João Monlevade é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Está situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
João Monlevade foi emancipado no século XX, no ano de 1964, tendo como principal fator de seu desenvolvimento, a instalação da ArcelorMittal Aços Longos (antiga Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira), em 1921. Atualmente é formada por quase sessenta bairros, contando com diversos atrativos naturais, históricos e culturais, como a Matriz São José do Operário, construída na década de 1940; e a Forja Catalã, com a imponente e famosa sede (Fazenda Solar), construída para abrigar Jean-Antoine Félix Dissandes de Monlevade, homem que desbravou a região e a quem o atual nome do município homenageia.
História Origens e pioneirismo thumb|esquerda|Jean-Antoine Félix Dissandes de Monlevade, fundador da cidade. Até o começo do século XIX, a região do atual município de João Monlevade não passava de uma área com densa mata fechada. Até que, em agosto de 1817, chega à região o engenheiro francês Jean-Antoine Félix Dissandes de Monlevade. Naquele local, localizado na então Província de Minas Gerais, Jean comandou um estudo mineralógico e geológico do solo do lugar, pesquisa a qual resultou na descoberta de vastas jazidas propícias para a produção de ferro.
Após isso, o francês percorreu várias comarcas, como Sabará, Caeté e São Miguel de Piracicaba, onde adquiriu algumas sesmarias e construiu uma forja Catalã, além de sua moradia, o Solar Monlevade, em 1818. Montou uma fábrica, obtendo grande sucesso, sendo uma das maiores do período imperial, produzindo desde enxadas até freios para animais. Em 1935, foi implantada outra grande indústria, a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira (atual ArcelorMittal Aços Longos), com ajuda do engenheiro Louis Ensch, o que provocou um grande desenvolvimento da cidade. Destacam-se então, nos anos seguintes, as construções de 3 mil residências, do Hospital Margarida e da Matriz São José do Operário, além de obras em estradas e escolas e evolução do comércio local. O lugar passou a se chamar Centro Industrial do Distrito de Rio Piracicaba e Carneirinhos.
Em 2022 foi lançado o documentário A Colônia Luxemburguesa, da diretora Dominique Santana, que conta a história de Monlevade a partir da chegada de Louis Ensch.https://colonia.lu/pt-brhttps://www.anoticiaregional.com.br/noticia.php?id=18172
Evolução política e administrativa Aquele lugar pertencia ao município de Rio Piracicaba. Em 27 de dezembro de 1948, pela lei estadual nº 336, foi criado o distrito de João Monlevade, recebendo essa denominação em homenagem ao engenheiro que desbravou aquela região. O distrito foi elevado à categoria de município pela lei estadual nº 2764, de 30 de dezembro de 1962, sendo instalado em 1º de março de 1963, composto apenas pelo Distrito-Sede. Porém foi somente em 29 de abril de 1964 que Monlevade conseguiu oficialmente autonomia de município.
Sua primeira eleição foi realizada em 1965, quando, em 5 de dezembro desse mesmo ano, tomaram posse os primeiros vereadores (eram 13 no total, sendo Sebastião Batista Gomes o presidente da câmara, João Amaro Gomes o vice e Ronaldo Frade o secretário), além do prefeito, Wilson Alvarenga, e seu vice-prefeito, Josué Henrique Dias. A Comarca de João Monlevade foi criada em 1975 e instalada em 1979.
Depois da emancipação O desenvolvimento urbano da cidade exigiu uma melhora na infraestrutura urbana de João Monlevade. Além do Hospital Margarida e do Ginásio Monlevade, que foram construídos na década de 1950, outras grandes criações que surgiram naquele período foram a Associação Comercial, a Fundação Educacional (futura FUNCEC) e a instalação da Telecomunicações de Minas Gerais (Telemig) e da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que trouxeram à cidade, respectivamente, fornecimento de telefonia e energia elétrica. Entre as décadas de 1970 e 80 houve um maior investimento no setor cultural, como a construção do Estádio Municipal Louis Ensch.
Hoje a predominância do espaço rural foi e está sendo substituída pelo urbano, para atender às exigências da expansão urbana, dada pelo aumento das atividades produtivas na cidade (indústria, comércio e serviços) e pelo aumento da demanda habitacional, gerado pela concentração populacional. O limite entre o campo e a cidade está deixando de ser visível e a população do campo vem decrescendo a cada ano.
Geografia thumb|esquerda|Rio Piracicaba em João Monlevade A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19º48′36” de latitude sul e 43º10′26” de longitude oeste e está a uma distância de 116 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Bela Vista de Minas, a leste; São Gonçalo do Rio Abaixo, a oeste; Rio Piracicaba, a sul; e Itabira, a norte.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Ipatinga e Imediata de João Monlevade. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Itabira, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte.
O ponto central da cidade tem uma altitude média de 580,57 metros. O ponto culminante do município está na Serra do Seara, onde a altitude chega aos metros. Em João Monlevade predomina um relevo montanhoso, sendo que em 68% do território municipal situa-se em domínios de mares de morros e montanhas. 20% está em áreas onduladas e os 12% restante é de terrenos planos. A altitude mínima encontra-se no Córrego Jacuí.
O município pertence à Bacia do Rio Doce, além de ser banhado pelos rios Piracicaba e Santa Bárbara. Como na maioria dos municípios mineiros, João Monlevade é rodeada por várias montanhas e rochas. Alguns pontos da cidade cresceram para os morros sem um plano diretor direcionado para uma urbanização em consonância com o meio ambiente, características geofísicas que fazem com que o município sofra com deslizamentos de terra durante o período chuvoso. Em alguns pontos a falta de áreas verdes ainda atrapalha o escoamento das águas das chuvas, causando enchentes e inundações.
Inserido no bioma da Mata Atlântica, grande parte da vegetação original do município foi devastada na década de 1930 com a construção da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira. Mas, para amenizar os impactos ambientais e evitar um possível estresse ambiental, na década de 1940 a empresa organizou um programa de reflorestamento. Atualmente vários projetos ainda são realizados e planejados, como, anualmente, entre o final de maio e início de junho, a realização da Semana do Meio Ambiente. São realizadas palestras nas escolas e para a população, caminhadas ecológicas e plantio de mudas de árvores em várias partes da cidade.
Clima thumb|esquerda|Tempestade com raios na cidade, em uma noite de novembro. O clima monlevadense é caracterizado como tropical subquente semiúmido (tipo Cwa segundo Köppen), com temperatura média compensada anual de e pluviosidade média de , concentrados entre os meses de outubro e abril, sendo dezembro o mês de maior precipitação. A estação chuvosa compreende os meses mais quentes, enquanto que a estação seca abrange os meses amenos. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , enquanto que no mês mais frio, julho, a média é de . Apesar da queda da temperatura no inverno, eventos de frio em demasia não são comuns. Outono e primavera, por sua vez, são estações de transição.
Com quase horas de insolação por ano, a umidade do ar é relativamente elevada, sendo a média anual superior a 75%. Nevoeiros ocorrem nas manhãs dos meses frios, por conta da alta umidade e das baixas temperaturas. No entanto, baixos índices de umidade podem ser registrados durante a estação seca ou em longos veranicos. Nesses períodos, o ar seco em associação à poluição gerada por veículos, indústrias e queimadas favorece a concentração de poluentes na atmosfera, contribuindo com a piora da qualidade do ar. O vento dominante é originado da direção leste e, no período mais ventoso do ano, entre os dias 3 de agosto a 28 de novembro, a velocidade média é de 11,3 quilômetros, tendo uma ligeira concentração entre setembro e outubro. Na época mais calma, de março a junho, a velocidade média varia entre 9 e 10 quilômetros por hora. Maiores acumulados de precipitação em 24 horas registrados em João Monlevade por meses (INMET) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 04/01/1997 Julho 04/07/1976 Fevereiro 17/02/1998 Agosto 31/08/2008 Março 01/03/1997 Setembro 29/09/1989 Abril 29/04/2016 Outubro 31/10/1965 Maio 30/05/1979 Novembro 10/11/2009 Junho 26/06/1989 Dezembro 20/12/2011 Período: 01/01/1961 a 31/12/1984, 01/01/1986 a 31/10/1991,01/04/1993 a 31/12/2002, 01/01/2004 a 30/06/2018 Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1961 a 1984, 1986 a 1991 (até 31 de outubro), 1993 (a partir de 1° de abril) a 2002 e 2004 a 2018, a menor temperatura registrada em João Monlevade foi de em 1 de junho de 1979, e a maior atingiu em 10 de setembro de 1997. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de em 4 de janeiro de 1997. Outros acumulados iguais ou superiores a foram em 20 de dezembro de 2011, em 17 de fevereiro de 1998, em 27 de janeiro de 1961, em 21 de fevereiro de 1964, em 10 de novembro de 2009 e em 23 de janeiro de 1977. Dezembro de 2011, com , foi o mês de maior precipitação.
As chuvas, sobretudo nos meses da estação chuvosa, podem vir acompanhadas de descargas elétricas, rajadas de vento e, esporadicamente, queda de granizo, com registro em 15 de setembro de 2008. Conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), João Monlevade é o colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 11,4865 raios por quilômetro quadrado.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e 331 na zona rural. A população monlevadense era composta por brancos (38,27%); pretos (13,50%); 663 amarelos (0,90%); pardos (47,23%); e 74 indígenas (0,10%).
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de João Monlevade é considerado elevado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Seu valor é de 0,807, sendo o 28° maior de todo o estado de Minas Gerais (em 853 municípios) e o 425° de todo país (entre ). A cidade possui a maioria dos indicadores médios e parecidos com os da média nacional segundo o PNUD. O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,38, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. No ano de 2003, a incidência da pobreza, medida pelo IBGE, era de 23,68%, o limite inferior da incidência de pobreza era de 14,12%, o superior era de 33,25% e a incidência da pobreza subjetiva era de 18,07%.
Religião thumb|esquerda|Igreja Matriz de São José Operário, sede da paróquia homônima. Tal como a variedade cultural em João Monlevade, são diversas as manifestações religiosas na cidade. Embora tenha se desenvolvido sobre uma matriz social eminentemente católica, é possível encontrar atualmente na cidade dezenas de denominações protestantes diferentes.