Ferros é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se a leste da capital estadual, distando desta cerca de . Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

A sede, localizada nas margens do rio Santo Antônio, tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 47% da população vivendo na zona urbana, Ferros contava, em 2009, com nove estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,603, classificado como médio em relação ao estado.

O desbravamento da área ocorreu através de bandeiras que seguiam pela região à procura de metais preciosos entre os séculos XVIII e XIX. Com a exploração das terras, formou-se um povoamento às margens do rio Santo Antônio, cujo crescimento populacional e econômico se deve à agropecuária. Em 1832, foi criado o distrito de Santana dos Ferros, subordinado a Itabira, sendo emancipado em 23 de setembro de 1884 e passando a denominar-se simplesmente Ferros em 1923. A cidade abriga um conjunto de prédios e monumentos que preservam sua arquitetura colonial, sendo ambiente do romance Hilda Furacão (1991), do escritor ferrense Roberto Drummond, que narra o cotidiano dos habitantes entre as décadas de 1950 e 70 e inclusive as mobilizações pró e contra a construção da nova Igreja Matriz de Santana.

A agricultura e a pecuária sempre representaram as principais fontes econômicas tanto da sede municipal quando de seus seis distritos e povoados rurais. O artesanato e a presença de grupos musicais e teatrais configuram-se como algumas das principais manifestações culturais, juntamente com os eventos festivos tais como o Carnaval da cidade (o Ferros Folia), a Cavalgada e as celebrações tradicionais religiosas da Semana Santa, da Festa de Santana e da Festa do Rosário. O turismo rural também se faz presente em Ferros, com fazendas, trilhas, cachoeiras, corredeiras e montanhas que proporcionam desde banhos e caminhadas até a prática de escaladas, canoagem, rapel e enduro.

História

A área onde está localizado o atual município de Ferros foi desbravada por forasteiros pela primeira vez através de bandeiras que seguiam pela região à procura de metais preciosos, dentre elas a de Borba Gato. Pedro Fernandes Alves e José Ferreira fixaram-se no local com o objetivo de explorar as terras às margens do rio Santo Antônio, dando origem a um povoamento. No mesmo, onde hoje está situada a sede municipal, havia um depósito onde eram guardadas as ferramentas e artefatos utilizados nas escavações, surgindo então a toponímia Ferros. A primeira denominação recebida pela localidade, Santana de Ferros, é uma referência ao antigo depósito e à Santana, devido à influente devoção do proprietário de terras português Pedro da Silva Chaves. thumb|esquerda|Chafariz Comemorativo da Instalação da Cidade (1886)

Pedro da Silva cedeu terrenos para a construção da primeira capela, nas proximidades do crescente povoado, originalmente denominada Matriz de Nossa Senhora do Pilar do Morro do Gaspar Soares. Aos poucos, a agricultura e a pecuária ganharam impulso na localidade, abrindo caminho para a criação do distrito de Santana dos Ferros em 14 de julho de 1832, após a elevação à categoria de freguesia, jurisdicionada à Santana. Pela lei provincial nº 3.195 de 23 de setembro de 1884, Santana dos Ferros foi elevada à categoria de vila, desmembrando-se de Itabira, e a instalação ocorreu a 17 de outubro de 1885, constituindo-se dos distritos de Joanésia (ex-Paraíba do Mato Dentro) e Sete Cachoeiras (também desmembrados de Itabira), além da sede. Pela lei provincial nº 3.272 de 30 de outubro de 1884, foi criado o distrito de Cubas, e pela lei provincial nº 3.387 de 10 de julho de 1886, a vila foi elevada à categoria de cidade.

Foram várias as alterações na configuração administrativa do município entre os séculos XIX e XX. Pelo decreto estadual nº 69 de 12 de maio de 1890, foi criado o distrito de São Sebastião dos Ferreiros; pelo decreto estadual nº 102 de 10 de junho de 1890, foi criado o distrito de Santo Antônio do Caratinga; pela lei municipal nº 210 de 22 de setembro de 1902, foi criado o distrito de Santa Rita do Rio do Peixe; e pela lei estadual nº 556 de 30 de agosto de 1911, foi criado o distrito de Itauninha (ex-povoado de Capelinha do Corcunda) e mediante o mesmo decreto foi adquirido de Itabira o distrito de Santana do Paraíso.

Através da lei estadual nº 843 de 7 de setembro de 1923, Santana dos Ferros passou a denominar-se simplesmente "Ferros" e os distritos de Santo Antônio do Caratinga e Santana do Paraíso foram desmembrados para constituir o município de Mesquita (sede em Santo Antônio do Caratinga, tendo Santana do Paraíso se emancipado posteriormente). Através do mesmo decreto, Esmeraldas passou a denominar-se Cubas, e pelo decreto-lei estadual nº 148 de 17 de dezembro de 1938, São Sebastião dos Ferreiros passou a denominar-se Ferreiros e Joanésia passou a pertencer a Mesquita (transformando-se mais tarde no município de Joanésia).

Pelo decreto-lei estadual nº 1.058 de 31 de dezembro de 1943, Itauninha foi desmembrada para constituir o município de Santa Maria de Itabira e Ferreiros passou a denominar-se Borba Gato. Pela lei nº 336 de 27 de dezembro de 1948, foi criado o distrito de Santo Antônio da Fortaleza, desmembrado de Sete Cachoeiras, e pela lei estadual nº 2.764 de 30 de dezembro de 1962, foi criado o distrito de Esmeraldas de Ferros. Restaram a partir de então seis distritos, além da sede: Borba Gato, Cubas, Esmeraldas de Ferros, Santa Rita do Rio do Peixe, Santo Antônio da Fortaleza e Sete Cachoeiras. Os distritos e povoados rurais se desenvolveram conectados à sede através do comércio de produtos originados da agropecuária, mantendo uma espécie de intercâmbio comercial.

Na década de 70, a cidade atraiu os olhos de todo o Brasil e mesmo do mundo com a construção da nova Igreja Matriz de Santana, que, além da arquitetura em estilo moderno e vitrais importados da Alemanha, chamou a atenção devido ao painel "Árvore da vida", pintura da artista plástica Yara Tupynambá, expor as partes íntimas de Adão e Eva nus no altar da igreja, o que gerou polêmica entre as autoridades católicas à época. O tempo figura desde então como um dos principais atrativos de Ferros.

Geografia thumb|esquerda|Rio Santo Antônio em Ferros visto da Ponte Pênsil, com a "Ponte de Cimento" ao fundo. A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19º13'55" de latitude sul e 41°01'24" de longitude oeste e está a uma distância de 180 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Dores de Guanhães, a norte; Carmésia, a noroeste; Conceição do Mato Dentro e São Sebastião do Rio Preto, a oeste; Passabém, a sudoeste; Santa Maria de Itabira e Antônio Dias, a sul; Coronel Fabriciano, a sudeste; e Joanésia, a leste e nordeste.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Belo Horizonte e Imediata de Itabira. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Itabira, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte.

A cidade possui um arranjo urbano peculiar. Apresenta duas ruas principais, divididas pelo rio Santo Antônio. Segundo o historiador José Maria Quintão, cada margem do rio era uma freguesia: a do Rosário e a de Santana, pertencente esta ao Morro do Pilar e a outra a Itabira. Quintão estabelece duas razões possíveis para a separação: a difícil comunicação, por falta de uma ponte; e a rivalidade política entre os habitantes. Apesar de as casas terem surgido na mesma época, as do lado do Rosário eram em maior número e mais bem acabadas e até suntuosas do que as de Santana. Atualmente, a comunicação entre uma margem e outra do rio é feita principalmente por duas pontes — uma ponte pênsil e uma ponte de concreto ("Ponte de Cimento").

Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|direita|Margem direita do rio Santo Antônio na cidade, sendo visível a Ponte Pênsil sobre o manancial. O relevo do município de Ferros é predominantemente montanhoso. Em aproximadamente 80% do território ferrense há o predomínio de áreas com mares de morros e terrenos montanhosos, enquanto cerca de 15% é coberto por lugares ondulados e os 5% restantes são áreas planas. A altitude máxima encontra-se nas proximidades da Serra dos Cocais, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do Córrego do Lava, com 595 metros. Já o ponto central da cidade está a . A vegetação predominante é a Mata Atlântica, cujas reservas remanescentes ocupavam hectares em 2011, ou 16,0% da área total municipal. Também há presença do reflorestamento com eucalipto, visando a alimentar as indústrias do Vale do Aço, principalmente a Cenibra.

Ferros faz parte da bacia do rio Doce e o principal manancial que intercede o município é o rio Santo Antônio, porém o território municipal é banhado por vários cursos hídricos de menor porte, sendo alguns deles os córregos do Lava e de Santana e os rios Tanque e do Peixe. Por vezes, na estação das chuvas, os rios que cortam o município, principalmente o Santo Antônio, sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, e em 2003 fortes chuvas provocaram novamente grandes inundações nas proximidades dos rios. Em 20 de janeiro de 2016, chuvas interruptas em toda a região elevaram o nível do rio Santo Antônio, que inundou toda a parte baixa da zona urbana, deixando 600 pessoas desalojadas e a cidade em estado de calamidade pública. Há uma série de estações pluviométricas e fluviométricas que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e visam a alertar a população de uma possível enchente.

Clima Maiores acumulados de chuva em 24 horas registrados em Ferros por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 05/01/1982 Julho 13/07/1990 Fevereiro 20/02/1990 Agosto 26/08/1986 Março 13/03/1989 Setembro 30/09/2009 Abril 20/04/1954 Outubro 14/10/1950 Maio 29/05/1979 Novembro 27/11/1981 Junho 26/06/1989 Dezembro 24/12/1943 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O clima ferrense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical subquente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média em torno dos , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.

A precipitação média anual é de mm, concentrados nos meses de primavera e verão. Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em setembro de 2004, por exemplo, a precipitação de chuva na cidade não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.