Jalma Jurado (Indaiatuba, 18 de junho de 1937 — 8 de maio de 2022) foi um cirurgião plástico brasileiro. PhD em Medicina pela USP, foi por mais de très décadas professor de cirurgia plástica na Faculdade de Medicina de Jundiaí e por anos presidiu o Lions Clubs International de Indaiatuba, no interior paulista. É reconhecidamente o médico que fez mais cirurgias de adequação genital no Brasil.

Carreira Pioneirismo Por décadas o Dr. Jalma Jurado fez parte dos quadros do Departamento de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina de Jundiaí, São Paulo, onde foi cirurgião-chefe. Por quatro décadas foi associado do Lions Club de Indaiatuba, onde ocupou cargo de direção, tornando-se reconhecido por fomentar campanhas de conscientização contra o câncer de pele, a aids e as de cunho ecológico.

Tornou-se nacionalmente conhecido por ser o pioneiro em cirurgias de redesignação sexual de qualidade no Brasil para mulheres transexuais (transexuais de homem para mulher). O cirurgião desenvolveu sua própria técnica em 1984, em Jundiaí, e a denominou «técnica de retalho neuroarterial». Com ela já adequou mais de quinhentas mulheres transexuais ao novo sexo, tanto brasileiras quanto estrangeiras. Além de preservar as enervações que proporcionam o prazer durante o sexo, sua técnica dificulta os riscos de haver uma estenose vaginal com o passar dos anos, em virtude da pouca dilatação no órgão recém-criado, o que é ideal para transexuais maduras que têm em geral pouca ou nenhuma vida sexual ativa.

Dentre suas pacientes brasileiras publicamente conhecidas, destacam-se a sexóloga Martha Freitas e a militante do movimento LGBT Maitê Schneider, na qual reparou problemas que surgiram de uma cirurgia feita com outro cirurgião.

Por estes feitos desde 1982 seu nome denomina um rua em sua cidade natal.

Cirurgias no Brasil Em 1997, a cirurgia foi normatizada e legalizada pelo Conselho Federal de Medicina, dando o pontapé inicial para uma série de transgenitalizações no Brasil. Um ano depois, Bianca Magro seria a primeira transexual brasileira a se submeter à técnica. A cirurgia foi realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sendo considerada a primeira transgenitalização legalizada no Brasil. Nesse país, a primeira cirurgia de mudança de sexo foi realizada em 1971 pelo cirurgião Roberto Farina. Contudo, a polêmica gerada pelo caso o levou a ser condenado em 1978 a dois anos de reclusão sob alegação de haver infringido o disposto no artigo 129, § 2°, III, do Código Penal Brasileiro. O processo foi movido pelo Conselho Federal de Medicina, que o acusou de “lesões corporais”.

Em entrevista à revista Época, em 2002, o cirurgião afirmou:

«Não mudamos nada, apenas adequamos o sexo ao cérebro.»

Em 2003, durante o 18° Simpósio Bienal da WPATH, na Bélgica, Dr. Jurado teve apenas cinco minutos para se expressar. Infelizmente, o tempo que lhe foi dado não foi suficiente para apresentar suas revolucionárias técnicas de cirurgia. O cirurgião acreditava que a questão da transexualidade deva ser enquadrada no âmbito das intersexualidades não-orgânicas.

Em 3 dezembro de 2014, o Conselho Federal de Medicina emitiu liminar impedindo-o de executar cirurgias de mudança de sexo. Uma medida anterior do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo já o havia impedido de exercer quaisquer atividades médicas, contudo o Conselho Federal revogou tal medida voltando a decisão apenas a cirurgias em transexuais. À decisão coube recurso.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, após instauração de inúmeros processos ético-disciplinares por denúncias de pacientes relatando erros médicos, decidiu por nova interdição cautelar total, cassando o direito profissional de Jalma Jurado, que estava inativo desde 06 de outubro de 2015.

Dr. Jurado faleceu no dia 8 de maio de 2022 na cidade de Indaiatuba.

Ligações externas

Revista Época – entrevista com Dr. Jalma Jurado Revista Época - Um cirurgião sob suspeita Revista Época - Cirurgião acusado de erros por transexuais é proibido de atuar Jornal de Jundiaí - Clínica Jalma Jurado é interditada pela Vigilância Sanitária Jornal de Jundiaí - Médico Jalma Jurado é interditado cautelarmente após denúncias de pacientes Jundiaí notícias - Cremesp afasta novamente o médico Jalma Jurado

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