luís XVI e futuro Luís XVIII) em Coblença.Langlade, Émile. Rose Bertin: Creator of Fashion at the Court of Marie Antoinette (Londres: John Long, 1913). Esta corte de emigrados foi, no entanto, dissolvida após a Batalha de Valmy em 1792, e Gabrielle retornou à Áustria, onde morreu.

Gabrielle desenvolveu uma doença terminal enquanto vivia na Suíça, embora ela estivesse com problemas de saúde há vários anos. A duquesa morreu na Áustria em dezembro de 1793, aos quarenta e quatro anos, pouco depois de saber da execução de Maria Antonieta. Sua família simplesmente anunciou que ela havia morrido como resultado de desgosto e sofrimento, mas a maioria dos historiadores concluiu que ela morreu de câncer.Wikipedia língua inglesa Yolande de Polastron

Representações na cultura miniaturadaimagem|200px|Duquesa de Polignac (1787) Cinema Maria Antonieta (1938), interpretada por Ruth Hussey O Calvário de uma Rainha (1956), interpretada por Marina Berti Maria Antonieta (2006), interpretada por Rose Byrne Adeus, Minha Rainha (2012), interpretada por Virginie Ledoyen

Televisão Marie-Antoinette (1975), interpretada por Corinne Le Poulain A Revolução Francesa (1989), interpretada por Claudia Cardinale L'été de la révolution (1989), interpretada por Yolande Folliot Les jupons de la révolution (1989), interpretada por Isabelle Gélinas Marie Antoinette (2022), interpretada por Liah O'Prey

Mangá/Anime Rosa de Versalhes (1979)

Leitura adicional

Ligações externas

Retratos de Yolande de Polastron na National Portrait Gallery, Londres

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