Nova Lima é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Sua população, conforme o recenseamento de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é de habitantes, sendo o 27º município mais populoso do estado. Sua área é de e é o 29º maior território entre os municípios de sua região geográfica imediata. Nova Lima faz divisa com a capital Belo Horizonte e a distância entre as duas sedes é de aproximadamente 22 km.
A cidade de Nova Lima é historicamente reconhecida pela extração mineral, principalmente do minério de ferro e do ouro.
Diversas minas ficam no município, incluindo as minas de Morro Velho, Mostardas, Rio de Peixe, Capitão do Mato, Tamanduá, Mutuca e Mar Azul. Buscando diversificar a economia local à outras potencialidades além da extração mineral, o governo municipal vem implementando incentivos a diversos setores, como indústrias, construção civil, startups e turismo ecológico e gastronômico. Devido a esses incentivos fiscais, a cidade tem se tornado um polo cervejeiro de destaque nacional.
O fato de fazer divisa com o a região centro-sul do município de Belo Horizonte, a mais rica da capital, tem conquistado moradores de alta renda para Nova Lima, os quais se instalam nos diversos condomínios de alto luxo e prédios residenciais dos bairros Vila da Serra, Vale do Sereno e Vale dos Cristais. O Plano Diretor do município, que regula o uso da propriedade urbana, é considerado mais permissivo comparado com o de Belo Horizonte, atraindo investimentos e fomentando o mercado imobiliário da região, que a cada ano cresce em números de condomínios e altos edifícios.
De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2010, Nova Lima possui IDH de 0,813, ocupando a 1ª colocação dos municípios de Minas Gerais e a 17ª do Brasil. Um estudo divulgado pela Prefeitura de Itabira em 2010 identificou Nova Lima como a primeira cidade de Minas em qualidade de vida. Outro estudo divulgado em 2020 pela Fundação Getulio Vargas revelou que a cidade possui a maior concentração de ricos do Brasil, ocupando a primeira colocação de todas as cidades brasileiras em renda média, baseada pela declaração de imposto de renda dos moradores, em 2018.
Nomes A primeira denominação dada ao local foi a de Campos de Congonhas. Com a expansão das faisqueiras, passou a ser conhecida por Congonhas das Minas de Ouro (pela quantidade de ouro encontrada em suas terras), abrigando a população que trabalhava em diversas minas. Em 1748 o arraial é elevado à condição de freguesia, e em 1836 é criado o distrito, subordinado ao município de Sabará, com o nome de Freguesia de Nossa Senhora do Pilar de Congonhas de Sabará. Em 5 de fevereiro de 1891, data hoje celebrada como o aniversário da cidade, a freguesia se emancipa de Sabará e recebe o nome de Villa Nova de Lima, em homenagem ao ilustre jornalista, poeta, magistrado, jurista, professor e político Antônio Augusto de Lima. Finalmente, em 1923 o município passa a se denominar Nova Lima.
História
Século XVIII: origens Até o fim do século XVII a principal atividade econômica na colônia brasileira era a de cultivo e comércio da cana-de-açúcar. A partir do momento que o açúcar ficou mais barato na Europa, a Coroa Portuguesa incentivou a busca por ouro no interior do território brasileiro. Na segunda metade do século XVII os paulistas se dedicaram à atividade das bandeiras de mineração, sendo intitulados bandeirantes. Em 1690 os bandeirantes encontraram ouro na região que ficaria conhecida como Minas dos Matos Gerais, o atual estado de Minas Gerais.
A história de Nova Lima remonta ao mesmo período, quando o sertanista Domingos Rodrigues da Fonseca Leme chega em busca do ouro. Ele encontra o ouro nos riachos do Cardoso e dos Cristais. A ele, seguiram-se outros aventureiros, dando origem a um povoamento na região. Por volta de 1708, já havia uma capela dedicada a Nossa Senhora do Pilar — a padroeira da cidade —, e na década de 1720 surgiram engenhos e concessões para a exploração mineral. A Igreja do Senhor do Bonfim, de 1720, atualmente tombada pelo Conselho Consultivo Municipal de Patrimônio Histórico e Artístico de Nova Lima,Igrejas - Prefeitura de Nova Lima, 2008 (visitado em 26-3-2010) também marca o início da ocupação da região.Nova Lima tem características de cidade antiga e moderna - Terra de Minas, 20 de março de 2010 (visitado em 26-3-2010) Outros mineradores resolvem fixar-se na área, que, àquela época, já possuía um número considerável de habitantes. Já em 1725 a então Congonhas de Sabará começou a explorar ouro na Mina de Morro Velho, sendo a família Freitas a proprietária.
Durante todo o século XVIII a extração mineral no arraial foi de baixa produtividade, além de possuir menos habitantes em comparação com Raposos, de localização mais próxima de Sabará, que era o núcleo da região.
Século XIX: expansão
Até a Independência do Brasil, a Coroa Portuguesa não permitia capitais estrangeiros nos investimentos não portugueses e na exploração mineral. A região de Congonhas de Sabará daquela época não possuía as condições para o florescimento das minas de ouro, como já era visto nas prósperas cidades de Ouro Preto e Mariana, pois a exploração era cara e difícil. Mas com a Independência, as conexões econômicas do Brasil com o mundo tomaram um novo rumo e possibilitaram a presença das atividades estrangeiras nas economias locais.
Em 1830, depois de quase um século nas mãos da família Freitas, a Mina de Morro Velho foi vendida ao capitão George Francis Lyon, diretor da Mina de Congo Soco, em Caeté. Em 1834, a baixa produtividade na extração de ouro fez com que os Lyon vendessem a mina para a companhia inglesa Saint John del Rey Mining Company.A Saint John del Rey Mining Company era uma companhia de extração aurífera estabelecida na região de São João del-Rei e direção baseada em Londres, capital do Reino Unido. No entanto, a exploração de ouro na região de São João del-Rei não se tornou bem sucedida e a empresa transferiu-se totalmente para as Congonhas de Sabará, optando por manter o nome original da companhia. A partir de então, a exploração da mina passou a ser feita de forma mais organizada e com tecnologias até então pouco comuns no Brasil para a atividade. Com isso, a produtividade da mina aumentou vertiginosamente a sua produção, chegando a ser responsável, em 1879, por 83% do ouro exportado pela província de Minas Gerais. A presença da cultura britânica na região é explicada pela vinda de imigrantes ingleses, funcionários da Saint John del Rey Mining Company, para o trabalho na mina.
À explosão na produção aurífera, seguiu-se um desenvolvimento considerável nas pequenas manufaturas locais, que abasteciam a mina com os materiais necessários, e no setor de serviços, com o surgimento de vendas, hospitais, bibliotecas e demais serviços. Estes, por sua vez, também impulsionavam as manufaturas, e os três setores, juntos, foram responsáveis pelo aumento na população local.
Na Mina de Morro Velho havia trabalhadores livres e escravos. Apesar da Inglaterra ter sido o primeiro país do mundo a abolir a escravidão em 1833, a companhia inglesa continuou a se beneficiar da escravidão no Brasil. Para preservar a sua imagem na Inglaterra, a companhia tinha em prática uma política diferenciada no uso da mão de obra escrava, com punições mais brandas e premiações por concessões e benefícios. Em 1850 foi aprovada Lei Eusébio de Queirós, legislação que proibia o tráfico negreiro no país, demandando da companhia novas formas de atrair funcionários para a extração de ouro nas suas dependências. As principais políticas foram a distribuição de cadernetas de crédito, habitações a baixo preço próximas a mina e até a circulação de uma moeda própria para o comércio entre os trabalhadores e o Armazém da Mina, atual Casa Aristides.
Nas décadas seguintes aconteceram alguns incidentes que abalaram as operações da mina. Em 1857, um desmoronamento de aproximadamente 170 toneladas de terra, soterrou todo o maquinário e as estruturas de acesso à mina. Em 1869, quando um incêndio que durou quatro dias se alastrou pelas lavras da mina, foram registradas a morte de 21 escravos e um minerador inglês. Ambos os ocorridos, apesar de prejudicarem a empresa, não paralisaram totalmente a extração mineral. miniaturadaimagem|280x280px|Desenho da visita da Família Imperial à Mina de Morro Velho. Angelo Agostini, 1881. Em 1881 o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina visitaram a cidade para conhecer a Mina de Morro Velho. A mina era mundialmente famosa pela sua operação em profundidade, chegando a ter sido a mais profunda do mundo no fim do século XIX. Algumas das minas que hoje estão desativadas alcançaram cerca de 2.500 metros de profundidade, chegando até a 2.700 metros. O Casal Imperial foi recebido pelo diretor superintendente da Saint John del Rey Mining Company, Pearson Morrison e ficaram hospedados na Casa Grande, que é hoje o Centro de Memória da AngloGold Ashanti (até 2015 chamado de Centro de Memória Morro Velho). O Imperador foi guiado pela mina e desceu de elevador por 457 metros para visualizar as operações. A visita foi registrada pelo desenhista e artista gráfico ítalo-brasileiro Angelo Agostini.
Em 1886 ocorreu o maior acidente da história da Morro Velho: um grave deslizamento da abóbada da mina matou dezenas de escravos e funcionários ingleses e brasileiros. O incidente paralisou suas operações e colocou a mineradora em processo de liquidação. Naquele momento os recentes feitos de George Chalmers, novo superintendente da mina há apenas dois anos no cargo e responsável por reestruturar a mineradora e revolucionar os processos industriais, pareciam terem sidos em vão. Apesar do ocorrido, Chalmers solicitou a confiança dos administradores em Londres com planos ousados para a época e diversificação das atividades para outras galerias.Em 1889 ele consegue o apoio dos diretores e recebe maquinários para a perfuração de dois novos poços com cerca de 700 metros cada um. miniaturadaimagem|250x250px|Homenagem à George Chalmers, no Largo da Matriz, em 1912 Com a abolição da escravidão em 1888 e a Proclamação da República em 1889, a companhia se viu obrigada a entrar em um novo momento histórico que exigia a utilização de mão de obra assalariada. Desde 1850 o governo já estimulava a imigração no território brasileiro e nas últimas décadas do século XIX chegaram à cidade grupos de imigrantes italianos e espanhóis. A partir daí os trabalhos na mina progrediram e as extrações de ouro confirmaram as expectativas de Chalmers de fazer da Morro Velho um dos maiores empreendimentos minerais do mundo. Chalmers dirigiu a Morro Velho por 40 anos, até 1924, e se tornou um respeitado símbolo de prosperidade para a cidade.
Século XX: estabelecimento esquerda|miniaturadaimagem|280x280px|"English Quarter", hoje Quintas, em 1903. Entre 1904 e 1933 foram construídas seis usinas hidrelétricas que compuseram o Grupo Hidrelétrico de Rio de Peixe. Por intermédio de George Chalmers, a St. John adquiriu áreas mais ao sul do território onde o potencial hídrico para produção de energia elétrica era grande. Foram aproveitadas as águas do Rio de Peixe e de represas superiores à região, como a do Miguelão, das Codornas e da Lagoa Grande, que seria renomeada de Lagoa dos Ingleses. A inauguração da nova capital mineira em Belo Horizonte, a 22 km de distância do município foi um dos fatores a propiciar a continuidade do crescimento da região. A proximidade com a nova capital proporcionou à St. John a participação do poder estadual. Nos primeiros anos de Belo Horizonte, a energia elétrica da cidade era fornecida diretamente do Grupo Hidrelétrico de Rio de Peixe. Hoje o Complexo Rio de Peixe conta com sete usinas hidrelétricas que ainda estão em atividade. miniaturadaimagem|Alberto I, Rei da Bélgica, em Nova Lima, 1920.