Itanhomi é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 72% da população vivendo na zona urbana, Itanhomi contava, em 2009, com 13 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,650, classificado como médio em relação ao estado.
O povoamento da localidade teve início no final do século XIX, com a vinda de homens brancos que conquistaram o espaço dos Botocudos à procura de terras férteis, as quais incentivaram a implantação da agricultura e, mais tarde, da pecuária. Em 1906, fundou-se o povoado de Queiroga, que foi elevado a município em 1923, já sob a denominação de Itanhomi, sendo extinto em 1938 e recriado em 1948, instalando-se em 1º de janeiro de 1949.
O município desenvolveu-se à base da agricultura, da pecuária e da atividade comercial, tendo um dos maiores rebanhos bovinos da região. Suas principais manifestações culturais são o artesanato e os eventos festivos, tais como as comemorações religiosas da Festa do Sagrado Coração de Jesus, padroeiro municipal, e da Festa do Jubileu do Senhor do Bom Jesus.
História
O desbravamento da região do atual município de Itanhomi teve início no final do século XIX, quando a descoberta das terras férteis da localidade favoreceu o desenvolvimento da agricultura e, posteriormente, por volta de 1890, o surgimento do povoamento denominado Queiroga. O local até então era predominantemente habitado pelos Botocudos, que foram forçados a cederem espaço ao homem branco, cujo domínio foi fortalecido no decorrer da década de 1900. Em 1906, é construída, por interferência do padre Modesto Vieira, a primeira capela, oficializando a existência do povoado.
Em 1908, chegaram à região os trilhos da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), favorecendo o surgimento de núcleos habitacionais que décadas mais tarde dariam origem a outros municípios a serem desmembrados do território itanhomiense, como nos casos dos primitivos povoados de Lajão (atual Conselheiro Pena), Cachoeirinha (atual Tumiritinga), Floresta (atual Alvarenga) e Itaúba (atual Sobrália). Ao redor das estações ferroviárias estabeleceram-se alguns moradores e pequenos comerciantes e a ferrovia ajudou no escoamento da produção agrícola e extração mineral dessas localidades.
Dado o desenvolvimento econômico e demográfico, pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, houve a criação do município a partir do povoado de Queiroga, emancipado de Caratinga e constituído dos distritos de Cuieté, Floresta, Lajão, Tarumirim e Sede (instalando-se em 14 de março de 1926). Da junção das palavras em tupi "Ita" (que significa "pedra") e "nhomi" ("escondida) surge o nome do recém-criado município, "Itanhomi", que significa "pedra escondida".
O até então distrito de Tarumirim emancipou-se pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, o qual também extinguiu o Distrito-Sede de Itanhomi, passando a pertencer ao novo município supracitado. Os distritos de Cuieté, Floresta e Lajão foram anexados a Conselheiro Pena, também criado sob o mesmo decreto. Itanhomi, no entanto, foi recriada pela lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, instalando-se em 1º de janeiro de 1949. A lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, criou os distritos de Capitão Andrade e Edgard Melo. Capitão Andrade emancipa-se pela lei estadual nº 10.704, de 27 de abril de 1992, restando atualmente os distritos de Edgard Melo e São Francisco do Jataí, este criado ainda na década de 90. Pela lei municipal nº 1.648 de 16 de setembro de 2013, publicada em 14 de fevereiro de 2014, foi criado o distrito de Santa Luzia do Carneiro.
Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19º10'19" de latitude sul e 41°51'55" de longitude oeste e está a uma distância de 360 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Capitão Andrade, a norte; Engenheiro Caldas, a oeste; Tarumirim, a sul; Conselheiro Pena, a leste; e Tumiritinga, a nordeste.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Governador Valadares. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Governador Valadares, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
Relevo, hidrografia e meio ambiente O relevo do município de Itanhomi é predominantemente montanhoso, sendo que a altitude máxima encontra-se na cabeceira do córrego Miraval, que chega aos 843 metros, enquanto que a altitude mínima está na Lagoa do Queiroga, com 226 metros. Já o ponto central da cidade está a 252,65 metros. O principal manancial que passa por Itanhomi é o córrego Queiroga, porém o território municipal é banhado por vários cursos hídricos de pequeno porte, sendo alguns deles os córregos Macuna do Grande e Miraval e a Lagoa do Queiroga, fazendo parte da bacia do rio Doce.
Por vezes, na estação das chuvas, os rios que cortam o município sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens e no perímetro urbano municipal. A vegetação predominante no município é a Mata Atlântica, sendo que os principais problemas ambientais presentes, segundo a prefeitura em 2010, eram o assoreamento de corpos d'água e o desmatamento. A cidade conta, entretanto, com Fundo Municipal de Meio Ambiente e um Conselho Municipal de Meio Ambiente em atividade, criado em 2002 e de caráter paritário.
Clima Maiores acumulados diários de chuva registrados em Itanhomi por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 08/01/2023 Julho 11/07/1998 Fevereiro 09/02/2004 Agosto 30/08/1990 Março 28/03/1984 Setembro 24/09/2002 Abril 28/04/2017 Outubro 21/10/1984 Maio 08/05/1992 Novembro 30/11/1997 Junho 30/06/1989 Dezembro 21/12/2013 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O clima itanhomiense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. O mês mais quente, março, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em julho de 2008, por exemplo, a precipitação de chuva em Itanhomi não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.
Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), 1984 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Itanhomi foi de no dia 28 de março de 1984. Outros grandes acumulados foram de em 30 de novembro de 1997, em 23 de novembro de 2016 e em 8 de janeiro de 2023. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 655º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 2,2063 raios por quilômetro quadrado.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total, habitantes (23,44%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (65,76%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (10,80%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 74,9 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,0.
Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população itanhomiense era composta por brancos (40,60%); 537 negros (4,53%); 180 amarelos (1,52%); pardos (53,31%) e cinco indígenas (0,04%). Considerando-se a região de nascimento, 44 eram nascidos na Região Norte (0,37%), 64 na Região Nordeste (0,54%), no Sudeste (97,87%), 15 no Sul (0,13%) e 23 no Centro-Oeste (0,19%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (95,50%) e, desse total, eram nascidos em Itanhomi (74,23%). Entre os 533 naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 218 pessoas (1,84%), seguido pelo Espírito Santo, com 51 residentes (0,43%), e pela Bahia, com 38 habitantes residentes no município (0,32%).
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Itanhomi é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,650 (o 3115º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,503, o valor do índice de longevidade é de 0,831 e o de renda é de 0,656. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 52,8% e em 2010, 77,0% da população vivia acima da linha de pobreza, 10,8% encontrava-se na linha da pobreza e 12,1% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,650, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 58,1%, ou seja, 21,8 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 2,7%.
De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Itanhomi está composta por: católicos (76,98%), evangélicos (16,36%), 582 pessoas sem religião (4,91%), 98 Testemunhas de Jeová (0,83%) e 0,92% estão divididas entre outras religiões.
Política e administração A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. Jaeder Carlos Pereira, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), foi o candidato eleito nas eleições municipais de 2016 com 43,71% dos votos válidos, sendo empossado em 1º de janeiro de 2017. No entanto, sua chapa foi cassada em dezembro de 2017, sendo então determinada a posse do presidente da câmara municipal Antonieli Costa Maia (PT) até a realização de eleição suplementar. Nessa eleição extraordinária, ocorrida em 24 de junho de 2018, Raimundo Penaforte, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), foi eleito com 42% dos votos ao lado de Frederico Vieira de Carvalho (MDB) como vice-prefeito.