Plesiopelma insulare é uma espécie de tarântula pertencente à família Theraphosidae. A espécie foi originalmente descrita por Cândido Firmino de Mello-Leitão em 1923 como Ceropelma insulare. É nativa do Brasil, onde ocorre principalmente em áreas costeiras da região Sudeste.
Taxonomia
A história taxonômica de Plesiopelma insulare é marcada por diversas reclassificações ao longo do século XX, refletindo a complexidade da taxonomia das tarântulas neotropicais.
A espécie foi descrita originalmente em 1923 por Cândido Firmino de Mello-Leitão sob o nome Ceropelma insulare, com base em espécimes coletados no Brasil. O gênero Ceropelma havia sido estabelecido anteriormente por Simon em 1889 para acomodar algumas tarântulas sul-americanas.
Em 1949, o aracnólogo Wolfgang Bücherl descreveu outra espécie de tarântula brasileira, nomeando-a Magulla symmetrica. Durante décadas, estas duas espécies foram consideradas táxons distintos e válidos.
Em 1993, Günter Schmidt transferiu Magulla symmetrica para o gênero Cyclosternum, renomeando-a como Cyclosternum symmetricum. Esta nomenclatura tornou-se amplamente utilizada na literatura aracnológica e no comércio de animais exóticos.
A revisão sistemática conduzida por Pérez-Miles et al. em 1996 resultou em mudanças significativas na taxonomia das Theraphosinae. Os autores sinonimizaram o gênero Ceropelma com Plesiopelma (Pocock, 1901), transferindo Ceropelma insulare para Plesiopelma insulare.
Finalmente, em 2008, Indicatti et al. realizaram uma análise comparativa detalhada de exemplares-tipo e concluíram que Cyclosternum symmetricum (Bücherl, 1949) e Plesiopelma insulare (Mello-Leitão, 1923) tratavam-se da mesma espécie. De acordo com o princípio de prioridade do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, o nome válido passou a ser Plesiopelma insulare (Mello-Leitão, 1923), permanecendo Cyclosternum symmetricum como sinônimo júnior.
Atualmente, o World Spider Catalog reconhece Plesiopelma insulare como o nome válido, listando Ceropelma insulare e Cyclosternum symmetricum como sinônimos.
Descrição
Plesiopelma insulare é uma tarântula de porte médio típica do gênero Plesiopelma. Como outras espécies da subfamília Theraphosinae, apresenta corpo robusto coberto por densa pilosidade.
As características morfológicas da espécie incluem coloração predominantemente marrom-escura a negra, com variações individuais. A carapaça é relativamente grande e convexa, com pilosidade esparsa. O abdômen é volumoso e densamente piloso, apresentando padrão de coloração uniforme ou com leve gradiente tonal.
As pernas são moderadamente longas e robustas, adaptadas para hábitos terrestres. A pilosidade das pernas é densa, particularmente nas regiões femoral e tibial. Como em outras Theraphosidae, apresenta pelos urticantes no abdômen, utilizados como mecanismo de defesa.
O dimorfismo sexual é evidente: os machos adultos são geralmente menores que as fêmeas e apresentam pernas proporcionalmente mais longas e delgadas. As fêmeas adultas podem atingir comprimento corporal de aproximadamente 5 a 7 centímetros, não incluindo as pernas.
Distribuição geográfica e habitat
Plesiopelma insulare é endêmica do Brasil, ocorrendo principalmente em regiões costeiras do Sudeste brasileiro. A espécie foi registrada em áreas de Mata Atlântica e ecossistemas associados, particularmente em formações de restinga e florestas costeiras.
A distribuição geográfica da espécie abrange os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, com registros históricos também em áreas litorâneas adjacentes. O nome específico "insulare" (do latim, "insular" ou "de ilha") pode fazer referência à ocorrência da espécie em áreas insulares ou costeiras isoladas da região de descrição original.
Como tarântula terrestre, P. insulare habita tocas escavadas no solo ou aproveita cavidades naturais em raízes, pedras e troncos caídos. A espécie apresenta hábitos noturnos, permanecendo abrigada durante o dia e saindo à noite para caçar pequenos invertebrados.
Estudos sobre a sazonalidade reprodutiva de Plesiopelma indicam que a espécie apresenta padrões de reprodução relacionados às estações do ano, com picos de atividade reprodutiva durante períodos específicos.
Referências
Ligações externas
Categoria:Terafosíneos Categoria:Aranhas endêmicas do Brasil Categoria:Espécies descritas em 1923