Guarará é um município brasileiro do estado de Minas Gerais.http://www.transportes.mg.gov.br/downloads/aae/mapa/MP_Unid_Conservacao.pdf Sua população estimada em 2022 era de 3.149 habitantes. thumb|282px| thumb|282px| thumb|282px| thumb|282px|

Etimologia Conforme o Dicionário de Tupi Antigo, o nome vem do tupi antigo guarará, nome de um tambor indígena. Todavia, o mesmo dicionário também informa que guarará é, além disso, uma espécie de peixe da da família dos ciprinodontídeos. O autor do dicionário opta pelo primeiro significado.

Localização Está inserido na Zona da Mata Mineira. Guarará ao lado de Bicas; Descoberto; Mar de Espanha; Maripá de Minas; Pequeri; Rochedo de Minas e Senador Cortes, pertence à sub-região de São João Nepomuceno.Fundação Imepen - GuararáUniRegistro - Guarará

História Primórdios Os dados precisos e concernentes à origem do nome da localidade Guarará, remontam aos aborígenes, todavia são escassos, ficando somente o que se depreende da tradição e, assim mesmo sem informações precisas. Geograficamente a parte do território mineiro onde está inclusa Guarará, oficialmente pertencia à Vila de Barbacena, criada em 14 de agosto de 1791 pelo Governador da Capitania, o Visconde de Barbacena.

Em 4 de outubro de 1818 a câmara de Barbacena recebeu autorização do governador D. Manuel de Portugal e Castro para criar distrito na capela de São João Nepomuceno, no sertão do Rio Novo, com um vasto território que incluía as terras onde hoje é Bicas, Guarará, etc. Desde aí alguns sesmeiros começaram a fixar-se na região, eram eles, entre outros, Domingos Ferreira Marques, Antônio Henrique de Sousa, Antônio Marques Moreira e Manuel de Sousa Ferreira. A região havia deixado a extração de minérios e se voltara para a agricultura e a pecuária, conforme o regime das sesmarias.

Em 20 de julho de 1828, o sesmeiro Domingos Ferreira Marques, inspirado pela esposa Feliciana Francisca Dias Marques, devota do Divino Espírito Santo, doara quarenta alqueires de terra para o patrimônio de uma capela de Aplicação, conforme escritura lavrada em 20 de julho de 1828, perante os testemunhos de João Gomes de Oliveira e Laureano Rodrigues de Queirós. Formou-se o curato e houve a construção de uma pequena capela primitiva em 1830. O curato, foi denominado Curato do Espírito Santo.http://www.bicas.mg.gov.br/zona-da-mata/94-capelas-e-povoados Domingos Ferreira Marques, era titular de sesmarias no sertão do Rio Novo, a qual recebeu em doação em 16 de outubro de 1818.Conforme dados extraídos do Catálogo do Arquivo Público MineiroCacos de História e Memória & Alguns Logradouros de Bicas, MG – Machado Rodrigues, José Luiz Ao redor da capela cresceram as construções das primeiras residências e, com eles, surgiu um povoado/arraial. Os primeiros moradores foram Domingos Ferreira Marques, Gervásio da Silva Pinto, José Antônio de Oliveira, João de Araújo Moreira, Maria Vitória, Maria Joana Ribeiro, comendador José Joaquim Monteiro de Castro, João José Monteiro Bastos, José Pires, José Ferreira Maciel, Manuel José da Silva, Fortunato Ribeiro e Felisberto Henrique de Sousa. Com o crescente desenvolvimento o arraial passaria, mais tarde, a denominar-se Espírito Santo do Mar de Espanha.

À época a região, inserida no Vale do Rio Pomba, estava sob a jurisdição do município do Pomba, cujo presidente da Câmara era o fazendeiro major Manuel de Oliveira e o vice-presidente era o padre Manuel Antônio Brandão.De acordo com SANTIAGO, à página 99 A região então abarcava um imenso território:

“Todo o vale do Rio Pomba até a sua foz no Paraíba, inclusive Santo Antônio de Pádua (hoje município fluminense) pertencia naquele tempo ao município do Pomba, que contava então com os seguintes distritos: Pomba (sede da vila); Santa Rita do Turvo (Viçosa); Presídio (Visconde do Rio Branco); Ubá; São José do Paraopeba (Tocantins); Santo Antônio do Porto (Astolfo Dutra); Dores do Turvo; Conceição do Turvo (Senador Firmino); Mercês; Bonfim (Aracitaba); São José do Paraíba; Madre de Deus do Angu (Angustura); kágado (Mar de Espanha); Espírito Santo (Guarará); São João Nepomuceno; Conceição do Rio Novo; Descoberto; Tesouro do Feijão Cru (Leopoldina); Santa Rita da Meia Pataca (Cataguases) e São José do Barroso (Paula Cândido).”

Em 1 de abril de 1841, pela lei mineira de nº 202 a povoação de São João de Nepomuceno é desmembrada do Pomba e seu território passou a abranger os seguintes distritos: da sede; Conceição do Rio Novo, Santíssima Trindade do Descoberto, Rio Pardo (Argirita), Espírito Santo (Guarará), Nossa Senhora das Mercês do kágado (Mar de Espanha), São José do Paraíba (Além Paraíba), Nossa Senhora Madre de Deus (Angustura), Porto de Santo Antônio (Astolfo Dutra), Soledade e Santo Antônio do Chiador, São Pedro do Pequeri e Feijão Cru (Leopoldina).O turismo no desenvolvimento regional e local

Em 10 de Setembro de 1851, através da lei nº 514, a sede da Vila de São João Nepomuceno é transferida para o Arraial do Kágado. Com isso, os lugares que pertenciam a São João Nepomuceno passam para a jurisdição de Mar de Espanha. Em 3 de novembro do mesmo ano, a câmara municipal da vila do Mar de Espanha reuniu-se pela primeira vez. O Curato do Espírito Santo do Mar de Espanha, que passou a chamar-se Guarará, ficou agregado à vila do Mar de Espanha e com ele os arraiais do Córrego do Meio e das Taboas.

Em 5 de outubro de 1851, pela lei mineira de nº 545, o curato do kágado foi elevado a categoria de paróquia.

Em 27 de Junho de 1859, os moradores do Espírito Santo do Mar de Espanha conseguiram a elevação de Mar de Espanha como município, graças ao projeto do deputado Monteiro de Castro e à influência do comendador Francisco Joaquim de Noronha e outras pessoas influentes. O recém criado município era então composto pelos distritos de São João de Nepomuceno, Conceição do Rio Novo, Santíssima Trindade do Descoberto, Espírito Santo do Mar de Espanha, Piau e Santo Antônio do Aventureiro.

Em 1 de janeiro de 1868, através da Lei nº 1.466, o Curato do Espírito Santo do Mar de Espanha é elevado à categoria de Paróquia, observando as mesmas divisas, com a observação, entretanto, das alterações nele contidas.LEI Nº 1.466 - DO 1º DE JANEIRO DE 1868

Mais adiante pela Lei nº 2034 de 01/12/1873 é criada a Distrito do Espírito Santo do Mar de Espanha. O café constituía a principal fonte de riqueza de nossas terras.

Desenvolvimento Não havendo mais o interesse pelas pedrarias, foi a partir da Pecuária e posteriormente da cafeicultura que o território, aos poucos, foi desenvolvendo-sehttp://www.bicas.mg.gov.br/zona-da-mata/96-razoes-da-ocupacao e, já em princípios do século XX, o café se constituía na principal fonte de riqueza da região. Com a grande produção foi necessária a implantação de estradas para o transporte dos grãos assim em 12 de abril de 1858 foi construída primeira estrada macadamizadaEstrada macadamizada, isto é, pavimentada com camadas de pedras, compactadas com saibro substância ligante, segundo conta o Álbum da Estrada União e Indústria, 1997. no continente, anos depois em 27 de junho de 1869, inaugurou-se a estação de Chiador, da estrada de ferro D. Pedro II, no município de Mar de Espanha, a primeira estação construída em terras de Minas Gerais e em 2 de julho de 1877 os trilhos chegam a Leopoldina.VEIGA (1998), página 567: a lei mineira nº 2224, de 13.06.1876, concedeu a Francisco Ferreira Assis Fonseca e a Pedro Betim Paes Leme, privilégio por 50 anos para construírem uma estrada de ferro que, partindo de Serraria e passando por Espírito Santo do Mar de Espanha, chegasse a S. João Nepomuceno. Dois anos depois, em 9 de setembro de 1879, a Mineira inaugura as estações de Bicas e Santa Helena e em 1909 foi construída a a estrada de ferro ligando Mar de Espanha a São Pedro do Pequeri, pela The Leopoldina Railway Company Ltd., de capital inglês (ela, já pertencente ao governo federal, foi desativada em 1964). Depois, em 1895 foi construída a Ferro Carril Guararense com seus bondes puxados por burros, mas, o que de fato consolidou o desenvolvimento foi a implantação dos trilhos da Estada de Ferro União Mineira (Depois Estrada de Ferro Leopoldina), que passavam pelo local denominado arraial das Taboas, hoje Município de Bicas. O progresso chegou pelos trilhos e alavancou toda a região, fomentando o crescimento econômico. Esta linha fazia o percurso entre as Estações de Barão de Mauá, no Rio de Janeiro e Caratinga. Em 12 de agosto de 1894 a Leopoldina Railway adquiriu União Mineira e administrou a ferrovia até 1975, quando foi absorvida pela Rede Ferroviária Federal, que a administrou até 1983 quando foi suprimida.

A economia na região Após o longo período de extração mineral, no período colonial, pela coroa portuguesa e, dado o esgotamento visceral das jazidas, houve-se por bem mudar o rumo das atividades econômicas na região. Ocorreu então as sesmarias, ou seja, a distribuição de terras aos colonos que se tornaram em pouco, grandes fazendeiros. A agricultura foi a saída mais evidente e o café tornou-se uma espécie de ‘’ouro agrário’’, gerando riqueza pra região e elevando seus grandes produtores ao baronato. Assim a região ganhou alguns afamados barões. Entretanto, a partir de 1850, com o fim do tráfico negreiro, pela lei Eusébio de Queirós, e a necessidade de mão de obra contingencial, começaram a chegar ao Brasil os imigrantes italianos e alemães. A região cresce e se desenvolve até o ano de 1929 quando a ‘’Crise do Café’’ abate-se sobre a economia local, afeta grandemente a produção dos grãos e põe leva à bancarrota a opulência das tradicionais famílias da região. A chamada "elite agrária" ("barões do café") entra em declínio lentamente, perde o prestígio e o poderio na região, aos poucos vai mudando de nomes. A crise do café, provoca duas coisas irreversíveis; Primeiro a economia volta-se para a pecuária leiteira e com ela a mudança do cenário ecológico, para adaptar-se à nova tendência e segundo o esvaziamento demográfico pela escassez de mão de obra.

O surgimento do município Com a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, e a instalação do Governo Provisório republicano, o Presidente e marechal Deodoro da Fonseca, nomeou para o governo provisório de Minas Gerais, o Sr. Crispim Jacques Bias Fortes e foi pelo decreto nº 278, de 5 de dezembro de 1890,Jornal O Guarará, de 14.07.1930 registra que o decreto nº 278 é de 05.12.1890. que o Distrito do Espírito Santo obteve sua emancipação de Mar de Espanha. Em 22 de janeiro de 1891, pelo Decreto Estadual nº 343, a Vila passou a denominar-se "Vila do Guarará". Por proposta do vereador Padre Manoel José Correa, a Vila do Guarará, com território que abrangia Bicas, Maripá, Santa Helena e Forquilha, foi denominada de Vila do Espírito Santo do Guarará, através da lei nº 84 de 06/06/1894. O Município foi emancipado em 5 de dezembro de 1890, mas a então Vila de fato foi instalada em 1 de fevereiro de 1891, na residência, em Guarará, do 2º Barão de Catas Altas (atual escola Ferreira Marques),onde funcionaria a sede administrativa, que compunha do distrito de Guarará, do distrito de Bicas (que estava nascendo) e de Maripá, antigo Córrego do Meio. thumb|580px|esquerda| Alguns décadas depois, o termo Vila do Espírito Santo cai em desuso e o município passa a figurar com o nome definitivo de Guarará.Assembléia Legislativa de Minas Gerais – Guarará