Lima Duarte é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na Zona da Mata Mineira, estando situado a cerca de a sul da capital do estado. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

A sede tem uma temperatura média anual de 20,1°C e na vegetação do município predomina a mata atlântica. Com uma taxa de urbanização da ordem de 72%, o município contava, em 2009, com 22 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,739, considerando como elevado em relação ao estado.

Na área da cultura e lazer, destaca-se na realização de diversos eventos anuais, como o Carnaval de Lima Duarte, em fevereiro ou março, ou a Exposição Agropecuária, realizada em setembro ou outubro. Possui ainda alguns atrativos turísticos de valor cultural ou histórico, como a Igreja Nossa Senhora do Rosário ou o Calçamento de Paralelepípedos da Praça Juscelino Kubitschek. No município situa-se também o Parque Estadual do Ibitipoca, conhecido por suas montanhas, cachoeiras e trilhas para caminhada, além de vistas panorâmicas dos vários morros que compõem a paisagem do lugar.

História Colonização e pioneirismo Até meados do século XVII, a região do atual município de Lima Duarte não passava de uma área de mata virgem, quando por volta do ano de 1692, apareceram os primeiros bandeirantes. Este grupo era liderado por padre João Faria Filho, então vigário de Taubaté, além de ter sido um dos pioneiros dos descobrimentos de Ouro Preto.

Padre João foi quem encontrou ouro no leito do Rio do Peixe. Desse descobrimento, Bento Corrêa De Souza Coutinho deu a notícia ao Governador–Geral do Brasil na Bahia, Dom João de Lencastre, através de carta enviada a 29 de julho de 1694. A partir daí, iniciou-se o povoamento daquele lugar com a migração de colonizadores vindos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, além de portugueses.

Mesmo assim, durante anos a região permaneceu isolada, já que os proprietários das terras tinham objetivo de contrabandear ouro. No entanto, por volta da década de 1700, através de denúncias, Dom Rodrigo José de Menezes, então governador e capitão-general de Minas Gerais, tomou conhecimento dessa situação e interditou todas as terras que lá situavam-se, redistribuindo-as aos mineradores, passando a cobrar impostos sobre o ouro extraído. Em 1740 foram construídas as primeiras povoações, às margem do Rio do Peixe.

Evolução administrativa e origem etimológica Dado o desenvolvimento populacional demográfico daquela área, em 1839 a povoação foi elevada a Distrito de Paz e em 27 de junho de 1859 foi criada freguesia ao povoado do Rio do Peixe, por lei provincial nº. 991. Por empenho pessoal de João de Deus Duque e Francisco Delgado Mota a freguesia foi elevada à vila pela lei provincial nº. 2.804, de 3 de outubro de 1881, por desmembramento da vila de Barbacena. A Vila foi elevada à cidade em 1884, pela lei provincial nº. 3.629, de 30 de outubro, já com o nome de Lima Duarte, em homenagem a José Rodrigues de Lima Duarte, visconde, Ministro da Marinha, Conselheiro de Estado, deputado provincial e geral e senador do Império, importante líder político do Partido Liberal na região.

Com o passar do tempo também houve várias alterações em sua divisão distrital. Quando emancipada, Lima Duarte era composta apenas pela Sede, criada em 29 de novembro de 1881. Em 14 de setembro de 1891, pela lei estadual nº 2, foram criados os primeiros distritos: Conceição de Ibitipoca, Santana do Garambéu e São Domingos da Bocaina. Pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, o município adquiriu os distritos de Pedro Teixeira e Santo Antônio da Olaria. Pela lei nº 1039, de 12 de dezembro de 1953, foi criado o distrito de São José dos Lopes. A lei estadual nº 2764, de 30 de dezembro de 1962, desmembrou os distritos de Santo Antônio do Olaria (que, em 1938, passou a chamar-se simplesmente Olaria), Pedro Teixeira e Santana do Garambéu, restando atualmente três, além da Sede.

Após a emancipação Com o crescimento populacional, houve a necessidade de investimentos na infraestrutura urbana municipal. Em 7 de agosto de 1832, foi criada a escola de primeiras letras para meninas, que foi a primeira instituição de ensino no município. A segunda escola foi criada em 3 de novembro de 1837. Para a emancipação, era necessário que fossem construídos prédios para que funcionassem, separadamente, a Câmara Municipal, a cadeia da cidade e a escola de 1ª letras. As concessões dos prédios foram expedidas em 1884. Em 1910 foi feito o projeto da construção da primeira estação ferroviária de Lima Duarte, vindo a ser fundada em março de 1926, sendo atendida pela Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB) até a década de 1960, quando o transporte rodoviário passou a ter mais relevância para as autoridades. Na área da cultura e do lazer, destaca-se a construção das igrejas, várias em estilo colonial, no decorrer dos séculos XIX e XX, e do Parque Estadual do Ibitipoca, ocorrida em julho de 1973. Também houve, com o passar do tempo, especialmente no final do século XX, o desenvolvimento do comércio.

O município vem se destacando em seu turismo. Muitos de seus prédios construídos nos séculos XIII e XIX viraram patrimônio histórico da cidade. Muitas de suas praças e igrejas também conservam o estilo barroco da época do desbravamento da região. Além disso, Lima Duarte também vem desenvolvendo seu turismo rural.

Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 21°50'34" de latitude sul e 43°47'34" de longitude oeste e está a uma distância de 280 quilômetros a sul da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Santa Rita de Ibitipoca, Santana do Garambéu, Pedro Teixeira e Bias Fortes, a norte; Andrelândia e Bom Jardim de Minas, a oeste; Olaria, Rio Preto e Santa Bárbara do Monte Verde, a sul; e Juiz de Fora, a leste.

Geomorfologia, geologia e hidrografia thumb|direita|Área com predomínio de relevo montanhoso em Lima Duarte. O relevo do município de Lima Duarte é predominantemente montanhoso. Aproximadamente do território limaduartino é coberto por áreas montanhosas, enquanto em cerca de há o predomínio de mares de morros, terrenos ondulados, e os restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se no Morro da Lombada, que chega aos 1784 metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do Ribeirão São Pedro, com 676 metros. Já o ponto central da cidade está a 860 m.

O território é banhado por vários pequenos rios e córregos, sendo os principais o Rio do Peixe, Rio do Salto e o Rio Grão-Mogol. O Rio do Peixe nasce na Serra da Mantiqueira, no município de Bom Jardim de Minas, atravessando a zona urbana da cidade de Lima Duarte, desaguando à direita do Rio Paraibuna. O Rio do Salto é conhecido pelas suas piscinas naturais, além de formar pequenas cachoeiras propícias ao banho e corredeiras. Já o Grão-Mogol nasce em Lima Duarte, nos limites do Parque Estadual do Ibitipoca, desaguando no Rio do Peixe.

Clima thumb|esquerda|Entardecer no Parque Estadual do Ibitipoca. O clima de Lima Duarte é caracterizado tropical de altitude (tipo Cwb segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual de 20,1 °C, tendo invernos secos e frios, com ocorrência de geadas em algumas áreas, e verões chuvosos com temperaturas moderadamente altas. Os meses mais quentes, janeiro e fevereiro, têm temperatura média de 22,75 °C. E o mês mais frio, junho, tem média de 10,5 °C. outono e primavera são estações de transição.

A precipitação média anual é de , sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos 28 °C, especialmente entre os meses de agosto e setembro. Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso, também são comuns registros de fumaça de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade. Em julho de 2001, a precipitação de chuva não passou dos .

Entre dezembro de 1941 e agosto de 2001, o maior acumulado de chuva em menos de 24 horas foi de , registrado em 16 de fevereiro de 1986. Outros grandes acumulados registrados no município foram de em 25 de janeiro de 1947, em 16 de janeiro de 1978 e nos dias 6 de janeiro de 1966 e 9 de dezembro de 1999.

Ecologia e meio ambiente A vegetação nativa do município pertence ao domínio florestal Atlântico (Mata Atlântica). Dentre as áreas verdes de Lima Duarte destaca-se o Parque Estadual do Ibitipoca, que é conhecido pelas suas trilhas pela mata. Lá predominam campos rupestres com afloramentos quartzíticos, que estão associados a outros tipos de vegetação. Os campos rupestres são um dos principais centros de biodiversidade e endemismos do Brasil, sendo agrupamentos de vegetação que refletem condições ecológicas diferentes das de vegetação regionalo. Há grande predominância das matas ciliares, que constituem adensamentos arbustivos que acompanham a distribuição dos solos mais espessos. Os campos arbustivos são encontrados nas áreas mais altas.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. A população limaduartina era composta por brancos (54,95%); pretos (11,38%); pardos (33,26%); 45 amarelos (0,28%); e 22 indígenas (0,14%).

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Lima Duarte é considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,710 (o 1595º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,590, o valor do índice de longevidade é de 0,861 e o de renda é de 0,705. thumb|esquerda|Igreja Nossa Senhora do Rosário, templo Católico, no distrito Conceição do Ibitipoca.

O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,44, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. No ano de 2003, a incidência da pobreza, medida pelo IBGE, era de 35,40%, o limite inferior da incidência de pobreza era de 27,02%, o superior é de 43,79% e a incidência da pobreza subjetiva era de 33,36%.

Religião Tal como a variedade cultural em Lima Duarte, são diversas as manifestações religiosas presentes na cidade. Embora tenha se desenvolvido sobre uma matriz social eminentemente católica, é possível encontrar atualmente na cidade dezenas de denominações protestantes diferentes.

O município de Lima Duarte está localizado no país mais católico do mundo em números absolutos. A Igreja Católica teve seu estatuto jurídico reconhecido pelo governo federal em outubro de 2009, ainda que o Brasil seja atualmente um estado oficialmente laico. A cidade possui os mais diversos credos protestantes ou reformados, como a Assembleia de Deus, a Igreja Cristã Maranata, a Igreja Presbiteriana, as igrejas batistas, a Igreja Adventista do Sétimo Dia e a Igreja Universal do Reino de Deus, entre outras. De acordo com dados do censo de 2000 realizado pelo IBGE, a população de Lima Duarte está composta por: Católicos (92,67 %), evangélicos (4,98 %), pessoas sem religião (1,33 %) e 1,02 % estão divididos entre outras religiões.

Política e administração