Galileia é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

A sede, localizada na margem do rio Doce, tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 80% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com dez estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,654, classificado como médio em relação ao estado.

O povoamento da localidade teve início no final da década de 1920, após a doação de parte das terras recém adquiridas por José Pereira Sete. Em 1938, foi criado o distrito, que emancipou-se em 27 de dezembro de 1948, tendo o município se desenvolvido à base da fabricação de cerâmica, da extração mineral e da agropecuária. Destaca-se pela produção de manga, sendo realizado anualmente o Festival da Manga, com o objetivo de divulgar os produtos da safra na cidade.

História

thumb|esquerda|Praça São Pedro com a Igreja Matriz de São João Batista ao fundo à esquerda O povoamento da área do atual município de Galileia teve início na década de 1920. José Pereira Sete e Antônio Alves da Rocha, em 1925 e 1926, respectivamente, apossaram-se de terrenos no local, tendo José Pereira doado terras que mais tarde deram origem a um pequeno povoamento, denominado São Tomé. O lugar prosperou-se e pela lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, é criado o distrito de São Tomé, subordinado a Conselheiro Pena, deixando de fazer parte do então distrito de Igreja Nova (hoje município de Campanário), pertencente a Itambacuri. Pelo decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, o distrito passa a chamar-se Moscovita, vindo a emancipar-se com a denominação de Galileia pela lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948.

Galileia foi emancipada sendo composta pelos distritos de São Geraldo do Baixio, Sapucaia do Norte e Sede. Pela lei estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, foram criados os distritos de Central de Santa Helena e Divino das Laranjeiras, a partir de terras de Sapucaia do Norte, sendo desmembrados para formarem o município de Divino das Laranjeiras pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962. Pela lei estadual nº 12.030, de 21 de dezembro de 1995, emancipa-se o distrito de São Geraldo do Baixio e pela lei municipal nº 61, de 21 de novembro de 2006, é criado o distrito de Santa Cruz de Galileia. Atualmente restam os distritos de Sapucaia do Norte e Santa Cruz de Galileia, além da sede municipal.

Em novembro de 2015, o município foi um dos afetados pelos impactos do rompimento de barragem ocorrido em Mariana. A lama da barragem de rejeitos da Samarco chegou ao rio Doce, comprometendo o abastecimento de água em várias cidades que dependem do curso para o suprimento, como em Galileia, que ficou dependente de caminhões-pipa, rodízio de distribuição e doações de água potável engarrafada de outros municípios durante mais de um mês. O consumo de água sem tratamento levou a um surto de diarreia e vômito na cidade.

Geografia thumb|esquerda|Letreiro na margem da BR-259 A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constitui a zona urbana. Situa-se a 18°59'58" de latitude sul e 41°32'15" de longitude oeste e está a uma distância de 377 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Divino das Laranjeiras, a norte; Governador Valadares e Tumiritinga, a oeste; Conselheiro Pena, a sul; e São Geraldo do Baixio e Central de Minas, a leste.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Governador Valadares. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Governador Valadares, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.

Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|esquerda|Rio Doce em Galileia O relevo do município de Galileia é predominantemente acidentado. A altitude máxima encontra-se na nascente do rio São Paulo, que chega aos 832 metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do córrego Urucum, com 333 metros. Já o ponto central da cidade está a cerca de 120 metros. O principal rio que passa por Galileia é o rio Doce, porém o território municipal é banhado por vários mananciais de porte menor, sendo alguns deles o rio São Paulo, o córrego Urucum e o córrego São Tomé, fazendo parte da bacia do rio Doce. A vegetação predominante no município é a Mata Atlântica, sendo que os principais problemas ambientais presentes, segundo a prefeitura em 2010, eram o assoreamento de corpos d'água e as queimadas.

Por vezes, na estação das chuvas, os rios que cortam o município, principalmente o rio Doce, sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, e em 2003 fortes chuvas provocaram novamente grandes inundações nas proximidades dos rios. Atualmente existe uma série de estações pluviométricas e fluviométricas instaladas na região, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.

Clima O clima galileense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. Os mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.

A precipitação média anual é de mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em janeiro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em julho de 2012, por exemplo, a precipitação de chuva em Galileia não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Galileia é o 641º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 2,2794 raios por quilômetro quadrado.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total, habitantes (24,93%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (65,27%) tinham de 15 a 64 anos e 681 pessoas (9,80%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 67,9 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,7. thumb|esquerda|Rua residencial no interior da cidade

Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população galileense era composta por brancos (32,47%); 728 negros (10,47%); 117 amarelos (1,68%), pardos (55,13%) e 17 indígenas (0,24%). Considerando-se a região de nascimento, 35 eram nascidos na Região Norte (0,51%), 78 na Região Nordeste (1,12%), no Sudeste (97,39%), quatro na Região Sul (0,05%) e sete no Centro-Oeste (0,10%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (92,69%) e, desse total, eram nascidos em Galileia (61,15%). Entre os 508 naturais de outras unidades da federação, o Espírito Santo era o estado com maior presença, com 156 pessoas (2,25%), seguido por São Paulo, com 99 residentes (1,43%), e pelo Rio de Janeiro, com 71 habitantes residentes no município (1,02%).

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Galileia é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,654 (o 3030º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,546, o valor do índice de longevidade é de 0,795 e o de renda é de 0,645. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 50,0% e em 2010, 81,2% da população vivia acima da linha de pobreza, 11,7% encontrava-se na linha da pobreza e 7,1% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,509, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 53,5%, ou seja, 12,8 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 4,2%.

De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Galileia está composta por: católicos (51,65%), evangélicos (34,46%), 878 pessoas sem religião (12,64%), 22 Testemunhas de Jeová (0,31%) e 0,94% estão divididas entre outras denominações religiosas.

Política e administração thumb|direita|Interior da Praça São Pedro A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O atual prefeito é Juarez da Silva Lima, do Partido Republicano Brasileiro (PRB), eleito nas eleições municipais de 2016 com 50,09% dos votos válidos e empossado em 1º de janeiro de 2017, ao lado de Antônio Parreira da Cruz como vice-prefeito. O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Em complementação ao processo Legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também conselhos municipais em atividade, entre os quais dos direitos da criança e do adolescente, criado em 1991, tutelar (2004) e direitos do idoso (2006). Galileia se rege por sua lei orgânica e abriga uma comarca do Poder Judiciário estadual, de primeira entrância, que foi criada em 9 de fevereiro de 1958 e tem como termos os municípios de Divino das Laranjeiras e São Geraldo do Baixio. O município possuía, em março de 2017, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representa 0,035% do eleitorado mineiro.

Distritos +Distritos de Galileia (IBGE/2022) Distrito Código IBGE Habitantes (2022) Domicílios particulares (2022) Galileia (distrito-sede) 312730505 Santa Cruz de Galileia 312730508 563 222 Sapucaia do Norte 312730515 676 263

Economia No Produto Interno Bruto (PIB) de Galileia, destacam-se a agropecuária e a área de prestação de serviços. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2011, o PIB do município era de R$ . mil reais eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes e o PIB per capita era de R$ . Em 2010, 54,26% da população maior de 18 anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 7,89%.