Dom Cavati é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que está em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 88% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com sete estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,688, classificado como médio em relação ao estado.
A exploração da área do atual município teve início por volta de 1908, quando chegaram à região Antônio José de Freitas e sua família, que deram início ao cultivo do café. A prosperidade da cultura atraiu novos moradores e na década de 1940, a construção da BR-116 (Rodovia Rio–Bahia) consolidou a formação de um núcleo urbano, que foi elevado a distrito, pertencente a Inhapim, em 1948 e emancipado em 1962, instalando-se em 1º de março de 1963.
As principais manifestações culturais presentes no município são o artesanato e os grupos musicais e de manifestação tradicional popular, além dos eventos festivos, tais como as festividades do aniversário da cidade, as festas juninas e as comemorações religiosas da Semana Santa, de Corpus Christi e da Festa de Nossa Senhora Aparecida, padroeira municipal.
História
thumb|esquerda|BR-116 na zona urbana de Dom Cavati Os primeiros a se estabelecerem na área do atual município de Dom Cavati foram Antônio José de Freitas e sua família, que vieram de Muriaé em 1908. Havia indígenas no local, no entanto os poucos representantes abandonaram o local temendo conflitos, assim como vinha ocorrendo em terras próximas, e pouco tempo depois teve início da derrubada da mata virgem para o cultivo do café. A construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) incentivava o povoamento da região do Vale do Rio Doce, mas somente na década de 1940, com a chegada da BR-116 (Rodovia Rio–Bahia), é que se estabeleceu um núcleo urbano, que passou a servir como ponto de parada e abastecimento de caminhoneiros e viajantes.
O povoado que estava a surgir recebeu a denominação de Dom Cavati, em homenagem a Dom João Batista Cavati, então bispo da Diocese de Caratinga. Dado o desenvolvimento econômico e populacional, pela lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, foi criado o distrito de Dom Cavati, subordinado a Inhapim. O distrito veio a se emancipar pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, instalando-se em 1º de março de 1963.
Nas eleições municipais para prefeito de 2008, houve empate entre Pedro Euzébio Sobrinho (PT) e Jair Vieira (DEM), que receberam votos cada um. Jair Vieira ficou com o cargo por ser mais velho, tendo nascido em 3 de agosto de 1935 e ocupando seu quarto mandato na prefeitura, enquanto que Pedro nasceu em 5 de março de 1966.
Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constitui a zona urbana. Situa-se a 19º22'26" de latitude sul e 42°06'23" de longitude oeste e está a uma distância de 270 quilômetros a leste da capital mineira, fazendo parte do colar metropolitano do Vale do Aço juntamente com outras 23 cidades (além dos quatro municípios principais). Seus municípios limítrofes são Tarumirim, a norte; São João do Oriente, a oeste; e Inhapim, a sul e leste.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Ipatinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Caratinga, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|esquerda|Relevo ondulado na zona rural de Dom Cavati, na margem da BR-116. O relevo do município de Dom Cavati é predominantemente acidentado, estando a cidade situada aos pés da Serra de Caratinga. Em aproximadamente do território dom-cavatiano há o predomínio de mares de morros e terrenos acidentados, enquanto cerca de é coberto por áreas onduladas e os restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se a 705 metros acima do nível do mar, enquanto que a altitude mínima está no córrego Chico da Cunha, com 441 metros. A vegetação predominante é a Mata Atlântica, sendo que os principais problemas ambientais presentes, segundo a prefeitura em 2010, estavam relacionados às queimadas. O desmatamento está presente na região desde o estabelecimento dos primeiros moradores, no começo do século XX, quando a mata virgem era derrubada para dar lugar às plantações de café.
O território é banhado por vários mananciais, sendo os mais representativos o rio Caratinga e o córrego Chico da Cunha, que fazem parte da bacia do rio Doce. Por vezes, na estação das chuvas, os mananciais que cortam o município sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das afetadas por chuvas intensas durante as enchentes de 1979, que também atingiram vários municípios do leste mineiro, e em 2003 e 2009 fortes chuvas provocaram novamente grandes inundações nas proximidades dos rios. Atualmente existe uma série de estações pluviométricas e fluviométricas instaladas na região, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.
Clima Maiores acumulados diários de chuva registrados em Dom Cavati por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 08/01/2003 Julho 22/07/2016 Fevereiro 08/02/1995 Agosto 23/08/1985 Março 12/03/1973 Setembro 22/09/2009 Abril 28/04/2017 Outubro 27/10/2010 Maio 06/05/2001 Novembro 30/11/1997 Junho 12/06/1993 Dezembro 15/12/2014 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O clima dom-cavatiano é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical sub-quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. O mês mais quente, março, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de mm, sendo junho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em junho de 2003, por exemplo, a precipitação de chuva em Dom Cavati não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera.
Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1969 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Dom Cavati foi de no dia 12 de março de 1973. Outros grandes acumulados foram de em 15 de dezembro de 2014, em 8 de fevereiro de 1995 e em 30 de novembro de 1997. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 462º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 3,5728 raios por quilômetro quadrado.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes eram mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e 602 na zona rural. Da população total em 2010, habitantes (22,4%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (64,7%) tinham de 15 a 64 anos e 672 pessoas (12,9%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 72,0 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 1,9.
Em 2010, a população dom-cavatiana era composta por brancos (40,01%); 327 negros (6,28%); 30 amarelos (0,58%); pardos (53,10%) e dois indígenas (0,04%). Considerando-se a região de nascimento, 34 eram nascidos na Região Nordeste (0,65%), no Sudeste (99,02%), cinco no Sul (0,10%) e quatro no Centro-Oeste (0,08%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (96,15%) e, desse total, eram nascidos em Dom Cavati (50,94%). Entre os 201 naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 96 pessoas (1,84%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 40 residentes (0,76%), e pela Bahia, com 21 habitantes residentes no município (0,40%).
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Dom Cavati é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,688 (o 2224º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,630, o valor do índice de longevidade é de 0,784 e o de renda é de 0,660. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 55,0% e em 2010, 86,4% da população vivia acima da linha de pobreza, 8,9% encontrava-se na linha da pobreza e 4,8% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,44, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 49,9%, ou seja, dez vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 4,8%.
De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Dom Cavati está composta por: católicos (67,41%), evangélicos (25,83%), 293 pessoas sem religião (5,62%), 27 testemunhas de Jeová (0,53%) e 0,61% estão divididas entre outras religiões.
Política e administração thumb|direita|Prefeitura e Câmara Municipal de Dom Cavati A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O atual prefeito é José Santana Júnior, do PSDB, eleito nas eleições municipais de 2016 com 59,50% dos votos válidos e empossado em 1º de janeiro de 2017, ao lado de Geraldo do Nilo como vice-prefeito. O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).
Em complementação ao processo Legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também conselhos municipais em atividade, entre os quais dos direitos da criança e do adolescente, criado em 2009, e tutelar, criado em 2003. Dom Cavati se rege por sua lei orgânica, que foi promulgada em 5 de fevereiro de 1990, e é termo da Comarca de Inhapim, do Poder Judiciário estadual, de segunda entrância, juntamente com os municípios de Bugre e Iapu. O município possuía, em janeiro de 2017, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representa 0,032% do eleitorado mineiro.
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