O Festival Eurovisão da Canção 1967 (em inglês: Eurovision Song Contest 1967, em francês: Concours Eurovision de la chanson 1967 e em alemão: Großer Preis der Eurovision 1967) foi o 12º Festival Eurovisão da Canção e realizou-se a 8 de Abril de 1967, em Viena, Áustria. Erica Vaal foi a apresentadora do evento que foi ganho por Sandie Shaw que representou o Reino Unido com a canção "Puppet on a String". A canção de Luxemburgo, "L'amour est bleu", cantada por Vicky Leandros, ficou em quarto lugar, embora ainda se tornou o maior sucesso internacional da Eurovisão de 1967, e um ano depois seria um grande sucesso instrumental para o músico francês, Paul Mauriat, sob a versão em Inglês, "Love is Blue".

Portugal enviou a canção "O vento mudou" que foi interpretada por Eduardo Nascimento, o primeiro cantor negro na história do Festival Eurovisão da Canção, a primeira cantora negra fora Milly Scott, curiosamente no ano anterior, 1966. Surgiram imediatamente rumores de que a escolha de Eduardo Nascimento para representar Portugal era uma forma de Salazar mostrar à Europa que não era racista, mostrando também que Portugal era um país multirracial.

A Dinamarca optou por não participar e deixou a competição, para retornar em 1978. A razão foi que o novo diretor para o departamento de entretenimento de TV da DR pensava que o dinheiro poderia ser gasto de uma maneira melhor.

Local

thumb|left|250px|O Großer Festsaal der Wiener Hofburg, em Viena, na Áustria. O Festival Eurovisão da Canção 1967 ocorreu em Viena, na Áustria. Viena é a capital da Áustria, centro cultural e político do país. É também um dos nove estados (Bundesland Wien); com 1.681.469 habitantes, era em 2008 o mais populoso deles, ainda que seus 414 km² façam dele o menor, sendo também a maior cidade sobre o rio Danúbio. Viena é cercada pelo Estado da Baixa Áustria. A sua aglomeração urbana tem 2,3 milhões de habitantes. Segundo a pesquisa "Qualidade de Vida no Mundo 2007", realizada pela consultoria de recursos humanos Mercer, Viena é a melhor cidade do mundo para viver-se, seguida por: Zurique, Genebra, Vancouver e Auckland.

O festival em si realizou-se no Großer Festsaal der Wiener Hofburg. O Palácio de Hofburg foi construído entre o século XIII e o século XIX, e foi a residência vienense dos Habsburgos. Atualmente, serve como residência oficial do Presidente da Áustria.

Formato A configuração do palco foi um pouco incomum este ano. A orquestra foi colocada na parte esquerda, os artistas na parte direita. O pano de fundo atrás dos artistas consistia em três espelhos giratórios que começavam a rodar no início de cada música e paravam no final de cada música. O quadro de votação foi colocado à direita do palco.

250 milhões de espetadores assistiram a esta edição, com a então província de Angola a acompanhar atentamente o festival. Na falta de televisores, as estações de rádio locais passaram todas as músicas da Eurovisão, em disco, pela ordem em que atuaram em Viena. Depois da votação, as rádios depressa deram a notícia da classificação..https://cronicaseurofestivais.blogspot.com/2013/09/a-eurovisao-e-o-festival-da-cancao-na_21.html

Visual O vídeo introdutório começou com um tiro fixo num dos grandes lustres da prefeitura, antes de desvendar o palco e a orquestra, que começou a tocar várias músicas conhecidas. Depois, o maestro Johannes Fehring, passou para Udo Jürgens, que dirigiu a orquestra com o instrumental de "Merci, Chérie", organizado em valsa.

Erica Vaal abriu o festival apresentando em 7 línguas: alemão, francês, inglês, italiano, castelhano, russo e polaco. Conclui a sua mensagem com as palavras: "Que são as melhores e mais belas canções que ganham, este é o nosso desejo!", arrependendo-se também de não ter tido tempo de aprender a língua de outros países, mas certamente a encontraria quando a competição fosse novamente organizada em Viena.

Pela primeira vez, legendas foram usadas: os títulos das músicas foram legendados em alemão, inglês e francês.KENNEDY O’CONNOR John, The Eurovision Song Contest. 50 Years. The Official History, Londres, Carlton Books Limited, 2005, p.30.

Para o intervalo, a ÖRF decidiu oferecer o que Viena poderia fazer de melhor: interpretar Johann Strauss, o rei da valsa que, na voz Coral dos Meninos de Viena, interpretam a mais famosa das suas valsas, o Danúbio Azul, mas também Land der Berge, Land am Strome, o hino nacional da Áustria.

A apresentadora, Erika Vaal terminou o programa por felicitar a vencedora, e despedindo-se em várias línguas, dizendo que "A música não conhece fronteiras". Esta foi a última edição a ser transmitida em preto e branco.

Votação Mais uma vez os países votaram pela mesma ordem à da sua actuação, algo que foi feito aparentemente para acelarar o espetáculo, pois os países a actuar não podiam (nem podem) atribuir pontos a si mesmo, sendo assim poderiam acabar a sua votação a tempo de serem os primeiros a serem chamados. O sistema de votação foi o mesmo utilizado em edições anteriores, em que cada país tinha um júri composto por dez membros, e cada um desses dez jurados atribuiam um ponto à sua canção preferida.

O supervisor delegado pela UER foi, mais uma vez, Clifford Brown, que teve que intervir quatro vezes para que os votos dos júris monegasco, jugoslavo, italiano e irlandês fossem corrigidos.

Pela primeira vez, imagens da sala que depois se tornaria conhecida como green room foram exibidas, com a aparição de vários artistas, como Sandie Shaw, Therese Steinmetz, Peter Horten a assinar um autógrafo para um jovem corista e Kirsti Sparboe, com um dos Meninos de Viena ao colo.

A apresentadora confundiu-se durante a votação para declarar vitória britânica antes de ouvir os votos do último júri. Clifford Brown teve que intervir pela quinta e última vez: "Ainda esperando pelo voto irlandês". Erica Vaal pediu desculpas e ligou para Dublin. O porta-voz do júri irlandês respondeu às suas saudações com estas palavras: "Eu pensei que íamos ficar de fora". A plateia então aplaudiu calorosamente. Mas no final o resultado não se alterou após a última votação e o Reino Unido acabou por se sagrar campeão, com mais do dobro dos pontos que a Irlanda, o segundo classificado. Em adição, o quadro de votações avariou-se durante a votação do voto de Mónaco, e as pontuações começaram a ser exibidas incorretamente, depois corrigidas.

Participações individuais

Participantes thumb|300px|rigth| A música luxemburguesa, interpretada por Vicky Leandros nos seus primórdios, seria a música com mais sucesso. O mais famoso é a versão instrumental da orquestra de Paul Mauriat, que chegou a número um nos Estados Unidos.FEDDERSEN Jan & LYTTLE Ivor, Congratulations. 50 Years of The Eurovision Song Contest. The Official DVD. 1956-1980, Copenhague, CMC Entertainement, 2005, p.12.

O representante português, Eduardo Nascimento, como já referido, foi o primeiro artista de origem angolana e o primeiro artista negro a participar no concurso.

A representante britânica, Sandie Shaw, foi a primeiro artista na história da competição a cantar descalça no palco. Shaw viria a revelar que não gostava da música que fez dela a vencedora da edição.

A participação monegasca marcaria o regresso de Serge Gainsbourg à Eurovisão, depois de ganhar pelo Luxemburgo em 1965 com "Poupée de cire, poupée de son". O maestro monegasco, Aimé Barelli, não era mais do que o pai do intérprete, Minouche Barelli.

País Título original da Canção Artista Processo Data da Selecção Tradução em Português Idiomas de Interpretação "Warum es hunderttausend Sterne gibt" Peter Horton Seleção interna - Porque é que existem 100.000 estrelas Alemão "Anouschka" Inge Brück Deutsche Vorentscheidung 1967 11 de março de de 1967 Anouschka Alemão "Ik Heb Zorgen" Louis Neefs Canzonissima-finale 1967 25 de fevereiro de 1967 Eu tenho preocupações Holandês "Hablemos del amor" Raphael Selecção Interna de 1967 - Falemos de amor Castelhano "Varjoon - suojaan" Fredi Euroviisut 1967 11 de fevereiro de de 1967 Para a sombra - para segurança Finlandês "Il doit faire beau là-bas" Noëlle Cordier Sélection française 1967 - O tempo deve estar bom aí Francês "If I Could Choose" Sean Dunphy Irish Final 1967 12 de fevereiro de 1967 Se eu pudesse escolher Inglês "Non andare più lontano" Claudio Villa Seleção Interna - Não vás para muito longe Italiano "Vse rože sveta" Lado Leskovar Pjesma Eurovizije 1967 19 de fevereiro de 1967 Todas as flores do mundo Esloveno "L'amour est bleu" Vicky Leandros Selecção Interna - O amor é azul Francês "Boum-Badaboum" Minouche Barelli Selecção Interna - Boum-Badaboum Francês "Dukkemann" Kirsti Sparboe Melodi Grand-Prix 1967 25 de fevereiro de 1967 Boneco Norueguês "Ring-dinge-ding" Thérèse Steinmetz Nationaal Songfestival 1967 22 de fevereiro de 1967 Ring-Ding-A-Ding Holandês "O vento mudou" Eduardo Nascimento Grande Prémio TV da Canção Portuguesa 1967 25 de Fevereiro de 1967 O vento mudou Português "Puppet on a String" Sandie Shaw A Song For Europe 1967 25 de fevereiro de 1967 Marioneta Inglês "Som en dröm" Östen Warnerbring Melodifestivalen 1967 24 de fevereiro de 1967 Como um sonho Sueco "Quel cœur vas-tu briser?" Géraldine Finale Svizzero 1967 21 de janeiro de 1967 Que coração vais tu partir? Francês

Festival # País Idioma Artista Canção Lugar Pontos 1º Holandês Thérèse Steinmetz "Ring-dinge-ding" 14º 2 2º Francês Vicky Leandros "L'amour est bleu" 4º 17 3º Alemão Peter Horton "Warum es hunderttausend Sterne gibt" 14º 2 4º Francês Noëlle Cordier "Il doit faire beau là-bas" 3º 20 5º Português Eduardo Nascimento "O vento mudou" 12º 3 6º Francês Géraldine "Quel cœur vas-tu briser?" 17º 0 7º Sueco Östen Warnerbring "Som en dröm" 8º 7 8º Finlandês Fredi "Varjoon - suojaan" 12º 3 9º Alemão Inge Brück "Anouschka" 8º 7 10º Holandês Louis Neefs "Ik Heb Zorgen" 7º 8 11º Inglês Sandie Shaw "Puppet on a String" 1º 47 12º Castelhano Raphael "Hablemos del amor" 6º 9 13º Norueguês Kirsti Sparboe "Dukkemann" 14º 2 14º Francês Minouche Barelli "Boum-Badaboum" 5º 10 15º Esloveno Lado Leskovar "Vse rože sveta" 8º 7 16º Italiano Claudio Villa "Non andare più lontano" 11º 4 17º Inglês Sean Dunphy "If I Could Choose" 2º 22

Resultados A ordem de votação no Festival Eurovisão da Canção 1967, foi a seguinte:A ordem de votação foi efectuada através da visualização de vídeos da edição do festival, à semelhança de outras secções deste artigo thumb|300px|right| Países Votantes Países Pontuados 411211 25111 13123 1711 111111211 1171 411112 21322 2134 113113 1221112 11521 217 12322 1141111 3112111 12121111Total2172203073784792107422 Lugar14º4º14º3º12º17º8º12º8º7º1º6º14º5º8º11º2 Países Votantes Países Pontuados

Países Votantes Países Pontuados 04010001002110001 04030001007210101 040400010010312104 040410010017313204 041410121118513305 041520121125513315 041920122126524317 061920222428524319 06111202225315243113 07111202235346244116 19113202246346244218 110113302246346296318 110113304256416296318 111115304256448296320 112219305257449296321 1152193053674692107322 2172203073784792107422Total2172203073784792107422 Lugar14º4º14º3º12º17º8º12º8º7º1º6º14º5º8º11º2 Países Votantes Países Pontuados

Maestros Em baixo encontra-se a lista de maestros que conduziram a orquestra, na respectiva actuação de cada país concorrente. País MaestroDolf van der LindenClaude DenjeanJohannes FehringFranck PourcelArmando Tavares BeloHans MöckelMats OlssonOssi Runne Hans Blum Francis Bay Kenny WoodmanManuel AlejandroØivind BerghAimé Barelli Mario Rijavec Giancarlo Chiaramello Noel Kelehan Maestro anfitrião Johannes Fehring

Artistas repetentes Em 1967, os repetentes foram: País (1967) Foto Artista Ano Anterior País Representado Canção Tradução Pontuação Classificação 60px Claudio Villa ESC 1962 Itália "Addio, addio" Adeus, adeus 3 9º 60px Kirsti Sparboe ESC 1965 Noruega "Karusell" Carrossel 1 13º 60px Raphael ESC 1966 Espanha "Yo soy aquél" Eu sou aquele 9 7º

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